* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os chineses são loucos também


Centenas de metros em um paredão nas montanhas em Shifou na província de Hunan, na China, um grupo de trabalhadores estão construindo uma calçada.


A série completa de fotos está no blog Valores e Atitudes Seguras, mas tome um Dramin antes.





sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ferrovias investem pouco em expansão



por Fabio Pupo, no Valor Econômico

As empresas privadas que operam ferrovias estão investindo muito pouco em expansão da rede. No ano passado, desembolsaram R$ 4,7 bilhões, mas destinaram a maior parte dos recursos à manutenção e compra de locomotivas e vagões. Um terço dos 30 mil quilômetros da malha, segundo dados oficiais, está hoje subutilizada e degradada. O presidente da Associação Nacional de Transportadores Ferroviários, Rodrigo Vilaça, diz que esses trechos são inviáveis

Dos quase R$ 30 bilhões que o BNDES liberou para novos projetos de infraestrutura no ano passado, apenas R$ 226 milhões (menos de 1%) foram destinados a obras de ferrovias. O número vai na contramão das exigências do governo federal, que demanda mais investimentos na malha concessionada - especialmente em trechos hoje abandonados pela iniciativa privada. As empresas, por sua vez, preferem fazer melhorias apenas em trechos que trazem maior rentabilidade - um problema causado, na opinião de fontes ligadas ao setor, pela pouca exigência nos contratos de concessão dos anos 90.
No ano, a única empresa concessionária de ferrovias que contratou recursos do banco de fomento foi a MRS Logística, cujos donos são Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Vale, Gerdau e Usiminas. Concessionária de malha ferroviária nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, a companhia assinou financiamento para aquisição de 44 locomotivas em dois contratos de R$ 113 milhões. Outras grandes empresas do setor, como América Latina Logística (ALL) e Vale não figuram dentre os que contrataram financiamento do banco para ferrovias.
A soma contratada entre empresas e BNDES no setor de infraestrutura em 2011 prioriza projetos em energia (75% do total ao setor). Se analisados apenas investimentos em transportes, rodovias lideraram as contratações e receberam 20 vezes mais recursos do que a malha ferroviária. As estradas ficaram com 17% dos recursos do banco para o setor no ano. Os dados podem ser obtidos a partir do site do banco na internet.
Embora os números mostrem que os investimentos em novos projetos por parte das concessionárias de ferrovias reduziram, as empresas defendem que fazem investimentos maiores a cada ano. Foram R$ 4,7 bilhões em 2011. No entanto, a maior parte do montante aplicado por elas é direcionado à manutenção, compra de material rodante (locomotivas e vagões) e a trechos localizados, que as interessam em termos financeiros e têm retorno garantido - neste caso, não é preciso do BNDES. Pelo pouco retorno que outros trechos trazem, as concessionárias simplesmente os abandonam. Um terço dos 30 mil quilômetros da malha, nas contas do governo, está hoje subutilizada e degradada.
O presidente da Associação Nacional de Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, defende que os trechos hoje subutilizados são inviáveis. "Se não conseguimos solucionar os trechos em 15 anos [de concessão], é porque [o problema] é de natureza econômica", diz. Aditivos contratuais não são vistos como solução por parte do governo, que prefere não aumentar o tempo de concessão.
"Muitos trechos que beneficiam a sociedade, por exemplo desafogando o trânsito de carros numa região, são preteridos por não serem vistos como viáveis", explica um alto executivo ligado ao setor, que prefere não se identificar. Ele admite que a liberdade que as concessionárias têm em direcionar seus investimentos somente aos trechos que as interessam é um problema dos próprios contratos de concessão. "Quando eu olho o contrato hoje, existem muitas coisas inadequadas. Não pode existir uma concessão de serviço público com apenas duas metas [segurança e volume]. Meta de investimentos, por exemplo, não existe".
Para Paulo Fleury, diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), os investimentos "localizados" das empresas acabam não expandindo a capacidade dos trilhos - hoje uma necessidade do país. "As ferrovias que temos hoje já chegaram ao limite da capacidade economicamente justificável", diz. Os trilhos, diz ele, movimentam somente 20% de carga no Brasil. "No último levantamento que fizemos, as ferrovias perderam mercado em vez de ganhar".
Para Fleury, a iniciativa privada vai continuar não fazendo investimentos necessários à expansão sem uma regulamentação mais forte por parte do governo. É exatamente isso que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tentou aplicar nos últimos anos, a partir da gestão do então diretor-geral, Bernardo Figueiredo. O governo publicou uma nova diretriz de regulamentação para que, dentre outros itens, as empresas tenham metas de movimentação mínima de carga em cada trecho concessionado.
Como grandes projetos de extensão de ferrovias são considerados inviáveis, o governo assumiu a responsabilidade. Dos três grandes projetos de ferrovia em execução no país, dois são tocados pelo governo por meio da Valec. São eles a extensão da Norte-Sul (entre as cidades de Ouro Verde, em Goiás, a Estrela D"Oeste, em São Paulo) e o projeto da Oeste Leste (entre Figueirópolis, no Tocantins, e Ilhéus, na Bahia). "Obras tocadas pelo poder público não recebem financiamento do BNDES", explica a chefe do departamento de logística e transportes do banco, Adely Branquinho. Ela diz que, apesar do número de 2011, há projetos feitos pela iniciativa privada que começaram nos anos anteriores e que, até 2015, o desembolso para ferrovias pode alcançar R$ 10 bilhões.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Israel reconhece que Irã não trabalha em bomba nuclear


Janio de Freitas, no UOL/Folha (só para assinates)

O MUNDO mudou em poucos minutos ontem.
Foi o tempo para que se difundissem as conclusões no governo de Israel -por aqui, divulgadas com atraso - de que o Irã não está trabalhando na produção de bomba nuclear. Por seus tantos significados e pelo inesperado, uma notícia que se integra àquelas de natureza especial no jornalismo, pelo poderoso efeito imediato em cada ser de bom senso, mundo afora.
Foi também o dia das diplomacias do Brasil e da Turquia, e em particular do ex-presidente Lula e do recém-eleito presidente Tayyp Erdogan, da Turquia.
À época presidente brasileiro e primeiro-ministro turco, os dois estiveram na iminência de antecipar o fim do clima de pré-guerra contra o Irã. O êxito de sua intermediação no problema, a pedido de Barack Obama, trouxe grande probabilidade de negociações esclarecedoras dos iranianos e de distensão dos temores de Israel e do Ocidente.
Visto o êxito, Barack Obama deu as costas aos dois e à oportunidade sem precedente.
Hoje, a conclusão emitida por altas figuras israelenses brinda o Brasil e a Turquia. E vale como denúncia das responsabilidades de Barack Obama, e em parte também da ONU, pelos últimos dois anos de tensão, de castigos econômicos impostos ao povo iraniano e da difícil contenção de um ataque israelense ao Irã. A título preventivo do que, está dito em Israel, não havia a prevenir.
Dentre os pronunciamentos israelenses de ontem, a meu ver o realce cabe ao de Ehud Barak, general e ministro da Defesa, segundo o qual "o Irã ainda não decidiu fazer a bomba nuclear".
Nem ao menos decidiu.
Quando primeiro-ministro, por período a que o radicalismo de direita negou maior duração, Ehud Barak mostrou empenho sincero no alcance de convivência pacífica com os palestinos e os demais árabes. Atual integrante do governo ultradireitista de Netanyahu, no arranjo político para compor um gabinete, Ehud Barak falou duro sobre e contra o Irã, mas jamais engrossando as ansiedades belicistas do primeiro-ministro.
É verdade que já vivemos muitos momentos promissores, logo frustrados, na questão do Oriente Médio. Ainda que não pareça, o de agora pode repetir os anteriores. Mas o que ficará das afirmações feitas influirá daqui para a frente.
Outra hipótese, política e menos provável, é a de que Ehud Barak e outros tenham se exposto, com informações ainda insuficientes, para dificultar a aceleração sigilosa de ações desejadas por Netanyahu. Estas e outras hipóteses exigem a mesma coisa: esperar para ver se alguma prevalece.
Até lá, por breve que seja, um novo clima no mundo é benfazejo.


COMENTÁRIO
Alex - no blog do Nassif
O Irã não é o Iraque. Se Israel, EUA ou qualquer outra nação agredir o Irã a pretexto de defender a paz, a democracia, a liberdade ou qualquer outro eufemismo, a história vai ser completamente diferente! Se isso acontecer (agressão) as consequencias são inimagináveis! Parece que alguém em Israel começou a ver isso. Mas o problema de Israel é a ultradireita (irracional) e a dos EUA, a sua indústria bélica, sedenta pelos lucros que um conflito armado gera para sua indústria e o prejuízo que deixa para o país e povo (do Irã?)!

O grampinho



Marco Antonio Mello, no seu ótimo DoLadodeLá






Lembrei-me do episódio que narro abaixo depois de ver a notícia de que o deputado vai se candidatar à prefeitura de Salvador. E, segundo o presidente do DEM, senador Agripino Maia, ACM Neto é o fato novo do partido, com potencial para se projetar nacionalmente e reerguer a combalida legenda. Pois bem, vamos aos fatos.

Minha chefe me convoca para ir a Brasília. Pergunto se sou obrigado e ela responde que sim, que todos os editores do Jornal Nacional em São Paulo (são quatro ao todo, um por semana, sendo três mulheres e eu). Quero saber se preciso ser o primeiro da fila. Ela responde que não, que conversará com as outras editoras e decidirá quem vai primeiro. Peço para, se possível, ficar por último. Estamos em setembro de 2005.

A primeira colega foi, passou uma semana e voltou, desamparada. A segunda também seguiu para lá e voltou desmilinguida. A terceira editora entrou em licença médica. Assim, sobrou para mim. Comprei uma caixa de Passiflora (calmante natural de Maracujá) e segui viagem. Era para ser uma semana, mas fiquei duas. Entrava ao meio-dia e saia depois que o Jornal da Globo terminava, não raro depois da uma.

Minha tarefa era reforçar a edição do Jornal Nacional e do Jornal da Globo, mas como chegava antes do Jornal Hoje ainda ajudava a coordenar entradas ao vivo, isso quando não editava alguma matéria bruta para eles também. Resumindo: trabalho semi-escravo, desumano.

A capital federal ardia com duas CPIs simultâneas: a dos Correios (Mensalão) e a dos Bingos, apelidada de "Fim do Mundo", de tão ampla. Investigou os assassinatos dos prefeitos petistas de Campinas, Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel; a “máfia do lixo” em Ribeirão Preto; o escândalo da Loterj;  a renovação do contrato entre a multinacional GTech e a Caixa Econômica Federal para loterias; os dólares de Cuba para a campanha de Lula; a máfia do apito no Brasileirão, e por aí foi...

A "Fim do Mundo" teve papel importante na derrocada do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acusado de envolvimento com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. O caseiro afirmou ter visto Palocci na “casa do lobby”, mansão do Lago Sul onde, segundo denúncias, a República de Ribeirão dava expediente e festinhas para firmar negócios com empresários interessados em parcerias com o Governo Federal.

Nas reuniões preparatórias dos telejornais notei a existência de duas colegas, uma de São Paulo e outra de Brasília, que não botavam a mão na massa. Ou melhor, botavam sim, mas no cocô. Eram as duas porta-vozes do então todo-poderoso diretor de jornalismo Ali Kamel no Congresso.

O papel delas era articular a cobertura de cima para baixo. Elas definiam no gabinete dos deputados quais seriam as manchetes do dia seguinte de todos, digo, todos os jornais impressos e telejornais do país. E como funcionava isso? Enquanto corríamos feito loucos para assistir e noticiar os fatos daquele dia, elas se encarregavam dos vazamentos.

Tudo o que era conversado a portas fechadas, requerimentos sigilosos, acordos de bastidores, convocação de depoentes, as duas tinham acesso primeiro e municiavam os coleguinhas com os desdobramentos daquilo que a Globo julgava mais conveniente à cobertura.

O pivô desta relação promíscua, para não dizer espúria, era o então deputado ACM Neto, apelidado carinhosamente de "grampinho" (talvez inspirado pelo estilo do avô). Foi uma destas colegas que delicadamente o aconselhou a parar de mascar chicletes nas sessões da CPI, para que não passasse uma imagem de adolescente. Afinal, o Brasil inteiro estava ligado, ou na TV Câmara, ou na TV Senado, quando não na Globonews.

Alguma coisa começou a dar errado quando houve os dois depoimentos mais esperados de todos: de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, à CPI do Mensalão e do doleiro Toninho da Barcelona à dos Bingos: Tive o privilégio de assistir às mais de quatro horas da fala do banqueiro e, ao final, saí convencido de que uma enorme pizza estava no forno.

Ou melhor, começaria ali o plano de sangramento homeopático do Governo, que deveria durar um ano, até a corrida eleitoral de 2006, mas como todos sabemos, o plano não deu certo.

No fim daquela semana este editor voltaria para São Paulo conhecendo um pouco mais do tipo de jornalismo que se faz em Brasília, a partir de uma das maiores emissoras de TV do mundo, e dos tipos de jornalistas inescrupulosos que temos que encarar numa redação.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Vassouras anti-corrupção varreram o próprio dono


extraído de artigo de Jorge Lourenço, no Jornal do Brasil




Para refrescar a memória: no final do ano passado, o ativismo na web disparou uma série de protestos anti-corrupção pelo Brasil. Num deles, a ONG Rio de Paz espalhou vassouras em Brasília e no Rio de Janeiro para simbolizar a tão desejada limpeza ética dos políticos brasileiros . Advinha quem comprou as vassouras? Demóstenes Torres.

sábado, 21 de abril de 2012

Porque hoje é sábado... nossa velha seção... - Tempos Modernos

O clássico completo de Chaplin para se ver no final de semana...

Você, como um contínuo fluxo de recursos






As privatizações estão se acumulando. Primeiro foi o gás. Depois as empresas de telefonia, de petróleo, de eletricidade, as moradias públicas, distribuição de água, as ferrovias e os aeroportos. Existem medidas para obliterar o conceito de moradia social; os hospitais do NHS [o SUS britânico] serão construídos e gerenciados privadamente; agora o David Cameron quer que empresas privadas e governos estrangeiros ‘invistam’ nas rodovias do Reino Unido. O que isso significa? O caráter episódico da privataria — um setor à venda, pausa, outro setor à venda — esconde a metaprivatização que já atravessou a barreira dos 50%. Os bens essencialmente públicos que Margareth Thatcher, Tony Blair e agora Cameron vendem não são as estações, os trens ou hospitais. É o público, em si. Somos nós.
O bem que torna a água, as estradas e os aeroportos valiosos para um investidor, estrangeiro ou não, é o povo que não tem escolha. Não temos escolha mas pagar o preço que nos é cobrado nos pedágios. Somos um fluxo de receitas; somos locatários de nossa própria terra, definidos pela coleção de taxas privadas que pagamos para existir nela. Se não é óbvio que somos vendidos aos investidores, é parcialmente pela forma como a ideia de privatização nos é vendida, hipnoticamente familiar. Primeiro vem a desqualificação do serviço existente, como se uma verdade universal estivesse se manifestando: as escolas/hospitais/rodovias estão caindo aos pedaços/desabando/são de segunda classe. Então, vem a rejeição da responsabilidade governamental: não temos dinheiro, os burocratas são incompetentes. Finalmente, a solução: investimento privado.
E o investimento vem e as coisas ficam mais reluzentes. Se o setor privado não pagasse para trocar os encanamentos, reformar as rodovias velhas e as usinas de energia, seríamos obrigados a pagar mais impostos? A verdade é que já pagamos impostos muito altos. Só que eles não são chamados de impostos. Nosso sistema de distribuição de água está sendo reformado por causa de um grande aumento no preço dos impostos. Mas não é o que se diz. É chamado de “conta d’água”. Como Chris Giles explicou recentemente no Financial Times, as contas de água subiram duas vezes mais que a inflação desde a privatização. Pagamos um imposto ferroviário: é chamado de aumento de tarifa. Pagamos um imposto de energia, na forma de tarifas mais altas e assim por diante.
Ao embrulhar os cidadãos britânicos e vendê-los, setor por setor, a investidores, o governo torna possível manter os impostos tradicionais baixos ou até os corta. Ao sair de um sistema em que os serviços públicos são mantidos por impostos para um sistema em que são mantidos pelas contas pagas pelos usuários, deixamos um sistema no qual os ricos são obrigados a ajudar os pobres para um sistema no qual os de baixo bancam os serviços, como uma rede de estradas, que os ricos recebem pelo que, para eles, é uma pechincha.
Haverá uma revolta? Houve uma nos anos 90 na ilha de Skye. Ostensivamente, o setor privado ia construir algo que os ilhéus não conseguiriam de outra forma: uma ponte para substituir a balsa. Mas os ilhéus entenderam o que estava acontecendo. Eles estavam sendo vendidos como fluxo humano de recursos. Em vez da ponte ser construída por uma pequena porção do orçamento do governo, foi construída por uma empresa privada com a garantia de que ela poderia cobrar altos pedágios. Menos impostos para todos os britânicos, um grande imposto privado para os ilhéus. Uma grande campanha de desobediência civil terminou em 2004, quando os ilhéus, remando contra a maré, conseguiram que a ponte fosse nacionalizada. A ilha de Skye é pequena. A Grã Bretanha é uma grande ilha. O plano é o mesmo. Vamos ver o que vai acontecer.
PS do Viomundo: Não faz diferença se quem ‘vende’ a ideia é do PSDB, do PT, do PSOE, Tory ou do Tea Party. É vendedor, assim mesmo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Argentina deu passo na direção certa




por Ricardo  Aronskind, no 247 e no Pagina 12

Nos anos 1990 nos foi dito que a globalização foi o retrocesso do Estado frente ao mercado, o desaparecimento das fronteiras nacionais e a internacionalização benéfica das empresas. Era uma mentira. A globalização foi o avanço das multinacionais produtivas e financeiras do centro sobre os mercados periféricos, o enfraquecimento dos Estados (periféricos) versus corporações (principalmente estrangeiras) e a integração passiva a uma economia mundial comandada pelos países centrais. Assim, o pouco dinâmico capitalismo espanhol encontrou uma oportunidade de estender suas empresas pouco eficientes para fora de seus domínios, às custas dos países latino-americanos devastadas pelo neoliberalismo.
Teoricamente, pode haver pontos de convergência entre os negócios das multinacionais e das necessidades nacionais de um país periférico. Para isso se exigem duas condições: que a especialidade das multinacionais não seja a depredação das economias "hóspedes" e que os países receptores saibam muito bem quais são seus objetivos e sejam capazes de estabelecer as condições que lhe são favoráveis.
Nos casos da Aerolíneas Argentinas e da Repsol, não existia nenhuma das condições apontadas.
A YPF-Repsol se tornou, por decisão própria, um obstáculo ao desenvolvimento nacional. A atitude extrativista, sem investimento e com remissão absoluta de lucros ao exterior, deixou de ter relação com o que o país necessita em termos de progresso.
Se a Argentina não reagisse, se confirmava a maldição da globalização: os estados periféricos valem menos do que as multinacionais, e a única coisa que existe são os interesses do centro.
A decisão adotada nesta segunda-feira (16/04) implica um enorme desafio em dois planos. Externamente, a construção de uma relação soberana e inteligente com o capital multinacional não pode nunca ser baseada na renúncia a uma perspectiva nacional nas negociações. Essa relação sempre foi conflituosa em nossa história, dadas as fragilidades do Estado nacional e a falta de orientação estratégica de muitos governos.
Interiormente, o desafio é voltar a demonstrar a possibilidade de um Estado eficiente, capaz de gerir bem e oferecer resultados positivos para a sociedade. Ninguém acredita que isso é mais simples do que negociar bem com o resto do mundo. Muitos anos de anomia criaram uma moralidade pública bastante fraca, e se requer um esforço extraordinário para se colocar em pé uma empresa de grandes dimensões que nos deixa orgulhosos. Os recursos potenciais argentinos são enormes, tendo em conta o petróleo convencional e o não convencional. Mas os interesses envolvidos são poderosos e agressivos. As placas tectônicas do poder mundial estão se movendo e a Argentina deu um passo na direção certa. 
Ricardo  Aronskind é professor da Universidade de Buenos Aires-Plan Fénix. Artigo publicado originalmente no Jornal Página 12

O rei 5ª roda (Por que não te calas...)



por Mauro Santayana, em seu blog

O Rei Juan Carlos caiu em Botsuana, quando caçava elefantes, e fraturou a bacia. O Rei Juan Carlos é presidente de honra da ONG WWW-Adena, que existe para proteger os elefantes da extinção. A caça de elefantes em Botsuana é legal: paga-se 20.000 euros por animal abatido, e se gasta pelo menos mais 30.000 pela viagem.

Os gastos do Rei são pagos pelo povo espanhol, que está sendo castigado por medidas de austeridade, com o desemprego acelerado e a redução de despesas sociais. Em lugar de exercer o dever de todos os monarcas, e buscar resolver os graves problemas de seu país, o Rei vai caçar elefantes.

Por isso mesmo, o povo começa a perguntar-se se não é melhor ficar apenas com os quatro reis do baralho – e enviar os Bourbón para caçar elefantes na África. Só os monarquistas, como saída, defendem a abdicação do rei e sua substituição pelo filho mais velho, o Príncipe de Astúrias, inakide cuja inteligência pouco se sabe.

Nas vésperas da morte de Franco, quando preparavam a sua substituição por Juan Carlos, dizia-se que ele havia sido condecorado com duas medalhas, uma por idiota, e outra para substituir a primeira, se a perdesse. Está merecendo uma terceira, de igual referência.

Enfim, Juan Carlos é tão útil como um quinto rei no baralho.

Ençampação Comunista Argentina







Ofendendo a propriedade privada e a livre empresa internacional, a viúva negra do marxismo portenho, Cristina K., num arroubo comunista praticou mais um roubo ao encampar a petrolífera de los hombres buenos de España para assim se assenhorar dos meios de produção argentinos, levando a marcha do socialismo austral a galgar mais um degrau imundo rumo ao bolchevismo fétido.

Tal atitude infame e ofensiva ao capitalismo mundial e principalmente a el Rey de Aragón y Castilla, foi levada à cabo após uma imensa campanha terrorista de fustigação, coações e fuxicos contra os altos executivos da empresa, e é um ato absolutamente ilegítimo e injustificável cujo real propósito é derrubar os pilares menemonicos libertadores adotados pelo saudoso presidente Carlos Menén, um homem bom, quase um FHC platino, na década de ouro do cone-sul.

Ao saber de tão maléfica atitude da bruxa do sul, a enviada da América, Miss Hillary, disse em meio às lágrimas que o modelo capitalista é o melhor e que somente  a privatização da Petrobras poderá compensar o atual golpe. Assim esperamos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O Pato Donald pode ficar de fora


episódio sobre o Brasil do filme de Disney, de 1942, citado no texto
Por Antonio Luiz M. C. Costa, no Carta Capital

Em 1939, o fim da influência britânica nas Américas estava consumado, mas os EUA estavam longe de garantir a herança. Franklin Roosevelt teve de fazer sua parte para conquistar corações e mentes na América Latina. Reconheceu a nacionalização das petroleiras anglo-americanas no México, ajudou Getúlio Vargas a criar a Vale do Rio Doce e a CSN com as reservas de ferro expropriadas ao empresário estadunidense Percival Farquhar e até encomendou à Disney a animação Saludos Amigos!, de 1942.
p>Com o fim da guerra e do Eixo, Washington tornou-se tão hegemônica no Hemisfério Ocidental que não pediu mais desenhos animados sobre a América Latina e em 1950 extinguiu como supérflua a Quarta Frota, criada em 1943 para patrulhar as águas latino-americanas. O continente era seu quintal. A Guatemala podia servir de cobaia de experiências com sífilis que mataram pelo menos 83 entre 1946 e 1948, enquanto o Brasil era forçado a importar quinquilharias para liquidar as reservas acumuladas na guerra, romper relações com a União Soviética e pôr os comunistas na ilegalidade. Desobedientes teriam o destino de João Goulart em 1964 ou Salvador Allende em 1973.
Em 1994, quando a União Soviética já não existia e os EUA convocaram a primeira Cúpula das Américas em Miami para preparar a construção da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), não se concebia oposição. Ainda em 2002, o embaixador dos EUA em La Paz julgava apropriado ameaçar abertamente os bolivianos de represálias caso votassem em Evo Morales. Em 2003, quando Brasília articulava a resistência dos “emergentes” na OMC e na Alca, o subsecretário de comércio exterior de Bush júnior, Robert Zoellick (depois presidente do Banco Mundial) não a levava a sério: zombava que o Brasil, se ficasse de fora, teria de “exportar para a Antártida”.
O tropeço dos EUA na OMC e na Alca e a surpreendente derrota de 2005, quando o socialista chileno José Miguel Insulza, com apoio do Brasil, venceu a disputa pela secretaria-geral da OEA contra o mexicano patrocinado por Washington, foram vistos como anomalias temporárias. Ainda em 2006, The Economistdesdenhava o Brasil como “espectador irrelevante” e sua diplomacia como uma “confusão com resultados esquálidos”.
Mas a América Latina se fez notar no radar de Washington, como uma pedra da qual só se toma consciência ao se levar a topada. A criação de um novo psitacídeo carioca por animadores de Hollywood, 69 anos depois do Zé, talvez tenha sido um acaso, mas não o foi a recriação da Quarta Frota quando a China conquistava mercados latino-americanos, a Rússia fazia exercícios militares com a Venezuela, o Equador expulsava a base dos EUA em Manta e o Brasil consolidava na Unasul e no BRICS alianças estratégicas alheias a Washington.
Seis anos depois, a mesma The Economist abre seu comentário sobre a visita de Dilma Rousseff a Barack Obama dizendo que “o Brasil nunca foi tão importante para os EUA quanto agora e os EUA nunca importaram tão pouco para o Brasil”. Não foi preciso exportar para a Antártida: bastou ampliar o mercado interno e o comércio com o Sul e com Pequim – hoje um parceiro comercial mais importante para Brasília que Washington – e eliminar a dependência financeira dos bancos e órgãos multilaterais dominados pelos EUA.
Hugo Chávez, cuja derrota The Economist prevê a cada ano eleitoral, é mais uma vez favorito, apesar de doente, e o que é mais interessante, seu rival Henrique Capriles, que participou do assédio à Embaixada de Cuba durante o fracassado golpe de 2002, hoje posa como centro-esquerda e se diz “bolivariano”, inspirado em Lula e no “modelo brasileiro”.
A Alca morreu e seu ectoplasma, a Cúpula das Américas, corre o risco de ser definitivamente exorcizado. Os EUA voltaram a vetar a participação dos cubanos na Cúpula de Cartagena de 14 e 15 de abril, mas a presidenta Dilma disse a Obama que “todos os países da América Latina têm relações com Cuba e esta é a última Cúpula da qual Cuba não participará”. Obama respondeu? “Não teve de responder. Não foi uma pergunta.” Para o presidente do Equador, Rafael Correa, a de 2009 já foi a última: boicotou a atual como irrelevante para as questões que “importam para a Pátria Grande”, incluindo o bloqueio de Cuba e a colonização britânica das Malvinas, como explicou em carta aberta ao anfitrião colombiano, Juan Manuel Santos.
Santos sentiu-se obrigado a ir em pessoa a Havana desculpar-se e criticar os EUA: “Há certa hipocrisia na forma como tratam Cuba e não aplicam o mesmo padrão a outros”. Dito pelo chefe de um dos governos mais próximos dos EUA no continente, é significativo. Assim como o protesto do notoriamente direitista presidente da Guatemala, general Otto Pérez, quando os EUA vetaram sua pré-cúpula da América Central, na qual pretendia articular com os vizinhos uma posição conjunta da região em favor da legalização das drogas.
Naturalmente, os EUA ainda podem contar com seu peso militar e econômico, principalmente no México e nas frágeis repúblicas da América Central. Mas se dependesse da diplomacia, a influência dos EUA teria caído a zero. As atitudes da Casa Branca na América Latina não são pautadas pela realidade, mas pelas ficções do debate midiático e partidário interno dos EUA.
Obama ganharia a boa vontade de muitos latino-americanos se encerrasse o bloqueio a Cuba, mas seria mais um pretexto para ser acusado de “marxista” pelos republicanos, alguns dos quais pedem o fim da OEA. Em Honduras, ao que tudo indica, o governo democrata cedeu a republicanos e militares e reconheceu o golpe em -troca da nomeação de um funcionário de segundo escalão.
Vencida pela Embraer, uma concorrência do Pentágono foi cancelada para favorecer um pequeno fornecedor local. Em busca do voto anticastrista, republicanos da Flórida atropelam o governo federal, ao qual caberia a política externa, e proíbem o estado e seus municípios de contratarem a -Odebrecht, por esta executar obras em Cuba. Paralisados pela intransigência de suas disputas internas, os EUA podem perder a capacidade de conduzir uma diplomacia coerente nas Américas até que seja tarde demais.

O embuste da Veja


por Luis Nassif, em seu blog

A tentativa da Veja e do PT de contrapor a julgamento do “mensalão” à CPI de Cachoeira interessa apenas a ambos, não ao conjunto da opinião pública e, principalmente, aos poderes constituídos – Judiciário (incluindo Ministério Público), Legislativo.
O “mensalão” já são cartas dadas. Já houve o impacto político em 2006, as investigações,  um inquérito volumoso que já está no STF (Supremo Tribunal Federal). Provavelmente a maioria dos ministros tem opinião formada e não vai se deixar influenciar pelo noticiário.
Daí o inusitado da capa da revista Veja, insinuando que a CPI de Cachoeira visa jogar cortina de fumaça sobre o “mensalão”.
Na verdade, o que está em jogo é algo suprapartidário e muito mais grave do que denúncias políticas: a parceria entre Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, ao longo dos últimos oito anos.

Na matéria de capa, Veja compara-se ao promotor que propõe ao réu a “delação premiada”. Trata-se de um instituto, previsto em lei, pelo qual o réu tem abrandamento de pena se se dispuser a entregar escalões mais altos da organização criminosa.
No caso de Cachoeira, tal não ocorria. As matérias fornecidas pelo bicheiro serviam para detonar quadrilhas rivais, fortalecendo seu poder. Mais que isso, juntos, Cachoeira e Veja transformaram o senador Demóstenes Torres no político mais influente da oposição. Graças ao prestígio bancado pela revista, Demóstenes conseguia penetrar nos diversos departamentos da administração pública, defendendo pleitos do bicheiro.
A revista sustenta que a parceria com o bicheiro visou levantar denúncias que permitissem limpar o país.
A história não mostra isso.
No caso do grampo sobre a propina dos Correios, houve o claro propósito de beneficiar Cachoeira. O diretor da revista supervisionou pessoalmente o grampo, até julgar que estava eficiente. Depois disso, segurou a notícia por um mês, dando tempo ao esquema Cachoeira fazer o uso que bem quisesse. Publicada a denúncia, conseguiu-se o afastamento do esquema Roberto Jefferson dos Correios, e seu lugar ocupado novamente por esquema ligado ao próprio Cachoeira – que, dois anos depois, foi desbaratado pela Polícia Federal.
No episódio Satiagraha a revista usou os mesmos métodos. Para paralisar as investigações – que levariam inevitavelmente a Daniel Dantas -, a revista soltou uma série de matérias montadas.
Foi assim com a capa “O país do grampo”, \ que juntava um conjunto de informações desconexas, para passar a impressão que a Polícia Federal estaria grampeando meio mundo. Na verdade, a usina de grampos era do próprio Cachoeira.
O mesmo ocorreu com o “grampo sem áudio” – o falso grampo que teria interceptado uma conversa entre o Ministro Gilmar Mendes, do STF, e o senador Demóstenes Torres.
A falta de limites era tal que a revista publicou um dossiê contra o Ministro Edson Vidigal, do Superior Tribunal de Justiça, que havia dado uma sentença contra Dantas.
Era uma armação tão descarada, que a reportagem anunciava uma representação de uma ONG junto ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), contra Vidigal. A representação baseava-se na própria reportagem da revista – que ainda nem tinha sido publicada.

ATUALIZAÇÃO

excerto do blog de Jorge Furtado

Menos divertido, ao contrário, como momentos comoventes, o esforço de alguns jornalistas – de alertar o distinto público sobre o que há de vir na CPI, mais detalhes sobre a relação de (outros) maus jornalistas com o crime organizado.
Uma coisa é ouvir um bandido sobre o crime, avisando ao leitor que a informação foi dada por um bandido, isso todos fazem e devem, precisam fazer.
Outra, muito diferente, é ser sócio do bandido, publicando o que ele quer, quando quer, sobre quem quer, anos a fio, e sem contar para ninguém que ele é um bandido, com interesse direto, financeiro, na publicação daquilo que ele chama de "reportagem investigativa".
O modus operandi da quadrilha é simples e fica muito claro pelo que já se conhece das investigações. Na maior parte das vezes, se trata de arapongagem, grampos e gravações ilegais onde o bandido oferece suborno (o que é crime) ou, sabendo que está sendo gravado e seu interlocutor não, envolve a vítima (desonesta ou não) em conversas cabeludas que, bem editadas, podem destruir reputações. De posse destas gravações e com acesso direto às manchetes, a quadrilha arma suas chantagens, ameaçando adversários e desafetos, cobrando para publicar ou não publicar informações.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Islândia - A velha midia não noticiou nada disso


Por Theo Buss, na revista Fórum e no ODiário.info

Se há quem acredite que nos dias de hoje não existe censura, então que nos esclareça porque é ficamos a saber tanta coisa acerca do que se passa no Egito e na Síria e porque é que os jornais não têm dito absolutamente nada sobre o que se passa na Islândia?...
Na Islândia:
- o povo obrigou à demissão em bloco do governo;
- os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas financeiras;
- foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição.
Tudo isto pacificamente. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus lhe viessem a seguir o exemplo?...
Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos fatos:
- 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a Bolsa suspende a atividade. O país está em bancarrota.
- 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de todo o governo.
A desastrosa situação econômica do país mantém-se. É proposto ao Reino Unido e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por meio do pagamento de 3,5 bilhões de euros, montante suportado mensalmente por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de juro de 5%.
- 2010: o povo sai novamente às ruas, exigindo que essa lei seja submetida a referendo. Em janeiro de 2010, o presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma consulta popular. O referendo tem lugar em março. O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos votos. Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar juridicamente as responsabilidades pela crise. Tem início a detenção de numerosos banqueiros e quadros superiores.
A Interpol abre uma investigação e todos os banqueiros implicados abandonam o país. Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir a nova Constituição, que acolha as lições retiradas da crise e que substitua a atual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa.
Com esse objetivo, o povo soberano é diretamente chamado a se pronunciar. São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, dentre os 522 que apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade e ser apoiado por 30 pessoas.
- A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos em fevereiro de 2011 a fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que tiveram lugar em todo o país, um projeto de Carta Magna. Esse projeto deverá passar pela aprovação do parlamento atual bem como do que vier a ser constituído após as próximas eleições legislativas.
Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa:
- Demissão em bloco de um governo inteiro;
- Nacionalização da banca;
- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões econômicas fundamentais;
- Prisão dos responsáveis pela crise e
- reescrita da Constituição pelos cidadãos:
Ouvimos falar disto nos grandes da mídia europeia?... Ouvimos falar disto nos debates políticos radiofônicos?...  Vimos alguma imagem destes fatos na televisão?
Evidentemente que não!...
O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia a todo o mundo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mercantilização da Natureza (2)







A ameaça à soberania do povos representada pela mercantilização do ar assumiu formas concretas no Brasil quando empresas estrangeiras de duvidosa origem tentaram chegar a acordos com lideranças indígenas, na Amazônia, para controlar suas terras em troca de creditos de carbono.


O artificio se baseia num mecanismo controverso, os chamados REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (na sigla em inglês), que envolve a contratação, por especuladores capitalistas, do controle sobre áreas florestais consideradas como “captoras” de carbono. A contrapartida recebida pelo investidor é o compromisso de manutenção intacta, “santuarista”, das matas. Além do direito de explorar a mata, ele se beneficia também com a possibilidade de negociar, no mercado mundial de créditos de carbono, os direitos adquiridos dessa maneira, vislumbrando enormes lucros financeiros.


Os povos ou nações contratantes (indigenas as vezes), em tese beneficiados com os investimentos feitos, abrem mão de sua soberania sobre as matas envolvidas e comprometem-se a deter seu próprio desenvolvimento, em nome da preservação ambiental.


A questão é importante. Seu aspecto negocial é apenas parte do problema; os fundamentais são o comprometimento da soberania e a obrigação, imposta por esses acordos, de redução ou contenção do desenvolvimento das áreas envolvidas nos chamados REEDs. 


Ambos – o desenvolvimento e a soberania – ficam severamente comprometidos pois o controle sobre a utilização das matas passa a ser gerido de fora (mesmo fora do país e desse modo ficaria à margem da legislação nacional), ficando subordinada às regras impostas pelo contrato assinado com uma empresa (estrangeira, por exemplo). 


O biombo constituído pela ampla aceitação popular sobre medidas de proteção do meio ambiente é abertamente usado pela especulação financeira para negócios altamente lucrativos nesta última fronteira da mercantilização capitalista da natureza – o ar, como já se faz sobre a terra e a água.