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* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Férias para o gato! (2)


Este blog botocudo vai entrar em recesso nos próximos 10 dias.

Embora, pela 1ª vez eu vá levar um laptop para minha temporada no litoral, passível até de me conectar via celular, não pretendo postar nada aqui até o dia 03/01/2011, quando, a principio, estarei de volta.

Aproveito desejar Boas Festas de fim de ano e um Maravilhoso 2011 aos leitores que prestigiaram este blog nesse árduo 2010. Esse prestigio de vocês durante o ano muito nos honra e envaidece.

WikiLeaks - O que é mesmo que os governos ocultam

O fenômeno WikiLeaks foi uma coisa que se impôs em 2010, um dos maiores acontecimentos da década. Vários vazamentos chamaram a opinião publica a prestar mais atenção ao que se trata.

O interesse provocado pelos papeis de Wikileaks se explica principalmente por uma razão muito simples: revelam até que ponto as classes políticas nas democracias ocidentais enganam seus cidadãos.

No nosso caso a visibilidade se deu de uma forma mais contundente a partir dos documentos da espiono/diplomacia norte americana que estão sendo revelados nos últimos dias. O mundo acompanha agora o malabarismo de Washington para enquadrar Julian Assange de uma forma ou de outra. De preferência como “terrorista”, esse conceito que tornou-se o Deus ex maschina da política internacional yankee.

Para mim os métodos dos serviços espiono/diplomáticos dos EUA não surpreendem nada. Desde a década de 1970, época que li um livro de um espião arrependido chamado Philipp Agee (ainda tenho esse livro na minha estante) percebe-se logo que os métodos mudaram quase nada. Tampouco é de se surpreender com o nível da informações transmitidas por esses paspalhos espiões/diplomatas, muitas vezes colhidas diretamente da mídia, ou em outras vezes baseados em opiniões pessoais completamente pueris de algum funcionário subalterno querendo mostrar serviço.

O que é legal é ver a saia justa dos lambe-botas terceiro mundistas ante seus senhores do norte, a exemplo de nosso ministro de defesa. É uma coisa melancólica ver um verme desse em plena ação de vassalagem.

O legal desses vazamentos também é se ver a confirmação do que sempre afirmamos, de que as hostes tucanas da nossa política não passam de entreguistas safados, sem a mínima consideração com o seu país, e estavam mancomunados com as companhias internacionais para entregar todas as reservas do pré-sal de bandeja.

O documentário seguinte (em 4 partes – legendado em português) merece ser visto com toda a calma:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4


E.T.: O documentário dos videos acima foi produzido pela TV estatal sueca (SVT).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Blogueira cubana Yoani Sánchez quer mesmo é consumir


Cristóvão Feil no Diário Gauche
Assalariada do grupo Prisa quer gastar seu rico dinheirinho

Todos conhecem o resultado do incentivo ao endividamento para fins de consumo de bugiganga supérflua. Desde setembro de 2008 os fatos estão comprovando que o vírus do endividamento está destruindo o sistema por dentro. Endividamentos complexos, cruzados, re-cruzados, pirâmides maravilhosas, cassino financeiro, vigarice legalizada, banqueiros delinquentes, etc.

Pois vejam essa revelação do WikiLeaks. Aproveitando uma visita de Estado com vistas a aprimorar a cooperação bilateral entre Cuba e os EUA, a cubana Yoani Sánchez (a blogueira a soldo do grupo espanhol Prisa) pediu à subsecretaria de Estado adjunta dos Estados Unidos, Bisa Williams, para levantar a restrição que impede os cubanos de fazer compras pela Internet.

Eis, pois, o horizonte utópico da "progressista" blogueira: a moça quer é meter o pé na jaca do consumo desbragado.

E Cuba? Ora, Cuba que se exploda como uma Irlanda qualquer.


Sugestão botocuda:

nessa linha não deixem de ler Yoani Sánchez - como promover uma dissidente, texto também imperdível.

Essa Yoani Sánchez é uma fraude!

Impostos e Fraudes


Texto antigo (mas pra lá de bom) de Carlos Motta

O sociólogo e professor universitário Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A Cabeça do Brasileiro", escreve, na coluna semanal que tem no caderno Eu&Fim de Semana, do "Valor", que uma cesta de itens de higiene pessoal comprada nos Estados Unidos tem uma carga de impostos absurdamente menor que outra idêntica adquirida no Brasil.

Feita a constatação, assegura que "sustentamos um governo ineficiente e caro". E na sua condição de intelectual requisitado para conferências e palestras sobre os rumos políticos do país assevera que "os argumentos técnicos não resistem a este exercício prosaico e simples: fazer a mesma compra nos dois países e comparar o preço final da compra com os salários médios da economia".

No fim, não resiste à tentação e compara os dois principais candidatos presidenciais: "Serra disse no discurso que lançou sua candidatura que a carga tributária no Brasil é sideral, faltou completar dizendo que ela precisa ser reduzida. Um é corolário do outro. Dilma precisa acordar para isso. Até agora não se ouviu uma palavra sequer da boca de Dilma acerca de nossa carga tributária. Não creio que ela só faça compras nos EUA."

Quem lê um artigo desses se atendo apenas aos títulos e à qualificação do autor, certamente se impressionará e acabará concordando com ele: puxa vida, como é que os EUA, com impostos tão mais baixos e salários tão maiores, conseguem ter um custo de vida equivalente ao do Brasil? Só pode ser porque nosso governo não presta e o deles é a melhor coisa do mundo.

Mas, se riscarmos um pouco o verniz do suposto cientifismo do escrito, vamos ver que ele é totalmente tolo, infantil e, pior, fraudulento: o autor esqueceu de dizer aos seus queridos leitores que a carga tributária brasileira sustenta um sistema universal de saúde que os EUA estão apenas agora prestes a possuir; um sistema de ensino universitário gratuito, que os EUA não têm; e um sistema de previdência social que garante aposentadorias para todos os trabalhadores - que os EUA nem sequer imaginam como seja.

Também omitiu um dado importante: a reforma tributária ainda não saiu porque nem os prefeitos, nem os governadores, incluindo os da oposição ao atual governo, querem.

No fundo, esse palavrório todo do ilustre sociólogo não passa de uma propaganda disfarçada de uma ideologia totalmente fracassada que prega o "Estado mínimo" para que os empresários possam usufruir do "lucro máximo" sem risco nenhum.



Nota botocuda:

O eminente tributarista sociológico também passa muito longe de revelar para alguém que o grosso dos impostos americanos incidem sobre a renda enquanto aqui, insuflados pelas elites parasitárias daninhas, a tributação se dá preferencialmente sobre o consumo, o que acaba penalizando toda a massa assalariada e os pobres, enquanto as grandes fortunas passam ao largo, na sonegação. É isso que defendem as oligarquias quando promovem esse circo detratando e depois derrubando a CPMF, que era uma ótima ferramenta pra monitorar as movimentações de grandes fortunas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Seção Pluto.


Desenhos da década de 1940 - Porque hoje é sábado:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Novidade - esquema de venda de ONGs e OSCIPs


Mais uma da série botocuda: Assim vamos...

Um esquema escandaloso de criação e venda de organizações não-governamentais sem fins lucrativos foi descoberto pela Controladoria-Geral da União (CGU), no decorrer das investigações sobre a atuação dessas entidades na execução de convênios financiados por emendas parlamentares para a realização de eventos festivos de interesse turístico.

Durante trabalho de levantamento do número de ONGs em pequenas cidades, a CGU, através de seu Observatório da Despesa Pública, estranhou o grande número dessas entidades existente na pequena cidade de Alto Paraíso (Goiás), com menos de sete mil habitantes. O aprofundamento do trabalho mostrou que uma única pessoa, Aline Aparecida Brazão, era ou tinha sido dirigente de, pelo menos, 45 dessas entidades.

As investigações acabaram chegando ao site da “Vieira Consultoria”, administrada por Antônio Carlos Travassos Vieira, e especializada em criar e, simplesmente, colocar à venda Organizações Não-Governamentais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público. Em anúncio feito abertamente no site de pesquisas Google a Consultoria Vieira oferece: “Compre sua OSCIP já aprovada e comece a operar imediatamente”.

Preços variados

Uma OSCIP registrada, com CNPJ, publicação feita no Diário Oficial da União, certificada pelo Ministério da Justiça, pronta, portanto, para operar, pode sair por R$ 22 mil. Se o interesse for por ONGs, existem à venda algumas registradas desde 2009, já com CNPJ e toda a documentação necessária para protocolar o processo no Ministério da Justiça. Nesse caso o preço é R$ 9 mil e o pagamento pode ser parcelado.

Em contato com Antônio Carlos, primeiro por telefone e depois por e-mails trocados em outubro último, auditores da CGU simularam interesse em adquirir uma OSCIP e tiveram confirmada a disponibilidade de uma entidade pronta para operar, o Instituto de Tecnologias Sociais, que já contava, inclusive, com certificação emitida pelo Ministério da Justiça, pelo valor de R$ 22 mil.(Veja cópias das correspondências eletrônicas no anexo).

No desenrolar das tratativas, a Vieira Consultoria enviou, por e-mail, cópia da ata da assembléia de fundação da entidade, inscrição no CNPJ, certificado de OSCIP emitido pelo Ministério da Justiça e modelo de contrato de cessão de direitos sobre a entidade. O vendedor informou também que alterações societárias e, inclusive, de objeto social e razão sócia,l poderiam ser providenciadas a critério do comprador. Os telefonemas para a Vieira Consultoria foram atendidos por Aline Brazão, que repassava as ligações para Antônio Carlos Vieira.

“Inqualificável”

Muito organizado, o site da “Vieira Consultoria”, que coloca as entidades à venda, explica o que é uma OSCIP, disponibiliza a legislação a respeito desse tipo de organização e discorre ainda sobre os “principais benefícios de sua entidade ser qualificada como uma OSCIP”. Entre eles, a possibilidade de remuneração de seus dirigentes e de recebimento de bens apreendidos pela Receita Federal, bem como o fato de empresas poderem deduzir do Imposto de Renda as doações que fazem a OSCIPs.

O site cita, entre outros, exemplos de cliente já atendidos: a Agência de Desenvolvimento Sustentável de Marechal Cândido Rondon (ADS Marechal), no Paraná, e a Agência de Desenvolvimento Sustentável de Alto Paraíso, (ADESAP), em Goiás. E informa que as duas OCIPs são do tipo mais difícil de serem registradas, pela complexidade, em função de serem agências de desenvolvimento. As entidades, normalmente fundadas em lotes, são abertas, legalizadas e anunciadas pela Vieira Consultoria Ltda, com sede em São João D’Aliança (Goiás).

O Ministro-Chefe da CGU, Jorge Hage, considerou a prática de criação de OSCIPs para venda como “inqualificável” e anunciou o envio de relatório sobre a descoberta à Polícia Federal e ao Ministério Público para as providências nas esferas cível e penal.

pescado na Assessoria de Comunicação Social CGU

Marco legal nas comunicações tupinambás


Valéria Castanho / Agência Senado


A urgência de definição de um novo marco regulatório para a comunicação requer amplo entendimento entre os órgãos governamentais e as empresas do setor. Essa posição foi manifestada, nesta quinta-feira (16), por representantes do governo, em audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), que discutiu a necessidade do novo marco legal, em substituição ao Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962.

No debate, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, afirmou que a legislação de 1962 "é absolutamente ultrapassada" e que a elaboração desse novo marco é um grande desafio que abre muitas possibilidades para o Brasil. Reiterou, no entanto, a necessidade de um debate público e transparente com todos os segmentos da sociedade, inclusive os usuários dos diversos serviços, para que a nova legislação "produza um ambiente de segurança capaz de representar um avanço na oferta e no pluralismo da comunicação".

- Se isso não acontecer, vamos 'perder o bonde' - assinalou o ministro.

Ao falar das dificuldades para construção de consenso sobre o assunto ele chamou de "fantasma" o temor manifestado por alguns segmentos de que a regulação seja um "atentado à imprensa". Ele disse que liberdade de imprensa é a liberdade de imprimir e de divulgar, e não deve ser confundida com a falta de obrigações, "especialmente quando se trata de concessões públicas", reiterou.

Em sua exposição, Franklin Martins esclareceu que o projeto de novo marco regulatório das comunicações, a ser enviado ao Congresso, está sendo preparado por um grupo formado por especialistas de vários órgãos, entre os quais o Ministério das Comunicações, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), o Ministério da Justiça, a Advocacia Geral da União, o Ministério da Fazenda e as agências reguladoras do setor.


Lucro

Para a assessora especial do Ministério das Comunicações, Zilda Beatriz de Campos Abreu, a necessidade da nova regulação se dá pela enorme capacidade de formação de opinião e de promoção de educação e de discernimento que a radiodifusão promove na sociedade. Na opinião dela, o empresário deve ter consciência de que radiodifusão não é só um negócio financeiro, mas principalmente um negócio que deve resultar em benefícios para a sociedade.

- O lucro para a população tem que ser maior do que o lucro econômico que pode representar para o empresário - observou a representante do ministério.


Demanda

Já o procurador-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Marcelo Bechara, destacou o fato de que a atual legislação do setor não consegue mais atender as demandas da sociedade, devido aos inúmeros avanços no setor de telecomunicações, em especial à convergência tecnológica. Para ele, a nova regulamentação deve ser encarada como uma forma de desenvolvimento natural da área, para que "haja uma convivência harmoniosa" entre todos os setores envolvidos.

- O momento histórico é de renovação do marco, para fortalecer o mercado e garantir ao cidadão os direitos constitucionais previstos. Mas, para isso, precisamos parar de ter medo dessa palavra regulação, que não limita, mas sim preserva a isonomia, a competição e a convivência harmoniosa entre os próprios agentes da comunicação - enfatizou Marcelo Bechara.


Internet

Posição semelhante à do governo, de defesa do novo marco regulatório, foi manifestada por Murilo Ramos, especialista em Telecomunicações e professor do Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Também convidado a falar aos senadores, ele reiterou não ser mais possível adiar essa atualização da legislação. Ele disse ainda esperar que a presidente eleita, Dilma Rousseff, resolva efetivamente este assunto "já no primeiro ano de mandato".

Em sua apresentação, Murilo Ramos falou sobre as transformações que a internet tem provocado nos meios de comunicação, mas afirmou que essa discussão não pode ser feita dentro do novo marco regulatório, porque o assunto, segundo ele, não está ainda maduro sob o ponto de vista normativo.

- Podemos tratá-la simultaneamente, mas ela não pode ser um obstáculo ao andamento do marco - disse o especialista da UnB.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Do campo (de futebol) direto para a cozinha e pro tanque


E assim vamos:

Preste atenção, denuncie e difunda: a Band está “premiando” com “kits Bombril” (uma cesta repleta de detergentes, sapólio e palhas de aço) a melhor em campo num torneio de futebol feminino que tá rolando em SP. No domingo passado, a Marta – simplesmente a melhor jogadora do mundo, segundo a Fifa – foi a “agraciada” com a homenagem da família Saad e seu anunciante.

E o discurso é aquele de que a cobertura está “valorizando a mulher”. Na cabeça deles, a lógica deve ser assim: mulher saiu do campo tem que voltar direto pra casa pra ariar panela.

Danilo Almeida, no blog do Azenha

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Código Florestal - ruralistas querem urgência na aprovação



Paula Ellinger & Paulo Barreto, em Amazônia Sustentável

O código florestal voltou à pauta nacional. Na semana passada, o líder do governo na câmara, Cândido Vacarezza, fechou um acordo com membros da bancada ruralista para votar o requerimento de urgência para o substitutivo ao PL 1876/1999, que institui um novo código florestal. Desde julho deste ano o substitutivo proposto por Aldo Rebelo espera para ser votado em plenário. A expectativa ruralista era que fosse votado após as eleições, mas o projeto é bastante polêmico e a votação tem sido postergada.

Se for votado o requerimento de urgência, a proposta para um novo código florestal entraria em um regime de tramitação especial e a proposição poderia ser votada rapidamente. Atualmente, estima-se que há mais de cem projetos de lei tramitando em regime de urgência na câmara.

A urgência foi o meio termo que Vacarezza encontrou para aliviar a pressão simultânea daqueles que queriam votar logo o projeto e daqueles que defendem uma discussão mais ampla. Segundo entrevista concedida pelo deputado, trata-se de uma medida política para trazer conforto[1].

A situação realmente envolve tensão e exige respostas rápidas. O substitutivo proposto por Aldo Rebelo é uma prioridade para os ruralistas, porque apesar de não ser considerado perfeito, resolve o principal problema do setor– a irregularidade. Sparovek calculou que o déficit de Reserva Legal (área percentual do imóvel que deve ser mantida com vegetação nativa) chega a 43 milhões de ha[2], o que significa que 17% do que deveria ser Reserva Legal já foi desmatado[3]. O problema deve aumentar, já que a partir de 11 de junho de 2011 todas as propriedades rurais do Brasil são obrigadas a ter Reserva Legal averbada e segundo estimativa da própria ministra do meio ambiente apenas 15% dos imóveis cumprem essa obrigação hoje em dia[4].

O elevado índice de irregularidade mostra que apesar de ser uma lei visionária, o código florestal ainda não pegou no Brasil. Isso é ruim para os produtores rurais e para todo o país, porque a devastação ambiental continua enquanto aumentam a insegurança jurídica. Não há dúvida de que o cenário de irregularidades precisa ser tratado; a grande questão é a forma como isso será feito.

O substitutivo prevê duas formas para acabar com a ilegalidade. Primeiro, dando uma concessão para que áreas que estão ilegais passem a ser legais, ou seja, anistiando desmatamentos ilegais[5]. Essa medida é defendida porque algumas situações de ilegalidade decorrem de mudanças na lei que transformaram cultivos que estavam regulares em ilegais[6]. O problema é que a anistia não vale só para esses casos. Ela se estende a qualquer proprietário que tenha desmatado até 22 de julho 2008 e esteja fora da lei, inclusive as/os que desmataram propositalmente contra a lei. Anistiar esses proprietários seria como premiar quem cometeu um crime e prejudicar quem respeitou a lei. É para evitar este incentivo perverso que críticos desaprovam o substitutivo de Aldo Rebelo.

A segunda forma pela qual o substitutivo acaba com a ilegalidade é reduzindo as exigências do que precisa ser preservado. Por exemplo, o substitutivo reduz a largura da mata ciliar para rios de até 5 metros de 30 metros para 15 metros. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) tem visto essa e outras reduções com extrema preocupação e alertaram que o substitutivo pode aumentar o desmatamento em locais extremamente sensíveis, elevar a emissão de gases de efeito estufa, levar à perda da biodiversidade e contribuir para o aumento de desastres ambientais ligados a deslizamentos, enchentes e inundações[7]. É para evitar que o Brasil dê um passo atrás na proteção ambiental que críticos do substitutivo rejeitam sua aprovação.

Em suma, o substitutivo resolve no curto prazo o problema da irregularidade, mas cria as bases para novos problemas. Por isso que se o que queremos para o Brasil é aliar desenvolvimento econômico, ambiental e social, a votação do substitutivo em regime de urgência não é o melhor caminho. Ao mesmo tempo, o problema da irregularidade não pode ser relegado a segundo plano. O Brasil precisa sim regularizar o setor rural, mas tem que fazê-lo de acordo com os princípios de sustentabilidade, garantindo que o elemento de preservação e recuperação ambiental norteiem a regularização. A urgência, portanto, não deveria ser para votar o substitutivo, mas sim para exigir um compromisso do governo de elaborar e executar antes de junho de 2011 um plano de regularização ambiental que dê apoio efetivo para o produtor rural cumprir o código.


[1] Blog do Planeta (09 de Dezembro 2010). “Só vamos votar o novo Código no próximo ano”, diz Vaccarezza” http://colunas.epoca.globo.com/planeta/2010/12/09/so-vamos-votar-o-novo-codigo-no-proximo-ano-diz-vaccarezza/

[2]Sparovek, G. et al (junho 2010). Considerações sobre o Código Florestal brasileiro

[3]Considerando cálculos de Sparovek de que a reserva legal necessária seria de 254 milhões de ha

[4]Página 22(agosto 2010). Entrevista_Izabella Teixeira

[5] O Ministério Público Federal publicou nota técnica acerca do substitutivo ao Projeto de

Lei nº 1.876/1999, em que destacou: “O substitutivo prevê que a partir da realização do Cadastro Ambiental, o proprietário ou possuidor não poderá ser autuado por infrações aos arts. 2º, 3º, 4º, 10, 16, 19, 37-A e 44 e das alíneas a, b e g do art. 26 da Lei nº 4.771, 15 de setembro de 1965, cometidas na respectiva propriedade ou posse antes de 22 de julho de 2008, ficando as multas já aplicadas, suspensas.(…) Essa proposta confere verdadeira anistia àqueles que desrespeitaram as leis na vigência da legislação anterior.(…)”

[6] Um exemplo são as plantações às margens de rio. Até 1986, o produtor só tinha que manter preservada uma área de 5 metros ao longo de cursos d’água de até 10 metros de largura. Nesse ano, a obrigação de preservação passou para 30 metros. Isso significa que o quer que ele/a plantasse entre 5 e 30 metros do passou a ser ilegal.

[7]“ABC e SBPC manifestam preocupação com mudanças propostas ao Código Florestal” -http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=719

O caso WikiLeaks - entrevista com Julian Assange

O caso WikiLeaks e um fenômeno dos mais significativos para o futuro da humanidade, de se vamos continuar sendo manipulados impunemente ou não.

Mas no Brasil o caso está sendo tratado de maneira secundária pela já conhecida velha mídia obscurantista, pois muitos atores que acobertam essa mesma malta midiática e ela própria, cedo ou tarde aparecerão nos documentos, visto que a diplomacia agencial americana é bisbilhoteira de fazer inveja, e há registros nesses 250.000 cabogramas desde 1966.

Para entender um pouco mais o mecanismo da coisa, assista essa interessante entrevista com Julian Assange (gravada em julho de 2010)

Selecione a legenda em português em : [View subtitles]

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Pois é... o Serra ia entregar


Agora fica mais claro o que sempre falamos durante a campanha rasteira e insana de Serra. Bem que se falou que o que havia nos arquivos do Wikileaks poderia abalar a eleição no Brasil.

Como sempre imaginamos – e agora confirmado pelo WikiLeaks – o que estava em jogo era a maior riqueza comercial do Brasil: o petróleo do pré-sal. Fato gravissimo, Serra fazia o jogo de interesses da petroleiras americanas e para o eleitor vinha com aquela conversa mole de que iria manter a Petrobras!

O pior é que muita gente (boa?) acreditou no entreguista.


Tudo fica claro no texto de matéria do site Folha.com:

As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse:

"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.”

domingo, 12 de dezembro de 2010

Clássico dos Clássicos

Porque hoje é domingo

Incomparável Pink Floyd, gravado em 1971, no anfiteatro romano em Pompéia, Itália. Eu viria a tomar conhecimento disso em 1973. Naquele tempo isso era o mais fantástico que podia haver em termos de música. Só esse ano de 2010 foi que descobri esse clip aqui no VocêTuba. Já foi visto mais de 5 milhões de vezes.

A bombástica guitarra de Gilmour (é uma Fender Stratocaster) no minuto 6:30 em diante era a abertura de um programa badalado de rock na TV naquele tempo... um épico extraordinário (vale o pleonasmo).

sábado, 11 de dezembro de 2010

WikiLeaks e os segredos da Dura tupiniquim

Comentário interessante do jornalista Paulo Moreira Leite a respeito do caso WikiLeaks, a prisão estapafúrdia de Assange e de como isso torna-se uma discussão meio bizarra para brasileiros, que nem sequer tiveram acesso a informações de como as coisas se passavam em nosso passado recente, na época da ditadura.

O cara é da revista Época, funcionário das organizações Globostas, portanto. Será que conseguirá manter seu emprego, ou será queimado como aquela colunista do Estadão.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Esse é o Lula, o resto é... o resto é Hillary Clinton





Atualização

Os democratas libertários civilizados ocidentais prendem Julian Assange por ter transado com duas mulheres sem camisinha e os medievais autoritários islâmicos iranianos libertam Sakineh Mohammadi-Ashtiani, mesmo flagrada em adulterio. O ocidente evolui...

Retificação 11/12 - 11:12 hs

Parece que fomos ludibriados por noticias que circularam primeiramente pelo Twitter sobre a libertação da iraniana Sakineh, que afinal não aconteceu de fato. A noticia foi alardeada por uma ONG alemã e correu o mundo, mas depois verificou-se que não correspondia aos fatos reais. Está corrigido pois.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

WikiLeaks: sites do Mastercard fora do ar



Sites do Mastercard fora do ar em todo mundo hoje pela manhã. Experimentem acessar qualquer link dos sites Mastercard listado no Google, em qualquer país, estão funcionando só parcialmente. Aqui no Brasil o site principal fica só uma tela preta e não carrega. O site do Mastercard Mobile funciona mas demora a carregar.

Estou adorando essa moçada da NET defendendo o WikiLeaks.

Por Stanley Burburinho

Hackers tira do ar o site da MasterCard devido à perseguição ao Julian Assenge:

1 – Ontem a MasterCard e a Visa suspenderam todos os pagamentos feitos ao WikiLeaks: http://migre.me/2MrMx

2 - Mas, a Mastercard e a Visa continuam recebendo as contribuições para a Ku Klux Klan: http://migre.me/2MrOr

3 – Hoje, hackers tiraram do ar o site da MasterCard: "CYBERWAR: Now Hackers Have Taken": - http://migre.me/2Nyxl Este item a partir de dica do @blogdomello

4 – Aqui o texto do hacker @Anon_Operation no twitter falando sobre o site da MasterCard: http://twitter.com/Anon_Operation/statuses/12441051566448640

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Visa e Mastercard impedem doações para a Wikileaks, mas não para a Klu-Klux-Klan

Ajudar o mundo a ser mais transparente: 10 dólares. Ver a Visa/Mastercard afundar na sua própria hipocrisia: não tem preço!

O Público.PT nos informa que a Visa e a Master Card não mais aceitarão doação de recursos à Wikileaks, conforme é possível ler abaixo. Mas o Stanley Burbuirinho nos informa que estas ciosas organizações mercantis continuam aceitando doações para a Klu-Klux-Klan,AQUI. Se você estiver sem paciência de procurar o segundo informezinho sublinhado em amarelo no canto direito, contando de cima para baixo, clique direto aqui e pague, com seu Visa e Master Card, o seu panfleto racista.

Se você for muito curioso e quiser perguntar por que ambos os cartões podem ser utilizados para financiar os assassinos racistas da Klu-Klux-Klan e não pode ser usado para financiar uma organização que dá transparência à ações golpistas de governos proto-fascistas, pergunte AQUI para a Mastercard e AQUI para a Visa.

Para ambas fiz a seguinte pergunta(1): “Sou Cliente do Master há muitos anos. Agora gostaria de saber por que não é possível usar cartões Visa/Mastercard para fazer doações para a Wikileaks e é possível fazê-lo para a Klu-Kux-Klan: http://www.kkk.bz/hello.htm . É esta a política da empresa?” . Vamos ver o que respondem.

Abaixo, a matéria do Público.PT (prefira-o sempre aos jornalões brasileiros):

Tanto os cartões de crédito como de débito das duas empresas vão deixar de poder ser utilizados pela organização, que, para concretizar as operações, pede o envio de donativos na sua página de Internet.

À estação britânica BBC, a porta-voz da Visa disse que a empresa vai abrir uma investigação para determinar se os negócios da WikiLeaks contradizem as regras de utilização da Visa para realizar operações bancárias.

Isto significa que os pagamentos não vão ser suspensos imediatamente, explicou, já que o processo pode demorar algum tempo – que a porta-voz não especificou.

Da mesma forma, a Mastercard disse em comunicado estar a avaliar a hipótese de suspender o uso de cartões Mastercard pela WikiLeaks antes de a situação [a investigação] estar resolvida”.

Entretanto, o site, que agora se encontra alojado no endereço wikileaks.ch, publicou um comentário na sua contra de twitter fazendo um novo apelo a mais donativos: “Tornem-nos mais fortes”.

Nos últimos dias, a WikiLeaks viu várias empresas a cancelarem serviços utilizados pela organização.

A norte-americana PayPal suspendeu a realização de transferências à WikiLeaks há dias. Uma subsidiária da Amazon comunicou ao site de Julian Assange que teria de procurar outro servidor para alojar os seus dados.

E já depois disso, uma filial bancária do serviço postal na Suíça, a Postfinance, encerrou uma conta aberta por Assange para recolha de fundos de defesa, alegando que o australiano prestou informações falsas sobre a sua morada.


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pescado no Estado Anarquista, sempre com boas dicas do Stanley Burburinho

(1) Eu, Henry também já mandei uma mensagem para o MasterCard, do qual sou cliente há muitos anos mesmo. Quero ver se respondem.

Parece que a guerra mundial pela internet começou


Um grupo de ativistas auto denominados "Operation Payback" assumiu ontem ter interditado o site do banco PostFinance em retaliação ao bloqueio da conta que Julian Assange mantinha lá, com cerca de €31.000 (euros). Eles se responsabilizaram pelo feito através de uma nota distribuída pelo twitter, dizendo também que "atirarão em qualquer um que tentar censurar Wikileaks". Na manhã de segunda o site do banco ficou indisponível.

Dizem ser mais 9.000 em todo o mundo.

Eles prometeram também atacar outros sites, como do PayPal, que na semana passada deixou de intermediar as doações para Wikileaks. O grupo postou também um video no youtube sobre suas ações e intenções. Vejam vocês mesmos:


Operation Payback (is a bitch), this is the Internet, we run this. An open message from Anonymous to the governments of the world and their legal leeches regarding the motivation of the cyber protests.

Corrupt governments of the world, we are anonymous. For some time now, voices have been crying out in unison against the new ACTA laws. The gross inadequacies of the new laws being passed internationally have been pointed out repeatedly. Our chief complaint is that such measures would restrict people's access to the internet.

In these modern times access to the internet is fast becoming a basic human right. Just like any other basic human right, we believe that it is wrong to infringe upon it. To threaten to cut people off from the global consciousness as you have is criminal and abhorrent. To move to censor content on the internet based on your own prejudice is at best laughably impossible, at worst, morally reprehensible.

The unjust restrictions you impose on us will meet with disaster and only strengthen our resolve to disobey and rebel against your tyranny. Such actions taken against you, and those you out source your malignant litigation too, are inevitable, unavoidable and unstoppable.

We Are Anonymous,

We Are Legion And Divided By Zero.

We Do Not Forgive Internet Censorship

And We Do Not Forget Free Speech.

We Are Over 9000,

Expect Us!

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A matéria completa (em inglês) publicada pelo The Raw Story está aqui.

Perguntaram ao Julian Assange:

... qual é a sua opinião sobre o congelamento de transferêcias de dinheiro pela empresa PayPal, e o fato de que a Amazon retirou o site do ar? Como você vê essas ações?


É fascinante ver os tentáculos da elite norte-americana corrupta.
De certo modo, observar essa reação é tão importante quanto ver o material que publicamos. A Paypal, Amazon e o banco da Suiça congelaram nossas contas por razões políticas. Com o Paypal, 70 mil euros foram congelados. Com o nosso fundo de defesa, cerca de 31 mil euros.


Conspiração de Natal

Regina Sharf, no Página 22

Um número crescente de cristãos norte-americanos de diferentes denominações está tentando mudar as celebrações natalinas para torná-las mais espirituais e menos consumistas. AAdvent Conspiracy (algo como Conspiração das Vésperas do Natal) sugere que os fiéis parem de entupir os shoppings e ruas comerciais e celebrem de uma forma mais espiritual. Segundo o grupo, o comércio natalino movimenta US$ 45 bilhões anualmente nos EUA – dinheirama mais do que suficiente para resolver diversos problemas globais. Daí, eles perguntam: “será que Jesus teria celebrado desta forma?”

Os pastores da Advent Conspiracy respondem: ele não teria dado um vale-presente impessoal ou um casaco que jamais será usado. Ele teria dado algo realmente útil, como água tratada para uma aldeia africana, ou tempo dedicado aos amigos ou ao voluntariado. “O problema é que você gasta, cria dívidas e fica preocupado porque acha que, se não gastar o bastante, alguém achará que você não o ama”, diz Rick McKinley, um dos fundadores do grupo. Para McKinley, que é pastor evangélico em Portland, no estado de Oregon, é preciso acabar com o frenesi e as extravagâncias desta época do ano. Com 29 mil seguidores no Facebook e um vídeo promocional que já foi visto por mais de 1,2 milhão de pessoas (veja abaixo), o movimento ganha importância a cada ano.

O grupo propõe, dentre outras coisas, que passemos a fazer os presentes nós mesmos, como quando éramos crianças. O dinheiro que deixaria de ser gasto poderia ser doado para quem realmente precisa. Mais precisamente, eles sugerem a doação para a construção de poços de água potável em regiões mais pobres. Em 2006, no lançamento da campanha, quatro igrejas doaram US$ 500 mil para a Living Water International e outros projetos dessa natureza. No ano seguinte, aumentou o número de participantes e as doações chegaram a US$ 6 milhões.

Segundo McKinley, alguns fiéis ficaram assustados com a idéia e o acusaram de estar acabando com o Natal – mas aos poucos se ajustaram à idéia e acabaram gostando do conceito. Muitos, inclusive, se disseram aliviados.


Nota botocuda

Nem sempre esse blog acha que "americano = ruim". Essa iniciativa é das mais louváveis e legais.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Yamaha RD-350 - A verdadeira Viúva Negra

A Yamaha é fabricante motocicletas no Japão desde 1954. Seu primeiro modelo – a YA 1, Akatombo (Libélula Vermelha) – era , na verdade uma cópia de uma moto européia, a DKW RT 125, alemã. Com um monocilindro a dois tempos, fez sucesso e em três anos ganhava uma irmã de 250 cm³, dois cilindros e 14 cv: a YD 1, baseada também na alemã Adler MB 250. Dez anos depois, em 1965, a marca chegava ao mercado europeu e americano com a YM 1, um modelo de 305 cm³. Nascia ali o embrião da RD 350.


Foi com a série YR que a Yamaha chegou aos motores de 350 cm³. A YR 1, lançada em 1967, desenvolvia 36 cv a 7.000 rpm e evoluiria para a YR 3 (1969) e a YR 5 (1970). Nesse ano a Kawasaki lançava a Mach III 500, uma das motos mais rápidas de sua faixa de cilindrada, demandando uma resposta à altura da Yamaha – a RD 350, que surgia em 1973.

Yamaha YA-1 de 1955 - Akatombo, a Libélua Vermelha

O primeiro modelo RD 350, lançado em 1973, tinha um temperamento agressivo que faria sua fama por décadas. O motor de dois cilindros a dois tempos desenvolvia a respeitável potencia de 39 cv a 7.500 rpm.


A RD era uma esportiva radical, inspirada na TD1 250 de competição, que chegara ao Brasil em 1969 para rivalizar com as italianas Ducati nas provas de velocidade em Interlagos, o autódromo de São Paulo, SP. O motor de dois cilindros de dois tempos apresentava uma importante solução técnica: o sistema Torque Induction de admissão por válvula de palheta (reed valve), um tipo de válvula unidirecional usada no sistema de admissão entre o carburador e o duto de entrada no cilindro.

Com 347 cm³ de volume (diâmetro de 64 mm, curso de 54 mm), desenvolvia 39 cv de potência a 7.500 rpm e torque máximo de 3,8 m.kgf a 7.000 rpm. Apesar do Torque Induction, que pretendia melhor distribuição da força entre os vários regimes de rotação, a faixa operacional entre o pico de torque e o de potência era bastante estreita, 500 rpm, como num motor de competição. O torque em baixa rotação era quase nulo, contrastando com o surto de potência a partir de 5.000 rpm. Isso era aquele “coice” como aviões a jato ou carros de competição com turbo que liga só a determinada rotação, que agradava a tantos aficcionados do modelo.


Quadro e suspensões (a traseira ainda com dois amortecedores) eram derivados da YR 5, mas havia um freio dianteiro a disco e, na versão RD 350 B, lançada em 1975, câmbio de seis marchas. Leve e firme, ela sentia bastante as irregularidades do piso. Com apenas 143 kg de peso, atingia velocidade máxima de 166 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 7 s (segundos), passando pelo quarto de milha (400 m) por volta de 14 s.


A RD 350 chegou ao Brasil em 1974, dois anos antes da proibição da importação de veículos, e logo ficou conhecida como "viúva-negra" – uma aranha venenosa cuja fêmea devora o macho depois de copular – em alusão a seu alto desempenho, e pelo fato de motociclistas incautos sofrerem graves acidentes (muitos fatais) por não conseguirem controla-la naqueles surtos alucinados de potencia que o motor dava.

Nas ruas era comum vê-la disputando "rachas de sinal" com a Honda CB 750, a "sete-galo" (galo é o animal correspondente ao número 50 no jogo do bicho, então 7 + 50 = sete galo), já que a CB 500, a Suzuki GT 380 e outras motos de média cilindrada não eram páreo à altura da RD.