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domingo, 8 de maio de 2011

Fraudes corporativas - moléstia do mundo


Jeffrey D. Sachs, do Project Syndicate - O Estado de S.Paulo

O mundo está se afogando em fraudes corporativas e o problema parece ser mais grave nos países mais ricos, aqueles que supostamente contam com um "governo responsável". Os governos dos países pobres, provavelmente, aceitam mais subornos e cometem mais crimes, mas é nos países ricos - anfitriões das empresas multinacionais - que as infrações de maiores proporções são observadas. O dinheiro move montanhas e está corrompendo políticos em todo o mundo.

É difícil que haja um dia em que não venha à tona um novo caso de práticas administrativas questionáveis ou ilegais. Ao longo da última década, todas as firmas de Wall Street pagaram multas significativas por causa de algum episódio de fraude contábil, negociatas, fraude com valores mobiliários, operações fraudulentas de investimento e até apropriação indébita por parte de diretores executivos.

Uma grande quadrilha que promovia transações valendo-se de informações privilegiadas está sob julgamento em Nova York e a investigação implicou alguns dos principais nomes do mundo financeiro. Isso ocorre após o pagamento de uma série de multas aplicadas aos maiores bancos de investimento dos Estados Unidos como punição por várias violações relacionadas à negociação de valores mobiliários.

No entanto, o que mais se vê é a impunidade. Dois anos após a maior crise financeira de todos os tempos, abastecida pelo comportamento inescrupuloso apresentado pelos maiores bancos de Wall Street, nem um único comandante de uma instituição financeira foi preso.

Quando as empresas são multadas em decorrência de práticas ilegais, o preço é pago pelos seus acionistas e não por seus diretores executivos. As multas nunca passam de uma pequena fração do lucro obtido de maneira questionável e, para Wall Street, a implicação disso é que a corrupção se mostra consistentemente lucrativa. Mesmo nos dias de hoje, o lobby dos bancos demonstra pouquíssima consideração pelos políticos e pelas autoridades reguladoras.

A corrupção é lucrativa também no âmbito da política americana. O atual governador da Flórida, Rick Scott, foi diretor executivo de uma grande empresa de saúde chamada Columbia/HCA. A empresa foi acusada de fraudar o governo por meio do superfaturamento de reembolsos e acabou se declarando culpada de 14 delitos graves, pagando por eles uma multa de US$ 1,7 bilhão.

A investigação do FBI obrigou Scott a deixar o cargo. Mas, uma década depois de a empresa assumir a culpa, Scott está de volta, dessa vez apresentando-se como político republicano defensor do "livre mercado".

Quando o presidente Barack Obama precisou de alguém capaz de ajudar no resgate da indústria automobilística americana, ele se voltou para Steven Rattner, conhecida figura de Wall Street, apesar de saber que ele era investigado por oferecer propinas a funcionários do governo. Depois de concluir seu trabalho para a Casa Branca, Rattner concordou em pagar uma multa de alguns milhões de dólares e, com isso, encerrar o caso.

Mas que motivo teríamos para nos ater apenas aos governadores e conselheiros presidenciais? O ex-vice-presidente Dick Cheney chegou à Casa Branca depois de trabalhar como diretor executivo da Halliburton.

Durante o período em que Cheney esteve à frente da empresa, a Halliburton envolveu-se na oferta de propinas ilegais a funcionários do governo nigeriano, conseguindo com isso o acesso às reservas de petróleo do país - cujo valor é estimado em bilhões de dólares.

Quando o governo da Nigéria acusou a Halliburton de suborno, a empresa preferiu chegar a um acordo fora dos tribunais, pagando uma multa de US$ 35 milhões. É claro que Cheney não sofreu nenhum tipo de consequência. A notícia quase não encontrou espaço na mídia americana.

Impunidade. A impunidade tornou-se um fenômeno generalizado - com efeito, a maioria dos crimes corporativos ocorre sem chamar atenção. Os poucos casos que são notados costumam acabar em algum tipo de repreensão formal e a empresa - leia-se, os acionistas - recebe uma modesta multa.

No alto escalão dessas empresas, os verdadeiros culpados não têm com o que se preocupar. Mesmo quando as companhias recebem multas consideráveis, seus diretores executivos permanecem no cargo. Os acionistas, de tão numerosos, veem-se em uma situação de impotência diante dos administradores.

A explosão da corrupção - nos EUA, na Europa, na China, Índia, África, Brasil e outros países - traz um conjunto de perguntas desafiadoras a respeito de suas causas e de como ela poderia ser controlada agora que atingiu proporções epidêmicas.

A corrupção corporativa fugiu ao controle por dois motivos principais.Primeiro, as grandes empresas são agora multinacionais, enquanto os governos permanecem presos ao âmbito nacional. As grandes corporações contam com tamanho poder financeiro que os governos têm medo de enfrentá-las.

Segundo, as empresas são as principais financiadoras das campanhas políticas em países como os EUA, onde os próprios políticos, muitas vezes, estão entre os sócios delas, sendo, no mínimo, discretamente beneficiados pelos lucros corporativos. Cerca de metade dos congressistas americanos é composta por milionários e muitos deles mantêm laços com empresas antes mesmo de chegarem ao Congresso.

Como resultado, os políticos, com frequência, ignoram as situações em que o comportamento corporativo ultrapassa os limites. Mesmo que os congressistas tentassem fazer cumprir a lei, as empresas têm exércitos de advogados que tentam antecipar sua próxima jogada. O resultado é uma cultura da impunidade, com base na expectativa - amplamente confirmada - de que o crime compensa.

Levando-se em consideração a proximidade entre o dinheiro, o poder e a lei, o combate ao crime corporativo será uma luta árdua. Felizmente, o alcance e a rapidez das redes de troca de informações dos tempos atuais podem atuar como uma espécie de desinfetante ou como um fator de dissuasão.

A corrupção prospera nas sombras, mas, hoje em dia, um volume cada vez maior de informações vem à luz por meio de e-mails e de blogs, além do Facebook, do Twitter e de outras redes sociais.

Precisaremos também de um novo tipo de político, na vanguarda de um outro tipo de campanha, que tenha como base a mídia online gratuita em lugar da mídia paga. Quando os políticos puderem se emancipar das doações corporativas, eles recuperarão sua capacidade de controlar os abusos corporativos.

Além disso, precisaremos iluminar os cantos mais sombrios das finanças internacionais, em especial lugares como as Ilhas Cayman e os bancos suíços mais suspeitos. Os casos de evasão fiscal, oferta de subornos, remessa ilegal de fundos, propinas e outras transações passam por essas contas. A riqueza, o poder e a ilegalidade possibilitados por esse sistema oculto têm agora dimensões tão vastas que chegam a ameaçar a legitimidade da economia global, especialmente no momento em que a desigualdade de renda e os déficits orçamentários atingem níveis sem precedentes, graças à incapacidade política - e, em alguns casos, até mesmo operacional - dos governos de obrigar os mais ricos a pagar impostos.

Assim, da próxima vez em que souber de um escândalo de corrupção na África ou em alguma outra região empobrecida, pergunte-se onde a fraude se originou e quem seriam os corruptores responsáveis. Os EUA e os demais países "avançados" não deveriam apontar o dedo acusador para os países mais pobres, pois os responsáveis pelos problemas costumam ser as mais poderosas empresas multinacionais.

/ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O caso Osama (6 - última parte - Ufa!...) – A carta roubada

Por Luis Martin Cabrera, no site Rebelión.org – publicado mediante licença Creative Commons - Tradução de Cainã Vidor, da revista Fórum

Em “A Carta Roubada”, conto de Edgar Allan Poe, o chefe de polícia busca infrutiferamente em todos os aposentos de um dos ministros uma carta que foi roubada da rainha e que compromete sua honra. O chefe e sua equipe entraram várias vezes de maneira ilegal no quarto do ministro, registraram cômodo por cômodo, móvel a móvel, utilizaram inclusive agulhas para espetar as almofada em busca da carta e, meu favorito, desmontaram inclusive os pés da cama e da mesa para buscar no interior destas sem que a carta aparecesse em nenhum lugar. Desesperado o chefe pede ajuda ao primeiro investigador do romance policial, Auguste E. Dupin em busca de auxílio. Com sua característica sagacidade de jogar, Dupin resolve imediatamente o mistério, porque a carta estava simplesmente em cima de uma cômoda, a vista de todo o mundo.


Se pensarmos bem, o (teatro armado em cima do) recente assassinato de Osama Bin Laden não é senão uma versão grotesca e sinistra de “A Carta Roubada”. Depois de todos estes anos, Osama não estava (então) em uma caverna nas montanhas do Afeganistão?... fazendo hemodiálise duas vezes por semana?... e dirigindo as operações da Al-Qaeda por computador como quem joga a Jihad em um Playstation?... mas estava aí, debaixo de nossos narizes, instalado comodamente em uma mansão de alta segurança nos arredores de Islamabad (ora, ora...).

E às vezes olhar demais as coisas é uma maneira de não ver o que está acontecendo, uma espécie de cegueira induzida que nos deixa no escuro. Esta cegueira não é somente um problema epistemológico, mas também um problema ético, já que a busca daquilo que não se vê porque está logo adiante permite justificar, entre outras coisas, as guerras do Afeganistão, Iraque, Paquistão e Iêmen, a tortura, as prisões ilegais, Abu Graib, Guantánamo, os bombardeios com aviões não tripulados, a aprovação do Patriotic Act, as escutas ilegais, a islamofobia, o corte das liberdades civis, e os milhares de mortos derrubados na “guerra contra o terrorismo”.

Como no conto “A Carta Roubada”, os Estados Unidos colocaram o mundo de pernas pro ar, trataram de destruir a fábrica social de todo o Oriente Médio para cortar a cabeça de um monstro que estava diante de seus olhos e que, além disto, saiu de suas próprias entranhas. Não nos esqueçamos que ainda se pode ler a declaração do presidente Ronald Reagan chamando os Mujahidin “freedom fighters”, lutadores pela liberdade, em 1983, com motivo da invasão soviética do Afeganistão.

Que sentido tem, então, agora ter chegado ao fim da busca?

Como nas más histórias policialescas a resolução do crime ou o mistério pretende ser uma resposta tranquilizadora para a sociedade: justiça foi feita, o criminoso foi castigado por seus crimes, a ordem social foi restabelecida, os cidadãos podem voltar à pacífica mediocridade de suas insignificantes vidas e, sobretudo, podem voltar a dormir tranquilos. Além de todos estes efeitos político-literários, o assassinato de Bin Laden pretende, sobretudo ser construído como um gigantesco espetáculo midiático cujas luzes pretendem deixar-nos todos cegos. Algo sobre isto intuíram Paco Ignácio Taibo II e o Subcomandante Marcos quando escreveram em seu romance obscuro “Mortos Incômodos”:

Burbank é a capital do cinema pornô dos Estados Unidos, um povoado próximo de Los Angeles, com motéis e empresas triplo-X, transa e transa, filma e filma, viva o capitalismo selvagem. E junto tudo e me digo: - Não estarão estes capanga de Bush e seus amigos fazendo os comunicados de Bin Laden, as mensagens do demônio, em um estúdio pornô em Burbank, Califórnia, que até deserto tem por ali? Não será tudo uma montagem, uma fábrica de sonhos de merda, com um ex-tanqueiro mexicano chamado Juancho como personagem central? Eu, de verdade, não engulo’, me dizia: ‘como vão acreditar?’, mas, por pouco não é bonita a história?”.

E é que quando as coisas vão mal, a “Pentágono Produções” põe em funcionamento sua máquina de sonho (melhor dizer pesadelos?) para tranqüilizar a população civil mediante altas doses de entretenimento imperial-militar. Não se trata de cair em teorias da conspiração, mas não é um pouco suspeito que o anúncio da captura e morte de Bin Laden se faça no Primeiro de Maio, um dia que além de tudo não se celebra nos Estados Unidos? Não é demasiado conveniente que o anúncio da morte do pior dos males se faça no mesmo dia que as forças da OTAN bombardeiam civis e matam um dos filhos de Gadaffi na Líbia?

Podem ser só coincidências, mas o que é inegável é que o aparato midiático militar dos Estados Unidos está espetacularizando o assassinato de Bin Laden com um propósito duplo: esconder, como em "A Carta Roubada", os problemas internos e externos do país e promover entre cidadãos um complexo melancólico agressivo que siga justificando as guerras imperiais pelos recursos do Oriente Médio.

A confusão obscura que produziu o assassinato de Bin Laden tem por objeto, como assinalou Santiago Alba Rico, ocultar tudo o que está ocorrendo no mundo árabe, desde as revoltas na Tunísia, Egito, Síria ou Bahrein à intervenção militar da OTAN; Hillary Clinton teve inclusive a desfaçatez de conectar, em sua aparição, o assassinato de Bin Laden com a luta pela liberdade do povo árabe. Mas além de encobrir e tirar proveito de tudo o que está ocorrendo no Oriente Médio, a novela de Bin Laden tem outro objetivo crucial, ocultar que as coisas em casa vão muito mal. O desemprego segue crescendo, as prisões estão cheias de afro-americanos, latinos e brancos pobres, Obama deportou mais latinos que Bush em seus oito anos de mandato, milhões de pessoas foram despejadas, muitoz mais não têm acesso ao seguro médico e cada vez se torna mais evidente que o neoliberalismo somente pode sobreviver a custa de ser cada vez mais agressivo e de transferir mais bens comuns a mãos privadas: atacar os sindicatos de trabalhadores públicos, destruir as universidades públicas e produzir, definitivamente, mais miséria, desigualdade e exclusão.

Depois dos ataques de 11 de setembro, se tornou muito difícil ter uma conversa sossegada sobre o acontecido ou apresentar objeções à nascente guerra contra o terror, as poucas pessoas que saímos às ruas para protestar contra a guerra no Afeganistão encontramos um ambiente hostil e intimidador. Ainda não tinha caído a segunda torre gêmea quando Peter Jennings, o correspondente da ABC News, advertia que se tratava de um “ato de guerra” e exigia vingança. Desde então a cidadania norte-americana foi submetida sem interrupção a uma chantagem emocional cujo objetivo é instalar na sociedade civil um complexo melancólico agressivo que justifique o programa neo-imperial da oligarquia norte-americana.

Desde o 11 de setembro todos e cada um dos cidadãos dos Estados Unidos foram desafiados pelo Estado a se transformarem em receptáculos das vítimas dos atentados das torres gêmeas. Os mortos não estão em nenhum memorial, estão criptografados em cada um dos cidadãos, e é precisamente porque estão dentro que não podem ser esquecidos nem velados, para defendê-los de seu esquecimento somente resta atuar agressivamente contra aqueles que pretendem colocar em perigo nossa segurança e a das vítimas do 11 de setembro que carregados cá dentro.

Este complexo de medo e agressão serviu não somente para justificar as guerras, mas também produziu inacreditáveis resultados eleitorais para George W. Bush. Por isso, coincidência ou não coincidência, o fantasma dos mortos do 11 de setembro volta a se agitar sobre nossas cabeças, nos interpela outra vez com a euforia e o medo produzidos pelo espetáculo da morte de Bin Laden para que voltemos a nos unir em torno do complexo melancólico-imperial e sua maquinaria de morte. Chega a ser patético escutar Obama apelar para a unidade nacional como durante o 11 de setembro ou na tentativa de assassinato da congressista Gabriel Giffords, agora que a “justiça foi feita”. Que significa unir-se em torno ao assassinato de Bin Laden? Formar uma comunidade afetivo-política em torno de um desaparecido (o corpo foi lançado ao mar como durante a ditadura argentina)? Justificar a tortura (a confissão que supostamente levou ao descobrimento de Obama foi obtida sob tortura em Guantánamo)? Naturalizar a violação da soberania de um país (hoje é o Paquistão amanhã poderia ser a Inglaterra em busca de Assange)? Confundir a justiça com a vingança? Celebrar a morte?

Sim, é certo que muitas pessoas, induzidas pelos fogos de artifício de todos os meios, liberais e conservadores, se lançaram às ruas para celebrar o assassinato de Bin Laden, é certo que os estudantes da Universidade de Ohio se jogaram num lago para celebrar, é certo que Glen Beck, o comentarista conservador da Fox, abriu seu programa com uma banda de música, pediu que fosse exibido o corpo de Bin Laden de cidade em cidade como na Idade Média e derramou uma lágrima enquanto exibia na tela os nomes de todas e cada uma das vítimas do 11 de setembro, mas também é certo que a metade da população se nega a celebrar tanto por cansaço emocional quanto por não aceitarem as conseqüências deste pacto sinistro de morte. Há esperança (???)


Adendos botocudos – (entre parênteses em itálico no texto) e mais:

U'a operação espetacular, que superou em mídia o casamento real e a beatificação do Papa Pop...

O atestado de óbito de Osama substituiu com vantagem a certidão de nascimento de Obama.

Ao contrário do que se alardeia, a operação americana no Paquistão não foi uma vitória contra terrorismo. Quando um Estado se concede licença para matar, se vangloria do uso da tortura para obter resultados, viola a legislação internacional, atropela a soberania alheia, sem dúvida, pratica uma fieira de crimes que alimenta o ciclo do terror.

Isso é o terrorismo de Estado, que quase só os EUA e Israel praticam.

Vergonha... vergonha!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Essa blogueira catarineta é muito porreta - Caso Osama (4) e o jornalismo ensandecido


Elaine Tavares no blog Palavras Insurgentes




Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi ontem na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Osama está morto?... agora vai?... (3)


mais uma lucubração certeira do meu amigo Eduardo Guimarães, extraido de seu ótimo Blog da Cidadania


A teia de mentiras com que os Estados Unidos cercaram a ação militar que teria matado Osama Bin Laden impede que se tenha uma única certeza sobre o caso. Não se pode confiar nem no anúncio de que teria sido morto ou na descrição das circunstâncias em que isso teria acontecido.

Bin Laden nem era mais o comandante da Al Qaeda. Estava doente, debilitado e acuado. O bunker em que se escondia, era precário. Apesar de a mídia ter deixado a impressão de que seria uma fortificação à altura do homem que desafiou os EUA por uma década, seu abrigo não lhe permitiu resistir quase nada à ofensiva americana, a qual, cada vez mais, vai parecendo que o assassinou a sangue frio.

Por que o mataram, então? Vivo, Bin Laden teria sido extremamente útil. Poderia fornecer informações preciosas sobre a Al Qaeda. Aliás, um estadista prenderia o terrorista e faria um acordo com ele. Não aceitaria? Duvido. A Al Qaeda, Bin Laden, os EUA, ninguém lucra com aquela loucura toda. Lula faria um acordo com essa turma com um pé nas costas.

O problema são os EUA. Querem sempre ficar por cima. E, além de truculentos, assassinos, covardes, mentem compulsivamente. A desinformação que difundem sobre a “morte” de Bin Laden começou com a divulgação de foto falsa de seu cadáver por autoridades paquistanesas. Em seguida, as pessoas começaram a acordar para todo o resto.

Por que os EUA matariam um arquivo vivo?

Como acreditar que não haveria técnicas para prendê-lo vivo num ataque surpresa?

Por que difundiram a história de que ele teria se escudado, primeiro, atrás DA própria mulher e, depois, DAS mulheres de seu harém, para, ao fim, dizerem que nada disso ocorreu?

Por que se livraram do corpo tão rápido?

Por que não divulgam imagens do corpo?

Os americanos dizem que sumiram com o corpo para impedir que um seu túmulo conhecido se tornasse um local de peregrinação que serviria de incentivo a que outros seguissem seus passos.

É piada, não? Jesus Cristo não tem túmulo. Ah, Bin Laden não é Jesus? Ora, para seguidores fanáticos é, sim. E fotos? Ah, eles dizem que não divulgam para não ferir a sensibilidade da Al Quaeda com imagens tão feias. Parece brincadeira… Querem que o mundo acredite em suas versões sem apresentar nenhuma prova.

Finalmente, depois de tanta mentira, agora dizem que a própria guarda de Bin Laden o assassinou para que não desse informações. Como no caso da ou das esposas, pode ser só mais outra invenção. Aliás, fica difícil achar que não é…

Mas o pior vem agora. Os jornais estampam hoje a ameaça insana que decorre da morte de Bin Laden. A notícia até já envelheceu. Na segunda-feira, eu mesmo escrevia no Twitter que me chegavam links de matérias em inglês e espanhol dando conta de ameaça que o Wikileaks divulgara anteriormente de que, se algo ocorresse com Bin Laden, haveria uma “reação nuclear”. Fui chamado até de “catastrofista” por uma seguidora.

Segundo a ameaça feita antes mesmo de Bin Laden ser (?) morto, a Al Qaeda teria escondido um artefato nuclear na Europa. A notícia foi amplamente repercutida pela agência France Press e por veículos como o jornal alemão Der Spiegel.

É incompreensível, esse “assassinato”. Além de não desarticular a Al Qaeda, pois o alvo tornara-se inócuo, levantou ameaça ao mundo de retaliação (nuclear?) pela organização, ameaça que os jornais todos estampam hoje na primeira página. Por que diabos, então, os EUA “mataram” Bin Laden?

Osama está morto!... e agora?... (2)

Acabei de assistir o Jornal da Globo vomitando nonsense a respeito da (suposta) morte de Osama Bin Laden e das reações internacionais. É ruim, hein?... Todo mundo falou dos 3.000 mortos em 11 de setembro e colocaram na conta do Osama, mas dos 80.000 mortos no Iraque (na conta do Bush) ninguém falou.

O aparelho mostrado abaixo endoidou hoje.Todo esse teatro para catapultar a candidatura do Obama.


E confirmamos mais uma vez o que já sabíamos há tempos: a Globosta - e de resto todo o PIG nacional - são lacaios do império do norte!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Osama está morto!... e agora Obama?... missão cumprida?

Aiôu Silver!... Avante!

por Antonio L.M.C. Costa, na Carta Capital


Escreveu uma internauta retuitada pelo cineasta Michael Moore: “Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa”. Objetivamente, é pouco mais que isso. Embora (propositalmente?) anunciado no 66º aniversário do anúncio da morte de Adolf Hitler, o (alegado) assassinato de Osama bin Laden não tem um significado comparável. A Al-Qaeda não é uma máquina de guerra convencional e centralizada à beira do colapso, como era o exército nazista em 1º de maio de 1945. Talvez resulte mais próximo do que foi o 1º de maio de 2003, quando Bush júnior anunciou a “missão cumprida” no Iraque, mas o problema mal estava começando.

Segundo os Estados Unidos, Bin Laden estava em uma confortável construção de três andares, cercada de muros de quatro a cinco metros ao lado de um colégio de elite e a dois quarteirões de uma delegacia de polícia na cidade turística de Abbottabad, a 116 quilômetros ou duas horas de estrada da capital, Islamabad - cerca de 55 quilômetros em linha reta. Em termos de Brasil, seria como estar em uma mansão em um dos bairros centrais de Campos do Jordão. Ou melhor, em Resende, visto que o local também está a uma breve caminhada de uma das principais academias militares do Paquistão.

Sohab Athair, um usuário do Twitter que se descreve como “um consultor de TI que deu um tempo para a corrida de ratos e escondeu-se nas montanhas com seu laptop”, cobriu a operação desde o início, sem saber exatamente o que se passava e a uns dois quilômetros do local: “helicópteros pairando sobre Abbottabad a uma hora da madrugada, o que é um evento raro”. Ouviu explosão, tiros e as poucas pessoas acordadas àquela hora dizerem que pelo menos um dos helicópteros não era paquistanês. Entendeu que era uma situação complicada, mas pensou que era a queda de um helicóptero, como foi inicialmente divulgado na mídia paquistanesa. Compreendeu cinco horas depois, quando Barack Obama foi à tevê anunciar triunfalmente a morte do líder terrorista. “Lá se foi a vizinhança”, escreveu, melancolicamente.

O presidente dos EUA fez do anúncio um discurso cuidadosamente balanceado e um espetáculo muito bem montado. Como quem encarna um herói de Hollywood, iniciou com um “eu planejei, comandei e determinei a morte de Osama bin Laden” e encerrou com “Vamos sempre defender a Justiça e a Liberdade. Deus os abençoe e abençoe a América”. Deu as costas para a câmera e caminhou majestosamente pelo tapete vermelho até o fim do corredor, como um caubói que sai de cena cavalgando para o entardecer, enquanto aparecem os créditos finais.

Bush júnior teve um momento equivalente ao pousar um caça no porta-aviões Abraham Lincoln e fazer seu discurso de vitória sobre Saddam Hussein, com direito a tomadas igualmente heroicas e hollywoodianas. Conseguiu enganar o público o suficiente para ser reeleito em 2005, mas sua popularidade desmoronou em seguida e arrastou-se melancolicamente até o fim do segundo mandato. Obama repetirá o mesmo roteiro?

De qualquer forma, a curto prazo e do ponto de vista da política interna dos EUA, foi um golpe de mestre. Logo depois de reduzir ao ridículo o rival republicano Donald Trump e sua obsessão com a certidão de nascimento do presidente, Obama posa como o herói de guerra e hábil comandante. Em 40 minutos, com um pelotão de forças especiais da Marinha, atingiu o objetivo que Bush júnior garantiu visar durante dois mandatos, mobilizando para isso todo o aparato militar e de inteligência dos EUA e envolvendo o país em duas guerras inúteis e catastróficas para sua economia e relações internacionais.

Yes, we can? Obama não pôde cumprir as promessas de reformas sociais, ambientais e econômicas pelas quais foi eleito, nem sequer fechar a prisão de Guantánamo, mas ao menos cumpriu uma promessa do governo anterior. Pode ser o bastante para garantir sua reeleição, vista a fraqueza das candidaturas republicanas, mas é improvável que a aura da vitória se estenda sobre o resto do Partido Democrata nas eleições legislativas. Assim, o resultado será provavelmente a continuação do impasse político até 2016. A menos que o presidente consiga capitalizar a façanha a ponto de mobilizar a opinião pública em favor da política social e econômica democrata e soterrar a demagogia do Tea Party, o que até agora não se mostrou disposto a fazer.

Do ponto de vista internacional e do campo de batalha real, é pouco provável que a morte de Bin Laden mude o jogo. Sua importância pessoal sempre foi muito exagerada por uma mídia ansiosa por vilões. Mesmo a Al-Qaeda é apenas um aspecto do fundamentalismo islâmico, que é anterior a essa organização em particular, é muito mais amplo e não deixará de existir enquanto não mudarem as condições que o tornaram influente entre as massas muçulmanas humilhadas. A própria forma como (anunciado que) foi morto basta para demonstrar que o problema é muito mais vasto. Bin Laden certamente não teria vivido anos em um centro urbano de alta classe média sem a cumplicidade total das Forças Armadas e do serviço de inteligência paquistaneses.

NOTA: (observações em italico entre parenteses são minhas - henry)


Esse Rogêr Agnelli é uma mãe


por Brizola Neto, no Tijolaço


O primeiro passo do beneficiamento do minério de ferro bruto é sua transformação em “pellets”, através de um processo de moagem, separação e agregação do ferro em pelotas de mais alto teor, que vão alimentar as usinas siderúrgicas.

Na gestão do sr. Roger Agnelli, a Vale fechou um acordo com o governo de Omã, no Golfo Pérsico, que funciona assim: a empresa exporta minério de ferro bruto daqui para ser pelotizado lá e, daí, vendido para as aciarias da Ásia, que compram o produto processado e, portanto, com um valor bem acima do que seria o preço in natura.

O investimento, de US$ 1,35 bilhão foi bancado, de 2008 a 2010, pela mineradora brasileira, que só neste ano vendeu 30% à estatal petroleira daquele país.

A Vale assinou também acordo com a Oman Shipping Company para a construção de quatro navios com capacidade de 400 mil toneladas, que serão dedicados ao transporte de minério.

Sexta-feira, a usina da Vale em Omã começou a funcionar.

Não há nenhuma dificuldade tecnológica – ao contrário – em pelo menos reduzir a pellets o minério aqui. Tanto que a Usiminas cogita fazer uma nova pelotizadora em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Ah, mas a Usiminas é controlada pelos japoneses da Nippon Steel.

Como não havia mão de obra capacitada lá, a Vale investiu US $ 11,3 milhões no recrutamento e em programas de formação profissional que geraram 720 empregos diretos e 1.800 indiretos para os omanitas

O Sultanato de Omã – sim, há um sultão como monarca absoluto, numa dinastia de 250 anos - não produz uma grama de minério de ferro. É uma região árida, desértica, mas um paraíso… fiscal.