* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mercantilização do Medo


por Izaías Almada (*) - pescado no blog da Boitempo


Desde os primórdios da humanidade, daquilo que nos é dado a conhecer, pelo menos, o sentimento do medo é inerente a ação e ao comportamento humano. O confronto com a natureza, a proteção mística contra o desconhecido, a luta pela sobrevivência, o inevitável desejo de posse, a tentativa de suplantar a dor física e o sofrimento, para ficarmos com alguns exemplos, são atitudes que caracterizam o relacionamento entre o homem e a sensação de medo.

Muito já terão os pensadores e cientistas sociais discorrido sobre o tema, em particular historiadores, sociólogos e psicólogos. O atual estágio de desenvolvimento humano, contudo, que para o bem e para o mal se confunde com o atual estágio do capitalismo, agregou a essa relação um componente perverso: transformou o medo numa mercadoria.

Que o digam a indústria farmacêutica, a indústria armamentista, os bancos e o capital financeiro especulativo, as grandes seguradoras, os grandes conglomerados midiáticos ao redor do mundo.

Apoiado numa monumental e cínica campanha de marketing, a mercantilização do medo está presente nas páginas dos jornais diários, dos grandes telejornais, nas histórias em quadrinhos, nos filmes de catástrofe e terror, nas novelas de televisão, nos programas de rádio, quando uma sucessão de tragédias, sejam elas individuais ou coletivas, ganharam e ganham destaque em nível nacional ou internacional.

A história da guerra no Iraque é paradigmática. A invasão desse país pelos EUA, sob premissas falsas de procurar armas de destruição em massa, e o criminoso silêncio do mundo, terceirizou o uso de força, com a contratação de tropas e serviços mercenários. Milhões e milhões de dólares foram gastos com roupas, alimentos, remédios, combustível, armas e munições, colocando nos dois pratos da balança os polpudos cheques públicos nas mãos da empresa privada de um lado e o medo, simplesmente o medo, de outro. Os genocidas do governo Bush, entre eles o vice presidente Dick Cheney e a empresa Halliburton sabem exatamente o que significa essa mercantilização do medo.

O medo ao terrorismo, o medo aos muçulmanos selvagens, o medo aos inimigos internos, o medo a culturas diferentes e à diversidade. O medo, enfim, a tudo que não seja branco e de olhos azuis. E que não fale o inglês do Texas ou da Câmara dos Lordes. Ou ainda, de forma mais prosaica, o medo ao desemprego, o medo ao assalto, o medo à infidelidade, o medo ao bullying, o medo à periferia, o medo aos juros bancários, o medo às enchentes, o medo aos terremotos, o medo, o medo, o medo…

Quanto vale o nosso medo do dia a dia nas bolsas de Nova York, Xangai ou mesmo na Bovespa?

***

(*) Izaías Almada, mineiro de Belo Horizonte, escritor, dramaturgo e roteirista

Superficialidade esdrúxula - idiotificação das massas


Quando acontecem fatos lamentáveis e inexplicáveis como o que vimos hoje (ou ontem - escrevo de madrugada) na escola no Realengo, no Rio de Janeiro, também se percebe que pelo menos um setor exulta de felicidade: A velha mídia, que certamente passará mais alguns dias explorando à exaustão esse drama, com toda sorte de sacrilégios a agredir nossa inteligência.

A superficialidade com que se está tratando a tragédia na escola carioca por parte da velha mídia beira à sandice. Oqueéqueéisso?...

O rapaz enlouquecido que praticou essa monstruosidade foi apresentado de todas as formas preconceituosas possíveis durante o dia: como portador de HIV, ou religioso e fanático islâmico, ou ainda acusado de “passar o dia na internet”, entre outras...

Ora, nenhuma destas três coisas explica coisa alguma sobre o ataque psicótico que leva alguém a atacar e matar crianças em uma escola. Se explicassem, haveria milhares de tragédias assim, pois há milhões de soropositivos, de islâmicos e de nerds. A imprensa já tratou de estabelecer um viés de preconceito na questão, sem apelação.

E, como sempre, ainda somos obrigados a ouvir “especialistas” de todo tipo, falando abobrinhas, disparates e babaquices sem pé nem cabeça sobre o acontecido. Haja paciência... ô PIG esdrúxulo!...

Renaissance



Jean Luc Ponty - violin
Al di Meola - guitar
Stanley Clarck - bass

Montreaux Jazz Festival - 1994

quarta-feira, 6 de abril de 2011

E o apedeuta que virou palestrante internacional – e agora?...

FOTO COPIADA DE UM BLOG DE DIREITA (1) ver nota

Fonte: Folha (vixe!... vixe!...)

Com um discurso sobre educação no Brasil em evento da Microsoft, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje em Washington uma série de palestras internacionais, que promete manter sua agenda cheia por um bom tempo.

Será sua primeira fala remunerada no exterior desde que deixou a Presidência. Nos próximos dias, fará outras duas: na sexta-feira, em Acapulco, para a Associação dos Bancos do México; e na próxima semana, em Londres, para investidores em evento da Telefónica. O valor da remuneração que ele vai receber pela palestra nos EUA não foi revelado, mas deve ser superior ao cachê previsto para o Brasil (em torno de R$ 200 mil). Lula chegou à capital americana ontem, em avião emprestado pela Coteminas.

Pela manhã, se encontrou com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno. Os dois discutiram a possibilidade de ações comuns entre o órgão e o Instituto Lula. Um ponto de interesse é a aproximação do Brasil com a África. O ex-presidente almoçou com o embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, e pretendia passar a tarde revisando o discurso de hoje e passeando - queria ver as cerejeiras locais.

Lula deve partir hoje mesmo para Acapulco e viajar para Londres na próxima terça. Na capital inglesa, além de fazer o discurso a investidores, o ex-presidente pretende se reunir com o historiador Eric Hobsbawm.

No fim de semana, Lula vai para a Espanha para receber o prêmio "Libertad Cortes de Cádiz". Há uma preocupação nesta viagem --ele quer assistir ao jogo de futebol entre o Barcelona e o Real Madrid, mas ainda não sabe se haverá tempo.

Bem remunerado com as palestras, o ex-presidente não pretende receber recursos federais com duas de suas iniciativas: O Instituto Lula (que viverá de contribuições, inclusive do PT) e a empresa que gerencia suas palestras.

Um terceiro projeto, chamado de Memorial da Democracia, poderá vir a receber verba pública.



NOTA BOTOCUDA

(1) Assim como a Falha de SP (avião da Coteminas - aí sim), o iluminado autor do blog de onde foi copiada a foto também não se conforma de jeito nenhum!... ainda está chafurdando no caso dos passaportes diplomáticos... ô pobreza de espírito.

Além disso o apedeuta autor do blog, esse sim um verdadeiro "APEDEUTA DE ESCOL", “ESTREIOU” um erro ortográfico logo na 1ª linha do seu texto preconceituoso.

Ô tristeza!... tá difícil.

(2) Para sobremesa, se esbaldem com a sabedoria do Tio Rei a respeito do mesmo tema. É de se espantar a pobreza. Vixe...vixe...vixe... também já perdeu o trem da história.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Não!... não falta mais nada

OEA pede que Brasil desista de Belo Monte

___________

da BBC Brasil


Em documento de 1º de abril, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA solicita que “se impeça qualquer obra de execução até que sejam observadas condições mínimas”.

Entre essas condições estão uma nova consulta com as comunidades indígenas locais, que devem ter acesso a um estudo do impacto socioambiental da obra, e a adoção de “medidas vigorosas para impedir a disseminação de doenças” entre os índios.

O documento, divulgado nesta terça-feira por ONGs que se opõem à hidrelétrica, é assinado por Santiago Canton, secretário-executivo da comissão de direitos humanos.

Trata-se de uma resposta à denúncia encaminhada em novembro passado pelas ONGs e pelas comunidades indígenas locais, que alegam não terem sido consultadas “de forma apropriada” sobre a hidrelétrica, que causaria “impactos socioambientais irreversíveis” em suas vidas.

Em nota divulgada nesta terça-feira, o Itamaraty diz que as solicitações da OEA são “precipitadas e injustificáveis”, alegando que os aspectos socioambientais estão sendo observados com “rigor absoluto”, que a obra cumpre as leis brasileiras e que foi submetida a avaliação técnica.

“Sem minimizar o papel que desempenham os sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos, o governo brasileiro recorda que o caráter de tais sistemas é subsidiário ou complementar, razão pela qual sua atuação somente se legitima na hipótese de falha dos recursos de jurisdição interna”, diz a nota.

Penalidades

Por conta da denúncia, a comissão de direitos humanos da OEA solicitou ao Brasil informações sobre o processo de licenciamento de Belo Monte, consulta à qual o país respondeu.

Segundo especialistas, não há penalidade imediata se o Brasil não seguir a recomendação da OEA. Mas, em tese, o país é instado a seguir as orientações como um reconhecimento da legitimidade da organização, diz Paulo Brancher, professor de direito internacional público da PUC-SP.

Se a recomendação não for seguida pelo Brasil, o caso pode ser levado para a Corte Interamericana da OEA – nesse caso, a decisão seria vinculante, explica Oscar Vilhena, professor da FGV e também especialista em direito internacional.

O desfecho do caso na corte é nebuloso por envolver violações de direitos humanos em potencial, ainda não cometidas, diz Brancher. Mas Vilhena ressalta que a Corte Interamericana costuma se alinhar às recomendações da Comissão de Direitos Humanos.

A assessoria de imprensa da Norte Energia, consórcio responsável pela usina, não se manifestou sobre a recomendação da OEA, dizendo que ela deve ser tratada “no âmbito do Estado”, mas agregou que as obras complementares à usina, como a construção de escolas e centros de saúde nos arredores de Belo Monte, estão prosseguindo normalmente.

O início da construção da usina é previsto para este mês, segundo a assessoria, quando é esperada a licença ambiental definitiva do Ibama.

Batalhas judiciais

A construção da hidrelétrica – obra do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento), do governo federal – já enfrentou diversas batalhas judiciais.

Seu leilão foi suspenso duas vezes antes de finalmente ser concretizado, em abril de 2010.

Em fevereiro passado, a Justiça Federal do Pará havia derrubado a licença ambiental que prevalecia até então por considerar que a Norte Energia não havia cumprido precondições para o início da construção.

Em 3 de março, Tribunal Regional Federal permitiu que a obra fosse retomada, mas ainda cabe recurso.

Os argumentos do governo são de que a obra beneficiaria 26 milhões de brasileiros e de que o projeto prevê a preservação flora e da fauna, a transferência de comunidades afetadas e a manutenção da vazão do Rio Xingu.

Biogás é futuro

extraido de EconomiaSC

Uma comitiva do estado alemão de Mecklenburg-Vorpommern está em Santa Catarina em busca de parcerias que poderão resultar na transferência de tecnologia para viabilizar comercialmente a geração de gás metano e energia elétrica a partir de resíduos da suinocultura. O grupo, que esteve na Federação das Indústrias (FIESC) nesta segunda-feira (4), também tem interesse em transferir conhecimento na gestão de resíduos urbanos, conforme o conselheiro do estado, Volker Böhning.

A expectativa dos alemães é viabilizar um projeto-piloto, orçado em 150 mil euros, na cidade de Pomerode, para produzir biogás com dejetos suínos e assim demonstrar o potencial da tecnologia. Conforme o vice-presidente do Centro Empresarial e Científico Brasil-Alemanha, Hans-Dieter Beuthan, o projeto técnico para Pomerode está pronto e o próximo passo é encontrar um parceiro brasileiro para tirá-lo do papel.

Essa é a questão imediata a resolver para iniciar a cooperação, disse o presidente da FIESC, Alcantaro Corrêa. "Ao demonstrar o potencial da tecnologia, a planta-piloto permitirá avançar para projetos maiores e a SCGás poderá se beneficiar. Mas primeiro temos que viabilizar esse investimento inicial", afirmou.

Santa Catarina possui potencial para produzir diariamente 3 milhões de metros cúbicos de biogás a partir de dejetos da suinocultura, informou o diretor técnico comercial da SCGás, Walter Piazza Júnior. Ele informou que a empresa tem interesse em adquirir esse gás natural, mas que a questão central a resolver é a viabilidade econômica dos projetos. "Temos mais de dois mil biodigestores no estado, mas é necessário que eles gerem o gás de forma contínua, para que se viabilizem economicamente. Na Alemanha, essa viabilidade já existe e ela precisa chegar ao Brasil, tanto do ponto de vista dos custos quanto das receitas geradas em termos de gás, energia elétrica, biofertilizantes ou créditos de carbono", disse. "O maior desafio é o manejo das granjas, que hoje ainda não é voltado para aproveitar os dejetos", acrescenta, destacando ainda a importância do envolvimento das cooperativas e agroindústrias nesse sentido.

Nesta terça-feira (5), o grupo da Alemanha terá reunião em Blumenau para discutir a destinação de lixo urbano no Vale do Itajaí. Böhning conta que a experiência de seu estado, que há 20 anos enfrentou a necessidade de fechar depósitos de lixo por força de lei, pode ser aplicada em Santa Catarina. Em Mecklenburg-Vorpommern, cinco regiões, totalizando população de cerca de 500 mil habitantes, criaram solução conjunta para a disposição final dos resíduos, criando, inclusive, usina a gás que gera 1,2 MW de energia. "Não é necessário reinventar a roda. Temos tecnologia para destinação, para minimizar a produção e para produzir energia e insumos a partir do lixo, em vez de apenas queimá-lo", disse.

Além da FIESC e da SCGás participaram da reunião representantes da Celesc, Epagri, Fatma e Secretaria de Desenvolvimento Sustentável.

Contraponto - e apologia ao agrobiz



Esqueça toda aquela cantilena altruísta de empresários que continuam investindo no Brasil, apesar dos altos impostos, apesar do juro, apesar da inflação, do governo... Joesley Batista não acredita em nada disso: investe no país, como também investe nos Estados Unidos, porque as oportunidades são boas. Carga tributária proibitiva? Conversa. Gargalos de infraestrutura? Jargão. Estado ineficiente? Coisa nenhuma. A lógica do empresário é outra – incomum e bastante ousada.

– Eu nunca vi uma empresa começar o projeto dela pelos armazéns. Começa pela fábrica, pela produção, não é? A infraestrutura vem depois – diz, sobre a tese de que os gargalos estruturais um dia vão impedir o crescimento brasileiro.

Mas tanto pragmatismo, aprendido desde os 17 anos, quando largou os estudos para se dedicar às empresas da família, tem um preço. A JBS, principal empresa da holding J&F comandada por Joesley, foi acusada de crescer a taxas de dois dígitos graças ao dinheiro do sócio BNDES. E também de gerar mais empregos nos EUA do que no Brasil.

As respostas estão na ponta da língua. Confira nesta entrevista exclusiva concedida ao DC.

Diário Catarinense – Quando esteve no Brasil, o presidente Barack Obama disse que somos o país do presente, não do futuro. Esse futuro já chegou aos negócios?

Joesley Batista – Nós operamos em vários mercados emergentes e não tem nenhum que se compare ao Brasil. Somos o emergente mais ocidental, mais capitalista e mais regulamentado entre todos. É o mais “Primeiro Mundo” dos países do Bric (Brasil, China, Índia e Rússia). Os outros têm enormes desafios institucionais, de governança, de consolidação da democracia. Estamos quilômetros à frente deles.

DC – Então, por que a sua empresa aposta tanto nos EUA?

Joseley – Nós temos uma melhor percepção sobre a economia americana comparada com a média de mercado. Por isso, chegamos a 25% do mercado de carne bovina lá, além de 12% da carne de porco e 22% do frango. Apostamos muito nos EUA porque acreditamos que seremos, nós e eles, o celeiro do mundo daqui para a frente. Brasil e EUA são as duas plataformas com mais condições de dar a resposta necessária à demanda mundial por proteína. A food inflation (inflação da comida), que faz os preços subirem no mundo todo, se dá justamente pela demanda. E quem tem água, sol e terra são Brasil e EUA.

DC – Quais reformas o Brasil precisa fazer para confirmar esse novo patamar? O que nos falta?

Joesley – Não falta nada. Estamos cada dia mais produtivos. A economia está crescendo 7% ao ano, a ponto de o governo ter de segurar. Hoje, estamos sofrendo de todos os bons problemas que uma economia pode sofrer. Está faltando aeroporto, está faltando estrada. Por quê? Porque temos movimento.

DC – Mas temos uma carga tributária alta...

Joesley – Não é alta, não...

DC – Isso porque paga impostos nos EUA e na Europa...

Joesley – Lá é muito pior. O Imposto de Renda nos Estados Unidos é de 50%. Aqui ainda é de 30%. É que existem alguns jargões que não fazem mais parte da história brasileira, sabe? Por exemplo, isso de carga tributária. Hoje, a gente empresta dinheiro ao FMI. Inflação? Isso é coisa do passado.

DC – Mas nossa inflação está crescendo...

Joesley – Crescendo nada. É que nos EUA eles usam o core inflation (metodologia de cálculo que expurga do índice aumentos sazonais, especialmente alimentos), que é uma outra medida. Se medir o core aqui no Brasil, vamos ter 2%, 3% de inflação. A inflação de comida é no mundo todo, não só no Brasil. O que é um bom problema, porque o povo está comendo mais. Tem demanda. O Brasil, hoje, sofre de um monte de bons problemas. Falta aeroporto? Que maravilha! Cheio de gente voando. O duro era o outro problema: sobrando aeroporto sem passageiro. Hoje não tem passagem? Isso é um ótimo problema. Tem cem navios na fila do porto de Santos? Que bom!

DC – Esses gargalos de infraestrutura não podem ser um problema para o nosso crescimento?

Joesley – Não tem nada de gargalo. Eu discordo desse negócio de que falta infraestrutura no Brasil. Eu nunca vi uma empresa começar o projeto dela pelos armazéns. Começa pela fábrica, pela produção, não é? A infraestrutura vem depois. O país é como uma empresa: primeiro a gente tem de vender. A infraestrutura vem depois. O Brasil tem só 25 anos de democracia. Mesmo assim, cresce 7% ao ano, tem uma das menores relações PIB/dívida do mundo, inflação na casa de 4%, 5% ao ano. Hoje, estamos construindo mais portos no Brasil do que nos últimos cem anos. Alguém vai investir em porto antes de ter cem navios na fila? Não vai.

DC – E como o senhor vê este início de governo no Brasil?

Joesley – O Brasil é um país privilegiado. Tem dado muita sorte com seus governantes. A presidente Dilma é uma executiva da mais alta qualidade. A equipe dela é de pessoas capazes. O Brasil não está onde está por sorte. Não é apenas uma coincidência. É reflexo, é resultado.

DC – O risco é o motor da expansão que o senhor liderou, inclusive em relação à internacionalização do grupo?

Joesley – Se eu gosto de risco? Eu acho que temos um bom apetite por risco, sim, mas, por outro lado, quanto mais audacioso, mais cuidadoso. Quanto mais disposto a tomar risco, mais cauteloso tem de ser. É quase uma contradição: quanto mais cuidadoso você for, mais você pode correr, não é?

DC – Como se transforma os desafios em oportunidade?

Joesley – O que a gente faz melhor é administrar empresas. Então, gostamos de nos envolver em negócios nos quais achamos que podemos fazer alguma diferença. Se a empresa é ótima, lucrativa, com pessoal de primeira, então não precisa de nós. Em uma empresa com problemas, nós somos úteis.

DC – Os senhores imaginavam que poderiam chegar aonde chegaram?

Joesley – Não. Nem nunca imaginamos o que seria, nem tampouco imaginamos como será daqui a cinco anos. Eu não faço a menor ideia.

DC – Mas o grupo seria tão grande sem a mão do BNDES?

Joesley –
Seguramente, o apoio do BNDES foi, e continua sendo, bastante relevante. Mas isso está no nascedouro do próprio banco. Assim como para todas as grandes empresas brasileiras, o BNDES sempre foi um ator importante porque deu crédito. É um banco público, está aí para todos. No mundo inteiro, somos um case de sucesso. No Brasil, questionam o apoio do BNDES. Construímos, consolidamos, nos tornamos os maiores do mundo, tomamos a liderança dos americanos, somos uma empresa de capital aberto. Estamos ajudando a arrumar o setor. Por que ninguém observa que o boi saiu de US$ 20 para US$ 60 a arroba? Hoje, o boi brasileiro é um dos mais valorizados do mundo. Será que é uma coincidência? Não é. Isso somos nós. Isso é a JBS.