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quinta-feira, 19 de abril de 2012

O rei 5ª roda (Por que não te calas...)



por Mauro Santayana, em seu blog

O Rei Juan Carlos caiu em Botsuana, quando caçava elefantes, e fraturou a bacia. O Rei Juan Carlos é presidente de honra da ONG WWW-Adena, que existe para proteger os elefantes da extinção. A caça de elefantes em Botsuana é legal: paga-se 20.000 euros por animal abatido, e se gasta pelo menos mais 30.000 pela viagem.

Os gastos do Rei são pagos pelo povo espanhol, que está sendo castigado por medidas de austeridade, com o desemprego acelerado e a redução de despesas sociais. Em lugar de exercer o dever de todos os monarcas, e buscar resolver os graves problemas de seu país, o Rei vai caçar elefantes.

Por isso mesmo, o povo começa a perguntar-se se não é melhor ficar apenas com os quatro reis do baralho – e enviar os Bourbón para caçar elefantes na África. Só os monarquistas, como saída, defendem a abdicação do rei e sua substituição pelo filho mais velho, o Príncipe de Astúrias, inakide cuja inteligência pouco se sabe.

Nas vésperas da morte de Franco, quando preparavam a sua substituição por Juan Carlos, dizia-se que ele havia sido condecorado com duas medalhas, uma por idiota, e outra para substituir a primeira, se a perdesse. Está merecendo uma terceira, de igual referência.

Enfim, Juan Carlos é tão útil como um quinto rei no baralho.

Ençampação Comunista Argentina







Ofendendo a propriedade privada e a livre empresa internacional, a viúva negra do marxismo portenho, Cristina K., num arroubo comunista praticou mais um roubo ao encampar a petrolífera de los hombres buenos de España para assim se assenhorar dos meios de produção argentinos, levando a marcha do socialismo austral a galgar mais um degrau imundo rumo ao bolchevismo fétido.

Tal atitude infame e ofensiva ao capitalismo mundial e principalmente a el Rey de Aragón y Castilla, foi levada à cabo após uma imensa campanha terrorista de fustigação, coações e fuxicos contra os altos executivos da empresa, e é um ato absolutamente ilegítimo e injustificável cujo real propósito é derrubar os pilares menemonicos libertadores adotados pelo saudoso presidente Carlos Menén, um homem bom, quase um FHC platino, na década de ouro do cone-sul.

Ao saber de tão maléfica atitude da bruxa do sul, a enviada da América, Miss Hillary, disse em meio às lágrimas que o modelo capitalista é o melhor e que somente  a privatização da Petrobras poderá compensar o atual golpe. Assim esperamos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O Pato Donald pode ficar de fora


episódio sobre o Brasil do filme de Disney, de 1942, citado no texto
Por Antonio Luiz M. C. Costa, no Carta Capital

Em 1939, o fim da influência britânica nas Américas estava consumado, mas os EUA estavam longe de garantir a herança. Franklin Roosevelt teve de fazer sua parte para conquistar corações e mentes na América Latina. Reconheceu a nacionalização das petroleiras anglo-americanas no México, ajudou Getúlio Vargas a criar a Vale do Rio Doce e a CSN com as reservas de ferro expropriadas ao empresário estadunidense Percival Farquhar e até encomendou à Disney a animação Saludos Amigos!, de 1942.
p>Com o fim da guerra e do Eixo, Washington tornou-se tão hegemônica no Hemisfério Ocidental que não pediu mais desenhos animados sobre a América Latina e em 1950 extinguiu como supérflua a Quarta Frota, criada em 1943 para patrulhar as águas latino-americanas. O continente era seu quintal. A Guatemala podia servir de cobaia de experiências com sífilis que mataram pelo menos 83 entre 1946 e 1948, enquanto o Brasil era forçado a importar quinquilharias para liquidar as reservas acumuladas na guerra, romper relações com a União Soviética e pôr os comunistas na ilegalidade. Desobedientes teriam o destino de João Goulart em 1964 ou Salvador Allende em 1973.
Em 1994, quando a União Soviética já não existia e os EUA convocaram a primeira Cúpula das Américas em Miami para preparar a construção da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), não se concebia oposição. Ainda em 2002, o embaixador dos EUA em La Paz julgava apropriado ameaçar abertamente os bolivianos de represálias caso votassem em Evo Morales. Em 2003, quando Brasília articulava a resistência dos “emergentes” na OMC e na Alca, o subsecretário de comércio exterior de Bush júnior, Robert Zoellick (depois presidente do Banco Mundial) não a levava a sério: zombava que o Brasil, se ficasse de fora, teria de “exportar para a Antártida”.
O tropeço dos EUA na OMC e na Alca e a surpreendente derrota de 2005, quando o socialista chileno José Miguel Insulza, com apoio do Brasil, venceu a disputa pela secretaria-geral da OEA contra o mexicano patrocinado por Washington, foram vistos como anomalias temporárias. Ainda em 2006, The Economistdesdenhava o Brasil como “espectador irrelevante” e sua diplomacia como uma “confusão com resultados esquálidos”.
Mas a América Latina se fez notar no radar de Washington, como uma pedra da qual só se toma consciência ao se levar a topada. A criação de um novo psitacídeo carioca por animadores de Hollywood, 69 anos depois do Zé, talvez tenha sido um acaso, mas não o foi a recriação da Quarta Frota quando a China conquistava mercados latino-americanos, a Rússia fazia exercícios militares com a Venezuela, o Equador expulsava a base dos EUA em Manta e o Brasil consolidava na Unasul e no BRICS alianças estratégicas alheias a Washington.
Seis anos depois, a mesma The Economist abre seu comentário sobre a visita de Dilma Rousseff a Barack Obama dizendo que “o Brasil nunca foi tão importante para os EUA quanto agora e os EUA nunca importaram tão pouco para o Brasil”. Não foi preciso exportar para a Antártida: bastou ampliar o mercado interno e o comércio com o Sul e com Pequim – hoje um parceiro comercial mais importante para Brasília que Washington – e eliminar a dependência financeira dos bancos e órgãos multilaterais dominados pelos EUA.
Hugo Chávez, cuja derrota The Economist prevê a cada ano eleitoral, é mais uma vez favorito, apesar de doente, e o que é mais interessante, seu rival Henrique Capriles, que participou do assédio à Embaixada de Cuba durante o fracassado golpe de 2002, hoje posa como centro-esquerda e se diz “bolivariano”, inspirado em Lula e no “modelo brasileiro”.
A Alca morreu e seu ectoplasma, a Cúpula das Américas, corre o risco de ser definitivamente exorcizado. Os EUA voltaram a vetar a participação dos cubanos na Cúpula de Cartagena de 14 e 15 de abril, mas a presidenta Dilma disse a Obama que “todos os países da América Latina têm relações com Cuba e esta é a última Cúpula da qual Cuba não participará”. Obama respondeu? “Não teve de responder. Não foi uma pergunta.” Para o presidente do Equador, Rafael Correa, a de 2009 já foi a última: boicotou a atual como irrelevante para as questões que “importam para a Pátria Grande”, incluindo o bloqueio de Cuba e a colonização britânica das Malvinas, como explicou em carta aberta ao anfitrião colombiano, Juan Manuel Santos.
Santos sentiu-se obrigado a ir em pessoa a Havana desculpar-se e criticar os EUA: “Há certa hipocrisia na forma como tratam Cuba e não aplicam o mesmo padrão a outros”. Dito pelo chefe de um dos governos mais próximos dos EUA no continente, é significativo. Assim como o protesto do notoriamente direitista presidente da Guatemala, general Otto Pérez, quando os EUA vetaram sua pré-cúpula da América Central, na qual pretendia articular com os vizinhos uma posição conjunta da região em favor da legalização das drogas.
Naturalmente, os EUA ainda podem contar com seu peso militar e econômico, principalmente no México e nas frágeis repúblicas da América Central. Mas se dependesse da diplomacia, a influência dos EUA teria caído a zero. As atitudes da Casa Branca na América Latina não são pautadas pela realidade, mas pelas ficções do debate midiático e partidário interno dos EUA.
Obama ganharia a boa vontade de muitos latino-americanos se encerrasse o bloqueio a Cuba, mas seria mais um pretexto para ser acusado de “marxista” pelos republicanos, alguns dos quais pedem o fim da OEA. Em Honduras, ao que tudo indica, o governo democrata cedeu a republicanos e militares e reconheceu o golpe em -troca da nomeação de um funcionário de segundo escalão.
Vencida pela Embraer, uma concorrência do Pentágono foi cancelada para favorecer um pequeno fornecedor local. Em busca do voto anticastrista, republicanos da Flórida atropelam o governo federal, ao qual caberia a política externa, e proíbem o estado e seus municípios de contratarem a -Odebrecht, por esta executar obras em Cuba. Paralisados pela intransigência de suas disputas internas, os EUA podem perder a capacidade de conduzir uma diplomacia coerente nas Américas até que seja tarde demais.

O embuste da Veja


por Luis Nassif, em seu blog

A tentativa da Veja e do PT de contrapor a julgamento do “mensalão” à CPI de Cachoeira interessa apenas a ambos, não ao conjunto da opinião pública e, principalmente, aos poderes constituídos – Judiciário (incluindo Ministério Público), Legislativo.
O “mensalão” já são cartas dadas. Já houve o impacto político em 2006, as investigações,  um inquérito volumoso que já está no STF (Supremo Tribunal Federal). Provavelmente a maioria dos ministros tem opinião formada e não vai se deixar influenciar pelo noticiário.
Daí o inusitado da capa da revista Veja, insinuando que a CPI de Cachoeira visa jogar cortina de fumaça sobre o “mensalão”.
Na verdade, o que está em jogo é algo suprapartidário e muito mais grave do que denúncias políticas: a parceria entre Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, ao longo dos últimos oito anos.

Na matéria de capa, Veja compara-se ao promotor que propõe ao réu a “delação premiada”. Trata-se de um instituto, previsto em lei, pelo qual o réu tem abrandamento de pena se se dispuser a entregar escalões mais altos da organização criminosa.
No caso de Cachoeira, tal não ocorria. As matérias fornecidas pelo bicheiro serviam para detonar quadrilhas rivais, fortalecendo seu poder. Mais que isso, juntos, Cachoeira e Veja transformaram o senador Demóstenes Torres no político mais influente da oposição. Graças ao prestígio bancado pela revista, Demóstenes conseguia penetrar nos diversos departamentos da administração pública, defendendo pleitos do bicheiro.
A revista sustenta que a parceria com o bicheiro visou levantar denúncias que permitissem limpar o país.
A história não mostra isso.
No caso do grampo sobre a propina dos Correios, houve o claro propósito de beneficiar Cachoeira. O diretor da revista supervisionou pessoalmente o grampo, até julgar que estava eficiente. Depois disso, segurou a notícia por um mês, dando tempo ao esquema Cachoeira fazer o uso que bem quisesse. Publicada a denúncia, conseguiu-se o afastamento do esquema Roberto Jefferson dos Correios, e seu lugar ocupado novamente por esquema ligado ao próprio Cachoeira – que, dois anos depois, foi desbaratado pela Polícia Federal.
No episódio Satiagraha a revista usou os mesmos métodos. Para paralisar as investigações – que levariam inevitavelmente a Daniel Dantas -, a revista soltou uma série de matérias montadas.
Foi assim com a capa “O país do grampo”, \ que juntava um conjunto de informações desconexas, para passar a impressão que a Polícia Federal estaria grampeando meio mundo. Na verdade, a usina de grampos era do próprio Cachoeira.
O mesmo ocorreu com o “grampo sem áudio” – o falso grampo que teria interceptado uma conversa entre o Ministro Gilmar Mendes, do STF, e o senador Demóstenes Torres.
A falta de limites era tal que a revista publicou um dossiê contra o Ministro Edson Vidigal, do Superior Tribunal de Justiça, que havia dado uma sentença contra Dantas.
Era uma armação tão descarada, que a reportagem anunciava uma representação de uma ONG junto ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), contra Vidigal. A representação baseava-se na própria reportagem da revista – que ainda nem tinha sido publicada.

ATUALIZAÇÃO

excerto do blog de Jorge Furtado

Menos divertido, ao contrário, como momentos comoventes, o esforço de alguns jornalistas – de alertar o distinto público sobre o que há de vir na CPI, mais detalhes sobre a relação de (outros) maus jornalistas com o crime organizado.
Uma coisa é ouvir um bandido sobre o crime, avisando ao leitor que a informação foi dada por um bandido, isso todos fazem e devem, precisam fazer.
Outra, muito diferente, é ser sócio do bandido, publicando o que ele quer, quando quer, sobre quem quer, anos a fio, e sem contar para ninguém que ele é um bandido, com interesse direto, financeiro, na publicação daquilo que ele chama de "reportagem investigativa".
O modus operandi da quadrilha é simples e fica muito claro pelo que já se conhece das investigações. Na maior parte das vezes, se trata de arapongagem, grampos e gravações ilegais onde o bandido oferece suborno (o que é crime) ou, sabendo que está sendo gravado e seu interlocutor não, envolve a vítima (desonesta ou não) em conversas cabeludas que, bem editadas, podem destruir reputações. De posse destas gravações e com acesso direto às manchetes, a quadrilha arma suas chantagens, ameaçando adversários e desafetos, cobrando para publicar ou não publicar informações.

domingo, 15 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Islândia - A velha midia não noticiou nada disso


Por Theo Buss, na revista Fórum e no ODiário.info

Se há quem acredite que nos dias de hoje não existe censura, então que nos esclareça porque é ficamos a saber tanta coisa acerca do que se passa no Egito e na Síria e porque é que os jornais não têm dito absolutamente nada sobre o que se passa na Islândia?...
Na Islândia:
- o povo obrigou à demissão em bloco do governo;
- os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas financeiras;
- foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição.
Tudo isto pacificamente. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus lhe viessem a seguir o exemplo?...
Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos fatos:
- 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a Bolsa suspende a atividade. O país está em bancarrota.
- 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de todo o governo.
A desastrosa situação econômica do país mantém-se. É proposto ao Reino Unido e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por meio do pagamento de 3,5 bilhões de euros, montante suportado mensalmente por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de juro de 5%.
- 2010: o povo sai novamente às ruas, exigindo que essa lei seja submetida a referendo. Em janeiro de 2010, o presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma consulta popular. O referendo tem lugar em março. O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos votos. Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar juridicamente as responsabilidades pela crise. Tem início a detenção de numerosos banqueiros e quadros superiores.
A Interpol abre uma investigação e todos os banqueiros implicados abandonam o país. Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir a nova Constituição, que acolha as lições retiradas da crise e que substitua a atual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa.
Com esse objetivo, o povo soberano é diretamente chamado a se pronunciar. São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, dentre os 522 que apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade e ser apoiado por 30 pessoas.
- A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos em fevereiro de 2011 a fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que tiveram lugar em todo o país, um projeto de Carta Magna. Esse projeto deverá passar pela aprovação do parlamento atual bem como do que vier a ser constituído após as próximas eleições legislativas.
Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa:
- Demissão em bloco de um governo inteiro;
- Nacionalização da banca;
- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões econômicas fundamentais;
- Prisão dos responsáveis pela crise e
- reescrita da Constituição pelos cidadãos:
Ouvimos falar disto nos grandes da mídia europeia?... Ouvimos falar disto nos debates políticos radiofônicos?...  Vimos alguma imagem destes fatos na televisão?
Evidentemente que não!...
O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia a todo o mundo.