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* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

domingo, 3 de abril de 2011

Você ajudou a eleger... Agora toma!...



Arthurius Maximus, no blog Visão Panoramica (esse é um blog de direita)


A decisão tomada pelo STF contra a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições do ano passado provocou revolta, insatisfação e muitas reclamações do eleitorado brasileiro. Além disso, o Ministro Fux se transformou instantaneamente de magistrado competente e probo, em um vilão maquiavélico e falso.

Pois é. Numa nação de hipócritas como a nossa, a culpa sempre é dos outros.

O brasileiro tem um eterno complexo de vítima e não consegue compreender a importância de seu papel na sociedade que temos. Como psicopatas, desprezamos a verdadeira parcela de culpa que possuímos nos sofrimentos pelos quais passamos e creditamos tudo na conta do mundo cruel e corrupto em que vivemos. Nos achamos vítimas inocentes e desamparadas de um sistema criado para nos roubar, nos aprisionar e nos manter no eterno cativeiro dos altos impostos e dos serviços públicos sem qualidade.

Revoltados; vagamos pelos bares, pelas salas de espera, pelas festinhas e por todos os locais onde mais de um de nós se encontre reclamando e protestando, com uma indignação sincera e absoluta, contra as mazelas da corrupção e contra o sistema criado por políticos canalhas para se protegerem e, principalmente, para nos roubarem.

Duvida disso? Não concorda? Acha um exagero de minha parte?

Mas, então, como explicar as grandes votações dadas a políticos sabidamente corruptos e, muitas vezes, condenados por crimes dos mais diversos naipes que são aclamados pelo eleitorado e conduzidos ao porto seguro do Foro Privilegiado em um mandado legislativo. Sem mencionar o fato de terem garantido o acesso a muito mais verbas públicas para que se sirvam delas.

Você ajudou a eleger… AGORA TOMA!

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Natan Donadon (PMDB-RO) (foto) é deputado eleito por Rondônia, evangélico, cristão fervoroso e é ovacionado por seus eleitores que sempre comparecem em massa às urnas para lhe garantir um mandato. Mas, Natan Donadon também é condenado a 13 anos, quatro meses e dez dias de reclusão (dos quais 11 anos, um mês e dez dias pelo crime de peculato (roubo), e dois anos e três meses por formação de quadrilha), além de 66 dias-multa no valor de um salário mínimo vigente à época do fato, corrigido monetariamente.

Viveu 20 meses como foragido da Justiça, até que o PMDB de Rondônia o socorreu, dando-lhe um mandato na Câmara, na vaga de Confúcio Moura, atual prefeito de Ariquemes.
Donadon deu uma festa quando chegou a Brasília. Comemora até hoje, sempre repetindo a quem pergunta sobre sua situação judicial: “Está tudo certo, foi superado”. Isso Significa que o mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de Rondônia está sem efeito já que, como deputado, ele só pode ser preso em flagrante delito. O caso Donadon passou, automaticamente, à jurisdição do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como se não bastasse, esse “nobre deputado” ainda preside sessões da Câmara dos Deputados por deferência do amigo Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a quem ajudou eleger presidente da Casa.

Mas, graças a você ele hoje goza de regalias, mordomias, um salário anual de fazer o queixo cair e tem de ser chamado de Vossa Excelência. Isso é claro, além de ser intocável para a justiça.

Enquanto você ajuda a eleger deputados como este, eles rirem de você e aproveitam os intervalos para enriquecerem ainda mais, enquanto te roubam.

Lembre-se de uma coisa: Se você cumprir a sua parte; não é preciso Leia da Ficha Limpa para garantir ao Brasil um Congresso Nacional limpo, digno e mais preocupado em nos conduzir para um grande futuro.


Inocente!...


Daniel Dantas, um empresário e banqueiro (Opportunity) envolvido em toda sorte de falcatruas de vultuosissimo calibre na nossa Pindorama, acusado também de ser um dos principais aprovisionadores do valerioduto (termo que vem de Marcos Valério – publicitário das Minas Geraes e operador de esquemas ocultos) que irrigava o dito Mensalão do PT, vem a publico hoje com uma nota de esclarecimento, motivado pelo fato de ter sido citado na fatídica reportagem da revista Época desta semana, tema que já tratamos n’outro post aqui no nosso blogzinho botocudo.

A nota que o buliçoso banqueiro teve o descoco de proclamar pode ser vista aqui... Como não podia deixar de ser, a nota trata de sua notória honestidade e retidão de caráter e de como é injustiçado por esses bolcheviques pestilentos agora liderados pela búlgara peruquenta.

Mas o que realmente aconteceu?... Vamos relembrar para os que teimam em esquecer (*):

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1) Em 1998 Dantas foi favorecido na Privatização Tucana e apareceram grampos telefônicos onde a PREVI e o Banco do Brasil tentavam ajudar o Opportunity, sob a batuta de FHC. Para a assessoria de Dantas o que ouvimos era mentira?

2) Em 2002 Dantas foi condenado nas Ilhas Cayman como "falsificador de fichas bancárias". O Opportunity tentou fazer a mesma coisa que faz aqui, desqualificando o juiz. Se deu mal. O que a assessoria de Dantas tem a dizer sobre as decisões Britânicas e por que o Banco Central do Brasil permite que um "falsificador de fichas bancárias" opere fundos no país?

3) Em 2004 Dantas é revelado como o mandante da espionagem da Kroll. Toneladas de documentos mostram que a Kroll foi contratada pela "quadrilha" (como definido pela PF) de Dantas para espionar adversários e políticos. Dantas era o único beneficiário da espionagem e depois do evento a Carla Cico sumiu do mapa e a Kroll praticamente desapareceu. Uma Ministra do STF fez o que pode para não abrirem os HDs legalmente apreendidos no Opportunity. Como a assessoria de imprensa do Daniel Dantas pode tentar posicioná-lo de "coitadinho" aqui?

4) Em 2005, não satisfeito, e após o esquema da Kroll ser revelado, Dantas contrata um espião israelense chamado Avner Shemesh. O cunhado de Dantas, Carlos Rodemburgo, foi flagrado entrando no escritório de Shemesh onde foram encontrados grampos feitos contra pessoas que desagradavam Daniel Dantas. Não foi ele, assessoria?

5) Em 2005, quando eclode o Mensalão, Dantas manipula intensamente a imprensa para esconder seu nome. Mas a Telemig Celular, comandada por ele, foi a maior financiadora do Mensalão do PT, e havia sido a maior financiadora do Mensalão do PSDB. Antes de Dantas, nunca a Telemig Celular havia contratado Marcos Valério. É coincidência Dantas? E o que o Marcos Valério foi fazer em Portugal para ajudar Dantas, é coincidência?

6) Voltando um pouco a 2002, o juiz Rocha Mattos, aquele corrupto que saiu agora da cadeia, abre um inquérito contra adversários de Dantas. O inquérito foi baseado em uma matéria do jornalista Leonardo Attuch, famoso por fazer tudo que Dantas quer, em cima de grampos ilegais publicados pelo jornalista Claudio Humberto (outro que gosta do Dantas há tempos). Na CPI da Telefonia, Dantas foi indiciado como responsável por esses grampos ilegais. O que a assessoria tem a dizer.

7) Em 2005/2006 Dantas publica na revista VEJA contas falsas no exterior de Lula e diversas autoridades do Governo. A revista VEJA faz questão de publicar a farsa, mesmo sabendo que foi uma farsa. Dantas foi indiciado por calúnia e nunca mais se soube desse inquérito. O que aconteceu?

8) Em 2008 Dantas é flagrado no Jornal Nacional dando dinheiro a um Policial Federal. O Brasil inteiro viu o suborno e mais 1 milhão de reais foram apreendidos no apartamento do emissário de Dantas. Era tudo fantasia???

9) Gilmar Mendes virou Gimar Dantas depois de dar 2 Habeas Corpus "canguru" ilegais e enganar o STF tentando remover o artigo 691 que proibe isso como se o juiz de primeira instancia tivesse "desacatado" o STF.

10) De 2008 para cá o dinheiro do Opportunity está bloqueado em diversos países, com ordem judicial da justiça desses países. Será que existe uma "perseguição" a Daniel Dantas na Inglaterra, nos EUA, em Cayman, na Irlanda, etc.

11) Em 2010 mais de 30 quotistas do Opportunity Fund foram indiciados pela PF por serem investidores desse fundo que não poderia ter brasileiros. Alguns confessaram que eram investidores. Mas a assessoria de Dantas insiste em querer convencer a população de que isso é uma fantasia. Quem sabe apostando nos Macabu e Gilmar Dantas para resolver os seus problemas com a realidade.

12) Em 2010 o Bradesco entra com uma ação contra Daniel Dantas por ter contratado como advogado, Francisco Rezek, que era arbitro da disputa de 2 bilhões de dolares que o Bradesco tinha com o Opportunity na Valepar, e que claro, votou pelo Opportunity.

13) No final de 2009 a irmã de Daniel Dantas e 2 advogados foram indiciados por corromper outro policial (segundo a CartaCapital desta semana). Outro???

14) TODOS, absolutamente TODOS os sócios de Daniel Dantas tiveram conflitos com ele. Mesmo os cúmplices como o Citibank, abriram processos em Nova York com acusações devastadoras. Isso tudo é culpa de quem, senão do próprio Dantas?

Ou Dantas precisa de um bom psiquiatra, ou é o povo brasileiro que está ficando louco ...

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(*) estas 14 notas são de autoria de um leitor do blog do Nassif, que se apresenta como “Analista Verde-Amarelo”

sábado, 2 de abril de 2011

Cia Hering - sua história

Agora me digam: Que fim levou a Karina Somaggio?...

capa da Playboy by Kibeloco

analise descontada de Miguel do Rosário, no Óleo do Diabo (agora de volta)

A revista Época se esforçou. A capa desta semana, assinada pelo ex-garoto prodígio da Veja e bolsista do Millenium, Diego Escosteguy, traz aquela linguagem entre barroca e cínica que se tornou marca registrada nas reportagens sobre o mensalão. A matéria, com base no relatório da Polícia Federal enfim concluído, traz uma ou duas novidades, as quais, porém, são tão ansiosa e descaradamente aditivadas com molho velho que perdem todo o sabor. A imagem que me vem é a de uma sopa guardada há semanas na geladeira, a qual lançamos dentro uma cenoura cortada para que pareça fresca.

A escassez de fatos novos no relatório da PF decorre do fato de que o mensalão foi o escândalo mais devassado da história política brasileira. Tivemos várias CPIs, com quebra de sigilos telefônicos e bancários. A imprensa deslocou o grosso de seus efetivos para investigar todos os ângulos do episódio. E a pressão midiático-política da oposição, que chegou a ameaçar a estabilidade institucional, conseguiu, desde o início das investigações, monitorar, vazar e divulgar os resultados parciais dos relatórios da Polícia Federal. Pesquisando rapidamente na internet, descobre-se que praticamente todas as informações apresentadas na matéria já eram do conhecimento público desde 2005, embora sem a credibilidade conferida pela investigação profissional.

Entretanto, o que mais chama atenção na reportagem é sua falta de clareza. O texto lança mão de todas as aquelas velhas estratégias de manipular a informação que vimos tão diabolicamente desenvolvidas no escândalo do mensalão. Existe o ilícito, mas em vez de esclarecer o leitor sobre suas causas, consequências e natureza, a reportagem o confunde, deixando nele apenas um mal estar difuso, uma indignação mal resolvida.

Por exemplo, um trecho da matéria, subtitulado Outras revelações, traz os seguintes quadros:



Temos aí algumas novidades interessantes, que poderiam nos dar uma ideia melhor de onde surgiu o famigerado Marcos Valério, que tinha, segundo a PF, contratos de publicidade com a Petrobrás na era fernandista, e com o governo de Aécio Neves, já durante a era Lula. Mesmo a nota "Lobby no BC", confusa e juridicamente inócua, amarra o Banco Rural ao empréstimo concedido pelo governo FHC ao sistema financeiro, durante o Proer, no qual o governo repassou aos bancos o equivalente hoje a mais de 115 bilhões de reais. Ou seja, recheia-se o escândalo da era Lula com maionese tucana.

A matéria inicia com um quadro onde figura aquela linguagem pirracenta que também ganhou notoriedade na cobertura do assunto.




O relatório da PF não prova que o mensalão existiu. Ele apenas confirma o que realmente aconteceu, e que ninguém negou: caixa 2 de campanha eleitoral. Não há, contudo, nos documentos da PF, e quanto mais no trecho sublinhado, qualquer fato comprobatório de que o governo pagou parlamentares para votarem desta ou daquela forma.

O início da matéria, por sua vez, é presunçoso e faz um pre-julgamento:


Era uma vez, numa terra não tão distante, um governo que resolveu botar o Congresso no bolso.

Lendo a matéria até o final, o que vemos é que, ao contrário, o relatório da PF desmente a tese do mensalão, visto que aponta apenas 28 parlamentares como receptadores de recursos de Marcos Valério. Como se pode botar um Congresso de 513 deputados "no bolso" dando dinheiro a somente 28 dentre eles? Sem contar que a maioria pertencia à base governista e muitos receberam quantias irrisórias, como o professor Luizinho, que virou "mensaleiro" após um assessor sacar 15 mil reais do valerioduto.

Outro item nebuloso da matéria, e que a Época, em vez de tentar esclarecer, joga ainda mais fumaça, é a participação de Daniel Dantas. Esse era para ser o grande "gancho" da matéria, ainda mais considerando que falamos de um indivíduo já condenado pela justiça em três países, Brasil, EUA e Inglaterra.

Segundo o relatório, Dantas teria assinado contratos, através de empresas que controlava, como a Telecom, no valor de R$ 50 milhões com empresas de publicidade de Marcos Valério. Meses depois estourava o escândalo do mensalão. A própria Polícia o aponta como um dos principais financiadores do esquema, mas a revista, sempre tão cínica e maldosa, prefere fazer dessa vez uma interpretação cândida, de que "apenas R$ 3,6 milhões" foram efetivamente repassados.

A Época engole todas as pastilhas de LSD de uma vez só e inclui,como que fazendo parte do "mensalão do PT", uma lista de personalidades que receberam dinheiro das empresas de Valério, mesmo que estas pessoas não tenham nada a ver com a campanha política de 2002 (não a campanha petista, ao menos):


  • Pimenta da Veiga, do PSDB, ex-ministro de FHC, recebeu R$ 300 mil
  • Gilberto Mansur, jornalista.
  • Domingo Guimarães (genro de Marco Maciel).
  • Jaqueline Roriz, deputada (PMN-DF).
  • Mario Calixto (senador PMDB-RO).
Uma das novidades apresentadas como "quentes", e como elo entre o "mensalão" e a campanha de Lula é a "descoberta" que Freud Godoy, ex-segurança de Lula, recebeu R$ 98 mil de Marcos Valério, e que o pagamento se deu para saldar uma dívida que o PT tinha com Godoy por seu trabalho na campanha. Já se sabia que Godoy recebera 98 mil de Valério desde 2006 (1). E não é novidade nenhuma que o "mensalão" foi para pagar a campanha de Lula em 2002, o que na verdade apenas comprova a tese, admitida pelo PT e pelo próprio Lula, que chegou a ir a TV pedir desculpas, de que se trata de caixa 2 eleitoral, e não pagamento de propina a políticos para votarem em favor do governo.

O interessante é que, à proporção em que se torna cada vez mais claro que o "mensalão" foi um esquema de caixa 2 da campanha eleitoral de 2002, mais a mídia se aferra à tese de "compra de políticos". Não estou diminuindo a gravidade do crime de caixa 2, mas apenas botando os pingos nos is.

Essa matéria da Época não traz nenhuma novidade consistente. Mas tem uma função: tentar ressuscitar o clamor popular, ou pelo menos uma faísca daquele fogaréu que vimos em 2005, e influenciar o voto dos ministros do STF quando estes julgarem o caso este ano.

Reparem nesse trecho:


O mensalão não foi uma farsa. Não foi uma ficção. Não foi “algo feito sistematicamente no Brasil”, como chegou a dizer o ex-presidente. O mensalão, como já demonstravam as investigações da CPI dos Correios e do Ministério Público e agora se confirma cabalmente com o relatório da PF, consiste no mais amplo (cinco partidos, dezenas de parlamentares), mais complexo (centenas de contas bancárias, uso de doleiros, laranjas) e mais grave (compra maciça de apoio político no Congresso) esquema de corrupção já descoberto no país.

Pode-se ver, no entanto, uma mudança no tom da mídia. Se antes ela fala do mensalão com arrogância e sarcasmo, hoje nota-se-lhe uma postura defensiva. A repetição de negativas é de quem teme perder o controle sobre a narrativa desse escândalo, como de fato está perdendo. Ninguém nega o caixa 2. O que vem sendo questionado é se houve compra do voto no Congresso. Como é possível que o governo comprasse o voto de 513 parlamentares? E para quê? Repare que os mesmos inquisidores que mencionam a compra de votos como um crime de gravidade apocalíptica jamais especularam sobre que votações ocorreram no período que justificassem tamanho esforço e risco. E qual o sentido de comprar apoio de deputados que já votavam em linha com o governo? Lembro que alguém fez uma tabela em que mostrava que, durante o período em que os acusados recebiam o dinheiro do mensalão, o índice de vitórias do governo no Congresso na verdade caiu. A informação foi logo abafada, porque ela não ajuda a dar verossimilhança à narrativa midiática.

Outro exemplo de manipulação da mesma reportagem:


A metamorfose ambulante

Ao longo de seu governo, o ex-presidente Lula mudou sua retórica sobre o escândalo. Passou da indignação à negação
"Não interessa se foi A, B ou C, todo o episódio foi como uma facada nas minhas costas" - Lula, em dezembro de 2005, sobre o episódio do escândalo do mensalão

"Mensalão é uma farsa" - Lula, em conversa com José Dirceu durante o café da manhã no Palácio da Alvorada em 18 de novembro de 2010. Na ocasião, o ex-presidente avisou que quando deixasse o governo iria trabalhar para desmontar o mensalão.

Não há contradição entre as duas falas do presidente. Ele nunca negou que houve caixa 2. A "farsa" a que ele se refere (e a revista finge não entender) é a versão segundo a qual o governo subornou parlamentares para impor vitórias no Congresso Nacional.

Minha esperança é que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue os acusados com toda a severidade possível, condenando os réus do mensalão por seus crimes, se entenderem que estes ocorreram, mas que aja com justiça e isenção, sem se deixar levar pelas manipulações de uma imprensa comprometida não com a verdade dos fatos mas com as versões que produziu sobre eles, às quais agora se sente na obrigação de bancar até o fim.


NOTAS BOTOCUDAS

(1) Vixe... Vixe... o Miguel colocou um link pra pagina do Tio Rei!...

E no frigir dos ovos a reportagem bombástica da revista (Global) Época não responde o mais importante de tudo: Que fim levou a Karina Somaggio?...

ATUALIZAÇÕES:

Duas ótimas analises sobre como é o roterio desse filme de pastelão "A volta do Mensalão". A do Luis Nassif aqui e do Len aqui

Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima Daiichi


por Ricardo Garcia, no Ecosfera (*)

Empresa Tepco durante anos falsificou documentos e ocultou problemas nos reactores que agora estão no centro da crise nuclear do Japão.

Quando o telefone tocou nos escritórios da Tepco (Tokyo Electric Power Company), no dia 4 de Julho de 2000, os dirigentes da empresa nem imaginavam o que estava para acontecer. Do outro lado da linha, um responsável do então Ministério do Comércio Internacional e Indústria do Japão solicitava informações sobre problemas encontrados numa inspecção de rotina ao reactor 1 da central de Fukushima-Daiichi, a mesma que agora está no centro da crise nuclear do Japão.

O pedido foi formalizado por carta cinco meses depois, em Dezembro. E, nessa altura, o Governo queria que a Tepco verificasse também denúncias de irregularidades feitas por um técnico da General Electric (GE).

Tanto a Tepco como o Governo iniciaram inquéritos. No final de Agosto de 2002, a agência japonesa de segurança nuclear concluiu que, desde os anos 1980, havia uma prática sistemática de ocultar problemas detectados nas inspecções à central de Fukushima - incluindo fissuras nas estruturas dos reactores. Os problemas, segundo o Governo, não punham directamente em causa a segurança da central. Mas a falsificação dos documentos e a ocultação de dados eram suficientemente graves.

A Tepco admitiu tudo e desculpou-se publicamente, apenas para descobrir, um mês mais tarde, mais oito casos de omissão de informação sobre problemas nos tubos de circulação primária da central de Fukushima.

Os efeitos para a Tepco foram arrasadores. Dias depois da divulgação do resultado do inquérito, a empresa anunciou a demissão dos seus dirigentes de topo, incluindo o seu chairman e o seu presidente. Outros 35 directores, superintendentes e técnicos foram afastados dos seus cargos ou sofreram cortes nos salários.

Todos os 17 reactores nucleares da Tepco - não apenas os seis de Fkushima-Daiichi - foram encerrados para inspecções de segurança, que se estenderam até Abril de 2003. Cerca de 3000 residentes à volta de Fukushima processaram a empresa, por ter mentido.

Os problemas da Tepco não ficaram por aí. Em 2006, a empresa encontrou dados falsificados sobre a temperatura da água de refrigeração de Fukushima-Daiichi em 1985 e 1988. E em 2007, um sismo de magnitude 6,8 provocou um incêndio noutra central nuclear - Kashiwazaki Kariwa, a maior do mundo. Embora o acidente não tenha tido grandes consequências, o Governo admitiu que não tinha avaliado bem o risco sísmico antes da aprovar a construção da central, confiando em dados da própria Tepco, de 1970 - segundo a agência noticiosa Bloomberg.

Tecnologia em causa

As explosões e as fugas radioactivas de agora em Fukushima são mais um episódio a somar no histórico da Tepco - uma das maiores empresas mundiais do sector eléctrico. A causa foi externa e brutal: um sismo de magnitude 9,0 e um avassalador tsunami. Mas a própria tecnologia utilizada nos reactores de Fukushima é agora colocada em xeque.

Os reactores da central foram construídos pela GE, que os desenvolveu na década de 1960. Documentos citados ontem pelo New York Times reveleam que, nas décadas de 1970 e 1980, membros da agência regulatória da energia atómica nos Estados Unidos manifestaram preocupação quanto ao equipamento da GE, alegando maior risco de provocar explosões em caso de sobreaquecimento do combustível nuclear.

Um porta-voz da GE citado pelo New York Times disse que a tecnologia tem "um registo de mais de 40 anos de segurança e fiabilidade".

Independentemente da sua responsabilidade, a Tepco já está a enfrentar os efeitos dos problemas agora verificados em Fukushima. Em dois dias, as acções da empresa caíram 42 por cento. A empresa não está livre de pagar indemnizações pelos efeitos do acidente. E o próprio primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, está furioso por não ter sido informado, durante uma hora, do que se passava na central, depois da explosão hoje do reactor 2.

Inaugurados entre 1970 e 1979, os reactores de Fukushima estão entre as 174 unidades atómicas com mais de 30 anos que existem no mundo. Muitas empresas querem prolongar a vida útil das suas centrais. Neste caso, é o ponto final.


COMENTARIO DO LEITOR DA LUSITÂNIA

Pensar pequenino

Por frankist

Pois é, às pessoas pouco lhes interessa se morreram 5000 pessoas no terramoto e tsunami. Se morreu 1 devido aos problemas na central nuclear é tudo o que interessa! Se fosse só o terramoto não teria havido qualquer problema para a central nuclear. O problema foi também o tsunami que inundou a parte da central que ia fazer a compensação da falta de electricidade. Quanto aos problemas da central, ela já é muito antiga. Já devia ter sido fechada. Mesmo assim, 1000 centrais destas matam menos que as explosoes em minas que acontecem constantemente. Crimes contra a humanidade? Construir uma barragem também é um crime contra a humanidade? Os aviões também são crimes contra a humanidade? É que tudo tem riscos e as centrais nucleares são as que têm menos no meio disto tudo.


(*) site sobre temas ambientais de Portugal, portanto a grafia de vernáculo luso foi mantida no post.



Aleluia quem?... Gretchen?...


análise de Mauro Santayana, no JB on line


O engenheiro baiano José Carlos Aleluia enviou carta ao Reitor da Universidade de Coimbra, protestando contra a concessão do título de Doutor Honoris-Causa ao operário Luis Inácio da Silva, que, com o apelido afetivo de Lula, presidiu ao Brasil durante oito anos. Sem mandato, Aleluia mantém contatos com seus eleitores, mediante um site na Internet.

Ele foi um oposicionista inquieto, ocupando, sempre que podia, a tribuna, no ataque ao governo passado, dentro da linha sem rumo e sem prumo do DEM. Aleluia considera uma ofensa às instituições acadêmicas o titulo concedido a Lula, e faz referência elogiosa à mesma homenagem prestada ao professor Miguel Reale. Esqueceu-se, é certo, de outros brasileiros honrados pela vetusta universidade, como Tancredo Neves. Não é preciso conhecer a teoria de Freud para compreender a escolha da memória de Aleluia.

O título universitário é, hoje, licença profissional corporativa. O senhor Aleluia está diplomado para exercer o ofício de engenheiro. A Universidade o preparou para entender das ciências físicas, e é provável que ele seja profissional competente, tanto é assim que ministra aulas. O título universitário certifica que o graduado estudou tal ou qual matéria, mas não faz dele um sábio. O conhecimento adquirido na universidade é importante, mas não é tudo. Volto a citar, porque a idéia deve ser repetida, os versos de um escritor mais identificado com a direita do que com a esquerda, T.S. Elliot, nos quais ele mostra a diferença entre ser informado, conhecer e saber: Where is the wisdom we have lost in knowledge?
Where is the knowledge we have lost in information?

O título de Doutor Honoris-Causa, sabe bem disso o engenheiro Aleluia, não é licença profissional, mas o reconhecimento de um saber, construído ao longo do tempo, tenha o agraciado ou não freqüentado a universidade. O papel da Universidade não deveria ser o que vem desempenhando – o de conferir certificados de preparação técnica -, mas o de abrir caminho à busca do saber. O Senador Christovam Buarque, com a autoridade de quem foi reitor da UNB, disse certa vez que a Universidade ideal será aquela que não expeça diplomas.

Lula, com os seus defeitos, e não são poucos, é um doutor em política. Um chefe de Estado não administra cifras, não faz cálculos estruturais, não prolata sentenças, nem deve escrever seus próprios discursos. Cabe-lhe liderar os povos e conduzir os estados, e isso dele exige muito mais do que qualquer formação escolar: exige a sabedoria que desconfia do conhecimento, e o conhecimento que se esquiva das informações não confiáveis.

A universidade é uma instituição relativamente nova na História. Ela não foi necessária para que os homens, com Demócrito, intuíssem a física atômica; com Pitágoras e Euclides, riscassem no solo figuras geométricas e delas abstraíssem os teoremas matemáticos; e muito menos para que Fídias fosse o genial arquiteto e engenheiro das obras da Acrópole e o escultor que foi. Mais ainda: as maiores revoluções intelectuais e sociais do mundo não dependeram das universidades, embora nelas se tenham formado grandes pensadores – e sua importância, como centro de reflexões e pesquisas, seja insubstituível. O preconceito de classe contra Lula sela os olhos de Aleluia e os torna opacos.

Solidário o meu autodidatismo com o de Lula, quero lembrar o grande escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson: um talento pode formar-se na obscuridade, mas um caráter só se forma no turbilhão do mundo.

É no turbilhão do mundo que se forma o caráter dos grandes homens.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dados de satélite mostram como a gravidade afeta a Terra


sacado da BBC Brasil


Uma animação produzida pela equipe que trabalha com o satélite Goce, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), mostra como a força da gravidade varia na superfície da Terra.

Os dados fornecidos pelo satélite foram exagerados para criar as imagens, que são as mais precisas sobre o assunto até agora.

O modelo da Terra ilustra como a força que sentimos sob nossos pés não é a mesma em cada ponto to planeta.

Modelo da Terra criado com dados do satélite Goce

Dados sobre a gravidade podem ajudar a entender terremotos

A gravidade é mais forte nas áreas que aparecem pintadas de amarelo no globo, e diminui até chegar às áreas azuis.

Informação

Os cientistas europeus dizem que os dados coletados pelo satélite estão modificando a compreensão sobre a força de gravidade e como ela está influenciando alguns dos processos naturais mais importantes da Terra.

Eles fornecem, por exemplo, uma visão mais clara de como os oceanos se movem e como eles redistribuem o calor do Sol pelo mundo - uma informação crucial para os estudos climáticos.

Os pesquisadores de terremotos também estão utilizando dados do Goce. Os fortes tremores que atingiram o Japão, no início do mês de março, e o Chile, em 2010, ocorreram porque grandes massas de rocha se moveram de repente sob a terra.

O satélite pode dar uma visão tridimensional do que estava acontecendo na Terra naqueles momentos.

"Mesmo que os terremotos tenham sido resultado de grandes movimentos na Terra, na altitude do satélite os sinais eram muito pequenos. Mesmo assim, é possível vê-los nos dados", disse Johannes Bouman, pesquisador do Centro de Pesquisa Geodésico da Alemanha.

A reprodução do planeta que aparece na animação é o que os pesquisadores chamam de geóide. De acordo com os cientistas, o modelo é uma espécie de versão do que a força de gravidade faz com a Terra, já que o planeta não é uma esfera perfeita e sua massa não é distribuída igualitariamente.

Dados precisos

O Goce foi lançado em março de 2009. Ele percorre o planeta de polo a polo, a uma altitude de 254,9 quilômetros - a menor órbita de um satélite de pesquisa em operação hoje.

Três pares de blocos feitos de platina dentro de um instrumento sensível a acelerações da gravidade, permitem mapear diferenças quase imperceptíveis no "puxão" exercido pela massa do planeta de um lugar a outro - das grandes cadeias montanhosas até as maiores depressões oceânicas.

Segundo Rune Floberhagen, o chefe da missão do Goce na ESA, o sistema permitirá ter dados cada vez mais detalhados.

"Quanto mais dados tivermos, mais fácil será suprimir os erros", disse.

"Estamos obtendo informações completamente novas em áreas como o Himalaia, os Andes e particularmente a Antártida. Todo o continente (da Antártida) precisa muito de informação sobre a gravidade, que nós agora podemos dar."