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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Manifestos no Patropi - agora (?) está assim



Kadu Reis, no Facebook

Em primeiro lugar, peço desculpas por ter enchido tantas timelines por estes dias. Este deve ser meu último post sobre o assunto das manifestações. Peço desculpas também pela minha declaração há alguns dias de que "a minha geração estava fazendo história". Um equívoco. Não tenho vergonha nenhuma de mudar de opinião. O que escrevo abaixo não é opinião. É constatação. Só não enxerga quem não quer. O texto ficou gigante. Você, que não entende o que está acontecendo provavelmente não lerá.

Se você tem a vã ideia de que o povo brasileiro tenha mudado um pouquinho sequer por ter ido para as ruas reclamar, você, infelizmente, está absolutamente enganado. O gigante pode até ter acordado, mas ainda não lê e está com os olhos tapados. Trinta mil foram às ruas de Floripa hoje. Tudo muito bom, tudo muito bonito. Mas a tendência nacional se repetiu na ilha. Cheguei um pouco atrasado ao "protesto" (entre aspas, porque não houve um). Caminhei por cerca de quatro quilômetros entre os manifestantes que, na teoria, foram às ruas apoiar o Movimento Passe Livre na luta por um transporte público melhor.

Nestes quatro mil metros tentei por várias vezes, incitar as pessoas a gritarem pela causa, a diminuição da tarifa. Não obtive sucesso uma vez sequer. Os gritos eram variados, e raros. Cada manifestante foi para a rua com uma (ou mais) reivindicações cada. A maioria foi sem nenhuma - até porque protestar contra a corrupção (em geral, sem nenhuma reclamação concreta), pela saúde, pela educação, pela moral, pelos bons costumes, todos de uma vez só, não significa nada. Em absoluto. Nada.

Durante a tediosa caminhada, na absurda maior parte do tempo havia silêncio. Mais parecia uma romaria religiosa, uma caminhada contra o câncer ou coisa do gênero. Haviam algumas reações comuns, que aconteciam de tempos em tempos. Pessoas criticando RBS/Globo, cantando "eu sou brasileiro com muito orgulho" e gritando de alegria ao ouvir buzinas de apoio dos carros ou acenos dos apartamentos. Notem. Nenhum sinal de protesto. Nenhum. Li muitos cartazes sobre diversos assuntos, mas grito, pressão popular não houve.

Não há como mudar nada sem lutar. Caminhar na rua parando para tirar fotos e colocar no Facebook não conta. O protesto pode ter chego ao seu pico em número (talvez não) nos moldes em que está acontecendo. As pessoas da minha geração, que não lê, não se informa, não se politiza, continuam ignorantes como antes. A única diferença é que resolveram ser ignorantes na rua. Isso é muito triste, muito. Não fazem a mínima de ideia de contra o que querem protestar. Não fazem ideia de que não estão protestando.

Foram fechadas as ruas que a cidade já estava pronta para fechar, nos horários combinados e sem causar grandes transtornos. No governo, nem cócegas. Risadas, muito provavelmente. Mas daí você vai me dizer: as pessoas não protestaram contra algo porque não havia uma liderança coordenando. Prepare-se, agora vem a pior parte.

As pessoas que iniciaram os protestos, o Movimento Passe Livre e outros movimentos sociais alinhados foram agredidas. Confesso não ter visto o início, onde dizem ter acontecido muita coisa. Mas após os quatro quilômetros, finalmente os encontrei. Finalmente, um grupo gritando unido por uma causa. Fiquei feliz. Todos unidos contra a tarifa, mesmo pertencendo a diferentes organizações - vi PSTU, PSOL, PT, Movimento Sem Terra, bandeiras comunistas em geral e pessoas sem nenhum símbolo de qualquer movimento.

Este grupo, de pessoas que criaram o movimento que foi o tal estopim nacional foi hostilizado do início ao fim. Várias tentativas de agressão aconteceram (algumas muito covardes, de oito pessoas contra uma). Inúmeras foram as pessoas que tentaram arrancar as bandeiras, indo contra a democracia e a liberdade de expressão. Fiquei com este grupo, não tão grande, mas que lutou até o fim. Fomos à prefeitura e fizemos um manifesto bonito, mas não expressivo e não reconhecido - como eles fazem há anos.

A maioria, no entanto, que se concentrou em gritar "sem partido" para este grupo, realizou apenas este protesto. Uma manifestação ridícula anti-bandeiras. Mais uma vez, nada. Este movimento gigantesco, de pessoas vazias e que foram para a rua pela vontade de aparecer em mais uma das modinhas da era da internet, não chegará a lugar algum. Tem duas saídas.

Na primeira, acaba dentro de pouco tempo, e tudo volta ao normal brasileiro. As pessoas já tiraram as fotos que precisavam e o movimento passa. A insatisfação sem conhecimento e motivo concreto continuará perpétuo enquanto as pessoas não investirem em seu intelecto. Na segunda, pode culminar em uma eleição de Aécio Neves em 2014. O movimento anti-Dilma (criado pelo simples e eterno descontentamento com qualquer governo atual de qualquer época, mas sem embasamento, no caso) cresce. Acho que não terá força para derrubar a Presidente, mas pode evitar sua reeleição no ano que vem. E voltaremos à era Tucana, pois o povo esquece rápido e eles surgem como solução.

É impossível protestar sem conhecimento. Tentar pressionar tudo não pressiona nada. Caminhar na rua não é manifestar nada além de uma insatisfação. Aos que saíram para protestar de verdade parabéns. Vocês significaram alguma coisa. Para mim, acabou. Pelo menos da forma que está. Na luta deste outro grupo, continuarei. O grupo que criou, que sempre lutou e foi renegado.

2 comentários:

  1. Descontentamento sem embasamento? Esse cara vive onde?

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  2. Ilha da Fantasia!.... Huahauauauauau

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