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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A crise da água - imbecilidades e mal entendidos


por Richard Jakubaszko, em seu blog


NOTA PRELIMINAR: este blog concorda em grande parte com o autor e publica seu ponto de vista aqui a guisa de contribuir com o debate, mas existem alguns pontos obscuros nas afirmativas contidas no texto que carecem de discussões adicionais. Ver as notas numeradas para os pontos que remetem a isso. [entre colchetes, adições nossas]

Com frequência que chega a saturar, há um insistente aforismo: “a água doce é um bem escasso; pior ainda, está se esgotando”.

[Afirmação mestra que deve nortear todo o contexto para este artigo] >>> O crescimento explosivo das cidades, somado ao descaso dos poderes públicos e à falta de consciência da população em geral, e a falta de [dinheiro para] (1) investimentos, faz com que boa parte dos rios urbanos do Brasil e de muitas cidades no exterior mais pareça uma extensão de lixeiras e esgotos. A falta de tratamento de esgoto e o descarte de poluentes residenciais e industriais são [os verdadeiros e] grandes vilões para essa autêntica catástrofe. (2)

Adicionalmente, vindo não se sabe de onde, aparecem argumentos de que o planeta tem água, sim, mas é água salgada dos oceanos, e o que vai faltar é água doce, água para beber. Por vezes chega-se ao paroxismo de anunciar que a Amazônia caminha à desertificação (3).

A premissa dessa questão é o paradigma de que vai faltar água potável (água doce) para abastecer os 7,3 bilhões de pessoas que temos no planeta, pois apenas 3% da água existente no planeta é doce, e 97% é salgada.

1º erro: água vai acabar?!?!... Não existe nada na natureza, nem na química ou na física que faça a água sumir, à exceção da eletrólise, que é processo laboratorial, para pequenas quantidades, e custa muito caro. A mesma quantidade de água que existe hoje, existia há 3 milhões de anos. E será assim no futuro. A água se recicla permanentemente, sempre nos 3 estágios que conhecemos: líquido, sólido ou gasoso. Aliás, o planeta deveria chamar-se “Água”, pois de terra há somente 29% na superfície da nossa casa.

2º erro: as calculadoras dos ambientalistas ensandecidos partem da premissa de uma estatística já antiga feita em países com pouquíssima água (como Israel e Espanha). Nesses países, o problema da água é crítico: lá, “descobriram” que 70% da água consumida eram usadas na irrigação, 20% pelas indústrias e 10% por consumo humano. Entenderam e decidiram que isso levaria ao caos do planeta. Dever-se-ia economizar água na agricultura, e, portanto, os "perdulários" dos produtores rurais teriam de ser contidos a qualquer custo.

3º erro: a “pegada hídrica” não tem aceitação internacional em nenhuma universidade, pois utiliza métodos estapafúrdios e emocionais, sem base na boa ciência. O referido indicador nem é polêmico, ele simplesmente não é aceito como ciência. Desta forma, as ONGs divulgam um factoide monstrengo, e a mídia digere e divulga acriticamente todas as besteiras inconvenientes.

Desta forma, chegamos aos “controles e à gestão da água”, eis que para irrigar a lavoura o agricultor brasileiro deve ter “estudos de impacto ambiental”. Numa boa, os ambientalistas e especialistas de água, surgidos do nada, passaram a faturar uma grana extra em consultoria. Não se financia um pivô de irrigação sem que haja um “estudo de impacto ambiental”. Fazer uma barragem ou poço artesiano é "crime ambiental". As firulas do raciocínio ambientalista são hilárias, e tenta-se dar embasamento de “estudo científico”. [Puro corporativismo de CREA's e Conselhos de Biologia's da vida pra dar sustentação aos seus acólitos] (4)

Achar que água é vital a gente concorda com os ambientalistas. O que se deve ter em mente, é que o consumo de água, seja agrícola ou industrial, não “gasta” água, apenas interfere em seu processo. Quando usada na agricultura, na forma de irrigação, ou também por chuvas, como é calculada na métrica neurótica dos ambientalistas, a água não vai para o “quinto dos infernos”. Essa água revitaliza o solo, dá sustentabilidade à produção de alimentos, evapora-se ou é filtrada em suas impurezas, e vai para o lençol freático. Dali retorna para os rios, ou vai, temporariamente, para os aquíferos, e depois chega aos mares. Nos oceanos há evaporação, que forma as nuvens, e estas, depois de milhares de quilômetros percorridos, se transformam em chuvas. É o destino de toda água no planeta, inexorável. A ciência chama isso de Ciclo Hidrológico, e é uma das primeiras coisas que uma criança aprende no ensino fundamental.

Importante é que, seja para irrigação ou qualquer outro destino, quando a humanidade urbana ou rural usa água dos rios, usa tão somente, quando muito, apenas 1% do volume total de água do rio. Ou seja, no cálculo citado, os ambientalistas criticam o uso de 70% de água da parte de apenas 1% do que foi retirada do rio, pois 99% da água tem o mar como destino...

Repito: de toda a água de um rio, a humanidade usa no máximo 1%, ou seja, o "restante", os 99% não usados vai para o mar... Portanto, é imbecilidade discutir ou afirmar que 70% de um "universo" de 1% é gasto perdulário, especialmente se a gente lembrar que é para produzir alimentos. Afora isso, tem outro fator muito importante: com a irrigação a lavoura fica mais produtiva, e é mais uma maneira de impedir que se procurem novas áreas para se fazer mais agricultura. (5)


NOTAS

(1) O problema maior nem é a falta de recursos para se atacar os graves problemas de saneamento, mas falta de politicas públicas consistentes e consciência positiva do grande capital, que claro, prioriza seus lucros em detrimento da socialização da qualidade de vida. Socializa só as consequências deletérias de suas atividades cumulativas. 

(2) Afirmação contida neste parágrafo deve nortear todo o contexto para este artigo, como já anotado preliminarmente.

(3) Não sabemos se a amazônia se encaminha para um processo de desertificação, mas o desmatamento desenfreado deve preocupar a nação brasileira gravemente. Os mecanismos que regem os "rios voadores" relacionados à amazônia tem influencia fundamental na pluviosidade do sul, sudeste e centro-oeste do país e ainda não são bem conhecidos. A garantia de preservação deste mecanismmo natural é vital. Certamente isso depende da preservação também das floresta, que se substituída por pastagem e "agrobiz do sôja" não podemos esperar que isso se mantenha inalterado.

(4) O corporativismo para garantir o faturamento de apaniguados dessas associações de profissionais não contribuem para a resolução macro dos problemas cada vez mais críticos que a sociedade enfrenta.

(5) O autor simplifica a análise em defesa da agricultura na abordagem apenas "quantitativa" do uso da água pela agricultura, mas o descaso da negligência "qualitativa", pelo uso indiscriminado de pesticidas que acabam depois retornando aos cursos d'água mereceria consideração e uma análise mais aprofundada. 


domingo, 15 de fevereiro de 2015

HSBC e os diamantes africanos

 

Por Joan Tilouine, no Le Monde Afrique – tradução deste blogo botoco

Em Bria, cidade região leste da República Centro-Africana, um funcionário de um escritório de compra de diamantes de uma empresa chamada "Badica"  descreve um cenário de terra arrasada. Os exploradores das minas e os compradores estrangeiros a trabalham em marcha lenta na área devastada pela guerra, onde as pedras, descobertas desde 1914 são o recurso principal e estão no centro das questões de poder.

Oficialmente em maio de 2013, dois meses após a derrubada do presidente François Bozizé por rebeldes muçulmanos do grupo Seleka, a Republica Centro-Africana perdeu a certificação KPCS - Kimberley Process Certification Scheme - um protocolo de certificação de origem de diamantes brutos para evitar a comercialização de pedras originárias de zonas de conflitos. Como o Conselho de Segurança da ONU estabeleceu um embargo à exportação de "diamantes de sangue" da República Centro-Africana, nenhuma pedra pode ser exportada legalmente. Isso tem consequências sobre a situação econômica do país, prejudicada pelo conflito político-militar, mas promove uma continua atividade ilegal, a dos contrabandistas de diamantes.



Abdoulkarim Dan-Azoumi e seus esqueletos no armário

Com sede na capital Bangui, Badica é uma empresa liderada localmente por Mahamat Nour, um dos irmãos de um bem sucedido empresário e selfmade man Abdulkarim Dan Azoumi, seu verdadeiro controlador. Nascido na cidade de Bouar, iniciou suas atividades de contrabando com venda de cigarros antes de envolver toda sua família no negócio de diamantes, formando um grupo em torno da empresa Badica, da qual faz parte também a companhia aérea "Minair".

Atualmente com 76 anos, Dan-Abdulkarim Azoumi deixou a República Centro-Africana recentemente. De acordo com sua família, ele se estabeleceu há aproximadamente um ano (em meados de 2013) em Antuérpia, na Bélgica, a capital mundial de diamantes. Ali abriu uma subsidiária, de nome "Kardiam".

 

Mas às margens do rio Ubangui, que faz divisa entre a Republica Centro-Africana e a Republica do Congo, Abdulkarim Dan-Azoumi continua preso ao passado. Na Europa as instalações da sua empresa Kardiam em Antuérpia foram invadidas pela interpol em junho de 2014, ocasião em que foi preso, em função de um relatório da ONU divulgado em novembro, em que era acusado de ter ajudado a financiar o grupo extremista Seleka. Tanto em Antuérpia como em Bangui, Abdulkarim Dan-Azoumi está em apuros. Mas suas movimentações financeiras tomaram um rumo diferente, mais exótico, saíram de Genebra e migraram para o Panamá.

Gestores de ativos do HSBC não se importam com transparência, corrupção ou tráfego em curso no mercado anárquico de diamantes na Africa Central. Na verdade fazem qualquer coisa para cortejar os barões de diamantes da Antuérpia ou do centro africano a internar suas receitas de diamantes nos cofres suíços e abastecê-los de conselhos de mutretas fiscais.



O dinheiro vai para paraísos fiscais

De acordo com os documentos consultados pelo Le Monde Afrique, o primeiro acerto entre Dan-Abdulkarim Azoumi e um gestor de ativos do HSBC suíço aconteceu em setembro de 2005. Em um salão do Hotel Radisson Blu, na Park Lane, em Antuérpia, os dois homens se conheceram. O representante do banco manteve um encontro inicial com Abdulkarim Dan-Azoumi e depois se reuniu diversas vezes com delegações de dirigentes da empresa e membros do governo da Republica Centro Africana, incluindo um ministro. O mercador de diamantes está pronto para o jogo.

Muçulmano, casado com quatro mulheres, dezoito filhos, mas atualmente sustenta que só mantem duas esposas, Abdulkarim Dan-Azoumi revela que Badica também tem atividades ligadas ao comércio com a China, importando confecções populares que distribui em vários países africanos, o que também consta em seu cadastro de dados nos arquivos do banco suíço. Abdulkarim Dan-Azoumi também deu informações sobre as restrições fiscais que pesam sobre um de seus filhos, que atua na importação de telefones celulares para a África comprados em Israel e no Canadá. Uma das referencias em seu prontuário no banco é o comerciante de diamantes israelense que opera em Genebra, Michel Farah. Este ultimo, entrementes domiciliado em Dubai, é gestor da empresa Swiss Diam.

Mas a conta recentemente aberta na Suíça por Dan-Azoumi Abdulkarim e também a de seu parceiro comerciante de diamante Mahamat Oumarou, este controlador da empresa "Sul Azur" tornou-se um pesadelo para o HSBC. "É uma conta cujos ativos não tem certificados de origem" revela um dos gestores de carteiras do HSBC, que ameaça fechar as contas cuja origem considera "questionável" (por pressão internacional). O que fazem então?... em Dezembro de 2005 sugerem "o benefício de uma empresa offshore." Ai promovem a transferência da agencia suíça de quase meio milhão de dólares para "Kampala Holdings SA", uma empresa de fachada criada ad-hoc no Panamá por Abdulkarim Dan-Azoumi. Assim o HSBC transfere fluxos financeiros de sua atividade de diamantes entre a Africa Central e Antuérpia e as passa para países da América Central, onde a regulação é muito branda - não há sequer um registro oficial de empresas offshore que operam por aquelas bandas. Bangui e Bruxelas parece que não ficaram satisfeitas com esse movimento.

Existe um outro protagonista importante no mundo dos diamantes centro africanos que constam no prontuário do HSBC consultado pelo Le Monde Afrique: A Société Centrafricaine du Diamant - "Sodiam". Esta empresa é a mais antiga no mercado de diamantes da Republica Centro Africana, em cuja conta suíça foi depositado 1,6 milhões de dólares em 2007. Esta sociedade é controlada por Raffi Arslanian, um comerciante de diamantes belga de ascendência armênia. Dirige a empresa com seu irmão mais velho Haik, que abriu seu primeiro escritório em Bangui, em 1969. Como CEO do grupo Arslanian Bros., fez fortuna com pedras em Angola, Serra Leoa, Congo e República Centro-Africana, sendo que os dois aparecem como titulares da conta bancária na Suíça em nome da Sodiam.

A Arslanian Bros. não respondeu aos questionamentos da reportagem. Autoridades de Bangui timidamente afirmam ter apreendido um carregamento ilegal em novembro de 2014 em que constavam 152 quilates em diamantes ilegais transportado por um piloto da Sodiam e grandes somas de dinheiro a bordo de um avião na pista do aeroporto da capital. De acordo com o International Crisis Group a exportação ilegal de diamantes da Republica Centro-Africana é feita via Camarões ou por Darfur, no sul do Sudão. "As duas empresas, Sodiam e Badica, sempre tiveram uma relação estreita com Bozizé, o presidente deposto. A Sodiam, ao mesmo tempo que cultivava relação com o poder estabelecido, também apoiava veladamente grupos rebeldes armados no nordeste do país” disse uma fonte conhecedora de detalhes internos. “A chegada ao poder do Seleka foi uma maneira para eles de superar as limitações do regime Bozizé e facilitar os seus negócios. "



Presença ilegal na Bélgica

Ao contrário da Badica, a Sodiam não se deu por achada com relatório da ONU, e mantem até hoje a compra de pedras brutas que continua a estocar (e eventualmente contrabandear). Isso acabou por causar a indignação de Abdulkarim Dan-Azoumi que denuncia concorrência desleal: "tivemos a desvantagem, má sorte por assim dizer, de ser muçulmanos e este relatório não é justo", se lamenta um elemento do seu grupo que aparentemente desconhece as tramoias dos circuitos financeiros da Badica.

A atividade suspeita dos enviados especiais do HSBC no mundo de diamantes de Antuérpia levou a uma investigação pelas autoridades belgas. "O banco não tinha licença para sua presença na Bélgica", diz um agente belga que trabalhou no caso de investigação no Hotel Carlton e no Radisson Blu, de Park Lane. Inquirido pela polícia judicial belga, o diretor jurídico do HSBC Private Bank, David Garrido, declarou em 29 de setembro de 2014 que não vê necessidade de informação sobre criação de empresas offshore sem nenhuma atividade real, como "Kampala Holdings SA" de Dan-Abdulkarim Azoumi e respondeu sem rodeios: "...isso não é ilegal e eu digo que é uma questão de direito civil adquirido".

De acordo com outro funcionário do banco, o objetivo era manter o cliente e os ativos. Entretanto o departamento interno do HSBS denominado MEDIS (Mediterrâneo, Europa e Israel) , que cuidava das contas dos mercadores de diamantes da Antuérpia, África e Israel, foi subitamente desativado no verão de 2013, depois de relatos de irregularidades feitos pela imprensa espanhola. Todos envolvidos no mercado de diamantes receberam instruções para fechar suas contas nas agencia suíça ou transferir seus fundos para outras unidades do grupo, tais como HSBC Tel Aviv, por exemplo, ou para empresas offshore pra mascarar suas movimentações.



O objetivo é implodir a Petrobras





por Luiz Eduardo Brandão, no blog do Nassif









Do lado de lá do Atlântico, alguns séculos atrás...

1. A França vivia sob o regime da monarquia absoluta, no qual o rei podia tudo, sem nenhum freio. A ideia da razão de Estado surgiu entre as cabeças pensantes políticas da época como um freio a esse poder absoluto: o monarca absoluto podia tudo, menos ir contra a razão de Estado. Demonstrado pelos conselheiros do rei e pessoas influentes da corte que tal medida desejada pelo monarca ia contra ela, a razão de Estado, o rei a retirava. Ou por aceitar a argumentação, ou talvez por temer um venenozinho no vinho, uma punhalada nas costas...

2. Voltando para o lado de cá, parte de baixo do hemisfério: a razão de Estado, que podíamos traduzir como os interesses nacionais históricos e imediatos, comanda que sejamos uma nação independente, com um papel de destaque a exercer no tal de "concerto das nações". Quem vai contra isso, é um entreguista, ou como se dizia nos 60, um serviçal de interesses exótico-alienígenas. E isso, essa independência política, requer, entre outras coisas, independência energética -- que é o que norteou a criação da Petrobrás, 62 anos atrás, e deve nortear o que concerne à sua existência e atuação. 

O bombardeio da mídia, valendo-se da munição vazada para ela por operadores da Lava Jato, não visa apenas nem fundamentalmente o PT. Isto é, apenas, um objetivo intermediário. O objetivo final é acabar com a Petrobrás e pôr nossas riquezas energéticas -- logo nossa independência energética, logo nossa independência tout court -- em mãos alheias. 

Isto tem de estar claro, e neste momento de verdadeira guerra política, acima de outros problemas, a serem resolvidos depois. Entendam: se acabam com a Petrobrás, com a engenharia brasileira, adeus pré-sal, adeus independência energética, adeus independência política. Sua criação foi uma batalha contra as mesmas forças que ora se esgoelam com essa historieta de corrupção. 

E chega dessa ideia atrasada, infundida na cabeça do povo pelas forças reacionárias e, estas sim, arquicorruptas em todos os sentidos (sobretudo éticos) do nosso país, de que a corrupção é uma praga a ser resolvida com a cadeia para os corruptos -- sempre os do lado político contrário ao partido oligárquico. Corrupção se combate é com medidas políticas, jurídicas e inclusive administrativas, como parece estarem sendo tomadas na Petrobrás. Os que arvoram a bandeira da anticorrupção costumam ser os maiores beneficiários e promotores própria, da corrupção. O combate a ela é, ou devia ser, uma coisa corriqueira, reparando interminavelmente as brechas, os bugs pelos quais ela consegue se infiltrar.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O PT preparou seu próprio angu, agora vai ter que "colherar" de garfo!...



excerto de um texto do Azenha em seu Viomundo (com adaptações da casa)

... Aliás, a credibilidade do PT está no fim com os eleitores também pelo fato de o partido ter convivido muito bem, sempre, com a herança maldita dos antecessores:

1 - A origem da máfia dos sanguessugas — que vendia ambulâncias superfaturadas — foi o ministério da Saúde sob José Serra, mas ela prosseguiu depois que Lula assumiu o poder.

2 - O mesmo aconteceu com a máfia dos vampiros — que negociava hemoderivados.

3 - O PT de Lula, em nome de um acordo em Minas, manteve no poder em Furnas o diretor Dimas Toledo, justamente o homem da Lista de Furnas, o esquema de financiamento de campanha de tucanos e aliados através dos fornecedores da estatal.

4 - Marcos Valério serviu ao esquema de caixa 2 do PSDB e aliados antes de repetir a jogada com o PT e aliados.

Quando o PT no poder teve a oportunidade de provocar rupturas com o passado, não o fez.

5 - CPI do Banestado? Terminou em acordão.

6 - CPI da Privataria? Nem então, nem depois do livro de Amaury Ribeiro Jr.!...

7 - Quando um delegado da Polícia Federal teve a coragem de encanar o banqueiro, o governo se voltou… contra o delegado. O chefe da Polícia Federal foi mandado para o exílio. O banqueiro hoje financia um site de apoio ao governo Dilma!... (247)

8 - Quando um repórter da Veja foi flagrado em aliança jornalística com o bicheiro, o PT olhou, olhou e fez que não viu.

9 - Por isso, não foi surpresa quando o vice de um governador tucano — Afif Domingos — se tornou ministro de uma presidente petista.

Ninguém enrubesce com a perspectiva de ver Marta Suplicy, petista histórica, concorrendo à Prefeitura de São Paulo pelo PSB com o apoio de Geraldo Alckmin.

É nesta geleia geral que Curitiba assume relevância ainda maior. Não a Curitiba do Moro, mas a que impediu a austeridade de Beto Richa.

É junho de 2013, de novo.

Mas a mídia não entendeu isso. Ela está ocupada na campanha que parece não ter fim: criminalizar apenas um dos irmãos (gêmeos) — eles estão ficando cada vez mais parecidos.

Não mencionem “PSDB” que ela enterra nas páginas internas. Na Globo, como famosamente saia no Jornal Nacional já na campanha de 2006, é “o governo anterior”.

Para esconder o grande desastre em andamento no Brasil, o apagão da água em São Paulo — este sim, não é um depoimento sem provas –, disfarça criando a perspectiva de um racionamento de energia que ainda nem é considerado.

Piada pronta - Paraná - deputados no camburão da polícia


por Altamiro Borges, em seu blog


O Paraná está vivendo dias de convulsão social. O governador Beto Richa (PSDB) tentou impor um “pacotaço de maldades” contra o funcionalismo público e detonou uma onda de revolta no Estado. Várias categorias paralisaram suas atividades. Os grevistas ocuparam a Assembleia Legislativa. Nesta quinta-feira (12), os deputados que tentaram aprovar o projeto, “às escondidas”, foram transportados em camburões da polícia. Apesar do clima de tensão, a sociedade brasileira simplesmente desconhece estes fatos. A mídia privada, sempre tão seletiva na sua cobertura jornalística, faz de tudo para invisibilizar a greve e para proteger o governante tucano. Os protestos não são manchete nos jornalões nacionais e nem destaque na TV Globo. Os blogueiros paranaenses, sempre tão perseguidos pelo censor Beto Richa, são os únicos que furam o bloqueio informativo.

O blog de Esmael Morais, por exemplo, transmite ao vivo as assembleias e protestos das categorias em greve. Ele também acompanhou a ocupação da Assembleia Legislativa e postou o vídeo sobre a fuga dos deputados. Conforme informou nesta quinta-feira, a combativa greve do funcionalismo pode até “afrouxar a tanga” do grão-tucano. “Depois de bombas, tiros com balas de borracha, cães contra professoras e o furo de bloqueio policial por uma massa ensandecida, o governador Beto Richa (PSDB) retirou o ‘pacotaço de maldades’ da pauta da Assembleia Legislativa do Paraná. Os deputados governistas chegaram de camburão da PM e entraram em um anexo do legislativo pelas portas dos fundos. Diante da tomada total do espaço pelos manifestantes, os parlamentares encerram a ‘sessão secreta’ e se retiraram do local também dentro do rabecão policial”.

[...]


As postagens dos blogueiros e a nota dos parlamentares confirmam o caos vivido pelo rico Estado do Paraná. Elas também explicam a radicalidade da greve e dos protestos das várias categorias do funcionalismo público. Apesar disto, a mídia privada – nos dois sentidos da palavra – não dá qualquer repercussão à grave situação. Ela faz de tudo para proteger os tucanos – seja censurando menções ao ex-presidente FHC na midiática operação Lava-Jato da Polícia Federal, ou escondendo a gravíssima crise da falta de água em São Paulo para garantir a reeleição de Geraldo Alckmin, ou tentando invisibilizar a poderosa greve contra o tucanato no Paraná. A seletividade e parcialidade da mídia nativa é algo repugnante...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O que acontece no Paraná?!... que a grande mídia venal NÃO mostrou



por Diógenes Brandão, no blog As falas da Pólis 


No Paraná, terra do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações penais decorrentes da Operação Lava Jato, que investiga os esquemas que há décadas desviam dinheiro em negociações entre a Petrobras e agentes públicos, lobistas e grandes empreiteiras, os servidores estaduais dizem que seus direitos estão ameaçados, mas o governo alega que não são direitos e sim privilégios adquiridos.

Sem admitir o rombo nas contas públicas, fruto de uma gestão repleta de denúncias de corrupção e mau uso do dinheiro público, o governador Beto Richa (PSDB) conseguiu os votos da maioria dos deputados estaduais para implementar uma série de medidas e cortes orçamentários e nesta quarta-feira (11) um grupo de advogados e professores de Direito Constitucional e Administrativo impetraram um mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) contra o regime de Comissão Geral para votação daquilo que os trabalhadores apelidaram de “pacote de maldades” do governo Richa.

Nada disso é noticiado pela imprensa brasileira, parceira do atual governador que conseguiu ser reeleito e agora resolveu fazer o contrário do que prometeu em campanha e ameaça cortar direitos trabalhistas e conquistas do funcionalismo público, o qual resolveu reagir e está à beira de uma greve geral.

Por isso, servidores públicos, professores, trabalhadores e estudantes ocupam desde a manhã da terça-feira, o prédio da Assembleia Legislativa, na tentativa de barrar o "pacote de maldades" e pressionam os deputados para que estes não lhes traiam como já fez o governador, o qual é do PSDB e talvez por isso não vemos nenhum apresentador da Globo, ou jornalista dos demais jornalões e sites de revistas mostrando os protestos que vários trabalhadores fazem, como forma de evitar a fúria do governo sobre os seus salários e fundo previdenciário.

Em uma matéria super-amiga, publicada na tarde desta quarta, a Folha abordou o caso assim:


"O pacote que quer aliviar o caixa do Estado, que inclui a mudança da previdência dos servidores públicos, a redução do anuênio e mudanças no plano de carreira dos professores, será votado apenas na sessão desta quinta (12). Reeleito no ano passado, o tucano tem enfrentado uma crise financeira há pelo menos dois anos, que já forçou o Estado a suspender obras, atrasar pagamentos e parcelar salários de servidores".


Perceberam a mãozinha amiga da jornalista e do editor chefe do jornal para com o governador parceiro, ao dizer que este "foi forçado" a suspender obras, atrasar pagamentos e parcelar salários de servidores?...

Já hoje, a Folha resolveu em outra matéria, esconder o caos generalizado que tomou conta da frente e do interior da Assembleia Legislativa do Estado, dizendo que são apenas "centenas" de pessoas que estão acampadas e só deu a palavra pro Secretário da Fazenda, apelidado pela oposição de "Maurinho Malvadeza" que diz que é necessário um ajuste fiscal imediato e severo.


Veja o vídeo da heróica ocupação da Assembléia Legislativa pelos servidores públicos do Paraná, já que na Globo e na velha mídia você é simplesmente impedido de saber como funciona os governos do PSDB, os sócios da mídia Brasileira.

Se fosse menos parcial, a Folha e o resto da imprensa nacional informaria ao restante do país o que realmente acontece no Paraná, dando direito de expressão à outra parte envolvida nesta crise instituicional: Os servidores.

"Boa parte dos funcionários públicos do Estado estão acampados na Assembleia Legislativa e não temos dia e nem hora para sair daqui", informa Hermes Leão, presidente da Associação dos Professores do Paraná.

Segundo o professor, a adesão à pauta dos funcionários públicos tem aumentado a cada momento. “É uma luta de toda sociedade, inclusive dos promotores de justiça e dos juízes”, lembrou Hermes, ao salientar que a magistratura também seria afetada com a extinção do fundo previdenciário e denuncia que o governador Beto Richa pretende meter a mão em R$ 8 bilhões da poupança previdenciária do funcionalismo público.

Mesmo correndo o risco um conflito com uma desocupção por parte da PM, conforme já foi solicitada pelo presidente da casa, os servidores não arredam o pé do local e prometem só voltaram para o trabalho depois que os deputados desistam de apoiar o governo de lhes tirar rendimentos e respeitar a aposentadoria dos mesmos.

Em defesa aos servidores públicos do Estado, o presidente da OAB-PR, Juliano Breda, divulgou na terça-feira (10) manifestação da entidade contra a tramitação sumária (tratoraço) do “pacotaço de maldades” do governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa do Paraná.

O desequilíbrio das finanças do Estado não pode ser equacionado com uma oneração excessiva à população e aos funcionários públicos”, diz um trecho da nota, que ainda roga para que os deputados estaduais “rejeitem o projeto de lei em exame”.

Enquanto o governador prepara-se para usar a polícia para evacuar as dependências da ALER isso, um blog paranaense informa que a vice-governadora do PROS, passa o carnaval na tranquilidade da Itália, junto com sua filha que é deputada estadual pelo PP.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Estado do Paraná está quebrado e paralizado geral - e a Globo não falou nada





por Enio Verri, em seu blog 

É importante que o Brasil conheça o (mau) exemplo do Paraná. O estado é a quinta economia brasileira. O orçamento de 2015 supera R$ 44 bilhões. Entre as 27 unidades da federação, foi a que registrou o maior aumento da receita corrente líquida (RCL) entre 2010 e 2014, saltando de R$ 16 bilhões para R$ 26 bilhões, uma evolução de 56%.

A explosão na receita, no entanto, não foi suficiente para evitar que o Paraná chegasse ao início de 2015 afundado na pior crise financeira de sua história, com dívida acumulada com servidores e fornecedores, segundo analistas, de aproximadamente R$ 4 bilhões.

O diagnóstico do fracasso do governo Beto Richa (PSDB) veio do economista Mauro Ricardo Costa, escalado ele próprio, em dezembro, pelo governador para assumir a Secretaria do Estado da Fazenda e começar a tirar o Paraná do fundo do poço.

“[O governo] errou no momento em que gastou mais do que devia. Se você faz um orçamento acima das possibilidades de receita, você quebra o estado. E, se faz isso com frequência, agrava-se mais ainda a situação, o estado vai acumulando dívidas ano a ano.”

Richa não só gastou mais do que arrecadou. Gastou muito mais, e gastou muito mal. O desequilíbrio no caixa lentamente congelou o estado nos últimos anos e tornou-se insustentável nas últimas semanas.

Falta dinheiro para tudo. Desde a compra da merenda dos estudantes da rede pública quanto para abastecer e fazer a manutenção nas viaturas da polícia. Centenas de obras estão paralisadas por falta de pagamento às construtoras.

Costa foi ainda mais claro sobre a desastrosa gestão do chefe do Executivo paranaense: “É fácil quebrar um governo; difícil é arrumar”, decretou.

Para “arrumar” o governo que o PSDB quebrou, o tucano Costa recomendou remédios amargos. Em dezembro, aumentou o IPVA e tributos da gasolina; acabou com a isenção do ICMS sobre uma centena de produtos e aumentou o ICMS sobre outros, entre materiais escolares e eletroeletrônicos.

Na semana passada o governo enviou à Assembleia Legislativa um novo “pacote de maldades” que, entre outras medidas, corta direitos e benefícios do funcionalismo, especialmente dos professores. O governo também põe a mão em R$ 8 bilhões da Paranaprevidência – poupança do funcionalismo economizados ao longo dos últimos 15 anos.

Revoltados com as medidas, servidores estaduais anunciaram greve geral a partir desta semana. Escolas amanheceram fechadas na segunda-feira (9). 950 mil estudantes, de 2,1 mil colégios, estão sem aulas.

Trabalhadores das universidades estaduais de Londrina e Maringá também já pararam. Ao mesmo tempo, agentes penitenciários e trabalhadores da saúde se organizaram para aderir a paralisação nas próximas horas.

O PSDB quebrou o Paraná, que se prepara para uma greve geral do funcionalismo. Tido pelos caciques tucanos como uma das principais apostas do partido, Beto Richa tem no currículo um governo marcado pela incompetência gerencial, e agora, também pela greve geral.