* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Os verdadeiros culpados do vexame do 7 x 1
um excelente texto do ex-jogador e deputado federal Romário, pescado no UOL (vixe, vixe...)
Passado o luto das primeiras horas seguidas da derrota, vamos ao que verdadeiramente interessa! Quem tem boa memória, vai lembrar da minha frase: Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada!
Infelizmente, dentro de campo, não foi diferente.
Ontem foi um dia muito triste para nosso futebol. Venceu o melhor e ninguém há de questionar a superioridade do futebol alemão já há alguns anos. Ainda assim, o mundo assistiu com perplexidade esta derrota, porque nem a Alemanha, no seu melhor otimismo, deve ter imaginado essa vitória histórica.
Porém, se puxarmos da memória, vamos lembrar que nossa seleção já não vinha apresentando nosso melhor futebol há muito tempo. Jogamos muito mal. Infelizmente, levamos sete e, por mais que isso cause mal-estar, devemos admitir que a chuva de gols foi apenas reflexo do pânico, da incapacidade de reação dos nossos jogadores e da falta de atitude do treinador de mudar o time.
Vivemos uma crise no nosso esporte mais amado, chegamos ao auge dela. Acha que isso é problema só dos jogadores ou do Felipão? Nem de longe.
Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!
O meu sentimento é de revolta.
Estou há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores. Porque não se iludam, futebol é negócio, business, entretenimento e move rios de dinheiro. Nunca tive o apoio da presidenta do País, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do Governo Federal no nosso futebol.
Em 2012, eu apresentei um pedido de CPI da CBF, baseado em um série de escândalos envolvendo a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa área TAM. O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos. Em questionamento ao presidente da Câmara dos Deputados, sr. Henrique Eduardo Alves, mas ouvi como resposta que este não era o melhor momento para se instalar esta CPI. Não concordei, mas respeitei a decisão. E agora, presidente, está na hora?
Exceto por um vexame como o de ontem, o Brasil não precisaria se envergonhar de uma derrota em campo, afinal, derrotas fazem parte do esporte. Mas vergonha mesmo devemos sentir de ter uma das gestões de futebol mais corruptas do mundo. A arrogância dessa entidade é tão grande que até o chefe da assessoria de imprensa chega ao absurdo de bater em um atleta de outra seleção, como fez o Rodrigo Paiva contra um jogador do Chile Pinilla. Paiva pegou quatro jogos de suspensão e foi proibido de acessar o vestiário dos jogadores. Este ato foi muito simbólico e diz muito sobre eles. O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?
Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!
A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros, vale lembrar que são as federações e clubes que elegem há anos o mesmo grupo de cartolas, com os mesmos métodos de gestão arcaicos e corruptos implementados por João Havelange e Ricardo Teixeira e mantidos por Marin e Del Nero. Vale lembrar, que estes dois últimos mudaram o estatuto da entidade e anteciparam a eleição da CBF para antes da Copa. Já prevendo uma possível derrota e a dificuldade que eles teriam de se manter no poder com um quadro desfavorável.
E os clubes? Sim, eles também são responsáveis por essa crise. Gestões fraudulentas, falta de investimento na base, na formação de atletas. Grandes clubes brasileiros estão falindo afogados em dívidas bilionárias com bancos e não pagamentos de impostos como INSS, FGTS e Receita Federal.
E toda essa má gestão que tem destruído o nosso futebol, infelizmente, tem sido respaldada há anos pelo Congresso Nacional com anistias e mais anistia destes débitos. Este ano tivemos mais um projeto desses vexatórios para salvar os clubes. Um projeto que previa que clubes pagassem apenas 10% de suas dívidas e investissem 90% restante em formação de atletas. Parece até deboche. Uma soma de aproximadamente R$ 4 bilhões ou muito mais, não se sabe ao certo. Corajosamente, o deputado Otávio Leite, reconstruiu o texto e apresentou uma proposta honesta estruturada em responsabilidade fiscal, parcelamento de dívidas e a criação de um fundo de iniciação esportiva, com obrigações claras para clubes e CBF.
Em resumo, a nova proposta além de constituir a Seleção Brasileira de Futebol e o Futebol Brasileiro como Patrimônio Cultural Imaterial – obrigava a CBF a contribuir com alíquota de 5% sobre as receitas de comercialização de produtos e serviços proveniente da atividade de Representação do Futebol Brasileiro nos âmbitos nacional e internacional. O tributo também incidiria sobre patrocínio, venda de direitos de transmissão de imagens dos jogos da seleção brasileira, vendas de apresentação em amistosos ou torneios para terceiros, bilheterias das partidas amistosas e royalties sobre produtos licenciados. O valor seria destinado a um fundo de iniciação esportiva para crianças e jovens de todo o Brasil. Esses e outros artigos dariam responsabilidade à CBF, punição à entidades e outros gestores do futebol, a CBF estaria sujeita a fiscalização do TCU e obrigada a ter participação de um conselho de atletas nas decisões.
Mas este texto infelizmente não foi para a frente. Sete deputados alemães fizeram os gols que desclassificaram nosso futebol e nos tirou a chance de moralizar nosso esporte. Estes deputados, como todos sabem, fazem parte da Bancada da CBF, mudei o nome porque Bancada da Bola é muito pejorativo para algo que amamos tanto. Gosto de dar os nomes: Rodrigo Maia (DEM -RJ), Guilherme Campos (PSD-SP), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), José Rocha (PR-BA) , Vicente Cândido (PT-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Valdivino de Oliveira (PSDB-GO).
Essa partida ainda pode ser revertida com a votação do projeto no Plenário da Câmara. Será que esses sete deputados voltarão a prejudicar o nosso futebol?
O futebol brasileiro tomou uma goleada e a derrota retumbante, infelizmente, não foi só em campo. Nem sequer tivemos o prazer de jogar no Maracanã, um templo do futebol mundial, reformado ao custo de mais de R$ 1 bilhão. Acha que foi porque não chegamos a final? Não. Poderíamos ter jogado qualquer outro jogo lá. A resposta disso é ganância e arrogância. É a CBF que escolhe onde o Brasil vai jogar, mas, obviamente, poderia ter tido interferência do Ministério do Esporte e da presidência da República, mas nenhum destes se manifestou. Quem levou com essas escolhas?
Para fechar com chave de ouro, a CBF expulsou do vestiário Cafú, capitão de seleção do pentacampeaonato. Cafú foi expulso do vestiário enquanto cumprimentava os jogadores ontem. Este é o retrato do nosso futebol hoje, não honramos a nossa história.
Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz"
A culpada do 7 x 1 é a Globosta
adaptado de um texto do Nassif em em seu blog
Se realmente quiser melhorar o futebol aqui neste Bananal, a
Rede Globo terá que perder poder no esporte. Para início de conversa, me
expliquem os seguinte pontos:
a) que merda é essa de
técnico da seleção ter assessor de imprensa pago pela emissora?...
b) por que cargas d’água um boçal como esse Luciano Huck pode
me parar treino da seleção nacional no meio para fazer quadro do seu
programa?...
c) e essa sacanage de jogo do campeonato brasileiro começas às
10 e meia para ñ influenciar na novela globóstica?..
d)...
...
n)
Então, além de a
gente ter que lidar com essa politicália corrompível nesta Terra papagalis o nosso fútból também
sofre por essa maldição globóstica... senão vejamos:
As grandes redes de TV foram criadas a partir de suas as
grades de programação, planejados os grandes eventos, como âncoras centrais da
audiência. No caso da Globo os eventos consolidadores foram o carnaval carioca
e o futebol, pavimentando o caminho das novelas e do Jornal Nacional.
Depois, avançariam nos demais aspectos dos grupos de mídia
alinhados (PIG).
É facil entender que em um grupo de mídia, a relevância do jornalismo é diretamente
proporcional à audiência total; e a audiência depende fundamentalmente desses
eventos âncora. Por isso mesmo, foi o futebol que garantiu o prestígio e a
influência do jornalismo.
Mas vamos avançar agora pra sociologia do crime, e devemos
nos lembrar que, para conseguir o monopólio de ambos os eventos (carnaval
carioca e fútból), a grande Globo precisou negociar, numa ponta, com os
bicheiros que dominavam a Associação das Escolas de Samba do Rio; na outra, com
os cartolas que desde sempre dominavam a CBF (Confederação Brasileira de
Futebol), desde os tempos em que era CDB (Confederação Brasileira dos
Desportos).
Graças ao submundo dos bicheiros e cartolas, a Globo
venceu a competição na radiodifusão. E graças à Globo,
bicheiros e cartolas conquistaram um enorme poder junto à superestrutura do
Estado brasileiro no tempo da micada, um extraordinário jogo de ganha-ganha em
que o sistema bicheiros-Globo e cartolas-Globo
ganharam uma expressão política inédita e uma blindagem excepcional. Ainda mais
se se considerar que o primeiro setor vive da contravenção e o segundo está
mergulhado até a raiz do cabelo nos esquemas internacionais de lavagem de
dinheiro, através do comércio de jogadores.
Aí a matriz de responsabilidades começa a ficar um pouco
mais clara.
Então está (um pouco) explicado porque a Globo tem que ser
destruida como a Bastilha francesa?...
domingo, 6 de julho de 2014
No Brasil, somos tribo
por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa
A resistência ao formalismo comprometedor das convenções que regem o
relacionamento nas comunidades cosmopolitas, nas quais o coletivo se
forma pela demarcação explícita do espaço individual, exige o espelho do
outro como referência.
No Brasil, somos tribo, e nossa tendência, como sociedade, é idealizar a
possibilidade de uma única e imensa taba. Essa natureza tribal desponta
ao longo da Copa do Mundo, produzindo o jogo quase infantil das
torcidas que se misturam, nomeando, a cada partida, o adversário comum
que deve ser provocado, com os chistes e as gozações cujo objetivo é
trazer todos, até mesmo os argentinos, para a comunidade informal e
descontraída dos adeptos do futebol.
Ao impor uma agenda em tudo contrária a essa natureza, nos meses que
antecederam a abertura da Copa do Mundo, a imprensa hegemônica fez uma
aposta arriscada na ruptura dessa teia de vínculos sociais que se forma
em todas celebrações por estas terras. Como na música de carnaval, tudo
pode acabar em cinzas simbólicas na quarta-feira, ou no dia 14 de julho,
a segunda-feira que vem depois da partida final no Maracanã.
Mas o mais importante já aconteceu: foi o resgate dessa natureza
cordial, a chance de um reencontro do brasileiro consigo mesmo.
Percebem-se, aqui e ali, resquícios do espírito-de-porco negativista e
ranzinza que se incorporou a certa parcela da população, tida como mais
educada e supostamente de renda mais elevada.
Os leitores de jornal são, majoritariamente, integrantes desse
contingente de brasileiros que não se sentem necessariamente parte da
sociedade onde desfrutam de privilégios. Foi para eles que se dirigiram
as mensagens rancorosas da imprensa nos últimos meses, e deles fluiu
para o ambiente midiatizado a repercussão do dissenso, contrário ao
espírito festivo da maioria.
Joaquinzão x Neymarobot - luta épica para salvar o Brasil
reproduzido da TV Relaxa, no Feicebúq
Imagine só, na final da Copa o Brasil, está empatado, estamos todos chorando, a Dilma desesperada, até que de repente o MENINO NEYMAR ENTRA EM CAMPO ANDANDO LENTAMENTE USANDO NADA MAIS E NADA MENOS QUE O EXOESQUELETO DO NICOLELIS, SIM!...
E é com os super poderes do exoesqueleto que ele entra pra bater o último pênalti do jogo, e ele corre numa velocidade inimaginável, bate na bola com uma força descomunal, e é gol. GOL! O BRASIL É CAMPEÃO!...
Daí, todos correm em direção a ele para abraçá-lo, mas ele, acredite, cria uma barreira de energia e todos batem nela e caem no chão.
É aí que uma nuvem negra cobre o Maracanã, e Nicolelis aparece voando numa máquina estilo Robotnik e falando num megafone:
- "HAHAHAHA!... Vocês falaram que o meu experimento não era importante! Pois agora que consigo controlar o ídolo do país, eu vou controlar o mundo!..."
É quando o Menino Neymarobot mexe a cabeça estilo robocop e começa a atirar nas pessoas com os dedos. E é o caos! O Neymarobot promove uma chacina em campo. Os policiais chegam para impedi-lo, mas ninguém conseguiria atirar no homem que trouxe o hexa para o Brasil.
Depois de muitas mortes, vindo diretamente de uma luz serena que passa pelo meio de toda a nuvem negra que cobria o Maracanã, desce Joaquim Barbosa. Sim, o herói do Brasil. Ele diz : "Jamais deixei o Brasil. Essa história de aposentadoria foi apenas uma desculpa. Eu previ tudo o que Nicolelis ia fazer e me preparei para essa batalha".
Neymarobot e Joaquim Barbosa travam uma luta épica, voando pelo ar, eles trocam socos e chutes com velocidades inimagináveis. Até que em um momento, Joaquim Barbosa decide usar sua arma final.
"Brasileiros, por favor, preciso do poder de todo homem de bem. Levantem a mão e passem um pouco de sua Energia de Bem para mim."
E é com uma enorme bola de Energia de Bem que Joaquim Barbosa utiliza o golpe #GenkidamaOgiganteAcordou e ele taca em direção ao Neymarobot.
É o fim do Neymarobot e Nicolelis.
O Brasil foi salvo mais uma vez pelo nosso herói Joaquim Barbosa. Devemos a nossa vida a este nobre herói.
sábado, 5 de julho de 2014
Porque hoje é sábado: Maravilha!... o jogo completo da final da Copa de 1958
Demorou 56 anos, mas desde a última sexta-feira o torcedor brasileiro já pode ver, na íntegra e com narração em português, o primeiro título mundial de sua história no futebol. O responsável pelo resgate histórico foi o engenheiro Carlos Augusto Marconi, 64 anos, um especialista em telecinagem que montou um verdadeiro quebra-cabeças durante anos até concluir o trabalho em 2008. Só nesta semana, no entanto, por ocasião de uma reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, o material foi disponibilizado no Youtube.
Para construir a transmissão da vitória brasileira por 5 a 2 diante dos donos da casa, a Suécia, o engenheiro utilizou áudio ambiente retirado de uma película inglesa, com imagens obtidas em 2006 e narradas em russo. Ele as usou como base em vídeo e cobriu as imagens com áudios de rádios brasileiras.
O trabalho com o som foi ainda mais difícil. Além do áudio ambiente, ele queria usar narrações brasileiras da época. Mas os arquivos que obteve da Rádio Bandeirantes e da Rádio Nacional não tinham a narração completa. Cada um omitia uma parte do jogo. Por isso, ele resolveu juntar as duas. Como naquela época havia um narrador para cada lado do campo, a versão final ficou com quatro narradores. Faltou apenas um minuto do jogo para cobrir com o áudio, que ficou apenas com o som ambiente da partida.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
De como as multinacionais controlam a produção mundial de alimentos
por Darío Aranda, no pagina 12, em 10 de junho de 2014, traduzido e publicado no
Agroecologia e Alternativas Ecológicas
Três empresas controlam 53% do mercado mundial de sementes, seis empresas de agrotóxicos dominam 76% do setor, e dez corporações controlam 41% do mercado de fertilizantes. Com nomes próprios e cifras de lucros, um relatório internacional lança dados concretos sobre as multinacionais do agronegócio.
"A concentração de poder corporativo das corporações e privatização da pesquisa devem ser discutidas como temas principais na busca de soluções para o problema de quem nos alimentará", afirmou Kathy Jo Wetter, coordenador da pesquisa dos EUA, ao destacar uma das principais "falácias" do agronegócio: "É uma grande mentira que este modelo agroindustrial pode lutar contra a fome no mundo." E levantou a necessidade de acabar com os oligopólios e fortalecer outro modelo.
O Grupo ETC é uma referência no estudo das corporações do agronegócio. Com três décadas de trabalho e escritórios no Canadá, EUA e México, emite periodicamente artigos sobre todos os cinco continentes com base em cruzamentos de informações oficiais de governos e empresas. "Sementes, solos e camponeses. Quem controla os insumos agrícolas? ", resume o estado de coisas das multinacionais do agronegócio.
Ele detalha que três empresas controlam mais da metade (53%) do mercado mundial de sementes. Trata-se da Monsanto (26%), DuPont Pioneer (18,2%) e Syngenta (9,2%). As três empresas faturam 18 bilhões de dólares por ano. Entre o quarto e décimo lugar aparecem a companhia Vilmorin (do grupo francês Limagrain), Winfield, a alemã KWS, Bayer, Dow AgroSciences e as japonesas Sakata e Takii.
O relatório observou que as grandes empresas já compraram a maior parte das outras empresas que forneciam as sementes em seus países de origem. Ele observa que a nova estratégia é adquirir e estabelecer parcerias com empresas da Índia, África e América Latina. Citam, como exemplo, o caso da estadunidense Arcadia Biosciences e a argentina Bioceres.
O Grupo ETC alerta que o cartel de sementeiro promove a privatização das sementes pela "proteção mais rigorosa da propriedade intelectual", e o desencorajamento da prática tão antiga quanto a agricultura: guardar sementes da colheita para usar nas próximas plantações.
O quadro legal impulsionado pelo agronegócio e governos se chama UPOV 91 (União Internacional para a Proteção das Obtenções Vegetais), que proíbe a troca de variedades entre agricultores.
Agrotóxicos
A indústria de agroquímicos também está em poucas mãos. Dez empresas controlam 95% do setor. Syngenta (23% de participação no mercado e 10 bilhões de faturamento anual), a Bayer CropScience (17% e 7,5 bilhões), a BASF (12% e 5,4 bilhões de dólares), a Dow AgroSciences (9,6% e 4,2 bilhões de dólares) e Monsanto (7,4% e 3,2 bilhões de dólares por ano).
Entre o sexto e décimo lugar estão a DuPont, Makhteshim (adquirida pela chinesa Agroquímicos Empresa), a australiana Nufarm e as japonesas Sumitomo Chemical e Arysta LifeScience. As dez empresas faturam 41 bilhões por ano.
O relatório observa o crescimento exponencial de agrotóxicos nos países do sul. Os autores questionam o aumento da exposição a produtos químicos e impactos na saúde pública.
"O oligopólio invadiu todo o sistema alimentar", resumiu Kathy Jo Wetter, do escritório do Grupo ETC nos EUA, e defendeu "implementar regulamentações nacionais em matéria de concorrência e estabelecer medidas que defendam a segurança alimentar global."
Criticou o discurso empresário que promete acabar com a fome baseado no modelo agrícola atual: "é uma grande mentira argumentar que intensificando a produção industrial com as tecnologias do Norte (sementes transgênicas, agrotóxicos e genética animal promovidas pelas corporações) a população mundial terá comida para sobreviver. "
Fertilizantes
Em relação aos fertilizantes, dez empresas controlam 41% do mercado e faturam 65 bilhões de dólares. Trata-se das empresas Yara (6,4%), Agrium Inc (6,3), a empresa Mosaic (6.2), PotashCorp (5.4), CF Industries (3.8), Sinofert Holdings (três , 6), K + S Group (2,7), Israel Chemicals (2,4), Uralkali (2.2) e Bunge Ltd (2%).
O Grupo ETC também analisou a indústria farmacêutica animal: sete empresas têm 72% do mercado global. Quanto ao setor dedicado à indústria de genética animal, quatro empresas dominam 97% das pesquisas e desenvolvimento em aves (frangos de engorda, galinhas poedeiras e perus).
Silvia Ribeiro, diretora da América Latina do Grupo ETC, reforçou a necessidade de outro modelo agrícola: "A rede camponesa de produção de alimentos é largamente ignorado ou invisível para os formuladores de políticas que tratam de questões em relação à alimentação, agricultura e crise climática. Isto tem de mudar, os agricultores são os únicos que realmente têm a capacidade e a vontade de alimentar os que sofrem com a fome."
Para reduzir a concentração
O Grupo ETC alerta que a concentração do mercado de alimentos gerou uma alta vulnerabilidade no sistema alimentar global. "É hora de desempoleirar tirar o pó das regulamentações nacionais em matéria de concorrência e começar a considerar medidas internacionais para garantir a segurança alimentar mundial", exige o relatório.
Recomenda que, para a alimentação e agricultura, o nível de concentração de quatro empresas não deve exceder uma cota de 25% do mercado e uma só empresa não deve ter mais de 10%. Propõe proibir qualquer empresa a venda de sementes cuja produtividade depende de agrotóxicos da mesma empresa.
Recomenda aos governos implementar políticas de concorrência que incluam fortes disposições antitruste combinadas com ações concretas para proteger os pequenos produtores e os consumidores. Solicita a Comissão de Segurança Alimentar da ONU avalie seriamente a capacidade do modelo industrial (agronegócio) e fortaleça com medidas concretas a rede de alimentos dos camponeses, “a fim de garantir com êxito a segurança alimentar."
Da série Vira-latismo: Copa no Brasil é mais bem organizada que Jogos de Londres
pescado no (vixe, vixe!...) G1
David Ranc, um especialista francês em
esportes e relações internacionais, afirmou à imprensa francesa que a
Copa do Mundo no Brasil neste ano está sendo mais bem organizada que a
Olimpíada de Londres, de 2012. O pesquisador faz parte do projeto
Pesquisa em Futebol em uma Europa Expandida (Free, na sigla em inglês),
um consórcio que reúne universidades de vários países da União Europeia e
da Turquia. Após a polêmica, ele escreveu um artigo no site do projeto
reafirmando sua comparação e deu explicações sobre o assunto.
Para Ranc, o grande número de
reportagens negativas e críticas feitas antes do início da Copa são
fruto de racismo e preconceito contra países do Hemisfério Sul, e que
não aparecem quando se trata de mega eventos organizados pelo Hemisfério
Norte.
O pesquisador citou três exemplos de
como os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, tiveram fatos que mostram
uma organização pior que a que o Brasil vem mostrando na Copa: o fato de
que muitas cadeiras ficaram vazias em várias competições, ao ponto de
os organizadores chamarem membros do exército para preenchê-las; a
mobilização do exército britânico para cobrir as lacunas da empresa
privada contratada para cuidar da segurança dos Jogos, já que ela acabou
contratando menos seguranças do que o necessário; e um incidente no
qual o governo britânico permitiu que o exército instalasse um
lança-míssil em propriedade privada nos arredores dos locais de eventos
esportivos.
Outras gafes, como quando a bandeira da Coreia do Sul foi confundida com a da Coreia do Norte, ofendendo os competidores.
No caso do Brasil, o alarde foi sobre
estádios e obras de mobilidade que não ficariam prontos a tempo e
atrapalhariam o andamento do evento, além das manifestações que se
espalhariam pelas cidades-sede. "A não ser que eu esteja enganado, até
agora nada disso aconteceu realmente."
Sem querer criticar a Olimpíada de
Londres, que ele disse que foi em geral bem organizada, o pesquisadores
explica o motivo da comparação: mostrar o abismo entre realidade e
percepção. “Sempre que um evento é organizado em um país do Sul, o
discurso, e a memória, é de um fiasco em potencial, que em geral não se
materializa. Sempre que um evento é organizado em um país nórdico, o
discurso, e a memória, é de sucesso, mesmo quando houve fiascos de
verdade”, diz Ranc.
Assinar:
Postagens (Atom)




