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* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um cerco à soberania nacional - 2



por Teresa Cruvinel, em seu blog na 247


O jornal americano The New York Times registrou com clara satisfação a prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva, presidente afastado da Eletronuclear, apontando-o como chefe de um programa nuclear clandestino durante a ditadura e um “militar nacionalista” resgatado do ostracismo em 2003 pelo governo do presidente Lula.

Mas vejamos:

O programa nuclear brasileiro nunca foi clandestino, vinculando-se inicialmente a um acordo internacional com a Alemanha, que muito irritou os Estados Unidos. Foi o acordo que possibilitou a construção das usinas Angra I e Angra II. Mas Angra III já vem sendo construída com tecnologia nacional pela Eletronuclear, tecnologia desenvolvida a partir das pesquisas estratégicas realizadas pela Marinha. Estas sim, tratadas como segredo de Estado, tanto quanto as empreendidas pelos países ricos nesta e em outras áreas. Othon teve papel relevante neste processo, do qual é considerado como principal líder intelectual.

Como escreveu o economista e jornalista das antigas José Carlos de Assis: “o almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia. Foi sob sua coordenação que o projeto Aramar desenvolveu as super-centrífugas brasileiras que processam o urânio a custos 70% menores que outros países, inclusive os Estados Unidos, que sempre quiseram se apropriar da tecnologia brasileira”.

O programa nuclear brasileiro foi metaforicamente detonado por Collor, quando fechou o “buraco da serra do Cachimbo”, depósito de dejetos nucleares do programa, em sinal de sua paralização. E por Fernando Henrique, quando deixou o projeto Aramar definhar por falta de verbas. Lula, depois de empossado, visitou o projeto e de fato resgatou o almirante Othon ao resgatar o programa e retomar os investimentos na construção da terceira usina nuclear.

O Brasil foi privilegiado pela natureza com um potencial invejável para a geração de energia hidrelétrica, limpa e relativamente barata. Mas esta fonte está se acabando, quase todos os rios já foram devidamente explorados, forçando a construção de novas usinas na região Norte. Em algum momento, a energia nuclear, bem como a de outras fontes, como a eólica, será fundamental para o desenvolvimento nacional.

A prisão do almirante Othon, um homem de 76 anos, tem uma relação direta com as questões acima. A Lava Jato não apresentou até agora provas de que os recursos na conta de sua empresa sejam oriundos de corrupção. Ela presta serviços aos construtores das dezenas de pequenas hidrelétricas espalhadas pelo Brasil. Será preciso demonstrar a origem dos recursos. Mas culpado ou inocente, por tudo o que ele sabe e representa, não pode ser submetido à sanha dos procuradores e delegados por delações premiadas. O Estado brasileiro tem grande responsabilidade por seu destino, ao qual estão vinculados segredos da política nacional de defesa.

Mas até agora, não se ouviu uma palavra do Governo.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Um cerco à soberania nacional - 1



por Válber Almeida, comentarista no blog do Nassif

Qualquer pessoa que queira entender minimamente sobre o funcionamento do poder numa sociedade precisa considerar os seguintes postulados:

1. O poder não se orienta por interesses morais, religiosos ou emocionais;

2. Os interesses elementares que estão na base das ações dos poderosos são econômicos, políticos e estratégicos;

3. E, o poder é exercido por grupos organizados.

Portanto, não nos enganemos com o discurso moralista que promotores, delegados da PF e o juiz Sérgio Moro utiliza para tentar legitimar a Operação Lava-Jato. Isso serve para saciar a fome de catarse das massas, isto é, de purificação por atos "impuros" e sofrimentos através do auto-sacrifício ou do sacrifício dos outros. Mas este discurso não expõe as entranhas do poder, os interesses concretos por trás do grupo de poder que a comanda.

*****

Em termos concretos, os principais interesses que comandam a Lava-Jato são:

1. Em termos políticos: o interesse do PSDB e a direita mais conservadora do Brasil, remanescentes do escravismo, de voltar ao comando do executivo nacional.

2. Em termos econômicos: os interesses das grandes empresas petrolíferas norte-americanas e europeias de se apropriar do Pré-Sal, assim como das corporações de construção civil europeias e norte-americanas de se apropriar do gigantesco mercado de construção civil do Brasil.

3. Em termos geopolíticos: o interesse norte-americano de inviabilizar o avanço no desenvolvimento de tecnologia nacional de ponta em diversos setores, como o de tecnologia de defesa, de química (petroquímica) e cibernética.

4. Ainda na dimensão geopolítica, há a necessidade de fragilizar econômica e politicamente o Brasil para fragilizar os BRICS, único bloco geopolítico que surgiu nos anos 2000 com a proposta de contestar a ordem mundial monopolar norte-americana.

5. A fragilização do governo de centro-esquerda do Brasil também é parte de uma estratégia geopolítica para retirar do poder um grupo de viés nacionalista e que, em várias frentes, nacionais e internacionais, posicionou-se contra a hegemonia dos interesses imperialistas norte-americanos.

6. A prisão do Almirante Othon faz parte da estratégia de inviabilizar o avanço na tecnologia de defesa através do ataque ao programa nuclear brasileiro, aí incluído o domínio de toda cadeia de enriquecimento de urânio e a tecnologia do submarino nuclear.

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O grupo de poder que comanda a tal Operação e as táticas utilizadas por este grupo não deixam margem para dúvidas sobre o que estou falando. Sobre isso, considere-se:

1. Este grupo de poder, representado pelo PSDB, grandes empresas de mídia (Veja, Globo, Folha, Estadão) e partidos de oposição, como o DEM, é, historicamente, herdeiro da política colonial cujas linhas gerais são:

a) Alinhamento político, estratégico e econômico incondicional aos interesses norte-americanos e europeus;
b) Entrega substancial das riquezas nacionais mais importantes e estratégicas aos países imperialistas do norte do globo.

2. A operação Vaza a Jato não atingiu nenhum membro do PSDB e outros partidos de oposição, como DEM e PPS, mesmo com material indicando a participação de membros destes partidos (José Serra, FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, etc.- em esquemas de corrupção na Petrobras.

3. A operação Vaza a Jato  não foi a fundo nas investigações, buscando elucidar as raízes recentes dos esquemas de corrupção montados na estatal, que remontam ao governo FHC/PSDB.

4. Os Estados Unidos e países europeus têm se manifestado por meio da sua justiça oferecendo todo apoio à elucidação destes esquemas de corrupção na Petrobras, mesmo que, internamente, nestes países os esquemas de corrupção sejam bem maiores.

5. A proposta de Lei do senador tucano José Serra no Senado que retira o monopólio estratégico da Petrobras sobre o Pré-Sal, o que significa dividir ou, mesmo, entregar o controle estratégico desta imensa riqueza com/aos conglomerados norte-americanos e europeus.

Não há muita margem para dúvidas: a Operação Vaza a Jato é um tiro mortal sobre a soberania nacional porque afeta, fundamentalmente, os interesses nacionais mais estratégicos tanto em termos econômicos quanto políticos e geopolíticos. Essa operação pseudo-moralizante, que semanalmente, durante vários meses, toma conta do noticiário, anunciando prisões e delações seletivas, que, ao mesmo tempo que desgasta o PT e o governo Dilma (e blinda o PSDB), ataca também setores estratégicos da economia brasileira, como o petrolífero, de engenharia civil, defesa e de energia nuclear. Um estrago que dificilmente será recuperado a curto prazo. Todas as propinas reunidas no Brasil durante os últimos 30 anos não alcançariam uma fração dos prejuízos que serão causados pela Vaza a Jato. Anotem isso.

Os senhores neofeudais das terras de Tibiriçá (parte 2)



“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” Albert Einstein

por Luiz Flavio Gomes, no JusBrasil

Minhas crônicas desta semana ainda não foram totalmente compreendidas. Somos, no entanto, verde-amarelos, logo, persistentes. Vamos ver a de hoje. Nós, os senhores neofeudais invisíveis (plutocratas, oligarcas cartelizados e, sempre que possível, ladrões cleptocratas do dinheiro público), atribuímos a culpa de toda corrupção a quem a merece, ou seja, ao Estado, às empresas estatais, ao petismo, aos agentes públicos e, particularmente, aos políticos. Só em parte, evidentemente, isso é verdadeiro. Nós, os verdadeiros donos do poder (financeiro e econômico), do mercado, das empresas e das corporações, também somos corruptos (mais precisamente, somos os corruptores). Mas nós não aparecemos. Somos invisíveis.

Faz parte do jogo do poder noticiar os corrompidos, não os corruptores. Dois exemplos:

1º) Veja o escândalo do ISS no município de São Paulo: a mídia mostra os fiscais corruptos, quase nunca nós, os corruptores. Esse é um dos mais eficientes truques do exercício do poder;

2º) Todos ouviram dizer que Eduardo Cunha teria recebido 5 milhões de dólares de propina. Você sabe quem teria pago essa propina? Pouca gente sabe. Os delatores dizem que foi a Samsung e a Mitsui.

As coisas estão mudando no Brasil em nosso desfavor. Sempre há cretinos que querem mudar as regras do jogo que sempre nos foram muito favoráveis. A instituição da impunidade tem tradição e merece respeito.

Se existe um campo em que nossa organização neofeudal vem conseguindo uma eficaz comunicação (doutrinação) com a população, esse é o da grande mídia, nossa fiel aliada na arte das manipulações. A regra de ouro é a seguinte: não é preciso propagar mentiras, basta não contar toda a verdade. O assunto corrupção é, como todos podem imaginar, um dos mais sensíveis para nós, porque pode implicar alguma vulnerabilidade para nossa estrutura (que os maldosos apregoam ser mafiosa). Vemos nisso uma calúnia e um exagero. Mas é inegável que neste campo da cleptocracia contamos com uma forte e triunfante tradição.

São mais de 500 anos de prática contínua, sendo Pero Borges, o primeiro corregedor-ouvidor-geral da Justiça, nomeado pelo rei em 17/12/1548, juntamente com Tomé de Souza, o Governador-Geral, um dos nossos baluartes inesquecíveis: foi nomeado para ca depois de ter surrupiado grande soma de dinheiro na construção de um aqueduto, em Elvas (no Alemtejo) (veja E. Bueno, em História do Brasil para ocupados, organizado por L. Figueiredo, p. 259). Para o cidadão comum e os neovassalos (neoservos ou neoescravos), que contam com 7,2 anos de escolaridade em média, no entanto, sempre é bom recordar: a História explica, mas não escusa. Dos deveres éticos e morais somente nós, os senhores neofeudais invisíveis, estamos dispensados.

Por meio da corrupção já alcançamos alguns trilhões de dólares ao longo desses cinco séculos de feudalismo (ortodoxo e neo). A corrupção, ao lado do parasitismo (extrativismo e exploração de tudo e de todos – veja Manoel Bomfim, A América Latina), são dois dos grandes esteios de sustentação dos nossos prósperos negócios. O Brasil não seria jamais oligarquicamente rico (com serviços públicos deploráveis) se não existissem tais fontes. A corrupção, no entanto, deve sempre ser noticiada como coisa do funcionário público, do Estado, das empresas estatais, dos políticos.

Quando se divulga que mais da metade dos parlamentares eleitos em 2014 tem problemas com a Justiça (clique aqui para ver a lista dos políticos e suas implicações policiais ou judiciais), isso reforça nosso discurso: oferecemos a prova de que eles é que são os exclusivos corruptos (não nós). Trata-se de uma propagação massiva do discurso da antipolítica (somente os políticos não valem nada: essa é a mensagem diária). Dizemos que a corrupção está indissoluvelmente (e exclusivamente) ligada aos políticos. Nós, os senhores neofeudais corruptores, continuamos na sombra. O poder é exercido dessa maneira.

Eis uma amostra do nosso discurso (O Globo 26/7/15: 18): “Grande peso do Estado na economia explica a corrupção: a Polícia Federal, desde 2002, faz mais operações contra os criminosos do colarinho branco porque a corrupção aumentou muito no Brasil. E por que a corrupção aumentou? Basta ver os dois maiores escândalos dos últimos tempos: mensalão e petrolão. Em ambos o epicentro reside nas empresas estatais. A corrupção é imensa no Brasil em razão da grande participação do Estado na economia, sendo as estatais eficazes gazuas de arrombamento de cofres públicos; essas empresas oferecem múltiplas oportunidades de falcatruas; o petrolão lulopetista é a prova concreta de que há uma relação direta entre estatização e corrupção; nestes 13 anos de poder lulopetista um grupo político voraz encontrou nessas empresas amplas oportunidades de financiar, com caixa dois, seu projeto político e eleitoral; sem essa grande participação do Estado em setores que movimentam muito dinheiro, não haveria como o PT e aliados se financiarem com propinas”.

Não precisam falar mentiras, bastam as meias verdades. Não se joga a culpa em nós, os corruptores, sim, nos corrompidos. Não se fala de dezenas de países estatalistas (como os escandinavos) onde tudo funciona bem, com baixíssima corrupção. Isso acontece em virtude do capitalismo distributivo (que é uma palavra impronunciável aqui). A lógica é controlar a patuleia (as massas rebeladas) com informações rasas. Jamais botar o dedo na estrutura do poder. O buraco é mais em cima. Mas Ícaro sabe que não pode se aproximar do Sol.

14 destinos paradisíacos para todos que acham que "o Brasil é uma merda"



por Izaías Almada, no Viomundo do Azenha

Há poucas semanas uma dessas celebridades que fazem novelas na Rede Globo, de quem não me lembro o nome, deitou falação contra o fato de ter que pagar um imposto na alfândega sobre um computador trazido dos Estados Unidos (pronunciado, talvez, com a boca cheia de empáfia). Foi defendida por um colega, outra celebridade, essa já com alguma idade (por isso me lembro do nome), o ator Miguel Falabella, que teria dito qualquer coisa sobre o fato de que nós brasileiros devemos apoiar o contrabando sim, pois todo mundo anda roubando no governo, logo… São falas e atitudes de um Brasil incivilizado que, aqui entre nós, já encheu o saco.

Por qual razão muitos desses “reclamões” não vão embora do país? O que é que estão esperando? Tenho várias dicas de países que os receberiam de braços abertos.

Mas antes gostaria de fazer referência e comentar um pouco sobre outros dois fatos que têm a ver com essa mesma questão. O primeiro deles diz respeito à Sra. Marcelo Odebrecht e sua ironia por ter que receber em casa há algum tempo atrás uma sindicalista e pensou em oferecer a ela uma marmitex. Fiquei pensando: caramba, essa gente ganha rios de dinheiro com as mais variadas maracutaias dentro e fora do Brasil, poderiam aprender a tratar melhor seus semelhantes, mas a viseira cultural e ideológica é tão grande, sem falar do preconceito de classe, que não conseguem. O dinheiro por vezes é muito, mas a sensibilidade é mínima. Não adianta.

O segundo caso tomou algumas poucas páginas da mídia, mas ainda assim foi lembrado: até hoje os policiais ingleses que mataram o cidadão brasileiro Jean Charles em Londres “por engano” ainda não foram julgados. A Inglaterra, com certeza, entra no imaginário de muitos brasileiros, alguns até advogados, como sendo um daqueles países do “primeiro mundo” que praticam a justiça com seriedade. Sim, desde que o réu não seja latino, afrodescendente e pobre. Aliás, está aí um bom país para os brasileiros que acham o Brasil uma merda, procurarem. Em São Paulo, por exemplo, o táxi até o aeroporto de Guarulhos é baratinho em relação a muitos outros problemas do Brasil.

Mas vamos à lista para esse pessoal do “Brasil é uma merda”, lembrando que os outros membros dos BRICS não devem ser lá muito boas opções para visitarem, por suposto, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ainda assim, sobram muitos, muitos…

1 – Alemanha: país que imortalizou os campos de concentração e acaba de deixar a Grécia de joelhos, por sinal o berço da democracia há 2500 anos, o que não deixa de ser até certo ponto uma atitude emblemática nos dias que correm. A maioria da população é branca de olhos azuis e fala alemão, que é difícil para turistas, mas também o inglês.

2 – Bielorrússia: recomendo tirar informações no Google.

3 – Canadá: belíssimo país que tem por costume aceitar estrangeiros para estudar e trabalhar. No inverno, a barra é pesada e são seis ou sete meses de frio intenso, com ursos a caminhar pelas ruas de algumas pequenas cidades. Normalmente exigem – o governo, não os ursos – formação superior dos imigrantes, entendendo-se por isso conhecimento razoável do que se propõem a fazer e não apenas o diploma que nunca se sabe se foi comprado, comportamento de muitos dos que acham o Brasil um horror…

4 – Dinamarca: país escandinavo em cujo inverno o sol costuma aparecer durante quatro horas por dia ou pouco mais. E isso dura vários meses. Não dá para pegar uma corzinha no final de semana. A língua e a escrita são complicadas para quem pratica a lei do menor esforço.

5 – Espanha: país caliente de “lindas mujeres”, mas vivendo já há alguns anos forte crise econômica, com grande desemprego de jovens. Crise pior que a do Brasil, “esse país de merda”… Lá existem alguns partidos novos de esquerda, como o Podemos e para muitos de nossos emigrantes “talvez não seja o caso”. Na Catalunha e nos Países Bascos a língua falada é mais complicada.

6 – França: povo organizado embora um tanto chauvinista. Ainda usam muito perfume no lugar do banho e gostam de andar ao lado dos alemães nas questões européias. Discriminam um pouco os africanos, os árabes e os sulamericanos, mas isso é o de menos para os brasileiros de elite, educados e civilizados que sentem saudades da ditadura. E da feijoada, quando estão fora do país.

7 – Guatemala: país de grande tradição golpista no passado, hoje mais calmo. Mas sempre se pode aprender um pouco.

8 – Holanda: país belíssimo, com seus diques e cidades limpíssimas, seus habitantes costumam falar vários idiomas. Estiveram lado a lado com os ingleses na colonização da África do Sul, deixando naquele país grandes saudades. Esse fato histórico criou o líder Nelson Mandela que chegou a presidente depois de 27 anos na prisão. Há, contudo, liberdade controlada no uso de drogas para os golpistas mais exaltados.

9 – Indonésia: Recomenda-se muito cuidado com o que levam nas malas (geralmente são muitas para a tentativa de contrabando no retorno). Lá existe a pena de morte por fuzilamento.

10 – México: Normalmente uma bela opção, sempre e quando se tenha em mente que o país está sitiado por cartéis do narcotráfico.

11 – Portugal: Ao lado da Grécia e da Espanha, vive grande crise econômica e social, tornando difícil a absorção de mão de obra estrangeira. E será sempre bom conseguir informações com brasileiros que lá vivem há mais tempo, em particular dentistas, publicitários e o pessoal da construção civil, para sentir como os portugueses andam tratando os “brasucas”.

12 – Suíça: Se for cliente do HSBC ou tiver conta em outro banco e não declarada ao fisco no Brasil é sempre bom tomar algum cuidado, pois há sempre o risco de extradição para os EUA. É possível conseguir boas informações com os advogados de Marin.

13 – USA: no Brasil conhecido apenas como Estados Unidos, esse país lidera a lista dos sonhadores, dos revoltados on-line e dos revoltados fora de linha, na expectativa de que acabem com Lula, Dilma e o PT. Mas Miami é uma bela cidade. Trata-se de um lugar propício e de clima ameno, onde se encontram grandes fortunas levadas de Cuba, Argentina, Venezuela, Bolívia e outros países sulamericanos com tendências ao bolivarianismo.

14 – Venezuela: país do bolivarianismo. Sei que muitos torcerão o nariz, mas penso que vale a pena ver uma ditadura de perto. Ver o “ódio” que os venezuelanos têm a Chávez e Maduro. Podem contratar viagens (excursões) no Congresso em Brasília e pedir os senadores Aécio, Caiado e Aloysio Nunes como guias pela cidade de Caracas. E não se esquecerem de levar exemplares da Veja, do Estadão, da Folha e do Globo, pois há uma crise de papel higiênico no país.

Enfim, todo cidadão tem o direito de ir e vir. Alguns, entretanto, se não quiserem regressar será um alívio para o Brasil.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Os senhores neofeudais das terras de Tibiriçá (parte 1)









por Luis Flavio Gomes (*), no blog do Nassif



De que maneira nós, os senhores neofeudais donos do poder (financeiro e econômico), estamos encarando Eduardo Cunha?... Poucos políticos têm apetite pelo exercício do poder como ele. Não é o detentor do poder supremo neofeudal, que nos pertence. Nós somos as classes dominantes mais poderosas e chegamos aonde chegamos porque temos o poder de “comprar” (sempre que possível) os mandatos dos parlamentares (financiando suas pródigas campanhas políticas). Eduardo Cunha na estrutura geral do poder é detentor de um micropoder (como dizia o filósofo francês Michel Foucault), mas é pertinaz e bombástico.

Acusado por um dos delatores da Lava Jato (Júlio Camargo) de ter recebido 5 milhões de dólares em propinas (o dinheiro teria saído das empresas Samsung e Mitsui), redobrou seu ódio (e, assim, aumentou seu protagonismo) contra o governo petista de Dilma assim como contra o Procurador-Geral da República (Janot). Agora promete uma agenda bombástica para agosto e já fala abertamente no impeachment da presidente (presidenta) Dilma (cuja popularidade está virando um raquítico traço). Tudo isso está sob a análise do nosso clube. Nada será decidido, a não ser por nós mesmos.

Para se saber se Eduardo Cunha vai ou não incendiar o governo petista assim como o país, se vai mergulhar ou não na tese do impeachment, é preciso voltar a Foucault e perguntar o seguinte: quem são os verdadeiros donos do poder? Os agentes dos micropoderes ou os detentores do poder político, atrelado ao Estado? Ou ambos? Foucault, diferentemente de Hobbes, por exemplo, descatacteriza o Estado (no caso do Brasil aqui entramos nós, os senhores neofeudais) como fonte única do poder sobre os indivíduos (sobre as classes dominadas). Confere mais relevância aos micropoderes, que se produzem a cada instante, em todos os pontos, em todas as relações (de pais e filhos, de médico e paciente, de chefe e subordinado, professores-alunos, confessor-penitente, psicanalista e paciente etc.). São muitas as instituições que nos auxiliam na tarefa de “amansar” os indivíduos, consoante um padrão de disciplina. Isso vem desde o Iluminismo (século XVIII). Mas a pergunta mais importante é a seguinte: é o Estado (por meio de nós, os senhores neofeudais) que domina as massas ou são os micropoderes que fazem isso? Para Foucault são fundamentalmente os micropoderes que dominam. De acordo com essa teoria, portanto, Eduardo Cunha seria muito mais poderoso do que aparenta. Mas as aparências podem enganar.

Nós, os senhores neofeudais, contestamos em parte a tese de Foucault, que por sinal é muito criticada no mundo filosófico (cf. Jaime Osorio, El Estado en el centro de la mundialización), porque desconsidera o poder político que vem “do alto, de cima”, conferindo protagonismo somente para aquilo que vem de “baixo” (das relações diárias). O poder para Foucault seria ascendente (vai de baixo para cima), enquanto a teoria predominante (que nós seguimos) afirma o contrário (o poder é descendente, porque começa em cima e vem para baixo, onde muits instituições nos auxiliam nessa tarefa disciplinatória).

A questão mais relevante (para nós) na teoria de Foucault é que caberia contra o exercício dos poderes apenas resistências isoladas (dos alunos contra os professores, das mulheres contra o machismo, dos empregados contra seus empregadores etc.). Pensamos que essa tese nos é extremamente útil, porque tolhe a possibilidade de as massas se rebelarem contra as bases da nossa formação social, que se condensam hierarquizadamente no ente chamado Estado (dominado, aqui, por nós, os senhores neofeudais). Para a preservação dos nossos interesses é muito conveniente que as resistências sejam dirigidas contra os micropoderes, sem que nunca levantem os olhos (ou tirem as vendas dos olhos) visando à transformação dos macropoderes (exercidos por nós, os senhores neofeudais).

É importante para nossos padrões de prosperidade que não exista nada de tangível em termos de macrodominação para se contestar (a teoria de Foucault esvazia, atomiza, dilui e indetermina o poder do alto, de cima). Isso nos é muito conveniente. Essa, aliás, é a técnica empregada pela nossa tradicional aliada, que é a grande mídia: ela jamais apresenta os problemas com a perspectiva macrossocial. A lupa da mídia é sempre microssocial (algo tangível, concreto, determinado). A responsabilidade pelos problemas é sempre a imediata (nunca dos verdadeiros detentores do poder, que ficam invisíveis). Se uma escola não educa, o problema é da direção, do emprego do dinheiro público, do gerenciamento etc. Nunca o problema chega no topo, ou seja, nunca afeta o nosso poder neofeudalista.

A corrupção é sempre do funcionário público e do político, não nossa, não dos poderosos econômicos e financeiros (ou seja: dos senhores neofeudais). A corrupção delatada contra Eduardo Cunha seria exclusivamente do Eduardo Cunha, não de quem teria pago as propinas para ele (aliás, os nomes das empresas corruptoras são quase sempre atomizados, diluídos, intangibilizados, escondidos). É assim que nós, os senhores neofeudais, continuamos sendo os donos do poder. O impeachment é assunto que nos compete. No tempo devido decidiremos.


(*) jurista, professor, foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A excelência dos taxis cariocas



por Gregorio Duvivier, na Folha de SP (vixe...vixe... acessível só pra assinantes), pescado no Nassif


Nós, taxistas, gostaríamos de protestar contra o excelente serviço prestado pela empresa Uber. Do jeito que a coisa anda, tudo indica que, em breve, todo passageiro vai querer respeito, conforto e educação.

Outro dia um passageiro veio me pedir pra abaixar o som. Imagine?... Aí você me pergunta: o carro é dele?... Não!... Então por que é que ele quer mandar no volume?... Se o motorista quer digitar no WhatsApp enquanto dirige falando no Nextel e ouvindo a rádio do pastor é um direito dele.

O mesmo sujeito perguntou se eu tinha uma garrafinha de água. Eu lá tenho cara de Sabesp?... Parei pra mijar no poste. Ele reclamou, disse que tava atrasado. Pelo amor de Deus. Sabe o que eu devia ter feito?... Mijado numa garrafinha!... Toma a sua água, tá feliz?... Daí passou um pivete e eu disse que eles tinham mais é que morrer fuzilados. O cliente ficou horrorizado. Pediu pra sair. Gente, "pivete tem mais é que ser fuzilado" é o nosso "bom dia". Nunca chocou ninguém. Daqui a pouco não vou mais poder ter saudades da ditadura. Aí acabou o assunto de vez.

Meu colega tava parado no ponto e veio um passageiro querendo ir pro subúrbio. O colega recusou. É direito dele: o colega simplesmente não estava com vontade de ir para o subúrbio, era muito fora de mão para ele, não iria ter passageiro para ele no subúrbio, enfim, uma porrada de razões. O passageiro chamou um Uber. Daqui a pouco não vai mais ser permitido recusar um passageiro só porque a gente não foi com a cara dele.

Existem duas possibilidades. Ou se investe em melhoria da frota e educação dos motoristas para que os táxis estejam à altura da concorrência ou se proíbe de vez a concorrência. Uma das opções é cara e demorada. A outra é vapt-vupt. A sorte é que o secretário dos transportes do Rio já garantiu que tá do nosso lado.

Gastei R$ 200 mil pra comprar meu alvará. Não foi fácil chegar até aqui. Alugo essa licença para um outro taxista que me paga R$ 150 por diária de 12 horas.

Ainda não paguei nem metade dos 200 mil e os locatários não estão conseguindo chegar nem na diária de 150. Daqui a pouco vão querer trabalhar de graça. E quem quebra sou eu.

Imagina que, de repente, o Rio resolvesse investir em metrô de qualidade. Ia ser um tal de companhia de ônibus decretando falência. Por isso que o metrô tá bom assim, mirrado. Vocês reclamam que o país tá subdesenvolvido, mas é isso que garante o emprego de muita gente.



Nota dos índios deste blogo:

O taxista retratado no texto está se comportando como os foguistas das locomotivas Baldwin no inicio do século XX. Seu futuro é promissor...

sábado, 25 de julho de 2015

As florestas e a produção de água

Rio Ano Bom - SBS-SC

por Osvaldo Ferreira Valente, originalmente no Jornal da Ciência (SBPC) e reproduzido no IHU

Ao longo da atual crise de abastecimento de água, temos presenciado o lançamento de propostas de soluções que nem sempre estão fundamentadas em conhecimentos científicos já disponíveis. Não há surpresa alguma quanto a este fato, já que ainda há um distanciamento, no Brasil, entre a academia e o público que tenta resolver questões práticas. Na hidrologia isso é mais do que evidente, pois o tratamento matemático que predomina nos trabalhos científicos torna a teoria muito complexa para a maioria dos técnicos de campo. Daí as tecnologias adotadas ficarem mais na esperança de um sucesso que poderá se transformar em futuras frustrações. Há, também, o risco das generalizações em situações cheias de especificidades locais e regionais, onde receitas de bolo não dão garantias de qualidades dos produtos. O “ouvir dizer” e o excesso de informações, que são usadas antes de se transformarem em conhecimentos, provocam riscos iminentes de fracassos.

Tenho visto constantemente em artigos, entrevistas e debates pessoas pregando o reflorestamento como única solução para aumentar a produção de água de mananciais de abastecimento. É um erro não considerar outras opções que tenham potenciais para produzir resultados em curto prazo. A princípio pode até haver uma lógica no raciocínio sobre os reflorestamentos, mas algumas pesquisas já realizadas no Brasil, contendo dados sobre produtividades de água em bacias hidrográficas florestadas, merecem consideradas. E é sobre isso que passarei a falar nos parágrafos seguintes.

Vou tomar como exemplos dois estudos feitos em áreas florestadas. Duas teses: a primeira de doutorado na USP (Câmpus de São Paulo, capital), defendida por Valdir de Cicco, em 2009, e a segunda de mestrado, também na USP (Campus de Piracicaba), defendida por Paulo Sant’Anna e Castro. As duas, ainda que com objetivos diferentes, mediram produções de água (deflúvios) em bacias hidrográficas florestadas. A segunda mediu, também, a produção em uma outra bacia vizinha da florestada e usada para exploração agropecuária.

O Valdir de Cicco (CICCO, 2009) estudou duas pequenas bacias hidrográficas: 1) A primeira de 36,7 ha, dentro doParque Estadual da Serra do Mar, Núcleo de Cunha- SP (Mata Atlântica); com floresta secundária formada a partir de 1974, quando a área de pastagem foi incorporada ao Parque, que tem área total atual de 315.000 ha. A rocha predominante é o gnaisse , o solo classificado como latossolo vermelho amarelo câmbico e a conformação geomorfológica de mares de morros; o clima é o Cwb (Köppen), com temperatura máxima media de 26o, mínima de 16o e precipitação anual média de 1.646 mm. 2) A segunda de 59 ha, dentro do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (Mata Atlântica) que tem área total de 526,38 ha, encravado na Região Metropolitana de São Paulo, com rochas, solos e clima muito próximos aos da bacia de Cunha. A produtividade de água no mês de agosto (mês mais seco) foi de 15,13 L/Km2.s, em Cunha, e de 6,26 L/Km2.s, em Ipiranga. Com base em discussão do autor da tese, é possível justificar as diferenças de produtividades de água entre as duas bacias por duas razões: 1) A bacia do Ipiranga está sob influência da ilha de calor da área metropolitana, que transfere energia para a área do Parque, possibilitando maiores taxas de evapotranspiração e, consequentemente, menores produtividades superficiais de água; 2) A bacia de Cunha convive com elevada umidade do ar e presença de nevoeiros, o que concorre para menores taxas de evapotranspiração e maiores produtividades superficiais de água.

O Paulo Sant’Anna e Castro (CASTRO, 1980) estudou duas pequenas bacias hidrográficas na região de Viçosa-MG (Mata Atlântica). A primeira com 114 ha, coberta com floresta secundária formada a partir da década de 1960, quando a área foi entregue à regeneração natural. E a segunda com 192 ha, vizinha da primeira, com exploração agropecuária e pequenos capões de matas que, somados, não passavam de 25% da área. Em ambas, a rocha predominante é o gnaisse e os solos são argilosos e foram classificados como latossolo vermelho amarelo distrófico, nas seções côncavas, convexas e nos topos; já nos terraços, receberam a classificação de podzólico vermelho amarelo câmbico. A geomorfologia é de mares de morros, a precipitação de 1.880 mm no período de estudo (1978/1979), temperatura média máxima de 26o, mínima de 15o e clima Cwb (Köppen). A produtividade superficial de água do mês de agosto foi de 2,4 L/km2.s, na bacia florestada, e de 8,5 L/km2.s, na com exploração agropecuária. E foi um ano hidrológico com precipitação acima da média para a região de Viçosa que é de 1340 mm/ano. Passados 35 anos, a floresta está mais densa, com árvores maiores e a produtividade superficial de água do mês de agosto, para a bacia florestada, tem sido nula. A explicação para as diferenças de produtividades pode estar no fato de que a bacia florestada comporta-se como uma ilha de atração de energia, rodeada por áreas secas e que por deficiência de umidade na região das raízes das plantas, menos profundas. É importante lembrar que a evapotranspiração depende da disponibilidade de água e de energia.

Usando estes dados de pesquisa na prática de produção de água, vale a pena discutir, como exemplo, a situação do Sistema Cantareira, que está presente cotidianamente na mídia e é responsável pelo abastecimento de grande parte da Região Metropolitana de São Paulo. Algumas pessoas e entidades têm sugerido, como solução, o reflorestamento de entornos de corpos d’água componentes do Sistema. Chegam a citar números, como 400 ha, por exemplo. Ora, como as bacias que compõem o Cantareira somam 2.280 km2, a área recomendada representa apenas 0,17 % do total. Além do mais, mesmo que tais matas ciliares viessem a se comportar como produtoras de quantidade de água, conforme o imaginário de muitos hidrologicamente desavisados, e com valores médios entre Cunha e Ipiranga, ou seja, 10,78 L/km2/s, nas épocas de estiagens, isso representaria um acréscimo de apenas 0,12 % da vazão outorgada, que é de 36.000 L/s.

Para ir um pouco mais além na análise do possível efeito do aumento da cobertura florestal em áreas das bacias contribuintes do Cantareira, poderão ser usados dados da Fundação SOS Mata Atlântica, mostrando que as florestas ocupam 21,5 % da área total das bacias e que são 5.000 km de cursos d’água, com parte deles, 1.190 km, já protegidos por matas ciliares, computadas nos 21,5 %. Como, em grande maioria, são cursos d’água com até 10 m de largura e em áreas com usos consolidados, pode-se adotar, para cumprimento do Código Florestal em vigor, uma faixa média de 40 m (20 m de cada lado dos cursos d’água) para recomposição da mata ciliar. Isso representaria um acréscimo de 152,4 km2, ou seja, 6,7 % da área de 2.280 km2, elevando a cobertura para 28,2 %. Mesmo que tais matas ciliares viessem a ter efeito positivo na produção de água, como acreditam muitos, e usando os 10,78 L/km2/s, o acréscimo não passaria de 4,56 % da vazão outorgada.

O mais certo, entretanto, e com base em fundamentos hidrológicos da produção de água na região Sudeste, é que, pelo menos nos primeiros 30 anos após os reflorestamentos, o aumento de cobertura florestal, através das matas ciliares, acarretaria uma diminuição das vazões de estiagens. Isso porque as árvores estariam em franco crescimento e com altas taxas de transpiração, pois ocupariam, em grande parte, áreas de contribuição dinâmica que tendem a ficar sempre úmidas; isso por serem zonas de ligação dos aquíferos subterrâneos com as nascentes e cursos d’água. Tal comportamento é corroborado por simulações feitas pelo pesquisador Paulo Guilherme Molin, (MOLIN, 2014) para a bacia hidrográfica do rio Piracicaba. Ele simulou, para sua tese de doutorado na ESALQ-USP, o aumento da cobertura florestal da bacia e sua ação na produção de água. Os estudos mostraram que, tomando por base o ano de 2010 e como horizonte o de 2050, quaisquer aumentos de cobertura florestal no intervalo considerado resultaria em redução das vazões dos cursos d’água, nos períodos de estiagens.

As informações apresentadas mostram, portanto, que é temerária a certeza, expressa com certa frequência, que oreflorestamento é a única alternativa para aumentar a oferta de quantidade de água de nossas bacias hidrográficas. Um horizonte de 30 anos talvez seja o mínimo para um equilíbrio ambiental floresta/hidrologia capaz de apontar uma produtividade de água em média confiável. Mas como a demanda é a curtíssimo prazo, teremos que adotar alternativas de manejo dos volumes de água recebidos pelas chuvas, conduzindo boa parte deles para os aquíferos subterrâneos e armazenando outros em represas e em reservatórios urbanos. Para privilegiar o armazenamento subterrâneo, há de se trabalhar com tecnologias alternativas ao reflorestamento e que aumentem a rugosidade das superfícies das bacias hidrográficas, dificultando a formação de enxurradas e favorecendo a infiltração de água no solo. Tais tecnologias já existem, comprovadas e economicamente viáveis.

Literatura Citada:

CASTRO, P.S. Influência da cobertura florestal na qualidade de água em duas bacias hidrográficas na região de Viçosa, MG. Piracicaba, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP, 1980. 107p (Tese de Mestrado)

CICCO, V. Determinação da evapotranspiração pelos métodos dos balanços hídrico e de cloreto e a quantificação da interceptação das chuvas na Mata Atlântica. Disponível aqui. Acesso em: 15 jun. 2015

MOLIN, P. G. Dynamic modeling of native vegetation in the Piracicaba River basin and its effects on ecosystem services. Disponível aqui. Acesso em: 15 jun. 2015