* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

E isso agora, resolve alguma coisa?...


Por Altamiro Borges, em seu blog

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (4) um projeto que impõe multa de até R$ 60 milhões às empresas que praticarem atos de corrupção contra a administração pública – como fraudar licitações ou oferecer propinas aos servidores. A proposta tramitava no Congresso Nacional desde 2010 e só foi desenterrada devido aos protestos populares que agitam o país. O próprio relator do projeto, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), reconheceu que “a voz das ruas” acelerou a sua aprovação. “Que bom ouvir o brado das ruas. É pela vontade do povo que uma sociedade evolui. É isso que temos presenciado nas últimas semanas para o espanto de alguns, mas para o bem da maioria”, discursou.


A “lei anticorrupção”, como ficou conhecida, agora deverá ser sancionada pela presidenta Dilma Rousseff. Ela penaliza a empresa que fraudar licitações e contratos, obtiver vantagens e benefícios ilícitos e corromper agentes públicos. As multas variam de 0,1% a 20% do faturamento bruto. Caso não seja possível calcular o faturamento, o texto fixa multas entre R$ 6 mil e R$ 60 milhões. A empresa corruptora também poderá perder os seus bens e ter suas atividades suspensas, além de não receber incentivos ou subsídios do poder público por no mínimo um ano. O projeto abrange empresas, fundações e corporações estrangeiras que tenham sede em território nacional.

O texto representa um avanço no combate na corrupção, mas não significa que será facilmente aplicado. Afinal, as grandes empresas exercem forte pressão nos poderes da República – inclusive no hermético Judiciário. Elas contam com poderosos lobbies – dos barões do agronegócio, dos industriais e também dos donos da mídia. O capital e sua mídia adoram esbravejar contra a corrupção nos órgãos públicos, como forma de defender o estado mínimo, mas evitam qualquer debate mais sério sobre os corruptores privados. Se os protestos de rua estivessem exigindo prisão para os banqueiros e empresários corruptos, com certeza não teriam tanta repercussão na imprensa venal!

Como aponta o jurista Marcelo Semer, no blog Sem Juízo, “a indignação brasileira mira nos políticos, mas esquece do capital”. Isto explica a postura “panfletária da grande mídia” na divulgação da recente onda de protestos no país. E ele adverte:

“Excluindo o capital da crítica, o movimento corre o risco de se limitar a criminalizar a política e os políticos, centrando os olhos da repressão nos agentes públicos. Como, aliás, é a tônica dos movimentos anticorrupção apoiados pela mídia. Corruptores são sempre tratados como vítimas. A insatisfação coletiva mostra que é mesmo necessário encontrar mecanismos de permeabilidade da vontade social. Mas, sobretudo, que é preciso defender o que é público da ganância dos interesses privados, atualmente, em todo o mundo, com maior força do que o próprio poder estatal. O mercado não disputa eleições, é verdade, mas influencia a todos que se elegem”.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Morre o inventor do Rato... nossas exéquias

pescado no Tribuna Hoje, link Estadão

Douglas C. Engelbart, cientista que concebeu o mouse e criou uma visão do que seria a internet décadas antes dessas ideias chegarem ao mercado, morreu na noite de terça-feira, 2. Ele tinha 88 anos.

Engelbart estava com a saúde debilitada e faleceu enquanto dormia, disse a filha Christina a amigos em um e-mail. Engelbart chegou ao topo de sua carreira relativamente cedo, numa tarde de inverno em 1968, quando ele fez uma apresentação de uma hora expondo ideias futurísticas que seriam consideradas décadas depois como a “mãe de todas as apresentações”.

Falando a uma plateia de mil pessoas da área de tecnologia em São Francisco, Engelbart, que era cientista da computação no Instituto de Pesquisa de Stanford (SRI, na sigla em inglês), mostrou um aparelho em formato cúbico com dois discos. Ele chamou o aparelho de “Indicador de posição X-Y para um sistema de imagem”. Foi a primeira aparição pública do mouse.

Engelbart então convocou uma imagem em tempo real, com voz, de um colega a mais de 50 quilômetros de distância. Foi a primeira demonstração de uma video-conferência. Ele também explicou uma teoria de como páginas de informação poderiam ser ligadas umas às outras usando ligações de texto, uma ideia que mais tarde seria a pedra fundamental para a arquitetura da internet.

Em um tempo em que a computação era restrito aos programas de pesquisa governamentais e amadores curiosos, Engelbart nunca buscou ou obteve a grande riqueza que mais tarde seria sinônimo do sucesso de grandes criadores de tecnologias do Vale do Silício. Ele nunca recebeu royalties pela criação do mouse, por exemplo, quando o SRI patenteou a invenção e depois a licenciou para a Apple. A empresa foi a responsável por popularizar a tecnologia.

Engelbart se inspirava na crença de que os computadores poderiam ser usados para aumentar o intelecto humano. Em conversas e em suas pesquisas, ele descrevia uma visão de uma sociedade em que grupos de trabalhadores altamente produtivos passariam muitas horas do dia lidando coletivamente com informação em computadores.

“As possibilidades que estamos buscando envolvem uma relação de trabalho entre homem e máquina em que a interação próxima e contínua com um computador beneficia o homem com habilidades para lidar, alterar e replicar a informação de forma radical”, ele escreveu em uma proposta de pesquisa para o SRI em 1961.

Seu trabalho, ele argumentou com convicção, “compete em importância social com as pesquisas sobre energia termonuclear, de exploração espacial ou o combate ao câncer”.

Em 2000, Engelbart recebeu prêmios de prestígio, incluindo a Medalha Nacional de Tecnologia e o Prêmio Turing. Ele vivia em Atherton, subúrbio no Vale do Silício perto da Universidade de Stanford.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Manifestações em 1968 - pelas lentes da Leica de Evandro Teixeira

por Mario Magalhães, em seu blog no UOL

Cinco invernos atrás, eu e uma adorável jovem de sete anos começávamos a amargar um atraso de duas horas no voo para Porto Alegre quando topei com o Evandro Teixeira. Até embarcarmos, no Galeão, o velho companheiro de coberturas contou causos de sua longa vida no fotojornalismo. Já a bordo, minha filha, impressionada, murmurou no meu ouvido:

“Pai, tudo o que ele disse é verdade?”

“Parece incrível, mas é”, respondi.

Nascido nos idos de 1935, em Irajuba, nos cafundós da Bahia, Evandro deu os primeiros passos na carreira em 1957, no “Diário da Noite” e “O Jornal”. Eram títulos cariocas do conglomerado Diários Associados, propriedade do magnata Assis Chateaubriand.

Para a minha geração, Evandro se tornou sinônimo de “Jornal do Brasil”, onde militou por 47 anos. Ainda me lembro da dupla que ele compunha com o saudoso repórter Oldemário Touguinhó. Nunca compartilhei a mesma redação com eles, mas viajamos cobrindo excursões da seleção.

É difícil saber se o repórter fotográfico Evandro Teixeira é mais repórter ou fotógrafo, pois combina a excelência estética e informativa com uma vocação inabalável pelo asfalto, o prazer de gastar sola como testemunha ocular da história.

Não é à toa que ele se consagrou como um dos maiores fotojornalistas do mundo. Numa exposição da Leica Gallery, em Nova York, integrou o time dos 40 mais importantes fotógrafos do planeta, ao lado de colegas do calibre de Robert Capa, Henri Cartier-Bresson e Sebastião Salgado.

Estimulado pelas manifestações de junho de 2013, resolvi incomodá-lo e pedir uma amostra de suas célebres fotos das passeatas e confrontos de 1968. Evandro, generosamente, mandou 11 imagens. É o próprio “curador” dessa “mostra” aqui no blog.

Há flagrantes da Passeata dos 100 Mil, do enterro do estudante Edson Luis, da repressão policial na saída de uma missa na Candelária. A série termina com uma fotografia de 1964, do forte de Copacabana tomado por militares golpistas _uma semana depois, eu chegaria da maternidade para morar a menos de 500 metros dali. Naquele ano, instaurou-se a ditadura que os protestos registrados por Evandro Teixeira viriam a encarar quatro anos mais tarde.









Médicos fazem panelaço... que meigo!...


por Arthur Taguti, comentarista do blog do Nassif

Olha, uma coisa que chamou minha atenção foi o "método" de protesto que as entidades representativas dos médicos escolheram: o panelaço. Eu não entendo nada de semiótica, mas acredito que esta escolha não foi uma simples casualidade, mas uma opção recheada de significados.
Em primeiro lugar, qual o detalhe mais explorado, tanto pelas entidades referidas quanto pela grande mídia contra a medida tomada pelo governo? A vinda de médicos cubanos. Toma-se carona num ambiente midiático reducionista e calcado em preconceitos ("comunista", "bolivariano", "petista", e etc.) e pronto. Constrói-se um forte slogan na tentativa de ganhar a simpatia da classe média que tem ojeriza tudo relacionado a esquerda, Cuba, Chavez, Bolsa Família, e por aí vai.
Tanto faz se a medicina cubana é celebrada ao redor do mundo. Tanto faz se o ótimo programa Saúde da Família, implantado por Lula, foi inspirado no modelo cubano de medicina preventiva. O importante é o discurso infantilizado para incentivar a ira dos cães de guarda, que sempre ladram em favor do conservadorismo e do anti-petismo/anti-lulismo.
Nesse contexto é que o panelaço entra. Quando se pensa em panelaço, a imagem mais célebre é a da orgulhosa classe média argentina, que teve seu altíssimo padrão de vida espoliado pelo Consenso de Washington a La Menem. A imagem mais marcante é a de donas de casa - e não de movimentos sociais organizados -, preocupadas com a piora do seu padrão de vida, brandindo suas panelas e derrubando sucessivos Presidentes da República no começo da década passada.
Quando se pensa no panelaço dos dias de hoje, a imagem das donas de casa também se faz presente, protestando, mas agora contra o governo Kirchner. Sim, a imagem do panelaço se vincula ao anti-kirchnerismo e, num ambiente de infantilização e reducionismo do debate político, logo se estende ao anti-bolivarianismo, ao anti-petismo, ao discurso anti-Cuba e tudo o quanto cheire esquerda e povão latino-americano.
Tudo bem que a classe média argentina é bem politizada e pode ter motivos outros para protestar contra os Kirchner, mas no contexto midiático nacional, sempre vemos no Jornal Nacional ou matérias da Veja esta classe como a que enfrenta com coragem e bravura os demandos da barbárie kirchnerista, a da Ley de Medios, a que espoliou o Grupo Clarin.
Assim, a escolha do panelaço como meio de protesto das entidades de médicos de modo algum é despolitizada. É a assunção de um discurso, de uma posição política. Pretende-se, com a imagem de médicos brandindo panelas em plena Avenida Paulista, passar também, no Jornal Nacional, a imagem de mártir da classe média, supostamente espoliada por um governo petista-kirchnerista-bolivariano que não respeita a iniciativa privada e a liberdade de mercado.
Por outro turno, a escolha do panelaço, por todo o simbolismo envolvido, afasta-os das recentes passeatas promovidas por movimentos sociais e/ou grupos com discurso igualitário e redistributivo, deixando claro o nítido caráter conservador e corporativista da iniciativa.
É como se quisessem brandir: "não estamos aqui a serviço da sociedade, mas a serviço de nós mesmos", ou, sendo menos eufemista, socorrem-se de um método pouco sutil de mostrar seu pedigree.
Não creio que a opção tenha sido das melhores. Até pelo fato de toda pesquisa ou estudo realizado no Brasil profundo atestar o imenso déficit de médicos nestas regiões carentes, é de uma insensibilidade tremenda posar de classe média espoliada, advogando em causa própria. Corre o risco de tornar-se um novo Cansei, só que agora de jaleco.
Escolha infeliz de dirigentes de uma classe que contém tanta gente boa e compromissada com a saúde pública.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Novas teorias (fantásticas?)...



Excertos do texto de Nil Nikandrov, no site da Strategic Culture Foundation
(Tradução do Vila Vudu, publicado originalmente no redecastorphoto)

[...]

São bem conhecidos os laços que unem o início da carreira empresarial de Zuckerberg e a CIA. Os contatos foram muitos e sabe-se que a CIA financiou o início de seu negócio. Zuckerberg tem também contatos estreitos com a Agência de Segurança Nacional dos EUA [orig. U.S. National Security Agency (NSA)], os quais não são segredo para ninguém. Difícil acreditar que Zuckerberg tenha-se envolvido por iniciativa sua nos protestos no Brasil (e ainda mais difícil, que tenha passado, repentinamente, a preocupar-se com o preço dos transportes públicos por lá).

Slogans de “luta para mudar” sempre são bem-sucedidos em campanhas em universidades e instituições de ensino superior. Estudantes sempre se apresentam como vanguarda na luta por direitos sociais e políticos. De novidade, agora, no caso do Brasil, que os manipuladores que operam nesses setores não conseguiram, até agora, criar lideranças centralizadas, em nenhum dos protestos de rua.

Mas o modo como a inteligência dos EUA opera, esse sim, acaba de ser revelado por Edward Snowden: tudo faz crer que a atividade no Brasil e em vários outros países já esteja em andamento, tratada como os EUA tratam o que definem como “ameaça de nível elevado”.

A contrainteligência brasileira e os serviços de investigadores policiais já trabalham para identificar quem se teria infiltrado nos movimentos do Brasil. Também se investiga o “uso hostil” das redes sociais. Mais de 80 milhões de pessoas são usuários de internet no Brasil; e 140 milhões usam telefones celulares. É claro que slogans construídos para desestabilizar o quadro sociopolítico no Brasil circulam nessas redes. E há também ONGs e agentes que operam através da embaixada dos EUA, como, igualmente, dos escritórios da USAID no Brasil – exatamente como em todo o mundo. Blogueiros brasileiros interessados em estudar as tendências das manifestações já observaram que só houve grandes concentrações populares em cidades nas quais operam escritórios de representação diplomática ou comercial dos EUA – na capital, Brasília; no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, dentre as principais.

Hoje, como se sabe, está operando no Brasil uma das maiores bases organizadas da CIA e da inteligência militar dos EUA, do mundo. O coordenador político dessas operações no Brasil é o Embaixador Thomas Shannon. Pode-se tomar como fato absolutamente verdadeiro que o embaixador Shannon está ocupado em tempo integral com o “despertar o gigante sul-americano”.

Os protestos de junho continuarão pelo mês de julho e, em grande medida, já começam a afetar a imagem que o Brasil oferecia ao mundo, de país bem-sucedido em seu projeto de desenvolvimento com orientação social.

Em outubro de 2014 haverá eleições presidenciais no Brasil; a atual presidenta Dilma Rousseff é candidata a um segundo mandato. Nesse contexto, qualquer ação para desestabilizar seu governo é apresentada como tentativa dos adversários políticos, com olhos nas eleições ...

[...]

O governo Obama já está fazendo tudo que esteja ao seu alcance para impedir tal desenrolar.

Hoje, está criando a Aliança Pacífica, unindo quatro países da região – México, Colômbia, Peru e Chile – sob comando dos EUA. Do ponto de vista de Washington, a Aliança Pacífica, dentre outros efeitos, ajudará a limitar a influência do Brasil no hemisfério ocidental e criará “um poderoso contrapeso geoestratégico à expansão do Brasil”. Sob vários pretextos, o Pentágono está organizando exercícios armados conjuntos com países vizinhos do Brasil – Trinidad e Tobago, Suriname, Guiana e Peru. Na essência os EUA estudam um futuro teatro de operações militares. A 4ª Frota dos EUA patrulha as regiões do Oceano Atlântico próximas dos depósitos de petróleo da plataforma continental brasileira. Os EUA farão todos os esforços para enfraquecer os aliados e parceiros do Brasil na região, a começar por Venezuela, Equador, Nicarágua e Cuba. A reaproximação entre OTAN e Colômbia também se explica em parte como projeto para criar mais um “fator de pressão” sobre o Brasil.

[...]

Os eventos no Brasil estão sendo acompanhados pela mídia ocidental em todos os detalhes. Cientistas políticos avaliam a ação das empresas locais de imprensa como operação deliberada para comprometer a imagem do Brasil e a capacidade do país para organizar grandes eventos esportivos internacionais. Não faltou sequer quem dissesse que a Copa do Mundo de futebol devesse ser cancelada, por o país não poder dar garantias de vida aos jogadores e torcedores.

O que se viu agora, na “Copa das Confederações” pode ser considerado como ensaio geral do que se verá acontecer em futuros eventos esportivos no Brasil. Tudo para pressionar o país, em questões e interesses que nada têm a ver com esportes...

2º Roud: Globosta x Miguel do Rosário


pescado no 247


Com a fragmentação dos meios de comunicação, a poderosa Globo se vê forçada a responder, no site G1, a acusações do site "O Cafezinho", que revelou suposta sonegação fiscal da empresa relacionada à Copa de 2002 no valor de R$ 615 milhões; Globo nega dívida, mas pede apuração do vazamento de dados confidencias; protesto contra a emissora está sendo convocado para a próxima quarta-feira




Os tempos são outros: blog 'O Cafezinho', de Miguel do Rosário, denunciou... e as Organizações Globo responderam. De acordo com reportagem publicada no Cafezinho na quinta-feira, a emissora de José Roberto Marinho disfarçou a compra dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 como investimentos em participação societária no exterior, o que teria resultado na sonegação de R$ 183,14 milhões, em valores não atualizados. Somando juros e multa, o valor que a Globo devia ao contribuinte brasileiro subiria a R$ 615 milhões (leia mais).

No sábado, a Globo Comunicação e Participações confirmou que pagou multa de mais de R$ 270 milhões à Receita Federal em 2006, mas negou que tenha cometido sonegação no caso, que levou à convocação um protesto na porta da sede da emissora, no Rio de Janeiro, para a próxima quarta-feira (saiba mais). Assim como os manifestantes, que reuniram perto de 2 mil confirmações no Facebook, Miguel do Rosário desafia a emissora a mostrar o DARF (recibo) do pagamento. Diante da denúncia, que se espalhou pela internet, as Organizações Globo publicaram nota no início da noite em seu portal, o G1. Leia:

Copas do Mundo: Globo nega dívida com a Receita

As Organizações Globo divulgaram nota oficial nesta segunda-feira (1º) em que desmentem de forma categórica notícias falsas que vêm sendo divulgadas na internet sobre dívida que teriam com a Receita Federal pela compra de direitos para a transmissão de Copas do Mundo. A nota informa que as cobranças relativas à aquisição desses direitos já foram pagas.

A íntegra da nota é a seguinte:

"Ao contrário do que vem sendo divulgado por alguns sites, as Organizações Globo não têm qualquer dívida em aberto com a Receita Federal ou outros entes arrecadadores de tributos. Como ocorre com qualquer grande empresa, há cobranças de tributos sendo discutidas nos Conselhos de Contribuintes (via administrativa) ou na Justiça (sempre seguindo os procedimentos previstos em lei). No entanto, podemos afirmar que nenhuma dessas cobranças refere-se à aquisição de direitos de Copas do Mundo. Como já informado, os valores relativos a tal cobrança já foram pagos.

Quanto à publicação de documentos confidenciais, protegidos por sigilo legal, acreditamos que o assunto será apurado pelos órgãos competentes.

Organizações Globo"

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Ensaio geral para 2014


por Paulo Moreira Leite, em seu blog na IstoÉ



Os índices do DataFolha mostram que o país entrou em novo ambiente político quando faltam 16 meses para a eleição presidencial de 2014.


Para o governo Dilma, acabou a estratégia do piloto automático, de quem poderia, com base em altos índices de aprovação popular, apenas administrar o governo até o momento da votação. Ao cair 27 pontos, Dilma permanece em posição de favoritismo - pelo menos até o primeiro turno - mas já enfrenta concorrentes de verdade.

Uma leitura cuidadosa do levantamento mostra que a presidente teve uma boa iniciativa ao assumir a direção dos debates sobre a reforma política. O mesmo eleitor que jogou sua aprovação para baixo aplaude a ideia de plebiscito, por 68%.

Mas é bom ver o que os números dizem sobre os candidatos.

Marina Silva deu o salto mais respeitável. Joaquim Barbosa demonstrou que tem seu lugar entre uma parcela de eleitores, em especial de renda mais alta. Aécio Neves cresceu mas paga o preço de ser o mais "político" dos concorrentes num ambiente de rejeição a tudo que representa a categoria. Eduardo Campos ficou estatisticamente no mesmo lugar, situação que, se não se modificar rapidamente, coloca em questão o chamado espaço vital de sua candidatura.

Se essa situação for mantida até outubro de 2014, teremos eleição em dois turnos, o que é o pior cenário para Dilma.

Está claro que, após três derrotas consecutivas a partir de 2002, a oposição não escolherá candidato, prioritariamente. Sua prioridade é retirar o PT do Planalto, de qualquer maneira. Para isso, mesmo uma quarta (ou quinta) candidatura, de José Serra, pode ser benvinda.

A queda de Dilma ocorreu após três semanas de protestos imensos, que colocaram reivindicações legítimas. Mas é obvio que a queda foi amplificada de modo gigantesco pelo comportamento da maioria dos meios de comunicação. Eles trataram as mobilizações com inédita simpatia, chegando a minimizar momentos de baderna e violência para não criar grande rejeição entre os espectadores.

Determinados analistas comparam a queda de Dilma com a queda que Fernando Collor enfrentou logo confisco de depósitos bancários, no distante ano de 1990. Mas, apesar do imenso prejuízo causado às famílias, por um plano que provocou comentários irônicos mesmo por parte de Fidel Castro, em seus primeiros momentos o confisco recebeu o apoio resignado da maior parte dos meios de comunicação. Foi elogiado pela ousadia, pela audácia, porque não havia outro jeito, sei mais o que.

Dilma não teve direito a nenhum tipo de refresco. Politizados, ajudando a construir o discurso oposicionista, os meios de comunicação atuaram como parte de uma máquina ocupada em usar gritos e faixas das manifestações de rua para desgastar o governo pela direita e pela esquerda, por cima e por baixo, exibindo uma tolerância despudorada pela desordem que nem todos souberam compreender e aceitar no devido tempo.

Numa operação universal, até veteranos apresentadores de programa de auditório entraram na dança. Jovens humoristas também.

A internet mostrou uma oposição mais ativa e organizada do que o governo. Estava pronta para o combate, com palavras-de-ordem que capturaram um movimento espontâneo, com alvos da vida cotidiana, para a denuncia global contra o governo federal. Colou o ForaDilma aos 0,20 dos ônibus.

Numa atitude colonial, que demonstra até onde determinados adversários podem chegar, chegou-se a empregar até vídeos em inglês, com legendas em português, num recurso que tinha uma finalidade dupla.

Externamente, ajudavam a criar um ambiente de alarme e boicote, num esforço que poderia permitir, num segundo momento, ações concretas de governos estrangeiros contra o governo brasileiro.

Internamente, buscava-se produzir uma ilusão de ótica - a de que o país se encontra internacionalmente isolado, o que é errado e até ridículo após vitórias recentes, como a direção da OMC e a conquista de uma cadeira na Comissão de Direitos Humanos da OEA.

Nem tudo pode resumir-se a um conflito de máquinas de propaganda, porém. Os protestos trouxeram questões reais e reivindicações legítimas, muito além da motivação inicial, que era revogar o aumento da passagem de ônibus.

O dado da pesquisa é que Dilma não perdeu terreno entre os mais pobres mas entre os cidadãos com renda média e mais alta. Conforme o DataFolha, a maioria dos brasileiros aponta a saúde pública como principal problema de sua existência. Isso quer dizer alguma coisa. Estamos falando do ponto essencial do Estado de Bem-Estar, que o Brasil começou a colocar de pé, muito embrionariamente, após a Constituição de 1988 e, em especial, após a posse do governo Lula, quando os gastos sociais assumiram uma proporção inédita no orçamento federal.

Ao produzir uma evolução reconhecida na distribuição de renda, o desenvolvimento dos últimos anos jogou uma massa de milhões de famílias para aquele universo da chamada nova classe média, classe C, o que for. São pessoas com novas preocupações e prioridades. Uma delas é que, com uma renda maior, as vezes só um pouco maior, passam a pagar impostos maiores - e sentem-se, corretamente, no direito de fazer exigências mais elevadas junto aos poderes públicos.

São pessoas que com mais dinheiro no bolso, escaparam da má qualidade do SUS para cair nas arapucas dos planos privados, tão eficientes para cobrar mensalidades como incompetentes para prestar serviços prometidos.

Para fugir da má qualidade do ensino público, pagam mensalidades de escolas privadas - muitas de qualidade duvidosa, igualmente.

Esta é, a meu ver, a questão de fundo que irá dominar o debate nos próximos meses. O apoio ao plebiscito mostra que o governo Dilma tem um espaço para caminhar na ampliação do bem-estar.

Ao fugir, de qualquer maneira, de uma consulta popular, a oposição já deixou claro a imensa distancia que mantém em relação às exigências democráticas colocadas pelas ruas.

A eleição não será resolvida no debate sobre formas de governo ou financiamento de campanha mas em respostas concretas para a maioria da população.

Para o governo, a pergunta é o que fazer para recuperar o eleitor perdido. Para a oposição, agora com nova audiência, a pergunta é que fazer para atrapalhar essa recuperação e consolidar uma situação que pode ser favorável em 2014. A mensagem é esta.

Comprometida, de forma cada vez mais clara, com programas de enxugamento de gastos que conduzem, necessariamente, ao desmanche de serviços públicos, a oposição tem pouco a oferecer neste terreno. Seus candidatos podem variar, mas o eixo de suas preocupações é outro. Trata-se de construir um Estado mínimo, que nem de longe será capaz de atender àquilo que a rua reclama. Não há como fingir: seu programa é a versão, verde-amarela, da austeridade que hoje conduz a Europa a ruína.

Vamos falar com clareza maior. A oposição brasileira tem evoluído para uma visão radicalizada e extremista de seu próprio conservadorismo. Não convive com meias medidas nem reformismos leves, como o PMDB que fez a carta de 1988 ou mesmo o PSDB e sua fatia desenvolvimentista. 

Se é possível fazer inúmeras críticas a condução da política econômica do governo Dilma, não custa lembrar que as principais ideias da oposição eram, invariavelmente, muito piores. Em nome de uma prioridade duvidosa ao combate à inflação, defendiam medidas que fariam o desemprego explodir e o crescimento, já baixo, transformar-se em recessão.

Em vez de ir as ruas protestar por novos direitos, como agora, a população estaria mobilizada para defender o que possui.

Este é o debate que se inicia.