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sábado, 19 de janeiro de 2013

A dialética da libertação no filme "O Golpista do Ano"

reproduzido do blog Cinema Secreto - Cinegnose, texto de Wilson R. Vieira Ferreira

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Todas as interpretações dos críticos sobre “O Golpista do Ano” (I Love You Phillip Morris, 2009) parecem se esquecer de uma frase dita pelo protagonista que é o grande mote do filme: “ser gay é realmente muito caro!”. A ironia social contida nessa frase refletiria uma espécie de “dialética da libertação” recorrente em cada movimento de contestação: dominação-rebelião-dominação. Assim como na História cada contestação a um sistema de dominação traria dentro de si a contra-revolução, da mesma forma o movimento progressista LGBT ironicamente se transformou no modelo ideal de consumidores em uma sociedade de consumo globalizada: consumidores perfeitos porque liquidaram simbolicamente a ordem patriarcal estática e anacrônica para os propósitos de um novo capitalismo caracterizado pela fluidez generalizada de valores, corpos e informação.

“A indignação contra a manipulação é o último scoop patrocinado pela ideologia” (Massimo Canevacci, Antropologia do Cinema)

Steven Russell (Jim Carrey) sempre foi homossexual. Mas todas as características desejadas de uma vida familiar bem sucedida ajudaram a encobrir isso: ex-oficial da polícia, honesto, pai de família exemplar, bem-casado e religioso. Mas um violento acidente de carro sacode sua vida o suficiente para decidir não mais sustentar a farsa e joga tudo para o alto para fugir no mundo e assumir seu verdadeiro Eu, que é ser um homem gay.

Muda-se para Miami onde conhece seu namorado chamado Jimmy (Rodrigo Santoro) e passa a viver um luxuoso “gay life style” desfilando com coloridas roupas de grife e conduzindo dois mini pinchers através de alamedas repletas de bares, restaurantes e lojas. E qual o único problema dessa nova vida? “Ser gay é realmente muito caro!”, conclui Steven.


Para sustentar tudo isso Steven embarca em uma vida de fraudes para conseguir dinheiro fácil. Começa simulando um acidente para ganhar uma indenização para depois partir para fraudes em cartão de crédito e assim por diante até parar na prisão.

Como um grande manipulador, Russell mantém seus privilégios na prisão com refeições à base de camarão e chocolate. Lá se apaixona loucamente por Philip Morris o que fará Russell manter sua trajetória de falcatruas querendo dar ao seu amor caros privilégios. Fora da cadeia falsifica um impressionante currículo para virar diretor financeiro e aplicar altos golpes em investimentos de curto prazo.

Ou seja, por conta do golpismo compulsivo Russell voltará à prisão diversas vezes, o que fortalecerá ainda mais os laços afetivos com Morris.

Várias interpretações foram feitas sobre a narrativa do “Golpista do Ano” que associa a amoralidade com a afirmação homossexual. Primeiro, e o mais óbvio, que o filme teria uma tendência à homofóbica.

Outra, que o filme é um pesadelo aos reacionários ao mostrar um mundo onde os gays teriam mais privilégios do que eles.

Há ainda aqueles que veem no filme um irônico libelo contra o teatro social que impediria todos nós de assumirmos nossos “eus”: Steven e Morris parecem que só foram realmente felizes na cadeia. Fora dela, Steven tem que assumir uma galeria de disfarces e papeis (jogar golfe com chefes e fingir ter uma noiva) que impediria a todos nós de sair do armário.

Mas todas as interpretações, preocupadas que estão somente com as questões de gênero, esquecem de uma simples frase que é o grande mote do filme: “Ser gay é realmente muito caro!”.

A “Dialética da Civilização”


Essa constatação de Steve Russell sintetizaria a grande ironia de “O Golpista do Ano”: o protagonista se liberta da questão do gênero sexual para cair na dominação da sociedade de consumo – ele introjeta a relação fetichista com as mercadorias (seu amor por Morris só pode ser expresso por meio do luxo e ostentação), a amoralidade (golpes onde os fins justificam os meios) e o hedonismo (liberto das preocupações futuras que envolvem filhos e família ele apenas se preocupará com o presente), as principais categorias do consumismo.

Para Herbert Marcuse, todo 
sistema de dominação parece 
já conter a rebelião
Indo mais além, essa frase também resumiria o que poderíamos chamar de “dialética da libertação” presente em todos os movimentos de emancipação das chamadas minorias (LGBT – Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros - feministas etc.) que poderia ser assim esquematizado: dominação-rebelião-dominação. A cada movimento de constestação a um sistema dominação (seja sexual, político, econômico etc.), a cada rebelião segue-se uma contra-revolução e no final uma restauração. A luta dos oprimidos parece sempre resultar logo depois num sistema melhor e mais amplo de dominação.

O pensador Herbert Marcuse em seu livro “Eros e Civilização” talvez tenha sido aquele que melhor explicou essa dialética perversa que ele descrevia como “dialética da civilização”:
“No nível social, às revoluções e rebeliões recorrentes seguiram-se contra-revoluções e restaurações. Das revoltas de escravos no mundo antigo à revolução social do nosso tempo, a luta dos oprimidos terminou no estabelecimento de um novo e melhor sistema de dominação; o progresso teve lugar através do aperfeiçoamento da cadeia de controle. Cada revolução foi o esforço consciente para substituir um grupo dominante por outro, mas cada revolução desencadeou também forças que ‘ultrapassaram a meta’ (...) em todas as revoluções parece ter havido um momento histórico em que a luta contra a dominação poderia ter sido vitoriosa... mas o momento passou. Nesse sentido, todas as revoluções foram revoluções traídas” (MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. R. de Janeiro: Zahar Editores, 1981, p.92).
Se o movimento LGBT postula direitos e a libertação em relação a entidades opressivas bem definidas e concretas como a ordem patriarcal, o preconceito e a intolerância de instituições locais, por outro lado ele é absorvido e celebrado por instituições mais abstratas de controle e dominação: o domínio do antigo pai repressivo foi expandido para o domínio da própria sociedade de consumo. Um poder mais racional porque liberado das antigas crenças religiosas e preconceituosas.

O consumidor ideal


Segundo dados do IBGE o consumo gay é em média 30% superior ao consumo heterossexual. O chamado turismo gay (de hotéis de luxo a cruzeiros) cresce a cada ano em cifras impressionantes: são mais de 4,5 bilhões de dólares por ano.
Donos de bom poder aquisitivo, fiéis às suas marcas preferidas e muito interessados em inovação, gastam até 30% mais em bens de consumo, 43% mais com lazer e 64% a mais com cosméticos dos que os heterossexuais, segundo pesquisa da consultoria InSearch. Potencial que se explica principalmente pela diferença no estilo de vida - como a maior parte deles não tem filhos, sobra mais dinheiro para viagens, roupas,lazer e investimento no desenvolvimento pessoal.” (“Universo Gay e o Mundo dos Negócios”, Época – 13/08/2012).
O sistema econômico atual é caracterizado pela fluidez e a circulação máxima de bens, corpos e identidades. Papel moeda, identidades rígidas e agências de socialização locais (família, escola e igreja) são anacrônicos em um sistema cujos fluxos tornaram-se forma dominante de produção de valor. Dinheiro eletrônico, capital volátil e atomização de indivíduos liberados dos laços familiares, de nacionalidade ou de gênero são hoje formas estruturalmente desejáveis e necessárias para a promoção de uma sociedade de consumo generalizada.

Preconceitos e intolerâncias são regressivos em termos civilizatórios, mas (e essa é a ironia) são igualmente entraves econômicos para o capitalismo de livre fluxo de valores e informação.  Por isso, as revindicações pelos direitos dos LGBT tem um duplo vínculo: simultaneamente é a quebra de um esquema de dominação patriarcal e, por outro lado, a transformação dessas “minorias” em novos tipos de consumidores – mais exatamente, modelos ideais de consumidores para uma economia globalizada, desapegados de qualquer vínculo familiar, patriarcal, nacional ou de gênero sexual.

Por isso Marcuse teria razão ao afirmar que “o sistema social não só racionaliza a dominação, mas também ‘contém’ a rebelião contra a dominação”.

De forma exemplar o filme “O Golpista do Ano” apresenta como o “gay life style” introjeta a racionalização da sociedade de consumo (fetichismo, amoralidade e hedonismo) e o apego às grifes e o luxo como forma de distinção de status.

O reflexo dessa dialética é a reprodução da própria desigualdade e segregação da qual sempre foram vítimas, agora repetida em outro patamar: expressões como “bichinha pão com ovo” para designar homossexuais de baixo poder aquisitivo. Ou, então, a reclamação de que na última Parada Gay em São Paulo havia “muita gente feia”, referindo-se a “gente pobre que saiu da periferia dessa cidade, pegou o metrô fazendo muito barulho e uma vez por ano tem a oportunidade de ter a Paulista só para si” (“Minhas considerações sobre a Parada Gay”, Mix Brasil).

É claro que tudo isso pode ser considerado uma generalização, mas é inegável pelos dados econômicos que o público GLS deixou de ser uma minoria para tornar-se o modelo prototípico de consumidor, um modelo invejado pelos outros e desejado pelo capital: alto poder aquisito e com o acerto de contas resolvido em relação às antigas e anacrônicas agências de socialização.

Ficha Técnica


  • Título: O Golpista do Ano (I Love You Phillip Morris)
  • Diretor: Glen Ficarra e John Requa
  • Roteiro: John Requa e Glen Ficarra
  • Elenco: Jim Carrey, Ewan McGregor, Leslie Mann e Rodrigo Santoro
  • Produção: Europa Corp., Mad Chance
  • Distribuição: Imagem Filmes (Brasil)
  • Ano: 2009
  • País: EUA/França


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Maricultura na nossa Santa (e bela?) Catarina



A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca recebeu representantes de produtores de ostras e mexilhões para avaliar o Termo de embargo, interdição e suspensão de atividade emitido pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) que determina a suspensão da atividade de maricultura, pesca, extração de berbigão, mariscos, ostras, peixes e crustáceos na área da Tapera até a Freguesia do Ribeirão da Ilha em Florianópolis. O encontro aconteceu nesta segunda-feira (14) e também contou com a presença de representantes da Prefeitura Municipal, Ministério da Pesca e Aquicultura, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina ( Cidasc).
O Termo de embargo emitido pela Fatma e divulgado no último sábado (12) proíbe ainda a retirada ou a utilização de qualquer item da fauna e flora marinha e da região do mangue; o consumo e comércio de qualquer elemento ou alimento provenientes da área delimitada. De acordo com análises químicas prévias, o óleo que pode ter vazado para Baía Sul contém substâncias denominadas Bifenilas Policloradas, chamadas também de PCB. A Cidasc está monitorando o local e coletou moluscos para exames em laboratório de referência para verificar a presença de PCB nos moluscos. O diagnóstico definitivo será feito oficialmente via Cidasc e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Na Baía Sul de Florianópolis estão localizadas 105 áreas de produção, das quais apenas 28 estão interditadas. A Secretaria da Agricultura e da Pesca ressalta que os moluscos provenientes de outros locais não apresentam o menor risco de contaminação e podem ser consumidos com segurança.
Nesta quarta-feira (16), às 14h, será realizada reunião extraordinária do Comitê Estadual de Controle Higiênico-Sanitário de Moluscos Bivalves (CECMB), formado por 14 entidades ligas ao setor, para avaliação da situação e encaminhamento de ações.
Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca

domingo, 13 de janeiro de 2013

Jabor por ele próprio - Barbina!... quanta mediocridade




por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

O mundo de Jabor, a julgar pelos seus textos, é sombrio. Nele, o Brasil “está evoluindo em marcha à ré”, para usar uma expressão de uma coluna.
“Só nos resta a humilhante esperança de que a democracia prevaleça”, já escreveu ele.
Bem, vamos aos fatos. Primeiro, e acima de tudo, se não vivêssemos numa democracia plena os artigos de Jabor não seriam publicados e ele não teria vida tão tranquila para fazer  palestras tão bem remuneradas em que expõe às pessoas seu universo gótico, em que brasileiros incríveis como ele devem se preparar para a guerra caso queiram a paz. Esta é outra expressão de um texto dele.
Comprar armas? Estocar comida? Construir um abrigo antibombas? Fazer um curso de guerrilha? Pedir subsídios para a CIA? Talvez um dia Jabor explique o que é se preparar para a guerra.
Quando sua mente viaja para fora é o mesmo apocalipse. Dias atrás, Jabor falou na tevê uma quantidade extraordinária de disparates sobre o caso Chávez. Se entendi, ele atribuiu a Chávez a existência de tanta pobreza na Venezuela. Jabor parecia exaltado, mas não de forma genuína. Era como se interpretasse o papel daquele velho tio do interior que ao chegar para uma visita se põe a falar interminavelmente sobre o iminente risco de bolchevização do Brasil e do mundo, e que você só acalma se colocar discretamente um frontal em seu uísque.
Pobres ouvintes.
Já escrevi muitas vezes que o Brasil sob Lula perdeu uma oportunidade de crescer a taxas chinesas. Já escrevi também que os avanços sociais nestes dez anos de PT, embora relevantes e inegáveis, poderiam e deveriam ter sido maiores. Mas somos hoje um país respeitado globalmente. Passamos muito bem pela crise financeira global que transtornou tantos países e deixou bancos enormes de joelhos.
Temos problemas para resolver? Claro. Corrupção é um deles? Sem dúvida. Mas entendamos: a rigor, onde existe política, a possibilidade de corrupção é enorme. No Brasil. Na China. Na França. Nos Estados Unidos. Na Inglaterra. Na Itália. Em todo lugar. Citei estes países apenas porque, recentemente, grandes escândalos sacudiram seu mundo político. Na admirada França, o ex-presidente Sarkozy é suspeito de ter recebido dinheiro irregularmente da dona da L’Oreal.
O problema na corrupção política é a falta de punição. Não me parece que seja o caso do Brasil. Antes, sim. No ditadura militar, a corrupção era muito menos falada, vigiada e punida.
O maior cuidado hoje é saber se não se está explorando o “mar de lama” da corrupção com finalidades cínicas e inconfessáveis, como aconteceu em 1954 e em 1964. O moralismo exacerbado costuma esconder vícios secretos.
A choradeira melodramática de Jabor não ajuda a causa que ele defende. Jabor representa a direita política. Para persuadir as pessoas de que suas idéias são corretas, são necessários argumentos melhores do que os que ele apresenta.
O primeiro ponto é que muito pouca gente acredita que o Brasil descrito por Jabor é o Brasil de verdade. Basta tirar os olhos de sua coluna e colocá-los na rua. A realidade é diferente.  Há sol onde na prosa jaboriana parece só existir treva. Jabor se dá ares de dissidente cubano quando tem padrão de vida — e de liberdade — escandinavo.
Jabor parece estar preparado não para a guerra, mas para permanecer no papel enfadonho e ranzinza de mártir, de vítima impotente de um país que, se fosse tão ruim assim, ele já teria trocado por outro, como fez Paulo Francis. Esse papel pode ser bom para palestras. Segundo um site que agencia palestras, “o palestrante Arnaldo Jabor mostra-se extremamente habilidoso ao aliar citações eruditas a uma visão crítica da realidade brasileira”.
Mas a choradeira não é boa sequer para a própria causa que ele defende — uma economia à Ronald Reagan em que o mercado não tenha freios ou limitações. Para erguer esse universo, são necessários argumentos inteligentes — e não pragas como as usuais. “Malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se  transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma.”
Tenho a sensação de que os editores de Jabor no Estado e no Globo não conversam com ele sobre o que ele vai escrever. Acho que deveriam. Às vezes um simples “calma, está tudo bem” resolve. Uma conversa prévia seria útil para Jabor,a causa, o leitor e o debate.


sábado, 12 de janeiro de 2013

O desperdício


por Esther Vivas, no Adital (tradução de Roberta Sá)

Vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz mais comida do que em nenhum outro período na história. A produção alimentar se multiplicou por três desde os anos 60, enquanto que a população mundial, desde então, somente se duplicou. Há alimento de sobra. Mas 870 milhões de pessoas no planeta, de acordo com indicações da FAO, passam fome e 1 milhão e 300 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente no mundo, um terço do que se produz. Alimentos para comer ou para jogar fora, esta é a questão.

No Estado espanhol, de acordo com o Banco de Alimentos, são jogados fora, a cada ano, 9 milhões de toneladas de alimentos em boas condições. Na Europa este número aumenta para 89 milhões, de acordo com um estudo da Comissão Europeia: 179 quilos por habitante e por ano. Um número que, inclusive, seria muito superior se o referido relatório incluísse também os resíduos de alimentos de origem agrícola gerados no processo de produção, ou os descartes de pescados jogados ao mar. Realmente, calcula-se que na Europa, ao longo de toda a cadeia agroalimentar, do campo aos lares, até 50% dos alimentos saudáveis e comestíveis se perdem.

Resíduos e desperdício contra a fome e a penúria. No Estado espanhol, uma em cada cinco pessoas vive abaixo da linha inicial da pobreza, 21% da população. E de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, em 2009 se calculava que mais de um milhão de pessoas tinham dificuldades para comer o mínimo necessário. Nos dias de hoje, independente dos números oficiais, a situação, sem dúvida, é muito pior. Na União Europeia, são 79 milhões de pessoas que não superam a linha inicial da pobreza, cerca de 15% da população. E destes, 16 milhões recebem ajuda alimentar. A crise converte a sub-cotação em um drama macabro, onde, enquanto milhões de toneladas de alimento são desperdiçadas anualmente, milhões de pessoas não têm o que comer.

E, como e onde se joga fora tanta comida? No campo, quando o preço caem abaixo dos custos de produção, ou quando o produto não cumpre com os critérios de tamanho e aspecto exigidos, é mais barato ao agricultor jogar fora do que colher os alimentos produzidos. Nos mercados em atacado e nas centrais de compra, onde os alimentos devem passar por uma espécie de "competição de beleza” correspondendo aos critérios estabelecidos, principalmente, pelos supermercados. Na grande distribuição (super e hipermercados), que requerem um número elevado de produtos para ter as prateleiras sempre cheias, embora mais tarde expirem e tenham que ser descartados, onde ocorrem erros na preparação dos pedidos, há problemas de embalagem e deterioração de alimentos frescos. Em outros pontos de venda no varejo, como os mercados e as lojas, em que o que não se pode vender é jogado fora.

Nos restaurantes e bares, onde 60% do desperdício são consequência de uma previsão mal feita, 30% ao preparar as refeições e 10% são sobras dos pratos dos comensais, de acordo com um relatório elaborado pela Federação Espanhola de Hotéis e Restaurantes. Nos lares, quando os produtos se estragam porque compramos a mais do que necessitamos, deixando-nos levar pelas ofertas de ultima hora (tipo 2×1), ou por não saber interpretar a rotulagem confusa, ou pelos pacotes que não são adaptados às nossas necessidades.

O desperdício alimentar tem diversas causas e responsáveis, mas, basicamente, trata-se de um problema estrutural e de fundo: os alimentos se tornaram mercadorias de compra e venda e sua função principal, nos alimentar, ficou em segundo plano. Desta maneira, se o alimento não cumpre determinados critérios estéticos, sua distribuição não é considerada rentável, se deteriora antes do tempo….. é rejeitado. O impacto da globalização alimentar a serviço dos interesses da indústria e dos supermercados, promovendo um modelo de "agricultura quilométrica”, dependente do petróleo, deslocalizada, intensiva, que fomenta a perda da agrobiodiversidade e do campesinato …, tem uma grande responsabilidade. Pouco importa que milhões de pessoas passem a fome. O fundamental é vender. E se você não pode comprar não conta.

Mas, o que acontece se você tentar coletar o alimento excedente? Ou você pode encontrar o recipiente fechado com chave, como acontece em Girona com os depósitos na frente dos supermercados, alegando o alarme social diante do fato de que cada vez mais pessoas coletam alimentos dos lixos. Ou você pode enfrentar uma multa de 750 euros se remexer nos recipientes de Madrid. 

Como se a fome ou a pobreza fossem uma vergonha ou um crime, quando o vergonhoso e delinquente são as toneladas de alimentos que são jogadas fora diariamente, fruto das exigências do agronegócio e dos supermercados, e que contam a aprovação das administrações públicas.

Os supermercados nos dizem que doam os alimentos aos Bancos de Alimentos, em uma tentativa de "lavar a cara”. Entretanto, de acordo com um estudo do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, somente cerca de 20% o fazem. E esta, além disso, não é a solução. Dar comida pode ser uma resposta de emergência, uma atadura ou um torniquete, baseada na ferida, mas é essencial chegar à raiz do problema, às causas do desperdício, e questionar o modelo agroalimentar pensado não para alimentar as pessoas, mas para dar lucro a poucas empresas.

Vivemos em um mundo de paradoxos: gente sem casa e casas sem gente, ricos mais ricos e pobres mais pobres, desperdício versus fome. Dizem-nos que o mundo é assim e que é má sorte. Apresentam-nos a realidade como inevitável. Mas não é verdade. Uma vez que, o sistema e as políticas se digam neutras e não são. Têm uma inclinação ideológica e reacionária: procuram o benefício, ou agora a sobrevivência, de poucos à custa da grande maioria. Assim funciona o capitalismo, também nas coisas de comer.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A imprensa babona brasileira é a única no mundo que tenta derrubar um ex-Presidente


texto do Edu Guimarães (com adaptações daqui), em seu blog Cidadania

Agora a Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo (além da Globo, via Fantástico) deram de tentar convencer o país de que existe uma possibilidade de ocorrer racionamento de energia como o que ocorreu entre meados de 2001 e começo de 2002, essa nova falsificação de tragédia terá o mesmo destino das outras junto a sociedade. Esta, porém, não é o objetivo.
Após o fracasso do “pibinho”, que não influiu em nada na popularidade e na confiança de que o governo federal e a sua titular desfrutam junto à sociedade, a nova aposta é ainda mais frágil, pois, aí, fundamenta-se, exclusivamente, em invenção, enquanto que o crescimento modesto do país em 2012, ainda que não tenha atingido o cidadão, ao menos existiu.
Esses jornais, de alguns dias para cá, saíram com uma história sem pé nem cabeça, sem qualquer base em nada, de que o governo Dilma pode decretar racionamento de energia elétrica no país igual ao que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decretou entre o penúltimo e o último ano de seu governo de oito longos anos.
Contudo, o que deveria ser dito pelo governo sobre isso, já foi dito. A presidente da República já disse, em alto e bom som, o que nem precisaria dizer: que é “ridículo”. Isso porque, durante o governo Lula, foi investido em geração de energia mais de um terço de tudo o que o país investiu em mais de um século.
A principal razão pela qual o Brasil teve um crescimento econômico durante o governo Lula que foi o dobro do que houve no período em que o país foi governado por FHC se deve justamente ao forte investimento no setor de geração de energia elétrica, com a intensa construção e modernização de hidrelétricas e ampliação de linhas de transmissão.
O Sistema Nacional de geração de energia hidrelétrica, pois, é interligado. Por conta disso, a redução dos níveis dos reservatórios de algumas regiões do país é compensada por níveis normais em outras regiões, de maneira que umas podem suprir a outras.
Inclusive, o país está entrando no período de chuvas, as quais deverão prover reservatórios de várias regiões, diminuindo ainda mais um risco de falta de capacidade de geração que, se já era diminuto, tornar-se-á desprezível.
A impossibilidade de ser necessário fazer racionamento é tamanha que o governo até vai reduzir o preço das contas de luz, o que por certo estimulará o consumo. Assim, só quem acredita que o Brasil é governado por uma psicopata pode acreditar que ela estimularia o consumo de energia elétrica sabendo que há risco de essa energia vir a faltar.
É óbvio que as imprensas partidarizadas de São Paulo e do Rio de Janeiro sabem que para um racionamento de energia elétrica produzir prejuízos políticos não basta dizer que tal racionamento ocorrerá. Com efeito, é preciso que ocorra.
Não é à toa que os brasileiros rejeitam com tanto ardor o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seu partido. Só quem viveu no Brasil entre 2001 e 2002 sabe como a sociedade sofreu com forte aumento nas contas de luz e com multas e até corte de energia de quem ultrapassava a cota do racionamento (1).
Foi difícil viver neste país durante o racionamento de energia tucano. As pessoas tinham que tomar menos banhos, lavar menos roupa e, no verão de 2001/2002, tinham que se eximir de usarem ar-condicionado e ventiladores, entre tudo de que tiveram que abrir mão por conta da incompetência do governo do PSDB. Isso sem falar na atividade econômica, que despencou.
Ora, mas se o mero alarmismo sobre racionamento não convencerá a sociedade de que o governo de Dilma e do PT é tão incompetente quanto o de FHC e do PSDB, por que a mídia tucana insiste nessa história de “apagão” e “racionamento”?
Explico: o que a Folha de São Paulo e o Estadão vêm fazendo nem é apenas politicagem, mas verdadeira tentativa de sabotar a economia, de afastar investimentos assustando investidores, que, como se sabe, não se pautam estritamente pelo bom senso, sendo dados a crer em fantasmas ao colocarem um centavo em qualquer coisa.
Você que não tem relações com grupos políticos, que trabalha para viver, que não é pago pelo PSDB ou por essa “imprensa” para fazer politicagem na internet, saiba que o objetivo dessa gente é fazer a economia do país ir mal para que os tucanos retomem o poder. Assim, você pode não gostar do PT, mas é capaz de sabotar a própria vida para ajudar o PSDB?

NOTAS BOTOCUDAS
(1) O que anconteceu em 2001/2002 foi que a população acolheu as pedidas do governo para poupar energia para evitar o blackout  total, depois as geradoras e distribuidoras, alegando diminuição de faturamento por conta justamente da queda do consumo advindo da economia da população, reivindicaram (e foram atendidos) aumentos nas tarifas. O otário do consumidor economizou e depois teve que pagar mais para manter o nível de faturamento das companhias energéticas. Coisa de tucano mesmo!... Argghhh!...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Hijo de gobernador de San Pablo detenido en Punta del Este por riña en un boliche


Estou no Uruguai (postando de Colonia del Sacramento) e eis o que me aparece no noticiário local... Um doce para qualquer um que ver uma pequena alusão a esse caso de arruaça juvenil na valorosa mídia babona tupinambá...

Aos curiosos pode-se ver on line nos links abaixo:

http://www.unoticias.com.uy/2013/01/04/policiales/hijo_de_gobernador_de_san_pablo_detenido_en_punta_del_este_por_rina_en_un_boliche/

http://www.unoticias.com.uy/articulos/articulos_masinfo.php?id=24240&secc=articulos#Versiones



notícia mais recente do portal U Noticias, dando conta da confirmação, pela polícia uruguaia, da detenção do filho do governador:
Versiones encontradas sobre identidad del joven detenido por disturbios
Mientras que la gobernación de San Pablo afirma que ningún hijo de Geraldo Alckmin estaba en Uruguay, la policía confirma que se trataba de él y que fue liberado luego de pagar los daños efectuados.