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sábado, 13 de abril de 2013

Porque hoje é sábado!... programão: ver senadores mentirosos desmascarados melancólicamente

Programão para um fim de semana chuvoso, a lavada (a fala demolidora começa no minuto 06:40, até então são as acusações do senador yakee arrogante). Muitos no Brasil não sabemquem é Galloway. Por esse motivo, aqui vai um exemplar da sua atuação, neste caso dando uma sova nos senadores dos Estados Unidos. 

George Galloway, um dos mais atuantes parlamentares da Grã-Bretanha, sempre foi alvo da mídia reacionária mundial, que vê nele, um representante das minorias oprimidas, dos povos de terceiro mundo, do ativismo político, e justamente por isso, considera-o como um dos principais opositores criticando-o ferozmente.
Mas quando se há espaço midiático, Galloway impressiona por sua contundência, altruísmo e inteligência, acabando com qualquer argumento mesquinho corporativista.

Nesse vídeo ele aparece como convidado no Senado estadunidense sobre uma CPI de proprinas ao Iraque, rebatendo de forma elegante, mas ácida, as acusações de seu principal rival nos EUA, dando-lhe uma grande lavada, que ficará gravada para sempre na infame história imperialista desse país. Na parte 3 Galloway destroça a politica mentirosa dos EUA, que dá até pena!... Bate nos coitados de chinelo!...

Documentário do blog docverdade

PARTE 1



PARTE 2



PARTE 3



PARTE 4



PARTE 5

Essa globosta é ridícula!... (n)




texticulo do 247

A GLOBO E SEU MODO "SUTIL" DE PEDIR A ALTA DOS JUROS

Em vez de pendurar uma melancia no pescoço, a apresentadora Ana Maria Braga colocou um colar de tomates e disse estar usando uma "joia"; capa desta quinta-feira do jornal O Globo reforça o pedido por juros maiores; no entanto, sinais da economia são contraditórios, o que dificulta a ação do Banco Central e de seu presidente, Alexandre Tombini; vendas no varejo caíram 0,4%

Maguie and the Walking Dead

por Cristovão Feil, a propósito da morte, ocorrida esta semana, da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, republica o comentário que fez ao filme 'A Dama de Ferro', publicado originalmente em seu blog Diario Gauche , em 23 de abril de 2012.






"Dama de Ferro" é uma alegoria sobre o declínio do neoliberalismo


Ontem à noite, quando saí do cinema onde assistira ao filme da diretora britânica Phyllida Lloyd, me ocorreram três coisas. Senti uma vontade danada de beber uísque. Pura sugestão, é que madame Thatcher bebe o tempo inteiro do filme. Lembrei de Getúlio Vargas e da jornalista Gilda Marinho, uma figura meio folclórica no cenário high society porto-alegrense dos anos 70 e 80.

Me explico: Gilda Marinho foi atacada uma vez por um inimigo oculto e dado a brincadeiras pesadas e maliciosas. Tal pessoa mandou publicar nos classificados em jornal edição dominical um anúncio onde se vendiam dezenas ou centenas de garrafas de uísque vazias. "Tratar com Gilda Marinho, no telefone tal" - dizia o anúncio.

Confesso que desconhecia essa propensão à sede da Baronesa Thatcher. Quantas garrafas vazias ela estaria em condições de vender, hoje? Sendo assim, vejo que a guerra das Malvinas foi um verdadeiro duelo de pinguços. Ninguém desconhecia na Argentina e arredores que o general Leopoldo Galtieri, presidente-ditador na época da guerra pelas ilhas do Atlântico Sul, era outro que abrigava uma pedra de sal na garganta e buscava a cura através da ingestão de hectolitros de álcool.

E falando sobre Getúlio Vargas já podemos comentar o filme sobre a dama de ferro. A imortal frase de Vargas, na hora da morte, "saio da vida para entrar na história", não serve para a senhora Thatcher. Ela ainda vive, mas a história já a abandonou, antes mesmo de convidá-la a adentrar o seu templo de glórias e ilusões.

A qualidade do filme de Phyllida Lloyd está justamente no fato de não entrar muito no mérito político da ex-primeira ministra da Grã-Bretanha. Ao mostrá-la no fim da vida, já enferma pelo Alzheimer, açoitada por fantasmas os mais diversos, mas em especial, Denis, o marido pimentinha, Phyllida faz um julgamento branco do legado político da Baronesa.

David Cameron, o atual primeiro-ministro britânico, igualmente conservador como ela, não gostou do filme, e perguntou "por que logo agora aparece um filme sobre Thatcher?".

Ora, a resposta parece óbvia. Tudo aquilo que foi sólido e sagrado, tudo o que foi construído/destruído por Thatcher agora se desmancha no ar e é profanado. Margaret não saiu da vida e nem entrou para a história.

Margaret é um zumbi condenado a escutar vozes e a ter que ligar todos os eletrodomésticos da sua vetusta residência para ter um segundo de sossego e paz de espírito. Como já não pode mais fazer uma faxina nacional no País, o faz no seu quarto atulhado de lembranças e espectros zombeteiros.

A abertura do filme é brilhante. Margaret apanha meio litro de leite numa mercearia de esquina e não é reconhecida por ninguém. Ao contrário, é ignorada com ênfase de má educação, um sujeito se atravessa no balcão e não respeita a fila do caixa, um negro jovem e muito alto roça o seu traseiro e não presta a atenção à sua idade e sobretudo à sua antiga condição de primeira mandatária do País.

Ela sente que voltou a ser a moça do cotidiano (esse "nocivo espaço da atualidade", como dizia Lukács), quando auxiliava o seu pai na quitanda da família, interior da velha Inglaterra. Chega em casa e tem uma pilha de livros para autografar, até que volta a assinar Margaret Roberts, seu nome de solteira. O inconsciente é malcriado, mesmo não consultado emite seus pareceres sobre nós mesmos, e sobretudo contra nós mesmos.

O carrossel da história volta ao seu ponto de partida. Tudo o que fez de sagrado, está sendo profanado. Ela já não se reconhece no mundo por ela forjado.

'A Dama de Ferro' é um filme sobre o ocaso do neoliberalismo, mesmo sem citá-lo uma única vez e ainda que modelado na linguagem da subjetividade de uma senhora muito idosa governada por sua memória, nem sempre amigável.

Margaret Thatcher foi a face do neoliberalismo, agora está no declínio da existência, cumpre um roteiro meramente biológico, porque a história já a rechaçou e a economia não mais a reconhece.

Margaret sente que já não é mais deste mundo e o fantasma de Denis Thatcher (o marido, que morreu em 2003) insiste em apontar-lhe o excesso de ambição pessoal e o excesso de uísque. Neste ponto, a diretora e a roteirista (Abi Morgan) usam um recurso narrativo de sutil mas aguda crueldade: os fantasmas são uma forma de autocrítica para quem - arrogante - é incapaz de fazer autocrítica.

O fenômeno Thatcher resultou da profunda crise de acumulação do capital experimentada pela Grã-Bretanha nos anos 1970. O sindicalismo foi muito organizado e logrou obter êxito na disputa por melhores salários, condições de trabalho e demais conquistas sociais do chamado welfare state.

Enquanto houve excedente para ser dividido com o capital, os trabalhadores ingleses souberam negociar de forma a se apropriar de parte do bolo produtivo. Quando sobreveio a crise escasseou a redistribuição, surgiram os conflitos, as greves (que não ocorriam desde 1926), a estagflação (inflação de 26%) e rápido aumento das taxas de desemprego (cerca de 1 milhão de pessoas, em 1975).

Passou a haver crise de legitimidade, aumento das dificuldades fiscais, crise na balança de pagamento e monumentais deficits orçamentários. Trabalhistas e conservadores (partido de Thatcher) se revezavam no poder entre 1974 e 1979, com aprofundamento crescente da crise e recrudescimento das greves (transportes, limpeza urbana, setor saúde e inclusive coveiros fizeram paralisações prolongadas).

É neste contexto de profunda crise do capital pondo fim a uma prolongada política de aliança de classes entre os trabalhadores e a grande burguesia decadente que emerge ascensional a estrela de Maggie Thatcher.

O filme mostra a dificuldade sentida por ela para se impor junto aoestablishment do partido conservador, não só por ser mulher, mas sobretudo por ser filha de um pastor metodista e pequeno comerciante do Norte do País. Uma outsider adventícia no seio do baronato que foi e é íntimo da Coroa inglesa.

Pois, para não decepcionar la crema y nata da velha nobreza inglesa, a filha do quitandeiro (como a chamavam à socapa nos corredores do partido) fez de tudo para se impor como a mais realista do Reino Unido.

Assumiu o poder em maio de 1979, já mostrando a que veio. Fez provocações diretas aos então fortíssimos sindicatos de trabalhadores e esgarçou o frágil tecido das relações capital/trabalho ao máximo. Conseguiu com isso, estimular muitas greves prolongadas e que paralisaram o país, por muitos meses. A greve dos mineiros durou quase um ano de confrontos entre o Estado e os sindicatos. Tudo o que ela desejava, politicamente.

O desmantelamento do Estado de bem-estar social atacou as áreas da saúde, assistência social, educação pública, Universidades, a burocracia estatal e o poder judiciário. O salário mínimo foi extinto e os impostos passaram a ser regressivos (poll tax, onde os ricos pagam menos e os trabalhadores pagam mais impostos), como forma de estimular os investimentos privados, já que o Estado estava se exonerando da economia.

Thatcher comprava briga em várias frentes ao mesmo tempo e procurava se legitimar através de um programa habitacional de venda direta das propriedades do Estado aos seus antigos locatários.

O discurso para conseguir o consentimento legitimador calcava nas consignas do ultraliberalismo de Friedrich Hayek: direito de propriedade individual (o plano habitacional garantia isso), cultura do empreendedorismo e do individualismo, regras de controle, responsabilidade financeira e produtividade nas instituições públicas, estímulo aos valores conservadores da classe média (Thatcher é o próprio triunfo da classe média), incentivo ao consumo intensivo à custa do endividamento em massa dos assalariados (como forma de criar um compromisso inescapável com o sistema).

A partir deste ponto, o centro da vida é o mercado. A mercadificação de tudo significa direitos de propriedade sobre processos, coisas e relações sociais (Harvey), supondo que tudo sob o céu é passível de ser atribuído um preço - em dinheiro - e portanto negociável nos termos de um contrato legal.

É o surgimento do chamado homem unidimensional, de que falava Marcuse ainda em 1964. O mercado (e as mercadorias) é um guia próprio para todas as ações humanas, ou seja, o mercado é uma ética.

A meu ver o mais grave dos legados da era Thatcher (1979-1990) é a tentativa de abolição da esfera política.

A queda de braço com o movimento sindical visava a eliminação física dos trabalhadores, como atores sociais reconhecidos. Ela decidiu importar carvão mineral para não negociar a agenda dos mineiros ingleses.

Preferiu comprometer mais e mais as finanças já combalidas do Estado a recuar um milímetro no seu intento de esmagar a capacidade política e orgânica dos sindicatos.

A anulação e a subsunção da esfera política às desigualdades do mercado é a suprema maldade do ultraliberalismo thatcherista. É o seu legado mais forte e permanente. Se a política diz respeito à coexistência e associação de homens diferentes, como nos ensina Hannah Arendt, já se vê que a sua derrocada representa um retrocesso civilizatório.

Aniquilar o fazer político é o mesmo que erradicar a pluralidade humana, estreitar a capacidade que adquirimos culturalmente de buscar objetivos que contemplem o diferente e o desigual, numa síntese dinâmica, provisória e em vias de permanente aperfeiçoamento. Matar a política é o mesmo que condenar o homem a renunciar a sua liberdade, é mantê-lo escravo das suas próprias contingências, batendo cabeça num eterno cotidiano opressivo e redutor.

O neoliberalismo é uma fórmula perversa de apagar a política em favor da ditadura dos mercados.

Os governos que sucederam a primeira-ministra Thatcher conseguiram abolir algumas medidas antissociais da ex-quitandeira, como: o salário mínimo (Tony Blair, trabalhista) e o imposto regressivo (John Major, conservador), mas a desqualificação da esfera política está sendo de difícil reversão, até porque isso se alastrou pelo mundo todo, com a crescente importância da economia sobre a política.

Nem a duplicação da taxa de pobreza na Grã-Bretanha, durante os 11 anos de Maggie no poder, pode ter repercussões tão deletérias como o ataque à política.

Talvez por esse motivo o filme de Phyllida Lloyd tenha igualmente um olhar tão distante da política propriamente dita, embora não seja um filme apolítico. Não o é. Mas, não falar não significa não ser.

'A Dama de Ferro' é um filme fortemente político, exageradamente politizado. Uma alegoria se notabiliza precisamente por não falar diretamente sobre a sua identidade. Uma alegoria é sempre um disfarce, uma representação do objeto ao qual se refere.

A diretora Phyllida e a roteirista Abi quiseram falar do neoliberalismo, justamente no momento do seu lento e inexorável crepúsculo, e o fizeram falando e narrando sobre Thatcher - hoje Baronesa Thatcher de Kesteven (viram, ela também virou la crema y nata da sociedadebritish!) - no ocaso de sua vida biológica. Simples e direto como pôr um ovo em pé.

Não é à toa que a direita britânica, a começar pelo primeiro-ministro Cameron, não gostou do filme.

Claro, foram cínicos, alegaram que a ex-primeira-ministra foi retratada na sua demência senil, que isso é cruel, etc. Mas jamais admitiram que falar de Thatcher é falar da senilidade do próprio sistemão que ela criou.

Por esse singelo motivo eu reputo o filme 'A Dama de Ferro' de genial. E, depois, mulheres fazendo cinema, sempre resulta em algo inteligente e instigante.

Ah!, Meryl Streep está soberba como a Baronesa demente. Na saída do cinema ouvi alguém perguntar: "E a Meryl Streep, onde aparece no filme?" É o melhor elogio que uma atriz pode receber, melhor que o Oscar 2012.


Eleições na Venezuela - já querem melar tudo!...



pescado no blog da MariaFro - com base em artigo de Leonardo Severo no ComunicaSul (link que não consegui localizar) 

O Comando Regional (Core) 4 da Guarda Nacional da Venezuela, localizado na região ocidental do Estado de Lara, capturou, nesta quinta-feira (11), paramilitares  colombianos com armas e explosivos, às vésperas das eleições presidenciais que ocorrerão no próximo domingo (14).
Além dos terroristas colombianos, foram presos mercenários salvadorenhos, ambos com estreitos e reconhecidos vínculos com a política de desestabilização promovida pela CIA contra a revolução bolivariana. Também foram detidas cerca de 30 pessoas acusadas de sabotar as redes de transmissão de energia.
“Temos capturado vários militares colombianos com uniformes de Venezuela que vieram para assassinar. Estamos desmontando um plano de violência da direita”, denunciou o presidente em exercício e candidato bolivariano, Nicolás Maduro. Conforme o presidente, após uma investigação exaustiva, foram vasculhadas várias casas e encontrados explosivos C4 e armas.
Parte dos armamentos foi encontrado após inspeção no galpão da empresa Cargas da Venezuela, responsável por trazer ao país mercadoria procedente dos Estados Unidos. Somente neste galpão foram apreendidos 48 carregadores para pistolas Glock com capacidade para 32 cartuchos calibre 9 milímetros, um carregador tipo circular, chamado Caracol, calibre 9 mm com capacidade para 100 cartuchos, assim como um carregador circular, calibre 5-56 mm, para fuzis.
MATERIAL DE GUERRA
“Este material de guerra e carregadores de Glock são utilizados por bandos que se dedicam ao terrorismo. Há evidências de uma relação direta com pessoas desestabilizadoras treinadas em El Salvador”, declarou o chefe da Gore 4, Octavio Chacon.
O ministro do Interior, Néstor Reverol, informou que o governo também “detectou” o ingresso de dois grupos de mercenários “vindos de El Salvador” e que a Venezuela fechará o cerco aos criminosos.
Após denúncia do governo venezuelano, o presidente de El Salvador, Maurício Funes, acionou uma ampla “investigação policial”, já que os mercenários salvadorenhos foram financiados pela CIA para tentar matar no ano 2000 o presidente cubano Fidel Castro, assim como tiveram envolvimento em atentados com bombas em hotéis da Ilha Caribenha. As ações afetaram seriamente a economia cubana ao comprometer essa importante fonte de renda do país. Vale lembrar que o terrorista salvadorenho Francisco Abarca – procurado pela Interpol após ter colocado uma bomba na discoteca de um hotel de Havana – foi preso em julho de 2010 na Venezuela.
Para o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, que está acompanhando o processo eleitoral venezuelano, a tentativa frustrada de apelar à violência demonstra até onde chega o ódio da reação aos avanços da revolução bolivariana. “Isso é revelador de como, na América Latina, a banda podre da direita não mede consequências e usa todos os métodos possíveis para manter seus privilégios de classe. Basta lembrar o que fizeram em Honduras e, mais recentemente, no Paraguai, onde produziram um conflito que não houve, mas assassinatos planejados”, denunciou Stédile.
MÍDIA PRIVADA ESCONDE
O fato ganhou conotação de denúncia nos jornais públicos venezuelanos, “Correio del Orinoco” e “Ciudad Caracas”, enquanto os grandes conglomerados de comunicação da direita tentaram dar uma conotação de crime comum, abrindo destaque para críticas às “provocações” da Coreia do Norte.
Como já alertava o presidente Hugo Chávez em relação à política belicista do império estadunidense, é importante continuar reforçando a capacidade de reação dos nossos países e povos. “O império não respeita os débeis. Os povos decididos a ser livres precisam estar bem armados”, sublinhou Chávez, frisando que os norte-coreanos precisam ter capacidade de reação, até para persuadirem os que já fizeram uso do seu poder atômico contra civis e para não virarem um novo Iraque ou uma nova Líbia.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Agrobiz e o uso da água




por Carlos E. M. Tucci, em seu blog


O sistema agroalimentar brasileiro tem se desenvolvido nas últimas décadas como um dos mais produtivos do mundo e possui potencial de suprir o aumento da demanda nacional e internacional. A capacidade de expansão do setor depende principalmente de fatores relacionados com o clima, solo, meio ambiente e os recursos hídricos.


O Brasil possui significativa disponibilidade hídrica, mas com diferenças regionais em função da variabilidade climática natural e antrópica. Na gestão dos recursos hídricos os instrumentos fundamentais para a sustentabilidade social, econômica e ambiental é a distribuição da água com base na demanda (outorga) e a conservação da qualidade. Esta gestão é realizada pela competição pelos recursos no tempo e no espaço pelos diferentes usuários que envolvem vários setores de desenvolvimento econômico do país.

Em 1997 foi aprovada a legislação de Recursos Hídricos no Brasil (Brasil, 1997) que tem pautado a gestão da água quanto a sustentabilidade da quantidade, qualidade, impactos no meio ambiente e vulnerabilidade a eventos extremos. Em nível nacional e internacional o maior consumidor de água é a agropecuária, portanto o sistema agroalimentar somente é viável com disponibilidade hídrica adequada e sem conflitos que limitem o seu desenvolvimento no espaço e no tempo. A política de recursos hídricos atua na sociedade de forma transversal sobre diferentes setores onde estão os usuários dos recursos hídricos. Considerando que em cada região existem limites à disponibilidade hídrica, o atendimento das demandas de diferentes setores e os potenciais impactos da qualidade da água e meio ambiente são as principais questões relacionadas com o desenvolvimento econômico deste setor. A Política Nacional de Recursos Hídricos estabeleceu critérios gerais para a gestão deste recurso de forma a atender racionalmente os interesses da sociedade dentro de uma visão sustentável.

[...]

Consumo de água: Os principais usos da água são: abastecimento de água humano urbano e rural, abastecimento animal (dessedentação), abastecimento industrial, irrigação, Hidrelétricas, navegação, recreação e meio ambiente(1) . 

Os cinco primeiros usos são consuntivos(2) e, portanto podem gerar conflitos no processo de outorga por reduzirem a quantidade de água no rio. O uso da água na produção agropecuária envolve os usos: consumo humano na área rural, dessedentação e irrigação. As indústrias relacionadas com a agropecuária são quantificadas dentro dos usos industriais. Um dos potenciais conflitos entre os usos são entre abastecimento humano e irrigação, já que o uso rural é distribuído na bacia e pode reduzir a disponibilidade para abastecimento urbano. Outro potencial conflito ocorre entre o de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e irrigação, já que os primeiros têm pouca regularização e usam bacias pequenas e, portanto dependentes da vazão natural. A irrigação nestas bacias pode reduzir a geração. Usinas hidrelétricas de maior porte podem reduzir sua geração quando o somatório de uso na irrigação represente uma redução da vazão significativa.


Impactos: O impacto dos usos devido ao consumo humano (esgoto sanitário) e industrial (efluentes industriais) são cargas pontuais que entram em alguma seção do rio e devem ser gerenciados pelo enquadramento dos rios, segundo a resolução do CONAMA sobre o assunto.


O potencial impacto da agricultura devido à irrigação e mesmo o plantio de sequeiro decorre pelo uso de produtos existentes nos fertilizantes e pesticidas. Estes impactos são também pouco conhecidos devido à falta de monitoramento que avalie a qualidade da água pluvial das áreas agrícolas. Mesmo quando existe monitoramento as amostragens não são realizadas quando esta carga efetivamente ocorre, no início das chuvas.

Juntamente com a água resultante do escoamento pluvial das cidades, o escoamento pluvial das áreas agrícolas são as cargas difusas que podem comprometer a água dos mananciais dos rios. Este tipo de poluição não tem instrumento legal claro para a sua gestão.

A agropecuária está diretamente relacionada com o uso do solo na medida em que modifica a cobertura e o solo, alterando o ciclo hidrológico e produzindo efeito sobre a disponibilidade hídrica, produção de sedimentos e qualidade da água. Este processo também tem sido pouco avaliado na realidade nacional, apesar do efeito benéfico ocorrido com a implantação do Plantio Direto desde a década 90.

O desmatamento localizado tende a aumentar o escoamento médio e máximo com aumento de sedimentos e perda de solo fértil e reduzir a capacidade do escoamento dos rios com potencial efeito sobre as inundações. Em pequenas bacias de cabeceira o efeito do desmatamento é de redução da vazão mínima, mas aumento da vazão média. Tucci (2007) demonstrou este efeito na bacia incremental de Itaipu com dados da relação precipitação x vazão do período anterior e posterior a 1970, depois do maior desmatamento desta bacia.


A agroindústria tem produzido impacto sobre a qualidade da água regional devido à carga da produção de animais, como aves e suínos, que ainda não possuem uma sustentabilidade econômica adequada, gerando grandes passivos ambientais em excessiva carga de poluente em bacias específicas como em Santa Catarina e no Centro-Oeste. Como a produção foi terceirizada para pequenos proprietários o ônus também foi terceirizado e não foram embutidos os subsídios ambientais na produção deste tipo de indústria.

NOTAS DO AUTOR

(1) Meio ambiente tem sido considerado como um dos usuários da água
(2) Usos consuntivos são usos que reduzem a vazão do curso d´água por redução do seu volume na bacia hidrográfica. Esta redução geralmente ocorre por evaporação ou na evaporação. Na realidade praticamente todos os usos podem reduzir volume se utilizam reservatórios no qual o balanço chuva menos evaporação é negativo.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre a Estrada de Ferro Santa Catarina

Esse ai é um "brimo" do Onkel aqui... programa levado ao ar em 23/03/2013 na TV FURB




segunda-feira, 8 de abril de 2013

O legado miserável de Margareth Thatcher (e de Ronald Reagan)

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo 
(post publicado uma semana antes do passamento da dita cuja)



No livro “Doutrina do Choque”, a escritora Naomi Klein mostra que os dois armaram uma bomba relógio.
Naomi Klein
Uma aula brilhante de mundo moderno. É uma maneira sintética de definir o livro A Doutrina do Choque, da escritora, jornalista e ativista canadense Naomi Klein, 44 anos.
Vou colocar, no pé deste artigo, um documentário baseado na obra, com legenda em português. Recomendo que seja visto, e compartilhado.
Naomi, como é aceito já consensualmente, identifica em Reagan e Thatcher, cada um num lado do Atlântico, um movimento que levaria a uma extraordinária concentração de renda no mundo.
Ambos representaram administrações de ricos, por ricos e para ricos. Os impostos para as grandes corporações e para os milionários foram sendo reduzidos de forma lenta, segura e gradual.
Desregulamentações irresponsáveis feitas por Reagan e Thatcher, e copiadas amplamente, permitiram a altos executivos manobras predatórias e absurdamente arriscadas com as quais eles, no curto prazo, levantaram bônus multimilionários.
O drama se viu no médio prazo. A crise financeira internacional de 2007, até hoje ardendo mundo afora, derivou exatamente da ganância irresponsável e afinal destruidora que as desregulamentações estimularam nas grandes empresas e nos altos executivos.
No epicentro da crise estavam financiamentos imobiliários sem qualquer critério decente nos Estados Unidos, expediente com o qual banqueiros levantaram bônus multimilionários antes de levar seus bancos à bancarrota com as previsíveis inadimplências. (Ruiria, com os bancos, também a ilusão de que o reaganismo e o thatcherismo fossem eficientes.)
Tudo isso, essencialmente, é aceito.
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Thatcher e Reagan

O engenho de Naomi Klein está em recuar alguns anos mais para estudar a origem da calamidade econômica que tomaria o mundo a partir de 2007.
O marco zero, diz ela, não foi nem Thatcher e nem Reagan. Foi o general Augusto Pinochet, que em 1973 deu, com o apoio decisivo dos Estados Unidos, um golpe militar e derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende no Chile.
Foi lá, no Chile de Pinochet, que pela primeira vez apareceria a expressão “doutrina de choque”. O autor não era um chileno, mas o economista americano Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago.
Frieman dominou a economia chilena sob Pinochet

Um programa criado pelo governo americano dera, na década de 1960, muitas bolsas de estudo para estudantes chilenos estudarem em Chicago, sob Friedman, um arquiconservador cujas ideias beneficiam o que hoje se conhece como 1% e desfavorecem os demais 99%.
Dado o golpe, os estudantes chilenos de Friedman, os “Chicago Boys”, tomaram o comando da economia sob Pinochet e promoveram a “Doutrina do Choque” – reformas altamente nocivas aos trabalhadores, impostas pela violência extrema da ditadura militar.
Da “Doutrina do Choque” emergiria, no Chile, uma sociedade abjetamente iníqua que anteciparia, como nota Naomi Klein, o que se vê hoje no mundo contemporâneo.
O Brasil, de forma mais amena, antecipara o Chile: o golpe militar, também apoiado pelos Estados Unidos (e pelas grandes empresas de jornalismo, aliás), veio nove anos antes, em 1964. Tivemos nossos Chicago Boys, mas em menor quantidade, como Carlos Langoni, que foi presidente do Banco Central.
Com sua sinistra “Doutrina do Choque”, Friedman, morto em 2006, é o arquiteto do mundo iníquo tão questionado e tão merecidamente combatido em nossos dias.
Um dos méritos de Naomi Klein é deixar isso claro – além de lembrar a todos que situações de grande desigualdade são insustentáveis a longo prazo, como a guilhotina provou na França dos anos 1790.