* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Weltverbesserung ist möglich
IMPRESSÃO DOS ÍNDIOS
Esse alemão é loko!...
PS.: Na verdade é austriaco, Robert Misik é autor de um bestseller, "Genial Dagegen", e escreve para o periódico austríaco Der Standard ( http://derstandard.at/ ) e para o alemão TAZ (Tageszeitung - http://www.taz.de ), além de ter um dos mais conhecidos blogs da Áustria, o misik.at
E os "cara continua" tentando!...
por Miguel do Rosário, no seu O Cafezinho
Uma das características mais interessantes do golpismo midiático é o endeusamento de bandidos (1). Desde que estes se prestem a servir a “causa”, ganham ilimitado espaço nos grandes meios de comunicação. Quem irá esquecer os oito minutos que o Jornal Nacional, às vésperas de uma eleição presidencial, deu àquele bandidinho de segunda, que havia acabado de sair da cadeia, Rubnei Quicoli, onde ele acusava a Casa Civil de lhe ajudar a obter um empréstimo de 8 bilhões junto ao BNDES?
Não há santos em política. Não é preciso muita imaginação para supor a quantidade estonteante de chantagens, pressões indevidas, tráficos de influência, subornos, caixa 2, ameaças, que acontecem nos bastidores de Brasília. Se há poder envolvido, tem-se necessariamente um jogo pesado.
Nem PT nem Lula escapam dessa lógica. Eles não têm o poder mágico de remover a podridão humana, nem a alheia, nem a própria.
Dito isto, qualquer acusação contra Lula merece ser analisada com triplo cuidado, porque faz parte do jogo político, desde priscas eras, acusar o adversário das piores felonias.
Hoje [ontem] o Estadão volta com uma acusação que ele mesmo havia feito há alguns meses, mas acrescentando detalhes que implicariam a pessoa do Lula.
A matéria informa que Valério diz que o esquema pagou despesas pessoais de Lula, e que o presidente deu ok aos empréstimos que o publicitário fez em nome do PT. A acusação, porém, tem as seguintes falhas:
- Como sempre faltam provas. E, segundo o próprio Valério, não há provas de que o dinheiro se destinou a pagar despesas pessoais de Lula, visto que não foi depositado na conta do ex-presidente.
- Lula já era presidente, a maior parte de suas contas poderia ser paga, regularmente, por seu gabinete. Não tem sentido esperar dinheiro de Marcos Valério. Se Valério falasse que depositou milhões para Lula em conta no exterior, haveria sentido, que era o enriquecimento ilícito. Mas pagar contas?
- Quanto ao aval sobre o empréstimo, aí é que não faz sentido mesmo. Em primeiro lugar, foi um empréstimo, que o PT inclusive já quitou. O STF criminalizou um empréstimo legal. Tentou-se, desde o início, pintar o PT como um partido inadimplente e falido, o que é um contra-senso o PT havia acabado de sair vitorioso de uma eleição onde vencera em estados, além da vitória maior, a presidência. Qualquer banco privado emprestaria ao PT por este motivo.
- Marcos Valério, obviamente, está desesperado com a possibilidade de ficar em cana por décadas. Isso é motivo para, no mínimo, se desconfiar de suas intenções. Além do mais, todo bandido brasileiro da área política já entendeu que basta dar umas cacetadas no PT e, sobretudo, em Lula, para receber a solidariedade inconteste e definitiva da grande mídia.
- Quanto às “ameaças de morte” que teria recebido de Paulo Okamoto, pode-se tratar de uma estratégia astuta para se pintar como vítima.
Felizmente, o golpe em Lula, o milionésimo, chegou tarde. O ex-presidente teve tempo de fazer o que tinha de fazer: melhorar a vida do brasileiro, sobretudo o mais pobre. Para milhões de brasileiros, liberdade de expressão não é apenas poder falar o que quiser, mas também obter as proteínas e a dignidade necessárias para fazê-lo de cabeça erguida.
NOTAS BOTOCUDAS:
(1) Cachoeira foi solto novamente
pelo tal Tourinho. E deu uma declaração, imediatamente reproduzida pelo PIG:
"Eu sou o garganta profunda do PT". O golpe está avançando a passos
cada vez mais rápidos... Se segurem!...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
O mineirinho que perdeu a fleuma
NOTA PRELIMINAR - autor desconhecido. O texto que segue é um SPAM da velha escola, pois recebi por email, e é coisa que não costumo repercutir há anos, mas esse achei engraçadinho e como concordo com uns 57,6%, mesmo achando meio forçação de barra, vou postá-lo aqui:
Minas Gerais carregou o Brasil e a Europa nas costas durante 150 anos, nos ciclos do ouro e diamante!Ficaram para os mineiros os buracos e a degradação ambiental! Depois veio o ciclo do minério de ferro, até hoje principal item da pauta de exportações brasileiras, que rendeu ao Rio de Janeiro uma das maiores indústrias siderúrgicas do Brasil, a CSN, e a sede da VALE.
Curioso é que o Rio de Janeiro não produz um único grama de minério de ferro, mas recebeu a siderúrgica rendendo impostos e gerando empregos e a sede da mineradora recebendo royalties de exploração de minério. Mais uma vez Minas Gerais carregando o Brasil nas costas e, de vinte anos para cá, ajudada pelo Pará em razão das reservas de minério de ferro descobertas nesse Estado.
Outra vez ficam para os mineiros e paraenses os buracos e a devastação ambiental. Isso sem falar da água; quem estudou geografia sabe que Minas Gerais é a "caixa d'água do Brasil", aqui nascem praticamente todos os rios responsáveis pela geração de energia hidráulica e, embora a usina de FURNAS seja em MG, a sede é no Rio.
Me causa grande estranheza essa posição de alguns cariocas/fluminenses, pois toda riqueza do subsolo, inclusive marítimo, pertence à UNIÃO.
Ao contrário do ouro, do diamante e do minério de ferro que estão sob o território mineiro, as jazidas do pré-sal estão a 400 quilômetros do litoral do Rio do Janeiro e nenhum estado brasileiro, inclusive o RJ, tem recursos aplicados na pesquisa, exploração e refino de petróleo, pois todo dinheiro é da UNIÃO que é a principal acionista da PETROBRAS. Acho piada de mau gosto quando esses políticos fluminenses falam em "Estados produtores de petróleo" sabendo dessas características da exploração do petróleo e dos eternos benefícios que o RJ recebe, tais como jogos panamericanos, olimpíadas etc.
Acho um absurdo ver crianças de outras regiões mais pobres do Brasil estudando em salas de aula sem luz, sentadas duas ou três numa mesma cadeira, quando há cadeira, enquanto que a prefeitura de Macaé/RJ gasta, torra, esbanja, joga fora dinheiro pintando de cores berrantes passeios públicos! Proponho que todos brasileiros dos outros Estados façam o protesto SANCIONA, DILMA e mandem e-mails para seus deputados e senadores para acompanhar de perto essa questão do pré-sal.
É como disse certa vez um compositor, cujo nome me esqueci, "o Rio de Janeiro é um Estado de frente para o mar e de costas para o Brasil". Sérgio Cabral, vá te catar! SANCIONA, DILMA.
Brasileiro, Mineiro acima de tudo.
Sustentabilidade é o que se faz e não o que se diz. "Sou do mundo, sou Minas Gerais"
domingo, 9 de dezembro de 2012
Protocolo de Kyoto - um cadaver insepulto
por Alejandre Nadal, no La Jornada
Não é fácil, às vezes, desfazer-se de um cadáver. Especialmente quando há muitos interessados em manter as aparências de que o defunto segue vivo. Isso está ocorrendo com o Protocolo de Kioto, o tratado internacional que fixou metas quantitativas obrigatórias para reduzir as emissões de gases causadores de efeito estufa. Esse tratado foi liquidado em 2009 durante a COP 15, a décima-quinta Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC). Ainda que nas conferências de Cancún e Durban (COP 16 e COP 17, respectivamente) tenha se tentado manter a aparência de boa saúde a verdade é que o protocolo de Kioto não renasceu.
Este ano foi a vez da COP 18 em Doha e voltou-se ao mesmo expediente: exibir como corpo vivo um tratado do qual já retiraram o coração. Todos no interior do centro de convenções podem lhe dizer que, apesar de as metas de caráter vinculante do tratado expirarem no último dia deste ano, as outras disposições do Protocolo de Kioto permanecem vigentes. No sentido estrito isso é correto. Mas as metas obrigatórias eram a essência do tratado. Embora, tecnicamente, possa se dizer que o tratado segue vivo, também é certo que o Protocolo de Kioto foi eviscerado. Talvez estejamos na presença de um tratado zumbi.
A tragédia começa no final da conferência COP 15, em Copenhague. Um pequeno grupo de chefes de Estado e diplomatas, ao lado do processo formal de negociações, reuniu-se em uma sala e chegou ao que se chamou de Acordo de Copenhague. Quando o documento foi apresentado pelo governo dinamarquês em uma reunião plenária, onde havia representantes de 150 países, os delegados foram informados que teriam uma hora para lê-lo antes da votação. Estourou o caos, obviamente.
O Protocolo de Kyoto tem muitos defeitos, mas ao menos foi resultado de um processo de negociações multilaterais que desembocou em metas vinculantes sobre redução de emissão de gases e consagrou o princípio de responsabilidade compartilhada e diferenciada sobre a mudança climática. O Acordo de Copenhague perdeu as primeiras duas características e só manteve um débil vínculo com a terceira.
Esse acordo reconheceu a necessidade de manter o aumento da temperatura abaixo de dois graus centígrados. Os países em via de desenvolvimento, pela primeira vez, foram chamados a adotar uma estratégia para reduzir emissões e se estabeleceu um fundo de financiamento (com recursos insuficientes). Mas o mais importante é que agora os países ricos fixariam voluntariamente novas metas para reduzir emissões a partir de 2020. Estas metas deveriam ser mais estritas que as do Protocolo de Kioto e deveriam se adotadas no mais tardar em 31 de janeiro de 2010. Obviamente, a palavra-chave em tudo isso
é “voluntariamente”: cada país poderia fixar suas próprias metas e escolher o ano base.
A plenária de Copenhague decidiu “tomar nota” do documento, mas não o aceitou como decisão da assembleia. No entanto, o documento foi a arma para destruir o Protocolo de Kioto. Em seu lugar, ficaram as metas voluntárias e o esforço para negociar um novo acordo com metas vinculantes foi desmanchado. Na COP 16 de Cancún, o governo mexicano jogou seu conhecido papel de recolhedor de lixo, boicotou os protestos dos representantes da Bolívia e da Venezuela, ao mesmo tempo em que ajudou a reorientar as “negociações” para temas supostamente mais específicos.
Ao final, as metas voluntárias que os países ricos fixaram para 2020 não são suficientes para cumprir o objetivo de limitar o aquecimento global em dois graus centígrados. Para evitar perturbações perigosas no clima (para usar a linguagem da UNFCCC), a reunião de Doha deveria estar considerando opções como deixar as 2/3 partes das reservas mundiais de combustíveis fósseis no subsolo, tal como defendem cientistas como James Hansen.
Em lugar de negociar ao redor de metas sérias, como reclama a comunidade científica, a COP 18 se preocupou em temas como REDD (Redução de Emissões por Desmatamento) e os novos esquemas de agricultura “inteligente” que só servirão para promover o mercado mundial de certificados de emissões de carbono, um esquema que não funciona e destrói a agricultura sustentável. O importante é que, na ausência de metas vinculantes de redução de emissões, todos esses temas “específicos” são simples instrumentos para promover o mercado mundial de bônus de carbono, um novo espaço de especulação financeira.
Em Doha, não foram tomadas decisões sobre metas efetivas para reduzir emissões de gases causadores de efeito estufa. Em troca, a reunião procurou consolidar a nova era de instrumentos baseados no mercado de carbono. Em muito pouco tempo será demasiado tarde. Se, nos últimos 200 anos, o aumento de temperatura foi de 0,8 graus centígrados, podemos imaginar o que acontecerá com aumentos de 2 e até 3 graus. A COP 18 de Doha é uma etapa a mais neste tortuoso caminho.
Tradução: Katarina Peixoto, na Carta Maior
The Economist - a critica do esfarrapado
por Miguel do Rosário, no seu O Cafezinho
Esta semana, a The Economist pediu a cabeça do nosso ministro da Economia, e fez críticas fortes à presidenta Dilma Rousseff. O engraçado nessa história é que, nos últimos anos, a mesma revista andou fazendo rasgados elogios ao governo brasileiro e jamais víamos nada na midia. Quando ela resolve criticar, de uma forma grosseira, torna-se uma das principais matérias do Jornal Nacional…
Em 2009, por exemplo, a revista inglesa fez um caderno especial sobre o país, abordando os acertos políticos e econômicos que estavam permitindo à decolagem do país rumo a um novo espaço no mundo. De lá pra cá, EUA e Europa assistiram suas economias enfrentarem aumento no desemprego, maior endividamento público e queda no poder aquisitivo de sua população. No Brasil, vimos o contrário. E é o nosso ministro que eles querem derrubar?
*
Sei que não é aconselhável a gente se consolar de nossa miséria olhando miséria maior, mas acho que nesse caso, vale a pena dar um desconto para o erro de Mantega. O Banco Central alemão também se equivocou em relação ao crescimento do PIB da principal potência europeia em 2013:
(Notinha publicada na coluna da Miriam Leitão, deste domingo 09/12/12)
Os EUA também devem se deparar com um 2013 difícil.
(Gráfico publicado na página 49 do Globo de domingo 09/12/12)
Ou seja, o crescimento do nosso PIB está tímido, mas é de certa maneira proporcional às dificuldades enfrentadas pelas economias centrais. A Alemanha, a economia que tem o melhor desempenho da União Europeia, e um dos países mais ricos do mundo, deve crescer apenas 0,7% em 2012. Nós vamos crescer algo em torno de 2%.
Tio Rei - a menina fantasma do elevador
por Renato Rovai, em seu blog
O colunista porta-voz da revista Veja, Reinaldo Azevedo, não é nem o que parece e nem o que deseja ser. No dia da morte de Oscar Niemeyer, ele reproduziu um daqueles seus textos sofríveis repleto de citações e deu o seguinte título: “Oscar Niemeyer, metade gênio e metade idiota”. De forma justa, muita gente se indignou. Afinal, o que se espera de um ser humano no dia da morte de outro é no mínimo o silêncio respeitoso. Mas Azevedo não é humano. É uma caricatura. Não é um passageiro comum. É a menina fantasma do elevador.
Azevedo está na revista Veja para isso. Foi escalado para tentar assustar os outros com seus gritos de “buuuuu”. E mesmo que você passe longe do site da publicação que lhe paga os préstimos, ele entra escondido pela suatimeline a partir da indignação alheia e, de repente, faz aquela cara de espantalho.
O texto que produziu sobre Niemeyer deve ser lido neste contexto. Ele sustenta sua prole a partir deste papel ridículo que desempenha. Nada mais do que isso. Não é questão de opinião. É simplesmente um jeito de ganhar a vida.
Mas se por um lado ele é o escolhido para fazer este papel bizarro para Veja, por outro não significa nenhuma ameaça. Como a menina fantasma do elevador, Azevedo pode até assustar um ou outro incauto ou alguém que esteja sugestionado. E pode divertir o público que acha seu estilo, borbulhante de preconceitos, engraçado. Nada mais.
Tanto que Azevedo tentou se colocar como grande articulador da oposição e sempre foi ignorado. Tanto que tentou liderar manifestações que não levaram nem uma centena às ruas. Tanto que liderou pelo seu blogue chapas de movimento estudantil que foram solenemente ignoradas e derrotadas.
Há algum tempo Azevedo ainda era chamado para dar uma palestra aqui e outra ali. Como virou a menina fantasma do elevador da blogosfera, nem isso. Ultimamente o colunista da Veja não é levado a sério nem pela juventude tucana.
O texto que fez sobre Niemeyer não pode ser entendido para além dessa caixinha. A caixinha do bizarro. Azevedo é bizarro, porque é este o seu papel. Foi assim que conseguiu sair da produção e ir para a frente do palco. Vai continuar ainda por algum tempo fazendo suas estrepolias. Cada vez para menos gente, porque mais óbvio. Mas não se pode pedir que faça diferente. Isso o levaria ao ostracismo.
E nesse caso, sua vaidade prefere a fama.
A menina fantasma do elevador pode parecer algo mais ingênuo, mas ele também não é esse bicho-papão que parece e nem que deseja ser. Azevedo é só uma caricatura.
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