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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Os nossos Botocudos/Xoklèng - a desventura continua em pleno 2014




por Eliane Tavares, em seu blog

A história do povo Xokleng em Santa Catarina vem do princípios dos tempos, mas o processo de destruição da cultura e da vida desse povo antigo começou em 1771, quando os tropeiros paulistas fincaram as primeiras povoações na região de Lages, expulsando os indígenas. Mais tarde, a chegada dos imigrantes daria novo impulso ao extermínio. Os conflitos com os brancos eram inevitáveis, uma vez que estavam tomando suas terras. Chamados de "bugres", eles passaram a ser caçados como bichos e vendidos como escravos. Terminado o tempo da escravidão, mas já com sua população bastante diminuída, os Xokleng começaram a ser, então, "civilizados". A lógica governamental era a de integrar os indígenas, mas o caminho que escolheram para isso foi o do confinamento em reservas. O processo conhecido como "pacificação" só foi bom para os brancos.

Desde aí, o povo Xokleng vem resistindo como pode. Como conta o professor José Cuzung Ndilli, na tal da “pacificação” muitos morreram - por doença ou violência - sobrando míseras 120 almas que, a duras penas, geraram filhos e ainda mantêm as tradições originárias. Mas, a batalha por uma terra própria, capaz de garantir a sobrevivência das famílias é muito semelhante a da maioria dos povos indígenas do Brasil. Tem de ser travada todos os dias e contra todos os interesses. Passados séculos da invasão que lhes tirou o território, eles ainda precisam se levantar em rebelião cada vez que precisam defender um direito básico.

Nos anos 70, os Xokleng mais uma vez foram retirados de seus espaços de vida por conta da construção de uma grande barragem, a Barragem Norte, em José Boiteaux. Essa obra acabou alagando grande parte do território e, mais uma vez os indígenas foram deixados à própria sorte. Muitas das promessas feita à época da construção da barragem não foram cumpridas, o que obrigou os Xokleng a ocupar o canteiro de obras em 1991. Foi a primeira vez que o estado de Santa Catarina percebeu que esse povo de história larga ainda resistia e brigava por seus direitos. Como todos sabem, quando os índios estão quietos nas suas aldeias, fala-se deles no 19 de abril, mas, se decidem lutar por direitos, voltam, outra vez, a ser vistos como "selvagens", incapazes de compreender o progresso.

Ora, os Xokleng compreendem muito bem o que é o progresso. O têm sentido na pele desde o século 18. Mas, o fato é que desse pretenso "desenvolvimento" eles não fazem parte. Seguem aldeados, em condições precárias, tendo de mendigar o que deveria ser um direito garantido. Desde o alimento até as condições dignas de moradia, saúde, educação. Para os brancos que vivem suas vidas nas terras ocupadas, isso passa desapercebido. E é por isso que os Xokleng, volta e meia, empunham suas armas e marcham na direção da conquista do que lhes garante a vida.

Por uma coincidência irônica, nesse ano de 2014, completam-se 100 anos do início da saga da "pacificação" realizada por Eduardo Hoerhan, na época (1914) à frente do Serviço de Proteção ao Índio em Santa Catarina. Naqueles dias ele prometia uma vida de paz aos Xokleng. Uma vida que não veio.

Nessa semana, as chuvas torrenciais que caíram em Santa Catarina alagaram o território Laklãnõ, coisa que todo mundo sabia que iria acontecer com a construção do lago da barragem, que foi imposta nos anos 70. Uma enchente a mais, poderia alguém dizer. "Pequena e rápida", como afirmou o governador Raimundo Colombo. Mas, para quem vive esse drama desde anos, sem que nada seja feito, a história é outra. Os Xokleng não recebem obras de infraestrutura ou de contenção. Os Xokleng não dormem em camas quentes de palácios governamentais. Eles estão entregues à própria sorte. É por isso que lutam.

Com as terras alagadas e isoladas, eles partiram na noite de quarta-feira para a Barragem Norte e trancaram a passagem. Se aquela obra foi o símbolo de mais um onda de destruição da sua gente, eles já sabem que é lá que as batalhas precisam ser travadas. Única forma de os governantes olhares e enxergarem as demandas indígenas. Então, quando eles se mexem, mexem-se também as forças de repressão. Em primeiro lugar, proteger os "bens". Depois, as gentes. E se essas gentes forem índios, bem, aí pode esperar mais um pouco.

Assim, os Xokleng enfrentaram mais uma batalha. Só na quinta-feira (12/06) o governo resolveu agendar uma reunião. Cíntia Núbia Moraes, cacique interina, insiste que já é hora de se cumprir o protocolo de intenções assinado em 1992, quando os Xokleng precisaram ocupar a barragem para serem escutados. O não cumprimento total do acordo até os dias de hoje mostra o quanto esse país se importa com a vida indígena. Ela lembra que no dia 28 de outubro do ano passado foi protocolado um documento no Ministério da Integração pedindo respostas, e o governo havia prometido uma em 20 dias. Já se passou quase um ano e nada. "A gente vê que sem o movimento, sem esse barulho que é feito, a gente não consegue as coisas. A gente vive como cozinhando um alimento duro: só na pressão. Nós temos nossos direitos e exigimos que nos respeitem", diz Cíntia.

E ela tem razão. Bastou os Xokleng marcharem para a Barragem Norte e as autoridades já se movimentaram. Ítalo Goral, da Secretaria de Desenvolvimento Regional, que recebeu os indígenas na quinta-feira disse que reconhece a justeza das reivindicações. Ele reconhece que as casas foram alagadas por conta do nível da barragem, que ficou muito alto com as chuvas. Jonas Pudwel, prefeito de José Boiteaux também esteve na reunião e prometeu auxiliar com as estradas, embora reconheça que a prefeitura não tem sequer os equipamentos adequados para agir em casos como esses. "Quando a barragem baixa, o prejuízo fica aqui. Os governos estadual e federal têm de cumprir suas promessas. Além disso, a obra da barragem foi mal feita. E agora, quem vai pagar por isso? Quem vai garantir que a obra seja refeita para que isso não mais aconteça?", apontou.

Hoje (13/06) nova bateria de reuniões será realizada, com promessas e que tais. Muitas casas na aldeia ainda estão submersas. Há famílias ilhadas. As estradas seguem sendo um terror. As medidas paliativas serão tomadas. Como sempre. Mas, há coisas a tratar para além do emergencial. A Barragem Norte mostrou suas falhas, tal qual foi denunciado durante sua construção, denúncia que ficou no vazio porque era feita por índios ou "eco-chatos". Quem vai arcar com isso? Serão necessárias novas chuvas e novas tragédias? Será preciso que alguém morra? E o protocolo firmado em 1992 será ou não respeitado? Até quando o governo federal vai adiar o seu compromisso com os Xokleng?

Na pequena José Boiteaux, onde estão as aldeias, a vida seguirá. Os indígenas, na sabedoria milenar do silêncio, se recolherão para lamber as feridas. Mas, não se enganem. Enquanto viva, essa gente guerreira vai lutar por seus direitos.

terça-feira, 17 de junho de 2014

A gasolina tupinambá é cara ou barata?...



por Fernando Brito, no Tijolaço

O pessoal do Política no Face me mandou um link interessante do UOL sobre uma pesquisa feita por uma consultoria inglesa, a UHY, que comparou preço dos combustíveis e mostrou que o Brasil tem um dos menores preços do mundo para o diesel, a gasolina e o gás natural.

Embora a matéria seja do competente jornalista Joel Leite, que não entra  em cumplicidade com a indústria automobilística, estranhei, de tanto que ouço comentários sobre o preço “absurdo” cobrado no Brasil, que fui atrás do estudo original.

E, de fato, está lá a comparação, feita justamente por uma empresa de contabilidade, mostrando que a posição do Brasil, entre os 20 países pesquisados, está sempre entre as mais baratas. A pesquisa, que usou como base de comparação um tanque de de um furgão Ford Transit (80 litros de gasolina ou diesel) coloca o Brasil, entre os 20, como o 14° preço na gasolina, o 16° no diesel e como o 17° no gás natural. Clique na imgem para ampliar a tabela e ler os valores.



Claro e óbvio que, em relação à renda, os preços no Brasil se tornam mais caros, e ninguém pode dizer que combustíveis não pesam significativamente na formação do preço de outros produtos e no custo de vida.

Mas é impressionante a reação “coxinha” que a matéria provocou, com o jornalista sendo acusado de petista e os ingleses de estarem a serviço de Dilma. O  curioso é que os protestos contra o peso dos impostos nos combustíveis são, em geral, voltados contra o Governo Federal, embora a carga tributária sobre os combustíveis seja, essencialmente, dos governos estaduais.

No caso da gasolina, os tributos federais são 7% do preço enquanto o tributo estadual é quatro vezes maior, em média. No etanol, hoje, é zero. E, no gás natural automotivo, 9,2%.




E essa carga tributária não é mais alta porque o governo federal foi, ao longo do tempo, reduzindo a carga tributária federal criada pela CIDE, como você vê na tabela ai em baixo:



Se a gasolina está cara ou barata e se a carga de impostos é justa ou injusta é uma discussão que deve levar em conta muitos fatores, desde os preços internacionais do petróleo até as políticas públicas de incentivo ou desestímulo ao consumo de combustíveis. Mas nenhuma discussão pode ser lúcida se parte de uma exploração simplista de interesses políticos e de mistificação em torno dos fatores de formação de preços.

E a discussão sobre preço da gasolina no Brasil está, há muito tempo, “batizada” por uma mistura de interesses políticos inconfessáveis, inclusive os dos que, de fato, retiram mais dinheiro do comércio de gasolina e etanol.

Raro encontrar gente que, como o Joel Leite, que faça jornalismo nessa matéria, com informação em lugar de discurso.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

A desigualdade está na moda

Desde 2012 a desigualdade de renda lidera as pesquisas dos cinco riscos globais mais prováveis. Em 2014 já é considerado o quarto maior perigo global. Fontes: Fórum Econômico Mundial.

por Diana Carboni, no IHU

As muito contemporâneas novelas medievais do galês Ken Follett nos transportam a um tempo em que os ricos tinham tudo e os pobres não tinham nem a si mesmos. Essas histórias ambientadas nos séculos 12, 13 e 14 reconfortam de certo modo o leitor contemporâneo, rodeado de comodidades, liberdades e garantias. A marca daquela época era a pobreza. Com diz o próprio Follett, “o príncipe mais rico vivia pior do que, digamos, um recluso em uma prisão moderna”.

Pobreza e desigualdade não são a mesma coisa, mas reforçam uma à outra. Na pobre Idade Média a desigualdade era terrível: entre a plebe despossuída e os príncipes, senhores e membros poderosos do clero havia um vazio social e econômico que levou séculos preencher.

A sociedade do século 21 vive sob o signo da opulência. Mas o problema é que os ricos estão ficando cada vez mais ricos, em todo o mundo, e os exércitos de pobres saem do fosso com muita lentidão e ficam muito perto da borda e com um pé no vazio.

Na Índia, onde vive 1,2 bilhão de pessoas, os bilionários se multiplicaram por dez na última década. Em 2001, possuíam 1,8% da riqueza nacional e em 2008 já tinham em suas mãos 26%, indica a organização internacional para o desenvolvimento Oxfam. Por outro lado, a superação da pobreza extrema nesse país é muito lenta: em 1981 havia 429 milhões de indigentes e em 2010 eram 400 milhões, segundo o Banco Mundial.

A desigualdade aumenta em todo o mundo, alertam instituições representativas tanto do pensamento liberal e desregulador quanto o Fundo Monetário Internacional e o Fórum Econômico Mundial (FEM). Segundo o banco Credit Suisse, 10% da população mundial possui 86% de todas as riquezas, enquanto os 70% mais pobres (mais de três bilhões de pessoas) contam com apenas 3%.

Nas pesquisas com as elites mundiais sobre riscos globais que o FEM realiza ressalta-se a iniquidade de renda como um dos principais perigos emergentes.

Estaremos voltando à Idade Média?

Isso parece impossível. As classes médias, ou os “não pobres”, continuam aumentando, sobretudo nos grandes países do mundo em desenvolvimento.

A extrema pobreza diminuiu drasticamente desde a década de 1980 em todo o mundo. Em 1981, mais da metade da população dos países em desenvolvimento era indigente. Em 2010, essa proporção caiu para 21%, segundo o BancoMundial. Mas as brechas de riqueza e renda aumentam, também em lugares onde as classes médias estão bem assentadas, como Europa e Estados Unidos.

Vários analistas vinculam essas maciças saídas da pobreza e a percepção pública crescente da desigualdade com a erupção de descontentamentos sociais mais ou menos difusos em países tão distintos como Turquia, Brasil ou Chile.

A desigualdade reaparece com força no século 21 como um fenômeno com novas facetas que acompanha o capitalismo globalizado. Nesse cenário, aAmérica Latina se apresenta como uma anomalia: continua sendo a região mais desigual do mundo, mas é a única que começou a reduzir a brecha nos últimos anos.

Em torno da desigualdade se reuniram nos dias 22 e 23 de maior em Santiago 23 jornalistas de Chile, Argentina, Bolívia, Brasil e Uruguai, convidados pela agência internacional de notícias IPS, com apoio do Ministério das Relações Exteriores da Noruega.

O seminário Outras Caras da Desigualdade: Iniquidade, Corrupção e Economia Informal na América Latina teve o propósito de estimular os jornalistas a informar sobre os núcleos duros do problema, como debilidade tributária, evasão e peso do trabalho informal ou precário.

Especialistas das Nações Unidas e do mundo acadêmico, ativistas pela transparência, pesquisadores e dirigentes sociais e estudantis expuseram dados, números e opiniões como disparadores do debate. Nessa fonte de informação apareceram assuntos opacos que poderiam explicar o descontentamento socialna economia mais sólida e de sucesso da América Latina: Chile.

Por exemplo, a evasão do imposto de renda é de 46% no segmento mais rico da população. E as ilhas Caiman e Virgens Britânicas, dois tradicionais paraísos fiscais, estão entre os principais países de origem do investimento estrangeiro direto no Chile.




Distribuição de renda na América Latina: os 20% mais ricos da população retêm 47% da renda da região; os 20% mais pobres da população recebem 5%; a renda anual dos 113 latino-americanos mais ricos pagaria o orçamento de El Salvador, Guatemala e Nicarágua; poderia tirar da pobreza 25 milhões de pessoas.
Fontes: Cepal e Oxfam.


A pobreza latino-americana diminuiu 27,9% em 2013. Em 1990 havia chegado a 48,5%. E a indigência está em um mínimo histórico de 11,5%, pontuou Martín Hopenhayn, diretor da Divisão de Desenvolvimento Social da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Mas há sinais de paralisação nesses setores. E não se progride na estrutura produtiva nem nos êxitos educacionais que “constituem uma causa estrutural da desigualdade”, afirmou.

Além disso, a região arrecadou pouco e mal, com renda tributária direta que constitui apenas 4,4% do produto interno bruto regional, contra 8% dos indiretos, que castigam de maneira desproporcional os pobres. Esse é um detalhe fundamental, segundo Hopenhayn, porque a capacidade fiscal pode corrigir “as dinâmicas que causam a desigualdade do mercado”.

Mas, com todas suas limitações, a experiência da América Latina parece ser inspiradora. “Nos dá a esperança de que a tendência mundial da desigualdade é reversível”, afirma a Oxfam. É a região do mundo onde a renda fiscal cresceu em maior velocidade nos últimos anos, e esse crescimento se traduziu em gasto social para abater a injustiça.

Entre 2000 e 2011, a desigualdade caiu em 14 de 17 países estudados, e cerca de 50 milhões de pessoas subiram para a classe média. Por isso, pela primeira vez na história, há mais população nos setores médios do que na pobreza, segundo o Banco Mundial, embora muitos ainda tenham um pé no vazio.

Depois de tanto tempo ganhando campeonatos de injustiça, a América Latina pode ser a região do mundo onde a igualdade marque uma tendência. Outras mudanças indicarão se é apenas uma moda passageira.




1950: Um diretor-executivo dos Estados Unidos ganhava 20 vezes mais do que o trabalhador médio. 1980: Um diretor-executivo dos Estados Unidos ganhava 42 vezes mais do que o trabalhador médio. 2013: Cada diretor-executivo das 350 maiores empresas dos Estados Unidos ganha 331 vezes mais do que o trabalhador médio. Fontes: AFL-CIO’s 2014 Executive PayWatch e Sarah Anderson, Institute for Policy.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

De como a tucanada pretendia (pretende?...) se entregar, de calças arriadas, para os irmãos do Norte






por Fernando Branquinho, em seu blog




Em 2000 o Brasil estava falido. Nas mãos do FMI. Aproveitando a oportunidade de barganha em troca de tostões, o governo norte-americano propôs ao governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso um acordo de uso da base de lançamentos espaciais de Alcântara, no Maranhão. Sua localização é uma das melhores do mundo, por ficar na linha do Equador, bem melhor que Cabo Canaveral, na Flórida, por não oferecer risco de furacões e ter clima praticamente estável o ano todo.

O acordo foi assinado pelo governo brasileiro em 2001 e levado à ratificação pelo Congresso, sendo rejeitado por 23 dos 25 integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. De lá para cá não se falou mais nisso, afinal, Lula e Dilma não concordam com a entrega do território nacional que o acordo previa. Simplesmente perderíamos o acesso ao local, e os Estados Unidos teriam o poder de veto sobre o nosso programa espacial.

Em 2003 houve um misterioso acidente no Centro de Lançamentos de Alcântara onde o acionamento prematuro dos foguetes do Veículo Lançador de Satélites provocou a morte de 21 cientistas da Agência Espacial Brasileira, atrasando o programa espacial em mais de uma década. Está previsto para julho o lançamento do VLS-1, retomando o projeto. Enquanto isso o Brasil, em associação com a Ucrânia, China e Rússia, tem mandado ao espaço equipamentos para colocação em órbita.

O site Carta Capital publicou nesta semana a matéria "A diplomacia da sabujice contra-ataca", onde cita uma entrevista de ex-embaixador com possibilidade de participar de eventual governo Aécio Neves em um jornal de grande circulação criticando a recusa do Congresso Nacional em ratificar o acordo firmado entre o governo FHC e os EUA para a cessão de parte da soberania brasileira sobre o território de Alcântara, no Maranhão, para a instalação de uma base de lançamentos de foguetes. A matéria destaca os seguintes pontos lesivos do acordo:

  • O acordo leonino previa a possibilidade de veto político (sem necessidade de justificativa) dos EUA a lançamentos, brasileiros ou não, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, empreendimento brasileiro em território brasileiro, hoje uma base da Força Aérea Brasileira (art.III, A);
  • proibia nosso país de cooperar (entenda-se como tal aceitar ingresso de equipamentos, tecnologias, mão-de-obra ou recursos financeiros) com países não membros do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis – Missile Techonology Control Regime-MTCR (art. III, B);
  • proibia o Brasil de incorporar ao seu patrimônio ‘quaisquer equipamento ou tecnologia que tenham sido importados para apoiar Atividades de Lançamento’ (art. III, C); 
  • proibia o Brasil de utilizar recursos decorrentes dos lançamentos no desenvolvimento de seus próprios lançadores (artigo III, E); 
  • obrigava o Brasil a assinar novos acordos de salvaguardas com outros países, de modo a obstaculizar a cooperação tecnológica (art.III, F);
  •  proibia os participantes norte-americanos de prestarem qualquer assistência aos representantes brasileiros no concernente ao projeto, desenvolvimento, produção, operação, manutenção, modificação, aprimoramento, modernização ou reparo de Veículos de Lançamento, Espaçonaves e/ou Equipamentos Afins (art. V, 1); 
  • concedia a pessoas indicadas pelo governo dos EUA a exclusividade do controle, vinte e quatro horas por dia, do acesso a Veículos de Lançamento, Espaçonaves, Equipamentos Afins, dados Técnicos e ainda o acesso às áreas restritas referidas no artigo IV, parágrafo 3, bem como do transporte de equipamentos/componentes, construção/instalação, conexão/desconexão, teste e verificação, preparação para lançamento, lançamento de Veículos de Lançamento/Espaçonaves, e do retorno dos equipamentos e dos dados Técnicos (art.VI, 2);
  •  negava aos brasileiros e fazia concessão exclusiva aos servidores dos EUA do livre acesso, a qualquer tempo, ao Centro de Lançamento para inspecionar Veículos etc. (art.VI, 3); 
  • exigia do governo brasileiro a garantia de que todos os representantes brasileiros portariam, de forma visível, crachás de identificação enquanto estiverem cumprindo atribuições relacionadas com Atividades de Lançamento; referidos crachás, porém, seriam emitidos unicamente pelo governo dos EUA, ou por Licenciados Norte-Americanos (art. VI, 5)."...

Os interesses que cercam a eleição de Aécio Neves vão muito além do Pré-Sal ou da implosão dos BRICS, do Mercosul e do alinhamento automático com a política externa norte-americana. Também abre a perspectiva de criação de "guantânamos" no nosso território. Para conhecer o acordo feito de calças arriadas na íntegra, veja no sitio  Defesanet

Vira latismo ao quadrado da velha imprensa babona

por Luis Nassif, em seu blog



Na Internet, o jornalão envia repórteres para identificar falhas em todos os estádios. A manchete principal foi mais ou menos assim: “Estádio de Fortaleza tem vigas à mostra”. Foi a única coisa que teve para dizer. A construção do estádio, a arquitetura, a valorização do entorno, tudo foi varrido para baixo do tapete do negativismo.

Na página de cobertura da Copa desse mesmo portal, as últimas notícias são assim: “Governo reconhece que metade dos estádios na Copa terá internet lenta”, “CNN faz alerta para prostituição infantil em Fortaleza”, “Governo paga viagem e gringos sofrem tentativa de assalto no Rio”.

Os “Brasinhas” – tira que se popularizou nas redes sociais – não resistiu ao prato saboroso. (veja a ótima charge na tira reproduzida ai em cima)

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Ontem, quando o ex-atleta e comentarista esportivo da ESPN norte-americana, Alexis Lalas, desembarcou no Galeão, foi cercado por repórteres ávidos por más notícias. Para decepção geral, ele se declarou encantado com a estrutura encontrada.

Em sua página no Twitter elogiou a rapidez e a sinalização do aeroporto e declarou que em nenhum aeroporto dos EUA o desembaraço da bagagem foi tão rápido. Ironizou o fato de ter desembarcado no Rio e não ter nenhum “órgão” roubado. E, depois de um passeio em Copacabana, elogiou a “gente bonita, o clima bom e a segurança visível”.

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Há dois anos, a cobertura sistemática da Copa não reservou um espaço sequer para o feito nacional, com seus inúmeros atores, para preparar o país para a maior Copa da história. Divulgaram apenas a exceção, os problemas usuais em preparativos dessa ordem, e transformaram em regra.

Não conseguiram apenas comprometer o maior momento de marketing da história do país, espalhar a má imagem do país por todo o mundo: desprezaram um imenso esforço conjunto juntando governo federal, governos estaduais de todos os partidos, prefeitos de capitais, Polícia Federal, Ministério Público, secretários de transporte, de segurança, técnicos em mobilidade urbana, especialistas em turismo, bancos públicos, empresas de engenharia, fundos de investimento.

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Em São Paulo, os esforços juntaram governo federal, estadual e municipal. Esse mesmo trabalho foi feito em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Fortaleza.

Ao jogar para baixo o moral nacional, com a única intenção de atuar politicamente, os grupos de mídia demonstraram que seus interesses particulares estão acima do próprio interesse nacional e até de seus anunciantes.

Em nenhum momento participaram de nenhuma etapa de construção desse evento. Mas se tornaram os maiores beneficiários, recebendo um volume recorde de verbas de patrocínio.

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Julgaram que estavam cravando a bala de prata na testa de Dilma, atribuindo a ela todos os problemas, independentemente de serem da alçada do governo federal, estadual ou municipal, de clubes esportivos. Mas acertaram a bala no centro da autoestima nacional.

Mas ontem, enquanto Neymar encantava o mundo com seus passes, São Paulo parecia viver um feriado: ruas desertas para que os paulistanos esquecessem as manchetes e celebrassem o país e a Seleção. Como se dissessem, “vocês não vão matar a alegria”.

terça-feira, 3 de junho de 2014

História de São Bento do Sul (1) - Matex



Vou começar uma série sobre história de algumas empresas de São Bento do Sul, que publicarei aqui no blog ocasionalmente. Esses relatos fazem parte do meu projeto (ainda incompleto) sobre o resgate da História Econômica de São Bento do Sul

Começarei com a Matex, um empreendimento muito misterioso sobre o qual é dificil conseguir informações, portanto esse relato ainda está bastante incompleto. O que relatarei é o que tenho até o momento. Preciso pesquisar mais sobre isso

ATUALIZAÇÃO - 03 junho 2014 - alguns dados novos, portanto estou refazendo postagem com data de hoje

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Matex em São Bento

pesquisa e texto henry Henkels - abril 2014
notas cfme testemunhos orais de Hilário Brand e Olimpio C. Schmidt

Esse empreendimento foi uma iniciativa da Industrias Reunidas Jaraguá, do químico alemão Rudolf Hufenuessler (1893-1955), graduado na Politécnica de Stuttgart, que havia se estabelecido aqui no Brasil em 1925. Por volta de 1940 instalou uma unidade aqui no bairro de Oxford para produção de cafeína, que passou a girar como CIA. QUÍMICA MATEX. Além de Hufenuessler um dos diretores era Hans Jordan, que também tinha participação na empresa..

Hans Jordan era um empresário joinvilense muito conceituado nas décadas de 1920/1930 e sempre presente em todas as questões que envolviam erva mate. Era administrador da firma H. Jordan & Cia, fundada por seu pai, como uma das sucessoras da Cia Industrial Catharinense, esta ultima que dominou todo o mercado de erva mate do norte de Santa Catarina nas últimas décadas do século XIX até por volta de 1910. Em 1931 foi eleito presidente do Instituto do Mate, subseção SC.

Para montar a planta industrial da empresa aqui em São Bento grandes peças de equipamento pesado vieram de Joinville e do porto de São Francisco. Esse material estranhamente não vinha de trem e sim por caminhões subindo a Serra D. Francisca. Peças maiores que extrapolavam as dimensões das carrocerias dos caminhões tinham carretas improvisadas externas. A chegada dessas peças enormes causou um frisson considerável entre os moradores do bairro de Oxford, que saiam à rua para apreciar esse acontecimento.

Para a montagem dos equipamentos, técnicos de outras cidades vieram para se desincumbir das tarefas, poucos eram os funcionários locais. Muitos de Jaraguá, Guaramirim e redondezas. Construíram 3 ou 4 casas para servir de moradia aos técnicos e gerentes que iriam administrar a unidade. Eram casas de alvenaria de excelente qualidade e de bom tamanho. Para coordenar a administração doméstica dessas casas  tinham até uma governanta geral, de sobrenome Schuller-Wahr, que por aqui permaneceu por todo o período que a fabrica funcionou.

Um dos gerentes, de nome Gehring, mantinha uma pensão em que alguns funcionários moravam. A filha deste mais tarde casou com um funcionário da empresa de nome Arthur Bisoni e se estabeleceram por aqui por muito anos, passando este ultimo depois a trabalhar como caminhoneiro. Outro funcionário graduado era Edgar do Amaral e Silva, que mais tarde se tornaria titular do cartório do registro de imóveis aqui em São Bento do Sul.

A empresa foi inaugurada oficialmente em final de novembro de 1943 com a presença do interventor federal em Santa Catarina, Nereu Ramos, ocasião festejada com uma grandiosa churrascada.

O produto  principal da Matex  era cafeína, que extraiam da erva-mate. Ferviam grandes quantidades de folhas da Ilex paraguariensis com vapor produzido nas enormes caldeiras. Dessa infusão extraiam um chorume escuro que passava por um processo nunca revelado de purificação através de extensas tubulações de cobre e outros dispositivos. O produto final era um granulado branco que parecia coco ralado segundo alguns. As quantidades extraídas eram notavelmente pequenas, de poucos quilogramas, em relação às grandes quantidades de matéria prima que se observava na entrada do processo. Haviam pátios enormes com pilhas imensas de erva mate aleirada ao ar livre.

Também compravam erva em fardos semi secos de outras regiões, que vinham de trem, provavelmente da região de Canoinhas, Três Barras, Valões e Porto União. Para estocar esses fardos de erva seca alugaram o antigo Salão Linzmeyer, que ficava lotado até o teto às vezes. Era um antigo salão de bailes que havia sido desativado em meados da década de 1930.  Muitos carroceiros e alguns poucos caminhões foram alugados para transportar esse material da estação de trem na Serra Alta até Oxford.

As quantidades do produto final eram tão diminutas que eram transportadas para Joinville sempre de automóvel, função delegada a um taxista de nome Schmalz. Na maioria das vezes era esse Schmalz que levava o produto cristalino branco em pequenos sacos em seu taxi serra abaixo. As vezes a matriz de Jaraguá mandava um caminhão serra acima que descia carregado com outras matérias primas que processavam por aqui. Esse caminhão era um R.E.O., de fabricação americana e era dirigido sempre por um cidadão que chamavam de Hildebrando (talvez Hildebrand).

Como o produto que se produzia ali era uma coisa exótica para os moradores da redondeza, ou mesmo para toda a cidade, grandes lendas urbanas se criaram em torno dessa empresa. A mais comentada era de que se produziam psicotrópicos que eram carregadas em submarinos alemães e seguiam para ser usados pela Alemanha nazista. Coisa secreta de alto significado e que aquele taxista entregava a agentes quinta coluna que se infiltraram em Joinville e depois seria carregada nos submarinos para abastecer a industria química, por conseguinte os exércitos de Hitler.

A Matex também comprava dos colonos locais plantas que tem uma flor chamada “Glokenblume” (flor-de-sino, do genero Campanulaceae) que desidratava e mandava em fardos secos para processar em Jaraguá pelo caminhão de que falamos acima. Sobre isso também logo se especulou que produziam medicamentos secretos, pois ninguém conseguia atinar qual era o objetivo de comprarem essa planta “de mato” que não podiam identificar nenhuma utilidade.


Mas as razões para se criarem essas fantasias no imaginário dos sãobentenses também haviam. Um dos pontos é que os os produtos que ali eram elaborados eram transportados sempre de automóvel ou no caminhão próprio, não se utilizando do transporte ferroviário, que nessa época tinha ligação regular com Jaraguá. Só a matéria prima bruta entrava por via férrea.

Outra coisa marcante foi que terminada a 2ª Guerra Mundial a produção parou, a fabrica foi desativada e passou a se deteriorar, abandonada por muito tempo. Os gerentes, técnicos e inclusive a governanta Schuller-Wahr se foram todos e poucos ex-funcionários permaneceram na cidade. A comunidade local, nem mesmo a elite empresarial ficou sabendo das reais razões desse movimento de abandono súbito. Os pesados equipamentos que tanto impressionaram as pessoas quando de sua chegada ficaram silenciosos e acabaram sendo desmontados gradativamente só depois de muitos anos e levados embora, provavelmente para Jaraguá. Só restou a chaminé da caldeira, de tijolos, que foi parcialmente demolida, mas parte de sua base continua em pé até hoje.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Corrupção tem cura?...


por Dr. Aratinga Weddelii, no blog do professor hariovaldo

Corrupção pode ser resumida como a prática de (mal) usar dinheiro público para obter vantagem própria. Infelizmente, enriquece o agente. Assim como o vício em drogas, a homodepravação (gayzismo) e o ateísmo, a corrupção é uma doença. Enquanto as primeiras destroem o indivíduo e a família, esta destrói toda a sociedade. O tema vem sendo incansavelmente abordado, mas está longe de ser esgotado. Num pais em frangalhos, com toda gente indignada, lançamos o debate: A corrupção tem cura?...

Pedimos licença e paciência ao navegante, e ousamos dizer que sim, embora uma doença monstruosa, a corrupção tem cura. Entendemos o desalento, a falta de perspectivas atuaes. Para defender a tese, vamos separar o joio do trigo:

1º - Os governos populistas (como o dessa Monica do Planalto e seu antecessor, o Mephisto de Garanhuns) perdem-se tanto nos seus objetivos, quanto no público alvo. Determinam políticas que atendem somente a uma parcela da população. Investem em programas extremamente onerosos e pouco úteis à economia. A patuleia ilude-se na esperança de que segurança alimentar, moradia, médicos comunistas, cotas, distribuição de renda, inclusão social (SIC), crédito para pequenos negócios entre tantos outros males, sejam bons para a nação. Isso só é bom para a corrupção. São os tentáculos do comunismo. Os maus exemplos de ‘governantes’ que usam desses meios são muitos. Nem vale a pena mencioná-los. Simbolizam o descaminho. Por outro lado, felizmente...

2º ... há o (bom) caminho (caminho dos bons). Exemplos como na terra bandeirante, com José e Geraldo de todos os paulistas, embora com tentativas de mácula, mantêm o estado nos trilhos. Do planalto goyano, com Perillo e o injustiçado Demóstenes de todos os goyanos, vemos a luz. Agripino de todos os potiguares, Bornhausen dos catarinenses, Álvaro dos bons Pinhais, Magalhães da terra de todos os santos, Barbosa, Parrela e Azeredo de todos os mineiros, e com Aécio à proa, vislumbra-se a solução, a sensatez, a moralidade que acalenta o sonho de todos os brazileiros.

Se por um lado há os mensaleiros, conforme comprovado pelo STF e seu guardião maior, Quincas Brabosão - o fleumático, levaram milhões e milhões, enriqueceram pelo trabalho e dinheiro público, por outro lado, há os nomes aqui embandeirados na luta pela ética e contra a corrupção. Percebe-se a profícua diferença. Agora perguntamos ao navegante: podemos ou não podemos ter esperança? A doença da corrupção será curada com Aécio e correligionários.

Avante Aécio, reduza os adversários a pó!...