* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O legado miserável de Margareth Thatcher (e de Ronald Reagan)

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo 
(post publicado uma semana antes do passamento da dita cuja)



No livro “Doutrina do Choque”, a escritora Naomi Klein mostra que os dois armaram uma bomba relógio.
Naomi Klein
Uma aula brilhante de mundo moderno. É uma maneira sintética de definir o livro A Doutrina do Choque, da escritora, jornalista e ativista canadense Naomi Klein, 44 anos.
Vou colocar, no pé deste artigo, um documentário baseado na obra, com legenda em português. Recomendo que seja visto, e compartilhado.
Naomi, como é aceito já consensualmente, identifica em Reagan e Thatcher, cada um num lado do Atlântico, um movimento que levaria a uma extraordinária concentração de renda no mundo.
Ambos representaram administrações de ricos, por ricos e para ricos. Os impostos para as grandes corporações e para os milionários foram sendo reduzidos de forma lenta, segura e gradual.
Desregulamentações irresponsáveis feitas por Reagan e Thatcher, e copiadas amplamente, permitiram a altos executivos manobras predatórias e absurdamente arriscadas com as quais eles, no curto prazo, levantaram bônus multimilionários.
O drama se viu no médio prazo. A crise financeira internacional de 2007, até hoje ardendo mundo afora, derivou exatamente da ganância irresponsável e afinal destruidora que as desregulamentações estimularam nas grandes empresas e nos altos executivos.
No epicentro da crise estavam financiamentos imobiliários sem qualquer critério decente nos Estados Unidos, expediente com o qual banqueiros levantaram bônus multimilionários antes de levar seus bancos à bancarrota com as previsíveis inadimplências. (Ruiria, com os bancos, também a ilusão de que o reaganismo e o thatcherismo fossem eficientes.)
Tudo isso, essencialmente, é aceito.
a8
Thatcher e Reagan

O engenho de Naomi Klein está em recuar alguns anos mais para estudar a origem da calamidade econômica que tomaria o mundo a partir de 2007.
O marco zero, diz ela, não foi nem Thatcher e nem Reagan. Foi o general Augusto Pinochet, que em 1973 deu, com o apoio decisivo dos Estados Unidos, um golpe militar e derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende no Chile.
Foi lá, no Chile de Pinochet, que pela primeira vez apareceria a expressão “doutrina de choque”. O autor não era um chileno, mas o economista americano Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago.
Frieman dominou a economia chilena sob Pinochet

Um programa criado pelo governo americano dera, na década de 1960, muitas bolsas de estudo para estudantes chilenos estudarem em Chicago, sob Friedman, um arquiconservador cujas ideias beneficiam o que hoje se conhece como 1% e desfavorecem os demais 99%.
Dado o golpe, os estudantes chilenos de Friedman, os “Chicago Boys”, tomaram o comando da economia sob Pinochet e promoveram a “Doutrina do Choque” – reformas altamente nocivas aos trabalhadores, impostas pela violência extrema da ditadura militar.
Da “Doutrina do Choque” emergiria, no Chile, uma sociedade abjetamente iníqua que anteciparia, como nota Naomi Klein, o que se vê hoje no mundo contemporâneo.
O Brasil, de forma mais amena, antecipara o Chile: o golpe militar, também apoiado pelos Estados Unidos (e pelas grandes empresas de jornalismo, aliás), veio nove anos antes, em 1964. Tivemos nossos Chicago Boys, mas em menor quantidade, como Carlos Langoni, que foi presidente do Banco Central.
Com sua sinistra “Doutrina do Choque”, Friedman, morto em 2006, é o arquiteto do mundo iníquo tão questionado e tão merecidamente combatido em nossos dias.
Um dos méritos de Naomi Klein é deixar isso claro – além de lembrar a todos que situações de grande desigualdade são insustentáveis a longo prazo, como a guilhotina provou na França dos anos 1790.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

A ideologia brasileira da mesquinharia


por Juremir Machado da Silva, em seu blog no Correio do Povo

O mesquinho acha-se moderno, pragmático, altivo, crítico, autônomo e visionário. Acredita que toda forma de proteção social, desde que não seja a empresas, é uma forma de populismo, de paternalismo e de assistencialismo.

A ideologia da mesquinharia usa sempre o mesmo argumento falacioso: não se deve dar o peixe, deve-se ensinar a pescar. Não se deve dar bolsa-família, deve-se dar empregos. Justamente os empregos que nunca foram dados pelos partidos que apoiam. E não foram dados por não existirem. E não existiram por incompetência na sua criação, por falta de um modelo adequado ou por impossibilidade conjuntural ou estrutural de serem gerados.

O mesquinho entende que, se os empregos não existem, os necessitados devem ralar-se. Que fiquem passando fome até que seja possível criá-los.

Nessa lógica, o mesquinho promete o futuro, não se lembra do passado e ignora o presente. Explora sofismas, meias verdades e mentiras inteiras como formas de justificar a sua indiferença pelo sofrimento dos outros. Espalha que o assistencialismo gera preguiça. Faz crer que a maioria das pessoas vai preferir viver com R$ 70 sem trabalhar a viver com R$ 700 trabalhando.

Essa é uma das asneiras mais difundidas por espíritos malignos, gente ruim, ideólogos da maldade, mas, principalmente, mentes toscas. Isso até pode acontecer de maneira marginal, mas jamais, estatisticamente falando, como tendência global. Viver bem, com trabalho, continua sendo mais interessante para a maioria do que viver mal sem trabalho. Salvo quando a alma do indivíduo alquebrado já está saturada e ninguém mais pode lhe incutir esperança, o que ocorre quando o sistema atrofia o gosto pela vida.

A ideologia da mesquinharia é dissimulada, ardilosa, cruel. Prefere gastar em repressão a investir em ajuda social. Todo adepto da ideologia da mesquinharia é um radical, um fundamentalista, um xiita, um extremista, um fanático da ordem dos cemitérios, da asfixia social, do parasitismo absoluto.

O mesquinho passa o dia repetindo chavões como se fossem pilares da modernidade. Acredita, como uma anta, que toda crítica aos excessos do capitalismo é uma defesa do comunismo.Vê em toda ressalva do modo de vida americano, marcado pelo consumismo, uma adesão ao estilo de vida cubano.

O mesquinho tem cérebro de ervilha. Mas não consegue enlatá-las para vender. Gasta o seu tempo no ódio aos demais. É pouco rentável.

As asneiras dos mesquinhos incluem: acreditar que Lula, de fato, se tornou milionário, ou bilionário, e que a revista Forbes publicou uma capa com ele como um dos homens mais ricos do mundo; crer que destacar os aspectos positivos das cotas, do bolsa-família, do ProUni e de outras políticas assistenciais dos governos do PT, é ser petista; difundir a ideia de que nunca houve tanta corrupção no Brasil, como se a corrupção atual, enorme e condenável, não fosse a mesma de antes; acreditar que a meritocracia realmente seleciona os melhores num sistema de desigualdade na competição e não que serve de mecanismo de reprodução dessa desigualdade.

Enfim, melhor não ser muito sofisticado na análise para não confundir as mentalidades mesquinhas mais lentas e pesadas.

Usina de ódio, de ressentimento e de rancor, o mesquinho odeia as ruas engarrafadas por causa do acesso dos pobres aos automóveis; odeia os aeroportos cheios por causa das viagens da classe C; odeia as universidades “rebaixadas” pela entrada dos que deveriam fazer cursos técnicos; odeia esses pobres que votam com o estômago; entende que só os ricos podem votar com os bolsos; vê como a modernidade a permanência dos pobres na pobreza, à espera dos empregos do futuro, e uma elite desfrutando da climatização. São os mesmos que se venderam aos Estados Unidos, em 1964, para evitar as reformas de base: reforma da educação, agrária, bancária, tributária, etc.

O Brasil corria um sério risco: poderia ficar melhor para a maioria.

A ideologia da mesquinharia deu o golpe para salvar-nos da melhoria.

Atrasou o país em mais de 20 anos.

Continua a cantar o refrão: o perigo comunista.

São fantasmas de opereta.

O comunismo acabou.

Falta construir um capitalismo muito melhor.

Uma verdadeira social-democracia.

Para isso, será preciso ensinar geografia aos mesquinhos.

Falar-lhe dos países escandinavos, etc.

O mesquinho adora Estado mínimo em economia e Estado máximo em moral. Gostar de meter-se na vida alheia para domesticá-la como seu moralismo.

Todo mesquinho é um moralista de ceroula.

Boilensen - um canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca

pescado do Diário do Centro do Mundo

O empresário que financiou a repressão na ditadura teve que deixar a Escandinávia para soltar seus demônios.




Por sugestão de um amigo do Diário, NX, assisti ontem ao bom documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litowski.

Num momento em que o Brasil reflete tanto — e com tamanho atraso se comparado a vizinhos como a Argentina — sobre a ditadura, ver Cidadão Boilensen é altamente recomendável. (Vou deixá-lo no pé deste artigo.)

Henning Boilesen, em suma, foi um canalha.

Ele não apenas financiou a brutal repressão da Oban em São Paulo como, segundo relatos confiáveis, era espectador sádico de sessões de tortura.

Boilensen era presidente de uma empresa de gás, o grupo Ultra. Militantes perceberam que em muitas ações da Oban havia caminhões da Ultragaz nos arredores das casas vasculhadas.

Era Boilensen quem fornecia os caminhões, usados pelos agentes policiais. (Octavio Frias, da Folha, soube-se depois, também cedia à Oban peruas do jornal para a perseguição a suspeitos.)

Bem, para encurtar, militantes se vingaram e o executaram em São Paulo. O documentário mostra que ele recebeu avisos da polícia política de que estava na mira, e ofertas de segurança, mas as rechaçou num gesto de machismo obtuso e letal.

Queria sublinhar uma coisa que me chamou a atenção.

O documentário foi à Dinamarca natal de Boilensen para reconstruir seu perfil.

Um entrevistado disse o seguinte: Boilensen tinha um demônio dentro de si que o sistema brasileiro permitiu que florescesse: O nosso sistema!...

Na Escandinávia, ele não poderia fazer o que fez. Seria socialmente um pária. Seria rejeitado. Teria, em suma, que se ajustar e melhorar, ou seria excluído do convívio da sociedade dinamarquesa por ser uma aberração nociva aos demais.

O Diário luta pela escandinavização do Brasil, como nossos leitores sabem.

Um sistema social saudável como o escandinavo não permite que surjam Boilensens.

Também não permite que a mídia corporativa atrase tanto o avanço do país – pagando impostos ridiculamente baixos e lutando contra coisas vitais como o fim de monopólios e oligopólios — apenas para manter seus privilégios.

É por coisas assim que o Diário renova aqui, mais uma vez, seu compromisso de ajudar o Brasil a se tornar mais escandinavo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A coisa está punk!... MPF - lições de cidadania as avessas para crianças



por Conceição Lemes, no Viomundo

Desde outubro de 2009, o Ministério Público Federal (MPF) tem um site chamado Turminha do MPF. Destina-se a crianças de 6 a 14 anos de idade. Sobre o site, afirma:

O objetivo é contribuir para a formação da cidadania de crianças e adolescentes e tornar o Ministério Público Federal mais próximo de todos os cidadãos.
Para a concepção do conteúdo, foram selecionados alguns temas prioritários de interesse da sociedade e pertinentes às funções do MPF: cidadania, direitos humanos, patrimônio cultural, meio ambiente, diversidade, equidade, justiça, ética, moralidade, democracia, corrupção, violência e criminalidade.

Nos últimos dias, boa parte dos textos postados no Turminha do MPF é sobre o “mensalão”. Um deles: O que foi o mensalão?  Aí, está escrito:

No próximo dia 2 de agosto o Supremo Tribunal Federal deverá iniciar o julgamento da ação penal 470, conhecida como Mensalão. Para entender o esquema de corrupção que originou esse processo, a Turminha do MPF narra aqui, aos seus leitores, os fatos que ocorreram entre os anos de 2003 a 2005 e que provocaram o oferecimento da denúncia pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ao STF.
Em 2002, o Brasil elegeu como presidente da República um trabalhador que pela quarta vez concorria ao cargo, Luis Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico e líder sindical, além de fundador do Partido dos Trabalhadores. Sua base aliada necessitava ser reforçada com o apoio de outros partidos para que ele tivesse condições de governar e aprovar os projetos sociais que havia prometido implementar durante sua campanha.
Como então conseguir o apoio de partidos que não tinham afinidade ideológica com o PT? A partir dessa dificuldade, alguns dirigentes do partido teriam montado um esquema de desvio de dinheiro público para patrocinar o pagamento de propina a deputados federais de oposição e assim conseguir o apoio deles no Congresso.

Chamou-nos a atenção um infográfico onde os réus são apresentados como culpados, embora o julgamento só esteja começando. Um outro, diz que o dinheiro foi usado “para dar a parlamentares em troca da aprovação de projetos”.

Recebemos várias mensagens, criticando a abordagem do site, já que é para crianças em processo de formação. Entre elas, uma do jurista Marcio Sotelo Felippe, procurador do Estado de São Paulo. Resolvemos então entrevistá-lo.

Viomundo — Esse tipo de informação é adequado a crianças?
Marcio Sotelo — Em uma democracia, o que se deve ensinar às crianças é que a História vem estabelecendo, ao longo dos anos, alguns princípios básicos para a civilização. Um deles é distinguir acusador e julgador. Isso é um dos legados do Iluminismo. Antes, o processo era inquisitorial. A denúncia era prova. O acusado que se defendesse. Infelizmente, o site do MPF reproduz o conceito de processo inquisitorial. Como eles acusaram, o texto já declara os réus culpados. Se isso realmente for mostrado para crianças, é um crime contra a democracia.

Viomundo – O site não diz nem mostra que os acusados têm direito ao contraditório. O que o senhor acha disso?
Marcio Sotelo — Um horror e ponto final. Não preciso dizer mais nada.

Viomundo – Esse tipo de informação ajuda a formar um verdadeiro cidadão?
 Marcio Sotelo – Não. Ao contrário. Oferece o risco de formar cidadãos sem as noções básicas da ideia de democracia.

Viomundo —  Qual a intenção do MPF com esse material?
Marcio Sotelo — Aparentemente o Ministério Público Federal esqueceu seu papel constitucional e age como partido político interessado em enfraquecer outro partido político. Mesmo porque está claríssimo que MPF não age com esse rigor quando os acusados são de outro partido. É inominável o MPF usar crianças para fazer política partidária.

Viomundo — O que deveria ser ensinado às crianças?
Marcio Sotelo — Os direitos e garantias fundamentais do artigo 5º Constituição Federal são um bom começo. Presunção de inocência, contraditório, ampla defesa, igualdade de todos perante à lei, entre outras coisas.

Boa nova!...




por Altamiro Borges, em seu blog


O ex-presidente FHC oficializou na quarta-feira (27) a sua candidatura à cadeira número 36 da Academia Brasileira de Letras (ABL), antes ocupada pelo jornalista e escritor João Scantimburgo, falecido em 22 de março. A carta foi entregue pelo ex-ministro e cupincha Celso Lafer, que ficou famoso por retirar os seus sapatinhos nos aeroportos dos EUA numa prova cabal de servilismo. De imediato, a mídia tucana saldou a iniciativa do “príncipe” dos neoliberais. Para ela, FHC sempre foi um “imortal”.

Em entrevistas bajuladoras, o vaidoso tucano até tentou posar de humilde e afirmou que resistiu à ideia de se candidatar. “Minha reticência foi a de que não sou homem de letras e não queria criar constrangimentos por ter sido presidente da República. Mas agora, passados tantos anos da presidência e mantida, se não mesmo que ampliada, a convicção de vários membros da ABL de que eu deveria juntar-me a eles, acabei por concordar”, afirmou FHC.

A mídia tucana nem citou a célebre frase do ex-presidente: “Esqueçam o que eu escrevi”. Ela também evitou mencionar os escândalos de corrupção contra seu governo – como a compra de votos para a sua reeleição ou o sinistro processo da privataria tucana. A mídia ama FHC, o intelectual que liderou a onda destrutiva e regressiva do neoliberalismo no país. Ela já dá como certa a “imortalidade” de FHC e garante que ele terá a maioria dos 38 votos. Segundo a Folha tucana, esta “promete ser a eleição mais fácil de sua carreira”.


A ABL infelizmente virou um antro conservador, que tudo faz para obter os holofotes da mídia. Um dos últimos “imortais” indicados foi o “calunista” Merval Pereira, o serviçal da Rede Globo famoso por sua “vastíssima” obra literária – que ninguém conhece. No primeiro dia de inscrição para a vaga, a única candidatura apresentada foi a do ex-presidente. Outros interessados podem se inscrever em até 30 dias. Os “imortais” da ABL terão dois meses para eleger o novo membro.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Aviões catarinetas



pescado no 1 Fato

No amanhecer deste Domingo de Páscoa, por volta das 6h30min, mesmo com chuva na região, o avião PU-ERW, fabricado em Santa Catarina e com capacidade para dois lugares, decolou da pista do Aeroclube de Santa Catarina, em São José, na Grande Florianópolis, para uma aventura de mais de 7,5 mil quilômetros. Tripulada pelo piloto e proprietário Ênio Roberto Wildner e pelo navegador Flávio Luiz Nunes Coelho (piloto e advogado), a pequena aeronave partiu em direção à cidade de Lakeland, na Flórida, onde será exposta na Sun’n Fun, a maior feira internacional de negócios do setor e a segunda maior em tamanho. O voo e a participação na feira, que contam com o apoio da FIESC, governo do Estado e Apex, têm o objetivo de alavancar um polo da indústria aeronáutica no Estado.
A viagem está planejada para nove escalas, em três dias. Outro avião do mesmo modelo Wega 180 deveria ter partido junto, mas teve a viagem adiada por problemas burocráticos em um dos países a serem sobrevoados. O voo foi reagendado para terça-feira pela manhã, mas depende das condições meteorológicas. O PU-JBL será pilotado pelo proprietário João Batista Lemos e terá como navegador Jocelito Wildner, o construtor dos dois aviões.
Ex-mecânico da Varig, há oito anos Jocelito iniciou o projeto de um avião no qual buscava alto desempenho. A partir dos esboços desenhados na França enquanto consertava um planador, o empresário iniciou em 2006 as atividades da Wega Aircraft, na cidade de Palhoça, também na Grande Florianópolis. Para financiar o empreendimento, Jocelito antecipou a venda dos primeiros aviões a empresários como seu irmão Ênio Wildner. Outro que apostou na empreitada foi César Olsen, da Olsen, que atua no setor odontomédico e é reconhecido pela paixão pela aviação. O primeiro avião foi entregue em 2010. Outros dois foram concluídos depois e mais quatro estão vendidos. A venda antecipada é prática comum no segmento.
"O avião tem estabilidade, conforto e segurança", afirmou o presidente do Sistema FIESC, Glauco José Côrte, que na sexta-feira, dia 29, participou de um dos voos de demonstração para a imprensa. Além disso, Côrte destacou o design das aeronaves produzidas pela Wega.
É exatamente à aerodinâmica que Jocelito credita o bom desempenho que seus aviões alcançam. Ele salienta que os modelos superam a marca de 300 km/h, uma velocidade mais típica para bimotores do que para monomotores, como é o caso do Wega 180. "Na aviação se diz que avião bonito voa melhor", afirma o empresário. "As formas mais belas são as da natureza, que se moldam da melhor forma para suas funções", afirma. Indagado como conseguiu um resultado que considera tão surpreendente, Jocelito explica que buscou reunir o que há de melhor em diversos modelos produzidos no mundo inteiro.
O Wega 180 é um avião experimental - categoria na qual as fábricas vendem os kits, mas os proprietários fazem a montagem. É uma estratégia que evita o direito regressivo. O modelo é asa baixa; cabine para no máximo dois ocupantes lado a lado; construção em composite; motor aeronáutico de 180hp; hélice de velocidade constante; trem de pouso retrátil; sistema de combustível com dois tanques de 110 litros; autonomia máxima de 6 horas e meia de voo; envergadura de 7,87m; comprimento da fuselagem de 6,474m; altura máxima de 2,299m; peso vazio de 450kg; carga útil de 300kg; peso máximo de decolagem de 750 kg. Depois do Wega 180, Jocelito pretende lançar um modelo na categoria LSA - homologado, ou seja, aprovado pelas autoridades e montado, como ocorre na indústria automobilística.
A Wega se tornou a primeira indústria do setor aeronáutico em Santa Catarina. Mas outras já estão se instalando. É o caso da Novaer Kraft, que está construindo uma fábrica em Lages. Entre os fatores que estimulam esses investimentos estão os cursos técnicos de mecânica de aeronaves do SENAI. Atentas ao potencial do setor, outras instituições públicas e privadas desenvolvem maneiras de fomentar o segmento. Enquanto os governos estadual e municipais elaboram projetos de renúncia fiscal, entidades como a FIESC, a Apex e a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) criam condições para, por exemplo, a participação em feiras, como a Sun’n Fun. O Sistema FIESC criou o Comitê de Desenvolvimento da Indústria Aeronáutica, que é coordenado pelo conselheiro da entidade César Olsen. "Estamos animados com as perspectivas nesta área, para dar um novo impulso ao desenvolvimento do estado", afirma.
Roteiro previsto (sujeito a mudanças):
1º dia:
São José (SC) - Três Lagoas (MG) Três Lagoas - Sinop (MT) Sinop - Manaus (AM) ou Alta Floresta (MT)
2º dia:
Alta Floresta/Manaus - Boa Vista (RR) Boa Vista (RR) - Georgetown (Guianas) Georgetown - Granada
3º dia:
Granada - Saint Marteen - Saint Marteen - Providenciales, Bahamas
Providenciales - Fort Pearce (EUA) Fort Pearce (EUA) - Lakeland (EUA).

Total mais de 7,5 mil km (4.200 milhas náuticas).
As tripulações:
Aeronave PU-ERW
- Enio Roberto Wildner
- Flávio Luiz Nunes Coelho
Aeronave PU-JBL
-João Batista Lemos
-Jocelito Carlos Wildner