* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dilma e as eleições municipais = sinuca de bico


trecho de artigo de Marcos Coimbra, pescado no DoLadoDeLá

O governo Dilma vive uma “crise política”, em grande medida causada pela indisposição de aceitar as pressões dos partidos que formam sua base no Congresso – em particular do PMDB e outras legendas menores – por "mais espaço” na administração.
Até as pedras da rua sabem o que isso significa. Que esses partidos querem aumentar a influência sobre o destino das verbas federais e indicar os titulares de órgãos governamentais, para que sejam geridos de forma “política”.
A raiz da crise é o baixo clero. Com a aproximação das eleições municipais, parlamentares cuja votação é localmente determinada ficam nervosos quando não conseguem irrigar seus redutos com obras e nomeações. Temem que a reeleição em 2014 fique comprometida e que aventureiros venham tomar “seus” municípios.  
O risco preocupa as lideranças. A ameaça de diminuição de tamanho no Congresso assusta, pois é disso que deriva o “espaço” que ocuparão no futuro governo – e mesmo na segunda metade do atual, pois o mau desempenho na eleição municipal costuma trazer consequências imediatas.
Se, por hipótese, o PMDB sair dela com a imagem de “perdedor”, sua ascendência e sua presença na Esplanada encolherão. O mesmo vale para os outros partidos da base e é por isso que brigam por mais “espaço”. Ou seja, por mais dinheiro para gastar em ações “políticas”. 
Se isso for verdade, a crise decorre de Dilma estar fazendo a coisa certa, recusando-se a concedê-lo. Todos, inclusive as oposições, sabem que seria pior para o país se essas pressões tivessem êxito. 
Elas são reais. Como agora, na votação da Lei Geral da Copa e do Código Florestal, em que ameaçam derrotar as propostas do governo, não por ser ruins, mas para trocar o apoio pelo “espaço”. Em outras palavras: criam dificuldades para obter facilidades.

Globo < > Chevron... ai tem coisa



do blog do Mello


... costumo, em geral, me informar na contramão do que diz, por exemplo, a Globo.
Quem não se lembra do acidente com o avião da Gol, quando morreram 154 brasileiros, graças à incompetência e arrogância de dois pilotos estadunidenses, que não conheciam a aeronave e voavam pelos céus do Brasil como Tarzan nos cipós da selva africana de quadrinhos?

As Organizações Globo e em geral a mídia corporativa acusaram o governo brasileiro de botocudo por querer que os pilotos ficassem no Brasil, até que as investigações apontassem o que houve no céu, quando os dois aviões se chocaram.

A grita da mídia valeu e Joe Lepore e Jan Paladino - os "americanos tranquilos" - estão livres,. leves e soltos nos EUA, enquanto as famílias dos mortos aguardam que a justiça seja feita.

Por isso, suspeito que o vazamento da Chevron no Campo do Frade, na Bacia de Campos, RJ, seja o maior desastre ambiental de nossa história. Globo e o restante da mídia corporativa não caem de pau na Chevron, mas não a defendem ou inocentam. 

Ainda nem começaram a culpar a Petrobras e o governo da presidenta Dilma pelo vazamento. Portanto, a coisa deve ser séria. Muito séria. A ponto de a Chevron tentar sair à francesa, abandonando o campo e o Brasil, antes que a orquestra pare de tocar no Titanic.

Segundo informação do G1, das OG, "Situação em bloco da Chevron está fora de controle". E quando eles falam assim de uma das maiores empresa de petróleo do mundo eu acredito.

Segundo a reportagem, o delegado de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Fábio Scliar, declarou que se trata de uma ocorrência alarmante, já que a indústria não está preparada para responder ao fenômeno:

"A situação é grave e está fora de controle. Espero que não haja consequências, mas como é uma situação inédita, a indústria não está preparada para responder. Não se sabe o que fazer, nem como."

Por isso fez bem a Justiça Federal do Rio quando determinou que 17 executivos das empresas Chevron e Transocean estão proibidos de deixar o país sem autorização judicial. 

Os 17 executivos da Chevron e da Transocean — indiciados por prática de crimes ambientais e impedidos de deixar o Brasil — poderiam ter evitado o vazamento de óleo na Bacia de Campos se não tivessem insistido em perfurar poço com pressão superior à tolerada pelo solo. É o que apontam documentos do Ministério Público Federal e da Polícia Federal aos quais O GLOBO teve acesso nesta segunda-feira. O envolvimento direto ou indireto desses executivos na perfuração foi o principal argumento do MP para obter da Justiça a apreensão dos passaportes na noite de sexta-feira, na tentativa de impedir uma eventual fuga do país.

(...) Indagado pela Polícia Federal se a pressão excessiva, de 9,5 libras por galão, não era um procedimento arriscado, Slaney, gerente de off shore da Transocean, disse em depoimento que considerava “um risco aceitável”. [Fonte]

Que não aconteça como no acidente da Gol e eles fiquem por aqui até o fim do processo, quando a Justiça brasileira vai decidir se é ou não aceitável o risco que eles nos impuseram. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Bambu - a madeira do século 21


por Benedito Teixeira, no recriar.com.você

Material tem todas as características para se firmar como alternativa à madeira e contribuir para produção mais sustentável.
Ao nascer, uma pessoa pode ser acomodada em um berço de bambu, sob um teto de bambu, dentro de uma casa de bambu. Ao crescer, pode se alimentar em uma mesa de bambu, sentar em uma cadeira de bambu, tendo em suas mãos uma tigela e talheres de bambu e comer brotos de bambu. Da mesma forma, é possível usar sandálias, abanar-se, brincar e, enfim, repousar em uma cama, tendo sempre o bambu como matéria-prima.
As qualidades desse material foram descobertas pelos povos da Ásia há muitos séculos. No entanto, apenas recentemente elas começaram a ser levadas a sério em outras regiões, especialmente depois dos apelos mundiais para a preservação do meio ambiente. No Brasil, começaram a pipocar estudos em diversas faculdades e um deles está sendo desenvolvido em Bauru, no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pelo professor Marco Antonio dos Reis Pereira, do Departamento de Engenharia Mecânica. Ele próprio mora em uma casa feita de bambu. A moradia foi construída em 1995. Externamente, ela recebeu uma camada de reboco e tinta. Na parte interna, o trançado de bambu foi deixado aparente. Depois de quase 15 anos de uso, a casa apresenta-se em perfeitas condições, segundo o professor.
“Dez anos atrás, trabalhar com bambu era considerado coisa de maluco”, lembra Pereira, doutor em agronomia.
Mas depois que o corte das madeiras de lei foi proibido e a questão ambiental entrou na agenda mundial de prioridades, o assunto passou a ser encarado de uma outra maneira. O bambu virou uma bela alternativa. A facilidade de integração entre plantio, corte, transporte, manuseio e resistência fez com que o material ganhasse o rótulo de “madeira do século 21”.
Na oficina do bambu, alunos de desenho industrial e arquitetura da Unesp desenvolvem projetos e constroem objetos grandes e pequenos, como bancos, cadeira de balanço, andador (do tipo utilizado por idosos), muletas, mesas de centro e utensílios domésticos, como talheres, tábua de carne, bandejas, entre outros, além de objetos de decoração.
Além de ser uma matéria-prima mais barata, o bambu é ecologicamente correto. Trata-se de uma planta bastante eficiente no seqüestro do carbono, ou seja, por meio de fotossíntese, ela captura o carbono que está no ar e lança oxigênio na atmosfera. Além disso, é um material que apresenta alta durabilidade, como a madeira.
Outro aspecto que pesa a favor do bambu é a rapidez com que ele cresce. Dependendo da espécie, e estamos falando de uma planta que possui cerca de 1.300, o bambu está pronto para o corte entre cinco e sete anos. Uma árvore de madeira de lei, por sua vez, somente chegará neste estágio depois de 80 a 100 anos.
Além da Unesp de Bauru, outras universidades como a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) de Piracicaba, a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também desenvolvem trabalhos nessa área.
No Laboratório de Estruturas e Construção Civil da Unicamp, por exemplo, existe uma linha de pesquisa envolvendo o emprego de materiais alternativos na construção civil com o objetivo de atender comunidades carentes.
Essa preocupação levou o professor Armando Lopes Moreno Junior, do Departamento de Estruturas da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), a estudar a construção de lajes, vigas e colunas com a utilização de tiras de bambu em substituições às tradicionais armaduras de aço.
“O bambu é de A a Z”, afirma o professor da Unesp de Bauru. Segundo Pereira, o produto pode tanto fazer parte do cardápio de uma família quanto oferecer conforto de todas as formas.
Como dito no início da matéria, é um bom companheiro para toda a vida, ainda mais em uma época em que a luta por um meio ambiente equilibrado está cada vez mais acirrada.
Material carece de estudos sobre sua viabilidade econômica, diz professor.
Está provado, pelas várias pesquisas feitas na área, que o bambu é uma excelente fonte alternativa para vários produtos ecologicamente inadequados, como a madeira, o plástico e até o aço. Mas para que o material deslanche comercialmente é preciso vencer ainda duas barreiras, pelo menos. Uma delas é o preconceito. A outra, a viabilidade econômica.
Para o professor Armando Lopes Moreno Junior, do Departamento de Estruturas da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC/Unicamp), o bambu ainda é associado a um produto de baixa qualidade e destinado às classes mais baixas. Além disso, não há estudos técnicos que demonstram em que medida o bambu poderia ser utilizado na construção civil.
Por esse motivo, a Caixa Econômica Federal (CEF) não financia moradias executadas com o uso de bambus. De acordo com o pesquisador, existem inúmeras construções em várias partes do planeta que utilizam o bambu como matéria-prima principal e funcionam perfeitamente bem. Mas no Brasil, a questão ainda engatinha.
Na opinião do professor, isso se dá porque por aqui o bambu ficou relegado ao segundo plano enquanto o plástico e o aço foram ganhando espaço. Agora, como a preocupação com o meio ambiente ganhou importância, a busca por material alternativo ganhou força e o bambu surge como uma das opções.

Mas ainda levará algum tempo até que receba o devido destaque: “Ainda não há uma divulgação maciça a respeito das utilidades do bambu. Acredito que vai demorar para que o produto tenha um padrão técnico”, diz Armando. “Sabemos que é possível construir grandes obras com bambu, mas se é viável economicamente ainda não sabemos”, comenta o professor Marco Antonio dos Reis Pereira, responsável pela oficina do bambu na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru. Segundo ele, o uso do produto ao natural não necessita de estudos para mostrar que dá certo e é viável.
O que falta, segundo Pereira, são estudos que comprovem a viabilidade do material em grandes construções.
Mesmo sem esses estudos, o professor Armando, da Unicamp, arrisca a dizer que, desde que haja mão-de-obra especializada, o custo de uma obra com bambu pode ficar até 50% mais barata. Além disso, o conforto térmico oferecido por uma construção de bambu é bem maior do que em um prédio de alvenaria, ou seja, a temperatura dentro de uma casa de bambu é mais agradável.

sábado, 17 de março de 2012

A pirataria do WWF








Documentário alemão sobre as verdadeiras razões da mais famosa ONG ambientalista internacional. Não tem traduzido ou legendado em português  ainda, os leitores que dominam o alemão levam vantagem, mas essa versão é legendada em inglês, com tradução e qualidade que deixa a desejar...





Programa 1 – o programa de turismo “ecológico” feito pelo WWF (milionário para eles pelo que arrecadam em cima de “eco-turistas”) aos ultimos santuários sobrevida dos tigres começou em 1974, quando havia 5.000 tigres na Índia ainda. Se o programa tivesse sido exitoso deveriam ter hoje 10.000 ou ao menos 8.000 tigres, mas há ainda menos do que havia em 1974. Mas sobra dinheiro para ativistas coordenadores do WWF comprar carros, casas luxuosas, viagens internacionais e oferecer indenizações para expulsar ao nativos da floresta com a desculpa de proteger tigres.

  



Programa 2 – sobre o acordo do WWF com a empresa Wilna para produção de óleo de palma e produzir biodiesel na Indonésia. Vale a pena ver o constrangimento da representante alemã do WWF defendendo o indefensável, em que 80 hectares foram preservados para a manutenção dos últimos orangotangos, de 15.400 hectares que foram devastados para a monocultura da palma. No fim do vídeo mostra o acerto banco HSBC/WWF para o financiamento do negócio de óleo de palma na Indonésia. Mostra ainda o envolvimento da família real britânica e a nobreza européia nos primórdios da ONG milionária.


Programa 3 – relações perigosas entre o WWF e a Monsanto na questão dos transgenicos na Argentina e toda América Latina. Pegaram a alemã do WWF mais uma vez e ficou novamente com cara-de-tacho... tadinha!... O presidente internacional do WWF negou uma entrevista para os produtores desse documentário.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Reciclagem do Kassab



pescado no site do MNCR - Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável 

Prefeitura não tem política de inclusão social e geração de trabalho

No início do mês de março, fiscais da Prefeitura de São Paulo percorreram lojas da Rua 25 de Março com ameaça de multa de R$ 11.000 aos comerciantes que doarem material aos catadores.
Ao que tudo indica a prefeitura tem como referência a Lei nº 14.973/2009 e o Decreto nº 51.907, que responsabilizam os grandes geradores de resíduos pela reciclagem, dispositivo legal que impediria o trabalho dos catadores. Por essa lei, estabelecimentos comerciais e instituições que produzem mais de 200 litros de lixo por dia ou condomínios com mais de 1.000 devem contratar empresa para coletar os resíduos e pagar pelo serviço.
Esta lei não proíbe a doação de material aos catadores, mas o decreto diz que só as empresas autorizadas com lista publicada no site da prefeitura podem realizar o serviço; nessa lista não há nenhuma cooperativa de catadores mencionada.
Por outro lado, na cidade de São Paulo, apenas 20 cooperativas de catadores têm parceria com a prefeitura para trabalhar no Programa de Coleta Seletiva, que significa quantidade insuficiente para atender toda a cidade. Outros 90 grupos de catadores trabalham de maneira organizada, mas em péssimas condições, sem infraestrutura e sem parceria com o poder público. Dessa forma, arcam com todos os custos operacionais da coleta, como aluguéis, combustível, e outras despesas.
Outros 16 mil catadores trabalham de maneira individual pelas ruas da cidade com carroças e são obrigados a vender seus materiais a sucateiros a preços irrisórios. A falta de apoio ao desenvolvimento da atividade de catação têm tornado inviável a organização dos catadores e as leis têm, progressivamente, excluído ainda mais esses trabalhadores do processo de participação efetiva na cadeia produtiva.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Campeão da privataria diz que vai disputar a prefeitura de S. Paulo


Os sócios ocultos de Serra
Por que o ex-governador esconde seus sócios e suas sociedades. E por que mentiu à Justiça Eleitoral. Verônica, Preciado e Rioli. Outro elo com Ricardo Sérgio.
AMAURY RIBEIRO JR. (*) 
do  ótimo e sempre bem humorado Hora do Povo

Muitas parcerias comerciais unem — ou uniram — José Serra a parentes e amigos. Mas, por estranho que pareça, raras entre elas são assumidas pelo ex-governador de São Paulo.
No decorrer da sua vida pública, ele tem omitido, com zelo incomum, a existência de seus sócios — a filha Verônica entre eles — e de suas sociedades à Justiça Eleitoral. Por que age assim?
Vamos tentar saber aqui. Um bom começo é seu sócio e primo Gregorio Marín Preciado.
Senador eleito pelo PSDB, Serra assume, em 1995, o Ministério do Planejamento na gestão Fernando Henrique Cardoso.
Enquanto isso, Preciado vive aturdido pelas dívidas com o Banco do Brasil. Cansado de esperar, o BB finalmente se move: em julho do mesmo ano (1995) ingressa na Justiça pedindo o arresto de bens do devedor relapso. No lote, figura um item interessante: o terreno que Preciado então possui em sociedade com o primo ministro no bairro Morumbi, área nobre de São Paulo. Mas alguém vazou a informação e os primos Preciado e Serra venderam o imóvel antes do arresto...
A escritura de compra e venda foi lavrada em 1o de setembro de 1995, e o negócio registrado no dia 19 do mesmo mês no 15o Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo. Em sua defesa, Preciado declarou ter realizado a venda em abril. Pitorescamente, o assento no cartório ocorreu cinco meses depois...
Serra apresentou uma explicação que o Ministério Público Federal tachou de “esdrúxula”. Sintonizado com o primo, sustentou que a negociação foi parcelada em cinco vezes e que somente após o pagamento da última cota, lavrou se a escritura. Descreveu uma operação anômala, já que o instituto da hipoteca existe para solucionar tais pendências sendo a escritura firmada imediatamente após o fechamento do negócio.
A suspeitíssima operação autoriza a crer que Serra e Preciado cometeram aquilo que é chamado, no jargão jurídico, de fraude pauliana. Explica-se: na pre-história do Direito, o devedor respondia com o próprio corpo pelas obrigações assumidas. Se não pagasse a dívida, poderia até mesmo perder a liberdade — e tornar-se escravo do credor — ou mesmo a vida. No Direito Romano, atribui-se ao pretor Paulo a mudança desta situação, afastando a penalidade do corpo do devedor e direcionando a para seus bens. A fraude pauliana ocorre quando o devedor aliena seu patrimônio visando iludir o credor e esquivar se de sua obrigação. Em outras palavras, uma artimanha de que se vale o caloteiro para afastar a satisfação do prejuízo do alcance de quem iludiu.
Como se a suspeita carregasse no seu bojo outra suspeita — uma realimentando a outra — o terreno dos primos, com 828 m2, no valorizadíssimo bairro da classe média alta paulista, foi passado adiante por R$ 140 mil, montante abaixo dos preços praticados no mercado.
Mas a relação entre Serra e seu contraparente é pródiga em parcerias, além da antiga e polêmica copropriedade do terreno no Morumbi. Os dois primos estão vinculados por endereços, negócios e sociedades. Mas Serra procura sempre isolar, atrás de uma muralha de subterfúgios, seus contatos e sua vida comercial.
Basta ver o caso da ACP Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda. A empresa, que tem como sócia também Verônica Serra, situava-se na Rua Simão Álvares, 1020, Vila Madalena, São Paulo (SP). Por uma incrível coincidência, o prédio pertencia à Gremafer e, portanto, a Preciado.
Neste terreno onde as coincidências se encontram amiúde e dizem “Olá” umas para as outras, Serra não incluiu a ACP na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 1994, 1998 e 2002.
O endereço, aliás, também acolheu seus comitês nas campanhas eleitorais de 1994 e 1996.
Serra “mentiu para a Justiça Eleitoral, ocultando empresa e ligação com o Sr. Preciado”, registrou o Ministério Público Federal (MPF), quando investigava o relacionamento comercial do ex governador paulista e de seu contraparente. Como se fosse pouco, Serra escondeu também da Justiça Eleitoral sua vinculação com Vladimir Antonio Rioli, ex-diretor de operações do Banespa. Serra e Rioli foram sócios durante nove anos na Consultoria Econômica e Financeira Ltda., parceria que se manteve até 1995. E, mais uma vez, um sócio e uma sociedade de Serra foram sonegados pelo candidato à Justiça Eleitoral. Não é de hoje, mas desde 1965 que a lei eleitoral, buscando a necessária transparência, exige que os candidatos sejam honestos ao declarar seus bens para prevenir o enriquecimento ilícito por meio do assalto aos cofres públicos.
Serra escondeu o primo, mas por que esconderia Rioli?
Sucede que, nesta senda de negócios obscuros, o sócio Rioli é mais uma conexão com Preciado. Vice-presidente de operações do Banespa e pilotando as reuniões do comitê de crédito do banco público, Rioli liberou R$ 21 milhões para o primo do ex-governador tucano. Realizado em 1999, o empréstimo, sem garantias legais, direcionado para a Gremafer e a Aceto, carregava “indícios veementes de ilicitudes”, segundo o MPF. Não se sabe se o financiamento foi pago.
Mas Rioli é muito mais do que um elo da cadeia entre Serra e Preciado. Ele desvela a vinculação de Serra com o ex-tesoureiro do ex-governador, Ricardo Sérgio de Oliveira. No labirinto em que se cruzam e entrecruzam os caminhos de Serra, Preciado, Ricardo Sérgio e outros personagens da era das privatizações, o percurso de Rioli é tão importante, que ele merece tratamento à parte.
Pivô de negócios nebulosos, em que invariavelmente os cofres públicos perdem e os particulares ganham, ex-arrecadador de campanhas eleitorais do PSDB e ex-sócio de José Serra, o nome de Vladimir Antonio Rioli, hoje, evoca mais futebol do que política.
É que, atualmente, uma de suas empresas, a Plurisport, empenha se em semear arenas esportivas Brasil afora, prevendo a demanda da Copa do Mundo de 2014. Torcedor do Palmeiras, Rioli envolveu-se na modernização do velho estádio Palestra Itália. Além do clube do coração, arquiteta consórcios para erguer os novos estádios de Sport Recife, Botafogo (de Ribeirão Preto), Santo André, Remo, Tuna Luso e Paysandu. Seu passado, porém, persegue-o como uma sombra.
Rioli, 67 anos, sempre foi unha e carne com dois ex-ministros de FHC. Um deles, José Serra e o outro, Sérgio Motta, ex-titular da pasta das comunicações e um dos artífices da privatização do sistema Telebrás (41). Bem antes da expressão “tucano”, em livre associação, vincular se à “privatização” e “neoliberalismo” no imaginário político nacional, Rioli, Serra e o falecido Serjão já eram amigos.
 Conviviam na Ação Popular (AP), uma das tantas organizações de esquerda dos anos 1960/1970 que peitaram a ditadura militar para mudar o Brasil. Implacável, o tempo passou, os três mudaram e mudou também a mudança que pretendiam fazer.
Em 1986, quando começou sua sociedade com Serra, Rioli envolveu-se em desastroso negócio para a então estatal Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). Sua consultoria, a Partbank, foi acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de engendrar um contrato sem correção monetária em período de inflação galopante. No final das contas, a Cosipa acabaria perdoando parcialmente a dívida da siderúrgica Pérsico Pizzamiglio, de Guarulhos (SP). O prejuízo da Cosipa escalou o patamar dos US$ 14 milhões. Em 2005, caberia justamente à Pluricorp, de Rioli, assumir um plano de recuperação da indústria. Por ironia, a devedora Pérsico sobreviveu. A credora Cosipa foi privatizada em 1993 e absorvida pela Usiminas.
Nomeado, por indicação do PSDB, para a vice-presidência de operações do Banespa em 1991, no governo Luis Antônio Fleury (PMDB), Rioli conquistou poderes para autorizar novos empréstimos mesmo para clientes endividados. Em 1999, foi condenado a quatro anos de prisão. Convertida em multas e prestação de serviços, a pena foi aplicada pela Justiça Federal que considerou sua gestão temerária. Apesar de pareceres contrários, Rioli emprestou US$ 326 mil à quase concordatária Companhia Brasileira de Tratores.
O lance mais impressionante de Rioli no Banespa incluiu um personagem recorrente desta trama: Ricardo Sérgio de Oliveira.
Envolvendo o Banespa e com a cumplicidade de Rioli, Ricardo Sérgio trouxe de volta ao Brasil US$ 3 milhões sem origem justificada que repousavam no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe.
Na CPI do Banespa, que investigou o escândalo, o ex-governador Fleury espantou-se com o fato. “É surpreendente saber que os tucanos conseguiram usar o Banespa para internar dinheiro durante o meu governo”, disse.
(41) Sérgio Roberto Vieira da Motta (1940-1998), um dos fundadores do PSDB, tornou-se personagem central no processo de aprovação da reeleição para beneficiar o então presidente e seu companheiro de partido Fernando Henrique Cardoso. Teria articulado a compra dos votos parlamentares — por meio de dinheiro ou concessões de rádio e TV — necessários à aprovação da emenda pro reeleicao, segundo gravações obtidas e publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Dow e Monsanto somam forças para envenenar o coração das Americas



artigo de Richard Schiffman no site TruthOut - tradução de Heloisa Villela para o Viomundo

Em um casamento que muitos diriam foi engendrado no inferno, os dois maiores produtores de agroquímicos do país somaram forças em uma parceria para reintroduzir o uso do herbicida2,4-D, metade do infame desfolhante Agente Laranja, que foi usado pelas tropas norte-americanas para limpar as florestas durante a Guerra do Vietnã. Essas duas gigantes da biotecnologia desenvolveram um programa de administração de semente que, se for bem sucedido, será um grande passo na direção de dobrar o uso do herbicida nocivo no cinturão de milho dos Estados Unidos durante a próxima década.
O problema para os fazendeiros de milho é que as “super sementes” vem desenvolvendo resistência ao Roundup, herbicida campeão de vendas nos Estados Unidos, que é pulverizado em milhões de hectares do centro-oeste e em outros lugares. A Dow Agrosciences desenvolveu uma variedade de milho que ela diz que resolve esse problema. A nova variedade geneticamente modificada tolera o 2,4-D, que vai matar as ervas resistentes ao Roundup, mas deixará o milho em pé. Os fazendeiros que optarem pelo sistema terão que dar uma dose dupla a suas plantações, com o coquetel mortífero de Roundup mais o 2,4-D, ambos fabricados pela Monsanto.
Mas este plano alarmou os ambientalistas e também muitos fazendeiros, que relutam em reintroduzir um químico cuja toxicidade já foi muito bem documentada. O 2,4-D foi banido por vários países da Europa e em províncias do Canadá. Suspeita-se que a substância seja carcinogênica, e já foi provado, em um estudo conduzido pelo patologista Vincent Garry, da Universidade de Minnesota, que a incidência de defeitos de nascença dobra em filhos de aplicadores de pesticidas.
Pesquisadores dizem que o efeito do 2,4-D sobre a saúde humana ainda não foi totalmente compreendido. Mas ele pode ser um fator de risco em linfomas e leucemias, que foram detectados com frequência entre os veteranos do Vietnã expostos ao Agente Laranja. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) afirmou que o químico pode ter “potencial de ruptura endócrina” e interfere no sistema hormonal humano. Pode ser que seja tóxico para as abelhas, pássaros, peixes, de acordo com a pesquisa do Serviço Florestal Americano, e outros. Em 2004, uma coalizão de grupos liderada pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais e pela Pesticide Action Network, enviou uma carta à EPA cobrando pelo fato de a agência ter subestimado os impactos do 2,4-D sobre a saúde e sobre o meio-ambiente.
A agricultura industrial de larga escala se tornou dependente de aplicações cada vez maiores de agroquímicos. Alguns comparam a situação a um viciado em drogas que requer doses cada vez maiores para ficar entorpecido. O uso de herbicidas aumentou consistentemente no tempo enquanto as ervas desenvolveram resistência e requerem quantidades cada vez maiores e mortíferas de químicos para serem mortas. Isso exige que a engenharia genética produza agressivamente sementes que aguentem o ataque cada vez mais intenso dos produtos químicos.
Muitos cientistas agrícolas alertam que essa dependência crescente de agroquímicos é insustentável a longo prazo. A fertilidade do solo diminui na medida em que minhocas e microorganismos vitais são mortos pelos pesticidas e herbicidas. Eles também poluem os depósitos subterrâneos de água e comprometem a saúde dos animais alimentados com grãos contaminados pelos produtos químicos.
Estes impactos estão fadados a crescer. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelam que o uso de herbicidas aumentou em 173 milhões de quilos de 1996 a 2008. Significativamente, quase metade deste incremento (46%) se deu entre 2007 e 2008 como resultado da venda das novas sementes resistentes a herbicidas como o novo híbrido de milho da Dow.
Ninguém sabe qual será o efeito que o uso desse híbrido terá sobre a saúde dos consumidores norte-americanos. Milho entrelaçado com altos níveis de 2,4-D pode contaminar de tudo, dos cereais do café da manhã ao bife de vaca, que concentra toda a toxina na carne. Já que o milho e frutose de milho são elementos-chave de tantas comidas processadas, alguns especialistas em saúde pública alertam que todos os norte-americanos, em breve, serão cobaias em um experimento de massa mal concebido com um dos principais itens de nossa cadeia alimentar. O departamento de agricultura dos Estados Unidos, o USDA, está considerando desregulamentar as novas variedades de milho geneticamente modificado da Monsanto (o que será usado em conjunto com o 2,4-D) e está aceitando os últimos comentários públicos sobre o tema até o dia 27 deste mês (fevereiro).
Até recentemente, sementes resistentes a herbicidas eram populares com os fazendeiros, que conseguiam alta produtividade quase sem esforço na administração das ervas daninhas. Mas agora que o problema das ervas está voltando com força, alguns estão questionando a sabedoria deste modelo de uso intensivo de químicos na agricultura. O milho biotecnológico da Dow custa quase três vezes o preço da semente comum. E a projeção de que o uso de pesticidas vai dobrar nos próximos anos vai tornar tudo mais caro, e ao mesmo tempo mais destrutivo para as fazendas e para o ecossistema.
Existem alternativas viáveis à agricultura intensiva em químicos, métodos que passaram no teste do tempo, como a rotação de culturas, o uso de sementes cover, e outras práticas que permitem aos fazendeiros competir naturalmente com as ervas. Já é hora dos fazendeiros recuperarem o conhecimento de seus ancestrais nesta área.
Alguns cientistas agrícolas defendem o desenvolvimento de um sistema integrado de manejo das ervas para substituir o uso insustentável de produtos químicos. Mas as grandes empresas de agroquímicos não têm o menor interesse em dar apoio à agricultura sustentável, que tem o potencial de eliminá-las do mercado. Enquanto houver bilhões de dólares em jogo na venda de herbicidas e de sementes geneticamente modificadas resistentes aos herbicidas, não haverá muito dinheiro disponível para pesquisas que explorem alternativas naturais à destruição do coração de nossa nação.