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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Triste Iraque
Por Mauro Santayana, em seu blog
Mais uma vez, os Estados Unidos concluem uma guerra sem ganhá-la, ao não conseguir impor sua plena vontade aos agredidos. Os soldados norte-americanos não saem do Iraque como saíram de Saigon, em 30 de abril de 1975, escorraçados pelas tropas de Hanói e pelos vietcongs. Desta vez, eles primeiro arrasaram o Iraque, durante uma década de bombardeios constantes.
O despotismo de Saddam não incomodava antes os Estados Unidos, quando coincidia com o interesse de Washington. Tanto era assim, que os norte-americanos estimularam a guerra contra o Irã, e lhe ofereceram suporte bélico e diplomático, mas seu objetivo era o de debilitar os dois países. No momento em que — cometendo erro político elementar — Saddam pretendeu restaurar as fronteiras históricas do Iraque, ao invadir o Kueit, Washington encontrou, com o primeiro Bush, o pretexto para a agressão aérea a Bagdad, a criação da chamada zona de exclusão, em que o bombardeio aéreo era indiscriminado, e o bloqueio econômico.
Foram dezenas de milhares de mortos durante os dez anos de ataques aéreos, prévios à invasão. Entre os sobreviventes da agressão, houve milhares de crianças, acometidas de leucemia pela radiação das munições amalgamadas com urânio empobrecido.
Assim, ao invadir o país por terra, os americanos encontraram um exército debilitado, parte do território arrasado e um governo na defensiva diplomática. O pretexto, que os fatos desmoralizaram, era o de que Saddam Hussein dispunha de armas de destruição em massa.
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Ontem, o presidente Obama disse que o Iraque é hoje um “país independente, livre e soberano, muito melhor do que era com Saddam”. Saddam, sabem os observadores internacionais, era muito menos obscurantista do que os príncipes da Arábia Saudita.
Seu povo vivia relativamente bem, suas mulheres não eram tratadas com desrespeito e frequentavam a universidade. Algumas ocupavam cargos importantes no governo, na vida acadêmica e nos laboratórios de pesquisas. Havia tolerância religiosa, não obstante a divergência secular entre os sunitas e os xiitas, que ele conseguia administrar, a fim de assegurar a paz interna.
O vice-primeiro-ministro Tarik Aziz era católico, do rito caldeu. País de cultura islâmica, sim, mas talvez o mais aberto de todos eles a outras culturas e costumes. O país se encontrava em pleno desenvolvimento econômico, com grandes obras de infraestrutura, e mantinha excelentes relações com o Brasil, mediante a troca de petróleo por tecnologia e serviços de engenharia, quando começaram os bombardeios.
Depois disso, nos últimos nove anos, a ocupação norte-americana causou a morte de mais de 100 mil civis, 20 mil soldados iraquianos e 4.800 militares invasores, dos quais 4.500 ianques. Milhares e milhares de cidadãos iraquianos ficaram feridos, bem como soldados invasores, a maioria deles mutilados. As cidades foram arrasadas — mas se dividiram os poços de petróleo entre as empresas dos países que participaram da coligação militar invasora.
Hoje não há quem desconheça as verdadeiras razões da guerra, tanto contra o Iraque, quanto contra o Afeganistão: a necessidade do suprimento de petróleo e gás, do Oriente Médio e do Vale do Cáspio, aos Estados Unidos e à Europa Ocidental. Daí a guerra preemptiva e sem limites, declarada pelo segundo Bush, que se dizia chamado por Deus a fim de ir ao Iraque matar Saddam Hussein. Não só os mortos ficam da agressão ao Iraque. Os americanos saem do país, deixando-o sem energia elétrica suficiente, sem água potável, com 15% de desempregados e, 85% dos que trabalham estão a serviço do governo.
Toda a história dos Estados Unidos — ao lado de méritos fantásticos de seu povo — foi construída no afã da conquista e da morte. Desde a ocupação da Nova Inglaterra, não só os índios conheceram a sua fúria expansionista: na guerra contra o México, o país vencido perdeu a metade do território pátrio, o que corresponde a quase um terço do atual espaço norte-americano no continente.
Uma das desgraças da vitória americana foi a ruptura do Compromisso do Missouri, com a ampliação do escravagismo aos novos territórios, que seria — pouco mais de dez anos depois — uma das causas do grande confronto interno, entre o Sul e o Norte, a Guerra da Secessão. Lincoln, que a enfrentou, havia sido, em 1847, um dos poucos a se opor ao conflito contra o México.
A partir de então, a ânsia imperialista dos Estados Unidos não teve limites. Suas elites dirigentes e seus governantes, salvo alguns poucos homens lúcidos, moveram-se convencidos de que cabia a Washington dominar o mundo. Ainda se movem nessa fanática determinação. Agora, saem do Iraque e anunciam que deixarão também o Afeganistão, no ano que vem. Mas, ao mesmo tempo, dentro da doutrina Bush da guerra sem fim, preparam-se para nova agressão genocida contra o Irã.
Os Estados Unidos nunca conheceram a presença de invasores estrangeiros. Sua guerra da independência se fez contra tropas britânicas, que não eram invasoras, mas sim ocupantes da metrópole na colônia. As poucas incursões mexicanas na fronteira, de tão frágeis, não contam. Mas há uma força que cresce, e que não poderão derrotar: a do próprio povo norte-americano, cansado de suportar o imperialismo interno de seus banqueiros e das poucas famílias bilionárias que se nutrem da desigualdade.
O povo, mais do que tudo, se sente exaurido do tributo de sangue que, a cada geração, é obrigado a oferecer, nas guerras sem glória, contra povos inermes e quase sempre pacíficos, em nome disso ou daquilo, mas sempre provocadas pelos interesses dos saqueadores das riquezas alheias.
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A situação tomou rumo novo, a partir dos anos 80, como apontou, em artigo publicado ontem por El Pais, o biólogo e filósofo catalão Federico Mayor Zaragoza, ex-ministro da Educação de seu país e, durante 12 anos, diretor-geral da Unesco. A aliança de interesses entre Reagan e Margareth Thatcher significou a capitulação do Estado diante do mercado, e se iniciou a era do verdadeiro terror, com 4 bilhões de dólares gastos a cada dia, em armamentos e outras despesas militares, e, a cada dia, 60 mil pessoas mortas de fome no mundo.
Mayor lembra a que levou o novo credo das elites, que Celso Furtado chamou de “fundamentalismo mercantil”: a melancólica erosão da ONU e sua substituição por grupos plutocráticos, como o grupo dos 7, dos 8 e, agora, sob a pressão dos emergentes, dos 20. E na pátria da nova fé nas “razões do mercado”, os Estados Unidos, há hoje 20 milhões de desempregados, 40 milhões de novos pobres e 50 milhões de pessoas sem qualquer seguro de saúde.
A Europa assediada e perplexa, com a falência de suas instituições políticas, está presa na armadilha do euro, que não tem como concorrer com o dólar nem com o yuan, porque yuan e o dólar são emitidos de acordo com a necessidade dos Estados Unidos e da China. Disso conseguiu escapar a Inglaterra, que mantém a sua moeda própria.
Os Estados Unidos, se não houver a reação, esperada, de seu povo, se preparam para manter o terror no mundo, mediante suas armas eletrônicas de alcance global, entre elas os aviões não tripulados. Seu destino, se assim ocorrer, será o do atirador solitário, que se compraz em assassinar os inocentes à distância, até que alguém consiga, com o mesmo método, abatê-lo. E não faltam os que se preparam para isso.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
FH, bastião da social democracia nacional, está uma fera!... que meda!...
Por Altamiro Borges, em seu blog
O livro “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro, deixou FHC irritadíssimo. O “eminente”, “notável” e “ilustre” ex-presidente do Brasil privatizado e de joelhos para o FMI sentiu o baque. Ele está uma fera. Uma semana após o lançamento do livro, ele divulgou hoje uma nota dura contra o premiado jornalista e exigiu medidas urgentes do seu partido, o entreguista PSDB, para silenciá-lo:
Reproduzo alguns trechos da nota (quem quiser ler a íntegra procure no sítio do PSDB, se é que os lerdos já o publicaram) com breves e carinhosos comentários entre colchetes:
*****
A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária [que o digam alguns líderes do seu partido, como o senador Álvaro Dias e o rejeitado Arthur Virgílio, a mídia demotucana e alguns “calunistas” adoradores de FHC]. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB [eminentes e derrotados nas urnas], fomos vítimas em mais de uma ocasião...
Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora "acusações", especialmente, mas não só, contra José Serra [mas o seu ex-ministro da privataria não é conhecido exatamente por contratar arapongas e montar dossiês; até o mineiro Aécio Neves sabe disso]...
Na audácia de quem já tem experiência em fabricar "documentos" [mas o Amaury não ganhou vários prêmios de jornalismo, não trabalhou para os principais veículos da imprensa ?...] se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional [na campanha presidencial de 2010, os tucanos é que ficaram famosos por difundirem que Dilma matava criancinhas, que Lula intentara um estupro e inúmeros outras baixarias].
Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação [não vai ser fácil! O partido está rachado, com penas voando para todos os lados. Aécio, Serra e Alckmin não se entendem. Alguns tucanos, inclusive, já abandonaram o ninho bichado].
Chega de assassinatos morais de inocentes [mas não é FHC que está numa jornada insana, acusando Lula de “corrupto” e exigindo que Dilma rompa com a herança do seu antecessor]. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia. [Nesse ponto eu concordo. A Justiça deve se pronunciar. Deve abrir todos os documentos do processo de privatização em seu governo. Deve exigir os dados sobre as contas secretas nos paraísos fiscais. Deve acionar os que violaram o sigilo de milhões de brasileiros, como a filha de José Serra. Chega de infâmias e de cinismo!].
Por Wagner
Acabo de ler matéria postada no UOL, onde o nosso ex-presidente ataca um jornalista, não citando seu nome, acusando-o de "fabricar" dossies. Confesso que fiquei totalmente atônito. Do que será que ele está falando?...
Sou leitor assíduo da mídia pátria, bem como telespectador ávido da Globo e não estou sabendo nada do que está acontecento. Fiquei sabendo que o Sr. Fernando Henrique está indignado, mas não sei o porque. Alguem poderia me passar a informação? Do que se trata? Que jornalista é esse? Onde ele fez essa graves denúncias aos nosso ex-presidente e aos seus queridos amigos?
Vou assitir ao Jornal Nacional e ao William Wraack hoje para ver se consigo ficar por dentro. Ou então amanhã, dever sair alguma matéria esclarecedora na Folha, Estadão ou Globo.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Avião espião americano abatido no Irã - tem problemas!...
A emissora estatal iraniana, exibiu imagens do UAV espião “invisível” que foi “derrubado” por um ataque cibernético das forças militares iranianas na semana passada, uma vez que a aeronave americana invadiu o espaço aéreo iraniano.
De acordo com a TV estatal iraniana o UAV RQ-170 Sentinel tem 26 metros de envergadura, tem 4,5 de comprimento e 1,84 metros de altura.
O UAV se assemelha a asas de morcego e é capaz de fugir dos radares inimigos. O RQ-170 Sentinel é equipado com diferentes sensores, o que significa que ele pode capturar uma vasta gama de material de inteligência, incluindo imagens em alta resolução, medir a radiação e capturar amostras do ar. Ele também é capaz de detectar potenciais alvos em terra e simultaneamente espionar as redes de comunicações sem fio, também foi projetado para espionar telefonemas e mensagens de textos e captar sinais de rádio e TV, entre outros dados.
Funcionários do governo dos EUA e diplomatas ocidentais disseram que o avião furtivo fazia parte de uma frota de aeronaves secretas que a CIA tem usado há vários anos em uma escalada da campanha de espionagem que tinham como alvo as instalações iranianas.
A aeronave, construída pela empresa aeronáutica americana Lockheed Martin, é mais conhecido por seu papel de monitoramento do Paquistão, onde Osama Bin Laden foi morto.
O Irã já abateu uma dezena de aeronaves não-tripuladas estrangeiras durante os últimos 4-5 anos.
Autoridades dos EUA descrevem a perda do RQ-170 Sentinel como retrocesso e um golpe falta no programa de UAVs furtivos.
Os EUA já imaginam que os engenheiros iranianos usaram a aeronave intacta para examinar a vulnerabilidade da tecnologia “stealth” americana e criar contramedidas para os seus sistemas de defesa antiaérea. Outra preocupação americana é que o Irã permita adversários como a China extrair dados do UAV, o que revelaria a sua história de voo, alvos monitorados e outras capacidades.
Verdades e mentiras
Autoridades americanas alegaram que o RQ-170 Sentinel não foi derrubado por um ataque cibernético iraniano, mas que o mesmo caiu depois que a CIA perdeu o seu controle. Essas mesmas autoridades diziam que os “destroços” do RQ-170 Sentinel não tinha muita utilidade para o Irã e que o país dos Aiatólas não poderia usar os destroços do UAV para fazer engenharia reversa. Mas depois que os iranianos mostraram ao mundo o RQ-170 Sentinel intacto, os americanos ficaram envergonhados e se ainda restavam-lhes alguma credibilidade, essa se foi de forma definitiva junto com “A Besta de Kandahar” (apelido dado ao RQ-170 Sentinel enquanto as autoridades americanas não admitia a existência desse UAV espião).
O Irã anunciou no domingo que suas forças de defesa haviam derrubado o RQ-170 Sentinel através de um sofisticado ataque cibernético. Inicialmente as autoridades americanas permaneceram em silencio sobre o caso porque não acreditavam que o Irã tinha detectado e derrubado um UAV invisível. No entanto, mais tarde, eles admitiram que tinham perdido contato com o avião. Funcionários da Casa Branca alegaram em um primeiro momento que o UAV não tinha nada de especial e que esse pertencia às forças da USAF no Afeganistão, mas tarde admitiram que o avião abatido era um avião não-tripulado de vigilância “stealth”, que era usado em missões secretas "top" da CIA.
O RQ-170 Sentinel tem revestimento especial e sua forma de asas morcego o ajudam a penetrar às defesas de outras nações sem ser detectado. A existência da aeronave é conhecida desde 2009, quando então um modelo foi fotografado no principal aeródromo americano em Kandahar, Afeganistão. Por ser desconhecido até então, o RQ-170 Sentinel recebeu o apelido de “A Besta de Kandahar”.
De acordo com as autoridades americanas, os EUA estão com um problema de falta de aeronaves sofisticada em estado-de-arte e o design do RQ-170 Sentinel não pode ser comparado aos seus rivais inferiores, caso do MQ-1 Predator.
Os americanos agora tentam convencer o mundo que a aeronave e seus sistemas sofisticados não estão entre as tecnologias que deveriam ser “expostas” aos iranianos ou qualquer outro país do mundo, especialmente os seus adversários, mas a mídia ocidental informou ontem que a aeronave é tão importante para os EUA, que os americanos já estão avaliando a hipóteses de mandar um time de comandos ao Irã para recuperar ou destruir o RQ-170 Sentinel.
As autoridades americanas anunciaram, que consideram várias opções para recuperar o RQ-170 Sentinel. Os americanos consideram tanto o envido de um time de comandos, que atualmente estão baseado nos Afeganistão, bem como a utilização de agentes aliados dentro do Irã para caçar a aeronaves abatida.
Outra opção seria o uso de um “time furtivo” que fosse capaz de explodir a aeronave. Uma terceira opção seria destruir a aeronave sofisticada com um ataque aéreo ou com mísseis de cruzeiro. Mas de qualquer forma o uso de pessoal em terra seria fundamental, afinal os americanos teriam que descobrir o local em que o RQ-170 Sentinel está guardado, quiçá seria necessários homens em terra para “iluminar” o local onde o RQ-170 Sentinel está, para que um ataque aéreo ou com mísseis de cruzeiro seja possível.
No entanto, os americanos estão preocupados em tomar qualquer decisão para recuperar ou destruir o UAV, haja visto que o Irã reagiria as atitudes americanas, oxalá as tome como alto de guerra.
Em contrapartida, até a exposição do RQ-170 Sentinel, intacto, pela TV estatal do Irã, a mídia americana tentava convencer de forma ridícula o mundo que o RQ-170 Sentinel foi danificado e que o Irã não faria muito uso do mesmo. Ridículo o papel das mídias americanas, afinal o papel de jornais, revistas e agências de notícias é informar e não difundir informação dúbia. Já o Irã lançou ontem as primeiras imagens juntamente com explicações detalhadas sobre seus sistemas, especificações e sobre a forma que as forças iranianas derrubaram o RQ-170 Sentinel.
Além disso, os funcionários americanos alegaram que analisar os “destroços” do UAV não daria aos engenheiros e cientistas iranianos a qualidade necessária para desenvolveram um UAV a partir do RQ-170 Sentinel. A bem da verdade, o Irã não precisa desse tipo de informação, afinal o país já desenvolveu um UAV espião furtivo com a capacidade de ataque. Isso há dois anos atrás.
O Irã iniciou a construção de uma fábrica na província de Mazandaran, em março de 2009, para a produção massiva de vários tipos de UAVs para diferentes missões. O Irã também desenvolve aeronaves de vários tipos, incluído de caça, os caças Saeqeh (Thunderbolt) e Azarakhsh (Lightening) são exemplos disso. No que concerne a furtividade, vale lembrar que o Irã pesquisa há anos formas e materiais para diminuírem a visibilidade de suas aeronaves.
Outro ponto que diz respeito as falsas afirmações dos americanos sobre o RQ-170 Sentinel, é que os americanos tentam a todo custo convencer o mundo que aeronave caiu após perder o controle, mas como uma aeronave que caiu após um sinistro pode permanecer intacta após a queda? Seria o solo do Irã feito da mais fofa almofada?
Os americanos também dizem que o RQ-170 Sentinel invadiu o espaço aéreo iraniano várias vezes nos últimos 4 anos e que o Irã jamais percebeu as invasões. Como os iranianos poderiam detectar e abater tais aeronaves avançadas, questionou um funcionário da Casa Branca.
Parece que o funcionário americano não se deve lembrar da história de seus UAVs perdidos no espaço aéreo iraniano não na última semana, mas sim nos últimos 7 anos.
Em janeiro de 2011, o comandante da Força Aeroespacial da IRGC, o brigadeiro-general Amir Ali Hajizadeh, disse na “Payam Engelab” (Mensagem da Revolução) anual, uma publicação interna da Guarda Revolucionária, que as forças iranianas tinham abatidos vários aviões espiões de várias forças estrangeiras, inclusive dois desses aviões foram abatidos sobre o Golfo Pérsico.
“Temos até agora derrubado um grande número de aviões espiões altamente avançados”, disse Hajizadeh na ocasião.
Depois derrubar esses aviões, as unidade aeroespacial do Pasdaran recolheu os destroços dos mesmo, estudou-os e por meio de engenharia reversas desenvolveu a aeronaves não-tripuladas a partir das pesquisas.
No dia seguinte do pronunciamento Hajizadeh, o vice-comandante do Estado-Maior Geral das Forças Armadas do Irã, o major-general Gholam Ali Rashid confirmou que os relatos de Hajizadeh e acrescentou que várias UAV americanos foram derrubados pelas unidades de defesa aérea dos Guardiões da Revolução e disse também que alguns UAVs foram abatidos fora do espaço aéreo iraniano.
Poucos dias depois, um outro militar sênior do Irã confirmou os relatos de Hajizadeh e Ali Rashid sobre o abate de vários aviões inimigos sobre o Golfo Pérsico, e disse que o Irã tem como alvo um grande número destes aviões sem-piloto durante os últimos 7 anos.
“Nós experimentamos muitas vezes incidentes semelhantes no passado e houve mesmo UAVs pertencentes ao regime sionista (Israel), os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que foram derrubados no Golfo Pérsico durante os últimos sete anos”, disse o oficial.
Ele também confirmou que os aviões tinham sido abatidos fora do espaço aéreo iraniano, e observou: “O movimento mostra que somos cuidadosos na tentativa de parar a violação do espaço aéreo do Irã por UAVs agressivos”.
O Irã convidou especialistas russos para ver esses dois UAVs abatidos e depois reproduzi-los através de engenharia reversa.
Um estranho final para o enredo justiceiro do agitador-mor de Santa Catarina
O
jornalista e blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, 52 anos, foi encontrado
enforcado na tarde desta terça-feira (ontem 13/12) em seu pequeno apartamento no bairro Pedras Brancas, em
Palhoça. A principio o caso está sendo
tratado como suicídio. Ele estaria atordoado pelos incontáveis processos
e haveria um mandado de prisão contra ele.
Embora não fosse exatamente imparcial em sua cruzada (tinha lado e aparentemente
trabalhava a soldo de determinado grupo político catarineta) sua característica
combativa certamente tirava o sono de muita gente desonesta, notadamente os do gênero
Politicus, que ele
denunciou sem trégua, mostrou maracutaias e mexeu em delicadas feridas da
sociedade catarinense e do seu mundo politico.
COMPLEMENTO:
E encerra suas atividades o polêmico blog Tijoladas do Mosquito. Por três anos, legislativo, judiciário, executivo e outras "ôtoridades" de SC tremeram nas bases com as denúncias e xingamentos do Mosquito. Ele foi o primeiro a denunciar o escândalo da árvore de natal da Beira Mar Norte. O primeiro a falar sobre os estupro de uma menor envolvendo Sirotskys. Várias denúncias do blog, bem documentadas, estimularam investigações do Ministério Público e condenações. Chegou a ser citado na sentença de um juiz que condenava um prefeito do interior a devolver dinheiro público. Talvez não tenha feito jornalismo na forma e padrão convencional, disparando adjetivos tortos e alguns "filhos da puta" a mais. Ganhou mais de 50 processos por isso. Dependendo da teoria de análise, alguns vão dizer que nem jornalismo fez, era só denuncismo. Mas foi um defensor apaixonado da ilha e seu povo (nós), e fez o que o jornalismo local não faz: desmascarou, denunciou, investigou e provou irregularidades. Mostrou ali, no blog público e acessado por mais de cinco mil pessoas por dia, a mão grande e a completa desfaçatez de quem é muito bem pago para escolher por nós – e que faz questão de escolher apenas por eles. Deixa seguidores fiéis, que viram nesse justiceiro dos bytes a voz comunitária da indignação. A pressão, vocês devem imaginar, é terrível. No último achaque do poder, dava depoimento em processo movido por Dário Berger quando recebeu uma ilegal voz de prisão ao responder pergunta do promotor – que tem cargo público e não poderia estar ali. Está tudo documentado no blog dele, aparece lá. Descubra um pouco mais sobre o que realmente acontece na sua cidade. Como ele mesmo escreveu, o blog entra para a história de Florianópolis.
"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade." – George Orwell
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
A lavanderia continua a todo vapor
pesquisa de Fernando Brito, no Tijolaço
Vamos contar duas histórias, que estão à espera do nosso famoso “jornalismo investigativo”. Apenas fatos e documentos, sem qualquer ilação.
História N°1:
No dia 1° de fevereiro deste ano, a edição digital do jornal Monitor Mercantil publicou:
“A One Equity Partners (OEP), braço de investimentos do banco J.P.Morgan, acertou a aquisição de 50% do Portal de Documentos, empresa brasileira que fornece soluções de gestão integrada nos serviços de cobrança de crédito”“
Cinco dias antes, a Portal de Documentos, até então uma empresa limitada, com capital social de R$ 200 mil, transformara-se em Sociedade Anonima.
Naquele 1° de fevereiro, a Portal de Documentos realiza uma assembléia, mas não há transferência de cotas para a OEP ou para o JP Morgan. Há, porém a eleição de dois cidadãos americanos como conselheiros administrativos: Bradley J.Coppens e Christian (que está grafado como "Cristina" na Junta Comercial) Patrick Raymond Ahrens, ambos diretores da empresa de investimentos ligada ao JP . Ambos fornecem CPF errado e indicam como residência Strawinskylaan 1135, NL-1077, a sede do JP Morgan na Holanda, embora o banco possua uma aqui, e muitos negócios no Brasil, como a compra, em outubro de 2010, da Gávea Investimentos, de Armírio Fraga, ex-presidente do BC no Governo FHC.
Na mesma assembléia, Bradley e Arhens nomeiam sua procuradora com plenos poderes: A Sra. Verônica Allende Serra.
História N°2:
Era uma vez três empresas modestas:
A Dernamo Participações Limitada, a mais rica de todas, com capital social de R$ 1.000,00 e duas outras, bem modestas, a Gurham Participações Ltda. e a Hemath Participações Ltda, cada das duas com R$ 100 (cem reais, não cem mil) de capital registrado.
Todas foram criadas por um escritório de despachantes, o Serpac – Serviços Paralegais e Contábeis – atualmente chamada TMF – que, criado em 2007 com capital de R$ 100 mil, pulou para mais de R$ 820 mil em em 2009.
Mas voltemos às três empresinhas.
Em junho de 2009, o J.P. Morgan Trustee and Depositary Company , de Londres, compra 99% da Dermano, por R$999. Em março de 2010, faz o mesmo com a Gurham e com a Hemath, pagando 99 reais por cada uma.
E aí, quem é nomeado administrador da empresa, que passa a chamar-se "Select Brazil Investimentos Imobiliários"?...
Sim, ele, o multi-homem, José Tavares de Lucena, que é o representante brasileiro da Citco do Caribe e gestor das empresas de Paulo Henrique Cardoso, o PHC: a Radio Holdings e a Rádio Itapema, a famosa Rádio Disney, em sociedade com a Walt Disney Corporation, sob o nome de ABC Venture Corp.
Com ele, o outro administrador da rádio PHC, Jobiniano Vitoriano Locateli.
E aí a empresa é capitalizada em mais de R$ 18,9 milhões!
A mesma coisa aconteceu com a Ghuram e a Hemat, mas em escala ainda maior. Dos R$ 100 de capital social que cada uma tinha, passou-se, de uma só tacada, para R$ 57.134.999,00 na Ghuram e para R$ 54.977.782,00 na Hemath.
Que destino será que tomaram estes mais de R$ 130 milhões vindos de fora,justo em 2010?
As três empresas são renomeadas, neste processo, como Select Brazil Investimentos Investimentos Imobiliários – I, II e III – e cada uma tem um real (isto mesmo, R$ 1) de participação da Select Brazil Nominee Limited, com sede em Londres, mais precisamente no escritório de advocacia Addleshaw Goddard & Co ., se estiver correto o endereço fornecido.
Dois contadores, diga-se, que vivem em casas modestas, considerando que o primeiro é administrador, diretor ou conselheiro de 66 empresas e o segundo de 204 empresas, a grande maioria com participação de capital estrangeiro.
PS:os documentos, que é só clicar e ampliar e todas as informações societárias foram obtidas dos arquivos online da Junta Comercial de São Paulo. São públicos. Basta fazer o cadastro e pesquisar. Ou isso será pedir muito ao “jornalismo investigativo”?
Ainda sobre o livro de Amaury Ribeiro Jr. (6)
Desculpem a insistência, mas nós índios não podemos ficar
em silencio como a velha mídia, o os sultões do tucanistão e a companheirada petralha...
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Ainda sobre o livro do Amaury Ribeiro Jr (5)
por Jorge Furtado, no blog Casa de Cinema de Porto Alegre
Terminei de ler o extraordinário trabalho jornalístico de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, (Geração Editorial), o livro mais importante do ano. Para quem acompanha a vida política do país através de alguns blogs e da revista Carta Capital, não há grandes novidades além dos documentos que comprovam o que já se sabia: a privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república. O grande mérito do livro de Amaury é a síntese que faz da rapinagem, e a base factual de suas afirmações, amparadas em documentos, todos públicos. Como bom jornalista, Amaury economiza nos adjetivos e esbanja conhecimento sobre o seu tema: o mundo dos crimes financeiros.
A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.
Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada, são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos 5 milhões de dólares), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.
A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, há propinas comprovadas de 20 milhões de dólares, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.
Alguns destaques do livro:
A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.
Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada, são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos 5 milhões de dólares), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.
A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, há propinas comprovadas de 20 milhões de dólares, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.
Alguns destaques do livro:
- As imagens do Citco Building, em Tortola, Ilhas Virgens britânicas, gavetas recheadas de empresas offshore sediadas em caixas postais, "a grande lavanderia", pág. 43.
- Sobre a pechincha da venda da Vale, na pág. 70.
- Sobre o grande sucesso "No limite da irresponsabilidade", na voz de Ricardo Sérgio., pág. 73.
- Sobre o MTB Bank e sua turma de correntistas, empresários, traficantes e políticos de várias tendências, e a pizza gigante de dois sabores (meio petista, meio tucana) da CPI do Banestado, pág. 75.
- Como a privatização tucana fez o governo (com o seu, meu dinheiro), pagar aos compradores do patrimônio público, pág.171.
- Como Daniel Dantas (de olho no fundo Previ, comandado pelo governo) usou sua imprensa para ameaçar José Serra, pág. 183.
- A divertida sopa-de-nomes das empresas offshore, massarocas intencionais para despistar a polícia do dinheiro do crime, pág. 188.
- Os grandes personagens do sub-mundo da política, arapongas que trabalham a quem pague mais, pág. 245.
- Um perfeito resumo do que realmente aconteceu na noite dos aloprados, no Hotel Ibis, em São Paulo, pág. 282.
- Um retrato completo do modus operandi da mídia pró-serra na eleição de 2010, a partir da pág. 295.
- Outro resumo perfeito, do caso Lunus, quando a arapongagem serrista detonou a candidatura de Roseana Sarney, pág. 314.
- Sobre para-jornalistas que acabam entregando suas fontes e sobre fontes que confiam em para-jornalistas, pág. 325.
O índice remissivo e a quantidade de dados que o livro de Amaury apresenta já o tornaria uma peça obrigatória na biblioteca de quem pretende entender o Brasil. Mas "A Privataria Tucana" também lança um constrangedor holofote sobre a grande imprensa brasileira, gritamente pró-serra, que é cúmplice, ao menos por omissão, da roubalheira que tornou o país mais pobre e alguns ricos ainda mais ricos.
Imagine você o que esta imprensa – que gasta dúzias de manchetes e longos programas de debate na televisão numa tapioca de 8 reais ou em calúnias proferidas por criminosos conhecidos - diria se um filho de Lula, Dilma ou qualquer petista fosse réu em processo criminal de quebra de sigilo bancário. Segundo o livro de Amaury (e os documentos que ele traz) a filha de José Serra é ré em processo criminal por quebra de sigilo bancário. (p. 278)
O ensurdecedor silêncio dos grandes jornais e programas jornalísticos sobre o livro “A privataria tucana” é um daqueles momentos que nos faz sentir vergonha pelo outro. A imprensa, que não perde a chance - com razão - de exigir liberdade para informar, emudece quando a verdade contraria seus interesses empresariais e/ou o bom humor de seus grandes anunciantes. Onde estão as manchetes escandalosas, as charges de humor duvidoso, os editoriais inflamados sobre a moralidade pública? Afinal, cadê o moralista que estava aqui?
Imagine você o que esta imprensa – que gasta dúzias de manchetes e longos programas de debate na televisão numa tapioca de 8 reais ou em calúnias proferidas por criminosos conhecidos - diria se um filho de Lula, Dilma ou qualquer petista fosse réu em processo criminal de quebra de sigilo bancário. Segundo o livro de Amaury (e os documentos que ele traz) a filha de José Serra é ré em processo criminal por quebra de sigilo bancário. (p. 278)
O ensurdecedor silêncio dos grandes jornais e programas jornalísticos sobre o livro “A privataria tucana” é um daqueles momentos que nos faz sentir vergonha pelo outro. A imprensa, que não perde a chance - com razão - de exigir liberdade para informar, emudece quando a verdade contraria seus interesses empresariais e/ou o bom humor de seus grandes anunciantes. Onde estão as manchetes escandalosas, as charges de humor duvidoso, os editoriais inflamados sobre a moralidade pública? Afinal, cadê o moralista que estava aqui?
Neste vídeo, uma entrevista de duas horas com Amaury Ribeiro Jr, sobre o livro. Não o conhecia. Ele é um simpático jornalista, gordo, jeitão de delegado de policia, bastante suado (e está evidentemente exausto), traz a camisa para fora da calça e exalta-se com facilidade. Parece ser muito inteligente, pensa mais rápido do que consegue falar e, por isso, gagueja bastante e as vezes tem dificuldades para terminar uma frase. Mas quando engrena, mostra que conhece muito bem o assunto do seu livro, o crime de lavagem de dinheiro. O camera-man é um desastre mas a entrevista é imperdível.
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