* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A crise mundial acabou? (o caso do ouro falso)

Arsène Lupin - o ladrão de casaca

Uma das maiores farsas que se coloca é de que a crise mundial que se abateu sobre o capitalismo acabou e que voltamos a navegar em águas calmas. Nada mais falso.

Essa crise se estabeleceu pelo fato de a economia mundial ter se estratificado em cima de “bolhas” – sistemas econômicos fictícios, que não podem ter uma sustentação real indefinidamente. Ora, se o PIB de todo o mundo anda por volta de US$ 60 trilhões; os papéis que voam mundo afora somam estimados entre US$ 600 trilhões a US$ 1 quatrilhão. Ou seja, são apenas papéis, sem lastro de riqueza.

Mas há uma modalidade de riqueza sólida, cujo preço sobe sem parar, mais sólida que o petróleo: trata-se do velho e bom, em prosa e verso cantado, ouro. Esse sim, um ativo que não há meio de ser falsificado.

Na há meio?... não, não havia!…

Em On Doing God’s Work, o autor Rob Kirby nos conta uma história que nada tem a haver com as carochinhas, mas se assemelha mais a um conto de terror. Como falsificar ouro? Simples: basta revestir de ouro uma barra de tungstênio, que custa 10 dólares ou 17,31 reais a libra (454 g). Ontem o grama de ouro estava cotado a 60 reais na BMF; uma libra custaria então 27.240 reais. Como identificar uma barra falsificada?

Pelo peso é impossível: ambos tem a mesma densidade.

Se quiser saber os nomes dos principais falsificadores, basta ir ao artigo do link acima (ou aqui para uma tradução, em português de Portugal). Mas não espere encontrar mafiosos italianos ou especialistas franceses do crime perfeito a la Arsène Lupin. A coisa está muito mais para o banco central inglês, ou no alemão, ou no maior banco privado do mundo… a que ponto chegaremos?

Boa leitura.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Será que vão me intim(id)ar também?


ATUALIZAÇÃO: Por orientação de meu advogado, retirei as imagens do blog, para não tensionar muito esses legitimos representantes do PIG.




O Grupo Folha não vê problema em expor uma ficha falsa da ministra da Casa Civil Dilma Roussef, na primeira página de um domingo, acusando-a de participar de ações terroristas.

Não vê problema também em abrir uma página inteira para Cesar Benjamim expor seus fantasmas político-sexuais e acusar o presidente Lula de estuprador.

Acha também perfeitamente natural chamar de ditabranda a ditadura que sequestrou, torturou e matou centenas de brasileiros. Mas a Folha e o UOL não gostam de virar vidraça.

O blogueiro Arles publicou uns banners em seu blog convidando os navegantes para que cancelassem suas assinaturas do ex-jornalão e do portal. Recebeu uma notificação para que os retirasse do ar.




Nota do Viomundo : Os advogados alegam que "A marca da Folha e do Uol foram indevidamente utilizadas, de vez que não autorizadas, agravando-se tal ato pelo seu denegrimento." Denigrir é um termo racista. Significa tornar negro, em sentido pejorativo. Há outras palavras para expressar o que desejam, mas recorrem a uma com conotação preconceituosa, que associa o tornar-se negro a algo negativo. Denigrir, segundo o Dicionário do Houaiss, quer dizer também diminuir a pureza, o valor de; conspurcar(-se), manchar(-se).

Engraçado, eles podem"denegrir" a imagem do Lula e da Dilma,mas,a imagem deles não pode. Deve ser algo como Israel pode ter usina nucleares, o Irã não; é o mesmo raciocínio!


O Arles deveria, antes de assinar qualquer coisa, ter consultado a "douta banca de jurisconsultos" do Cloaca News. Eles também foram "notificados", e pela "suposta advogada" do "suposto jornalista" Ali Kamel, Diretor de Jornalismo da Rede Globo.

Para quem não se lembra, o Cloaca resolveu a parada dando uma martelada na testa do intimidador.
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Depois o Cloaca passou a ser quase um Chapolim Colorado, que vai nos defender!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Boas sacadas as vezes aparecem

Por que é que demorou tanto tempo para alguém ter uma idéia assim?... Não que eu ache que a Brastemp seja assim uma... Brastemp... mas a sacada foi genial, e o anuncio também é engraçadinho.


Um ano da tragédia em Blumenau


Numa cidade onde o conceito de trabalho faz parte da vida como uma segunda pele, esta idéia de que os desabrigados precisam mais é trabalhar, fica visível no rosto dos passantes que, muitas vezes se recusam até de pegar um panfleto.

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Por Elaine Tavares, reproduzido do ótimo NovaE


Em novembro de 2009 completou um ano da grande chuva que fez a cidade de Blumenau, em Santa Caratina derreter. Uma tragédia anunciada, visto que várias pesquisas e estudos de professores da FURB (Universidade Regional de Blumenal) há muito denunciavam a fragilidade dos terrenos nas partes da cidade em que os morros desabaram. Mas, enfim, a desgraça baixou e mais de cinco mil pessoas ficaram sem suas casas, isso sem contar os que perderam sua vida. Boa parte destas pessoas acabou levada para abrigos e todas esperavam que suas vidas voltassem ao normal, afinal, não foi pequena a ajuda que as gentes brasileiras deram aos desabrigados de Blumenau. Mas, o que aconteceu foi bem diferente e um número muito grande de famílias ainda não tem um lar.

No dia 21 de novembro, um sábado, enquanto o prefeito da cidade, João Paulo Kleinubing, dava entrevista nos meios de comunicação de massa, falando da beleza da obra de reconstrução feita pela sua gestão, a cidade real se manifestava em frente à catedral, tentando mostrar para a população que passava apressada para as compras, que há uma verdade escondida e que não aparece no jornal.


Quem passa pela área dos pavilhões da PROEB vê como a prefeitura foi eficaz na limpeza e na reconstrução. Tudo está bonito. “Na verdade, a grande massa do dinheiro foi para os empresários, donos das cervejarias, para o atendimento aos turistas na Oktoberfest. As pessoas mesmo de Blumenau, as que sofreram com o desastre e não tem renda suficiente para recomeçar ou parentes ricos, estão ainda nos abrigos”, diz uma professora da Furb. “E tem mais, esse povo não vai na Oktoberfest. Esta é uma festa para turistas”.


Uma artéria importantíssima da cidade como a Rua das Missões está há um ano com uma imensa cratera e tudo o que foi feito pela administração foi uma marcação com cones para que os carros não caiam no abismo. “A gente pobre segue como sempre foi. Abandonada”.

Na manifestação do Movimento dos Atingidos pelo Desastre participaram famílias desabrigadas de Blumenau, de Gaspar e Ilhota. E o que se pode notar é o desespero de não ver sua voz expressa com o mesmo destaque que a dos empresários e político. “Por favor, não esquece de falar aí na tua reportagem sobre o pessoal de Gaspar, a gente tá abandonado lá”, pedia um jovem pai, massacrado pela idéia de que nunca mais vai poder ter sua casinha de volta. “Era simples, mas era minha”.

Os representantes do MAD falaram da área de ocupação, em Blumenau, onde estão as famílias que se recusaram a ficar nos abrigos, uma vez que lá, sequer podiam se manifestar sem ser reprimidas pela vigilância da prefeitura. “Nós estamos ali na ocupação, todos os dias, resistindo, denunciando, ajudando as famílias desabrigadas, passando informações, organizando.A gente só pára este movimento quando a última casa for entregue ao último desabrigado”. Segundo os membros do MAD, restam ainda mais de 1500 pessoas sem casa e sem qualquer ajuda da prefeitura. Tudo é muito lento para os pobres. As prioridades são sempre para áreas mais visadas pelo turismo. Os abrigos provisórios vão se eternizando e as pessoas que lá vivem sequer podem fazer reuniões. São proibidas.

Os jornais que circulam em Blumenau como o Santa e o DC, ambos da RBS, deram destaque às obras de reconstrução da cidade, mostrando em infográficos tudo o que já foi refeito. Mas, como é natural em veículos que não praticam o jornalismo e sim a propaganda, as obras que aparecem como realizações da prefeitura são na sua maioria conclusões de obras já orçadas do governo federal. Tudo é computado como reconstrução do desastre, mas muito pouco do que está ali é coisa voltada para os desabrigados. Estes continuam tendo de se organizar coletivamente, com o apoio de sindicatos e alguns poucos políticos. Quem se atreve a andar pela Blumenau real imediatamente vê que o que dizem os jornais é só uma visão do poder. As famílias humildes que se concentraram em frente à catedral naquele sábado de chuva, com suas faixas e suas dores, precisam, além de lutar pelos seus direitos, enfrentar a terrível indiferença que já começa a se sentir por parte dos que voltaram à vida normal.


No geral, aqueles que conseguiram se reerguer seguem com suas vidas e, massacrados pela desinformação dos jornais, acreditam que os que ainda estão nos abrigos é porque não se esforçam o suficiente. Numa cidade onde o conceito de trabalho faz parte da vida como uma segunda pele, esta idéia de que os desabrigados precisam mais é trabalhar, fica visível no rosto dos passantes que, muitas vezes se recusam até de pegar um panfleto.


E assim segue a vida nesta cidade de festas de outubro, chope e bandinha. Mas, nas suas entranhas se move um povo que não pretende desistir. O desastre, com toda a sua dor, trouxe também o germe da luta para o vale. E isso já se espalha, lento, mas seguro!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

25 anos a NÃO se comemorar





Por Lima, no blog do Nassif

Hoje completam 25 anos do acidente com a fábrica de pesticidas da empresa norte americana Union Carbide (hoje, subsidiária da Dow Chemical - que também já mudou de nome) em Bhopal, Estado de Madhya Pradesh, na Índia. Na madrugada de 03/12/1984, uma chuva ácida provocada por um vazamento de gás tóxico que matou cerca de 4.000 pessoas imediatamente e pelo menos 15.000 nos anos anos seguintes devido à contaminação. Grupos ambientalistas afirmam que o número de mortos chega a 25.000. Diversas ONGs estimam que 100.000 pessoas sofram de seqüelas permanentes devido ao vazamento. Câncer, problemas no estômago, no fígado, nos rins, nos pulmões, transtornos hormonais e mentais são alguns dos males causados pela contaminação.

Um hospital público de Bhopal possui estatísticas que mostram que o bairro pobre vizinho à antiga fábrica da Union Carbide, possui altos índices de mortalidade. Uma possível explicação é a contaminação da área pelo vazamento de gás de isocianato de metila de um tanque da fábrica que mesmo desativada, ainda guarda mais de 300 toneladas de produtos químicos perigosos, como o DDT. Depois de 25 anos do desastre, crianças pequenas ainda nascem em Bhopal com problemas de má formação causados pela contaminação do solo e da água da região. São as chamadas vítimas de segunda geração.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Denuncia: secretário de Educação de SC contrata "laranjas" e faz desvio de valores desse salário


Corre uma investigação sigilosa da Câmara Federal que apura denúncia de que o secretário de Educação e deputado federal licenciado, Paulo Bauer (PSDB), teria contratado servidores para o gabinete do suplente Acélio Casagrande (PMDB) e repassado o salário a um colega de partido.



Agora o deputado, que tem parte de sua base eleitoral aqui em São Bento do Sul, como não podia deixar de ser, nega tudo. Posa de paladino da moraildade.

Leia aqui o diálogo entre Paulo Bauer e Cláudio Antunes, ex-funcionário do deputado, onde o primeiro admite que fazia transferência do salário da laranja para o seu correligionário Dalonso, de Joinville, todo mes dia 20 ou 25.


Disputa entre Microsoft e Google ameaça livre fluxo de informações na Web








Texto de Carlos Castilho no Observatório da Imprensa em 26/11/2009

Por enquanto ainda é rumor, mas crescem os indícios de que há mesmo uma conversa em curso entre a Microsoft e o império jornalístico News Corporation, controlado pelo magnata Rupert Murdoch, para tentar obrigar o mecanismo de buscas Google a pagar pela indexação de notícias publicadas na imprensa.

Ao que tudo indica a Microsoft e a NewsCorp decidiram que é hora de encurralar a Google numa jogada de alto risco, cujas conseqüências para a internet vão muito além de uma mera guerra entre três das maiores empresas do mundo digital contemporâneo.

Para tentar defender posições estratégicas ameaçadas pelo crescimento constante da Google e pela queda do seu faturamento global, a Microsoft e a News parecem dispostas acriar muros virtuais e sacrificar o principio do livre fluxo de dados, informações e conhecimentos, mantido desde o surgimento da Web, há mais de uma década.

Murdoch, que controla um império jornalístico onde se destacam jornais como o The Wall Street Journal, New York Post (ambos norte-americanos), The Times e The Sun(ingleses), há muito vem insistindo na tese de que o acesso a jornais e revistas online deve ser pago. Ele acusa a Google de“roubar” conteúdos jornalísticos ao indexar notícias que depois são publicadas no site Google News.

Murdoch tem se mostrado cada vez mais irritado e agressivo na defesa de sua tese, ao mesmo tempo em que a Microsoft vê seus lucros caírem por conta do crescimento da Google e da perda de espaço de softwares residentes em computadores para programas disponíveis na Web, a chamada “computação em nuvem”.

As perspectivas sombrias tanto para a News como para a Microsoft criaram o ambiente adequado para uma aproximação onde a empresa criada por Bill Gates oferece à de Murdoch um pagamento para ter a exclusividade na indexação de todos os conteúdos online produzidos pelo império criado pelo milionário australiano naturalizado norte-americano. Hoje a Microsoft é dirigida por Steve Ballmer, depois da aposentadoria de Gates.

A exclusividade de acesso é considerada um pecado mortal pelos criadores da Web que a conceberam como um espaço sem muros para a troca de informações. A Google é no momento uma espécie de paradigma de modelo empresarial bem sucedido financeiramente num ambiente digital, onde os sistemas convencionais de negócios estão mostrando uma série de debilidades.

A possível guerra de gigantes na internet é por dinheiro, mas as conseqüências serão sentidas no âmbito dos princípios e valores. Por isto não é uma disputa qualquer. Dependendo do desenlace, o sonho da livre circulação de informações pela rede pode ser adiado por alguns anos.

Apesar do cacife financeiro da Microsoft e da News ser muito grande, a Google também tem um arsenal respeitável em matéria a conta bancária e de posição no mercado. O mecanismo de buscas controla 65% do mercado enquanto o Bing, da Microsoft tem modestos 9%. Nada menos que 100 mil acessos por minuto são desviados de buscas no Google para os sites de jornais, revistas, rádios e TVs em todo mundo.

Números como este levaram alguns especialistas em buscas, como Danny Sullivan, do site especializado Search Engine Land, a afirmar que o risco de tentar isolar a Google é grande demais e que possivelmente a dupla Mudorch/Ballmer esteja apenas tentando assustá-la. Mas outros estão convencidos de que a perspectiva de lucros declinantes na Microsoft e na News é forte demais para eles estarem blefando.

Murdoch e Ballmer estão desafiando um processo deflagrado pela internet e que está alimentando o crescimento da nova economia digital, baseada na informação como matéria prima mais valorizada. Sem a livre circulação da informação, o ritmo das inovações tende a cair para uma velocidade típica da era industrial e mecânica, o que inviabiliza todo o sistema de produção baseado na automação e computação.

É o chamado conservadorismo digital, que tenta frear o avanço das inovações para manter privilégios. É mais ou menos como se a Olivetti tentasse proibir a fabricação de computadores para manter a sua hegemonia na venda de máquinas de escrever.