* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Eleição de Putin na Russia e o esforço da Agencia Estado para melar tudo


 por MK Bhadrakumar (*), Indian Punchline Blog
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

[De comentário acrescentado ao Blog]
“Os abutres ocidentais já começaram a questionar a legalidade da eleição de Putin, tentando criar a máxima agitação interna que consigam, na Rússia. A máquina de propaganda anti-Putin virá, avassaladora, usando “especialistas”, ONGs, embaixadores, qualquer um e todos”.
(Sobre as razões disso tudo, leia:


Vladimir Putin
Muito estranhamente, na onda de críticas do ocidente contra a legalidade e a legitimidade da eleição presidencial na Rússia, nenhuma autoridade atreveu-se a exigir a anulação das eleições. Só se fala sobre “irregularidades” [1] , sem que ninguém ponha em dúvida o resultado da eleição propriamente dito. Em resumo, embora a parte de cozinha esteja feita e os pratos já estejam à mesa, o cozido tem de ser deixado em fogo brando, para apurar.  

De fato, 10 Downing Street teve gesto extraordinariamente importante, ao apoiar a vitória eleitoral de Vladimir Putin como “um resultado decisivo”. [2] O primeiro-ministro britânico, logo depois, telefonou para Putin. Cameron disse que esperava trabalhar com o novo presidente russo “para superar os obstáculos que persistem nas relações GB-Rússia (que passam por momento de frio intenso) e construir “laços políticos e comerciais mais profundos”. [3]

O gesto dos britânicos afastou Londres dramaticamente dos protestos de rua em Moscou. Cameron com certeza tentou descobrir, com a máxima antecedência possível, o que andaria pela cabeça de Putin. (E depois, trocaria ideias comBarack Obama. Ver em: Britain will work to mend Russia ties with Putin: David Cameron).


Especificamente, Cameron discutiu a questão síria (e o mesmo fez a chanceler alemã Angela Merkel que também telefonou para Putin). A imprensa ocidental especula abertamente [4] que agora, já livre da retórica de campanha, Putin poderia ser mais facilmente seduzido pela fúria ocidental a favor da “mudança de regime” em Damasco. Talvez funcionasse com outro. Não funcionará com Putin. 

As próximas semanas serão cruciais para definir o tempo da presidência de Putin. Embora o presidente Dmitry Medvedev permaneça formalmente no cargo ainda por três meses, já se verá o imprimatur de Putin em cada um e em todos os movimentos do Kremlin. 

O ocidente não dará trégua ao Kremlin, na questão dos protestos populares. O ocidente fareja que a autoridade e o poder de Putin estejam enfraquecidos, pelo menos em certa medida. Paradoxalmente, a eleição mostrou que Putin continua extraordinariamente popular, embora tenha deixado claro que ele não conseguirá governar a Rússia como antes. 

O desafio, para Putin, é conseguir criar algum equilíbrio estável, no contexto das incansáveis tentativas do ocidente para quebrar a unidade nacional. É muito provável que os protestos de rua convertam-se em problema diário, o que poderá empurrar o Kremlin, em futuro mais ou menos próximo, para os cornos de um grande dilema: ou passa a conviver com a turbulência social, ou traça limites claros intransponíveis. 

Entretecido nesse quadro, está um teste para a capacidade de Putin: conseguir fazer avançar a reforma política, contra interesses de uma oposição muito profundamente plantada dentro do sistema. Contexto de turbulência política, além da agitação social, não é exatamente o melhor quadro no qual fazer avançar o ambicioso plano político de Putin, para regenerar a economia russa. 

Por outro lado, a estagnação da economia alimenta a apatia e o ressentimento sociais, os quais, por sua vez, alimentam o desentendimento político. Bom será se os preços do petróleo permanecerem altos [5], porque haverá como dar vida a investimentos sociais e gastos com finalidade social. 

Em resumo, o xis da disputa geoestratégica que se entrevê entre a Rússia e o ocidente está assumindo hoje ares de discordância [6] sobre o que sejam a prática e o exercício da democracia. (Muitos dos russos que protestam sinceramente ainda não se deram conta disso.) Mas Putin já enfrentou tempos muito mais difíceis – por exemplo, quando Boris Yeltsin reinava absoluto sobre tudo.

Se Putin firmar-se no poder em Moscou, será bom para as relações Índia-Rússia. Motivo pelo qual me surpreendeu não ter visto o nome do primeiro-ministro da Índia entre os estadistas do planeta que felicitaram Putin.

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Observações dos tradutores:

Foi difícil encontrar as notícias, mas encontramos e, devidamente reeditadas para convertê-las em jornalismo decente, excluindo delas o fedor udenista dos textos da Agência Estado, sabe-se que:

Dilma Roussef
(1) A presidente Dilma Rousseff, por telefone, parabenizou Putin pela vitória nas eleições no último domingo, quando foi eleito com 63,81% dos votos; no mesmo telefonema, convidou o presidente eleito da Rússia, Vladimir Putin, para comparecer à conferência Rio+20, que ocorrerá no Rio de Janeiro entre os dias 20 e 22 de junho. Putin não pôde garantir a presença, mas convidou Dilma para visitar a Rússia, convite aceito pela presidente. [6/3/2012, da Agência Estado, em: “O Diário de Maringá: Dilma parabeniza Putin e o convida para a Rio+20.
 A matéria acima que teve de ser reeditada porque, a acreditar na Agência Estado, a notícia importante aí não seria nem a eleição de Putin nem o telefonema da presidenta Dilma, mas uns “protestos contra a legitimidade da eleição”. Exatamente como o embaixador Bhadrakumar anota e comenta acima, “estranhamente” a Agência Estado também não exige que se anulem as eleições na Rússia.
Ufa! Que alívio!

(2) O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também parabenizou Putin pela eleição. Em carta, enviada do hospital onde convalesce, o ex-presidente Lula diz que:

Luiz Inácio Lula da Silva
“Fico feliz ao ver que terá continuidade seu trabalho em conjunto com o atual presidente Dmitri Medvedev, com quem também tive ótimas relações. Essa união de forças é salutar para o equilíbrio na equação da política mundial. Uma Rússia forte e soberana é de significativa importância para o mundo multipolar e multilateral que emerge no limiar do século XXI”.

Lula também diz a Putin também que:

“... sob sua liderança, a Rússia continuará a trilhar o caminho de sucessos que vem alcançando nos planos interno e internacional” e que “a sólida parceria com o Brasil será aprofundada, intensificando o denso diálogo político que logramos consolidar nos últimos anos”.
(Diário de Maringá)

Matéria também da Agência Estado e que TAMBÉM TEVE DE SER REESCRITA, pra evitar-se o risco de nós “noticiarmos” aqui, repetindo as sandices da Agência Estado, que repete sandices de agências norte-americanas, segundo as quais o ex-presidente Lula teria cometido um incompreensível e tresloucado gesto de cumprimentar um russo eleito presidente, que NÃO ERA o candidato preferido da Agência Estado nem dos EUA, da Hilária, dos Mesquitas, dos Frias, dos Civitas, etc. etc. etc. [risos, risos, risos] 

A Agência Estado é RIDÍCULA e são ridículos também tooooodos os jornalistas e jornais que copiam-colam, como se fossem notícias, o besteirol da Agência Estado.




Notas dos tradutores

[1] 5/3/2012, Boston News, US notes fraud charges in Russian vote

[2]5/3/2012, The Independent, Vladimir Putin victory “a decisive result” says No10

[3]5/3/2012, The Independent, Vladimir Putin victory “a decisive result” says No10

[4]5/3/2012, Washington Post, Germany hopes for Russian rethink on Syria after election, but Moscow appears unmoved

[5] 5/3/2012, Financial Times, em: “Oil prices: the key to Putin’s future
[6] 4/3/2012, Financial Times, em: “The reawakening of Russian politics


 
*MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The HinduAsia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

terça-feira, 6 de março de 2012

Mudanças de ares na China




A China decidiu radicalizar a mudança do seu modelo econômico e dividir o bolo, isto é, focar mais no mercado interno como motor do desenvolvimento. Significa, de um lado, reduzir as expectativas de crescimento, baixando para 7,5% este ano – abaixo do número mágico de 8,5%.
É interessante comparar o modelo chinês com o Brasil Grande dos anos 70.
Em ambos os casos, eram governos autárquicos, com plenas condições de monitorar a economia, definir vencedores e impor as regras do jogo.
O Brasil dos anos 70 definiu o mercado externo como a grande mola do crescimento. Por outro lado, abandonou o mercado interno, contentando-se apenas com a nova classe média operária que surgia no bojo da nova industrialização. Foi quando surgiu a teoria do “bolo” – de crescer primeiro para dividir depois.
Quando sobreveio a crise internacional, a única âncora na qual a economia brasileira se apoiou foi na construção civil e no amplo endividamento público: não havia mercado interno capaz de cobrir a crise do modelo anterior.
Já a China há anos vem arrostando os limites de crescimento. Tem problemas enormes com o meio ambiente, com o abastecimento de água, com as disparidades regionais, com a tensão interna
O lado interessante do modelo chinês é a extrema competência do Partido Comunista, de extravasar as tensões internas de duas formas.
Uma, permitindo a alternância de linhas econômicas, tal e qual numa democracia ocidental – a um governo “neoliberal” sempre sucede um governo “populista”.
A segunda maneira é a de permitir canais de crítica a decisões do governo, desde que não se coloque como alvo o próprio Partido.
Na verdade, as etapas do desenvolvimento chinês – desde Mao – tem obedecido a uma racionalidade enorme, em que pese as loucuras da Revolução Cultural. Mao massificou os serviços sociais, especialmente educação e saúde, fornecendo apenas o básico, mas para uma população enorme.
Em cima dessa base inicial, os sucessores investiram em ensino técnico, superior e aprenderam os princípios capitalistas através de um processo gradativo de criar regiões especiais, em que se experimentassem as regras de mercado.
De início atraíram as grandes multinacionais devido ao câmbio super-desvalorizado e mão-de-obra de baixo custo. Mas o alvo de médio prazo sempre foi o mercado interno chinês.

À medida em que a foi sendo criada uma classe média quase ocidentalizada, a maneira de mantê-la sob controle foram as expectativas de melhoria de emprego e de salário.
Agora, o PC deu-se conta de que não bastaria o crescimento acelerado para o atendimento das demandas dessa enorme população. E passou a investir em serviços públicos e a descomprimir gradativamente as pesadas condições de trabalho em muitas regiões – que têm sido objeto de denúncias internacionais variadas.
Vai-se ter uma população com a renda crescendo, os hábitos de consumo modernizando-se.
A diferença do Brasil atual é que ambas as economias se basearão no seu mercado interno: mas apenas uma (a China) têm um parque industrial capaz de se beneficiar desse boom.

Mentiradas da SKY contra a lei de conteudo nacional


Por Charles Carmo,  no O Reconcavo

A Sky iniciou uma forte campanha em que mobiliza seus usuários contra a lei 12.485, sancionada em setembro de 2011 e que deve ser regulamentada até este mês de março. A empresa combina argumentos mentirosos com falácias numa defesa oportunista da liberdade de escolha do usuário. Na campanha, a empresa reúne atletas dos clubes de vôlei e basquete que ela patrocina para apontar uma série de supostas ameaças trazidas pela lei e conclamar o usuário a se manifestar no STF e diretamente na Ancine. A empresa usa a boa fé do usuário da TV por assinatura e de atletas de renome do esporte nacional para defender disfarçadamente seus próprios interesses comerciais. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação rechaça essa estratégia desonesta e chama atenção dos usuários da Sky para que não sejam ludibriados pela propaganda enganosa da empresa.



Surpreendentemente, nenhuma das sete afirmações principais feitas pela empresa na propaganda exibida se sustenta. Frente ao grande número de acusações infundadas, é fundamental enfrentar cada um dos argumentos.

Você é a favor da liberdade na TV por assinatura? - A frase que abre a campanha da Sky sugere duas coisas: primeiro, que há hoje liberdade na TV por assinatura. Segundo, que essa liberdade está ameaçada. As duas premissas são falsas. Hoje, o usuário não tem liberdade de contratar os canais aleatórios de forma avulsa, nem construir seus próprios pacotes e nem comprar canais que a operadora não quiser lhe oferecer. Exemplo recente e oportuno é a dificuldade do usuário em ter acesso à Fox Sports, que transmite a Libertadores da América, porque as operadoras (como a Sky) não querem oferecê-lo. Além disso, a lei não fere em nada a liberdade do usuário. Ao contrário, ela busca ampliar a oferta, com a entrada de novos canais e de mais concorrentes entre as operadoras, e assim gerar mais diversidade e opções.
Uma lei poderá mudar toda sua programação de TV por assinatura – a lei 12.485 altera pouco da programação para o usuário comum. Por meio de cotas de conteúdo brasileiro e independente, que somam 3h30 por semana (!) e no máximo doze entre as dezenas de canais disponíveis, ela busca ampliar a oferta de conteúdo brasileiro e dar espaço para as produtoras independentes que hoje não têm espaço e liberdade de veiculação de sua produção. A cota incide apenas nos canais que transmitem majoritariamente, em seu horário nobre, filmes, séries, documentários, animações e reality shows.
A lei não considera esporte e jornalismo como conteúdo nacional – Não é verdade. A lei considera sim esses conteúdos como nacionais, mas não impõe cotas de veiculação de esportes. Os canais de esportes não entram na conta das cotas, não tem obrigações de cotas e continuam sendo ofertados normalmente sem qualquer alteração.
Haverá menos esporte na programação – não faz nenhum sentido afirmar que haverá menos esporte na programação. Os canais esportivos não são impactados em nada pela lei. Se a empresa quiser ofertar um pacote só de canais esportivos pode fazer isso à vontade, e não tem de abrir nenhum minuto de cotas de conteúdo brasileiro e independente. A lei não interfere em nada na quantidade de conteúdo esportivo na programação.
Esta é uma grave intervenção nos meios de comunicação – as regras estabelecidas na nova lei estão longe de ser uma grave intervenção. Na verdade, regras como essas existem em todas as democracias avançadas no mundo. Todos esses países constroem instrumentos de regulação para garantir mais pluralismo e diversidade de conteúdo, e para fazer com que a liberdade de expressão seja ampla, e não valha apenas para os donos de meios de comunicação.
Agência reguladora terá poderes para controlar o conteúdo da TV paga – a Ancine não terá poder para controlar o conteúdo, apenas irá zelar pelo cumprimento das regras definidas democraticamente pela lei. Problema seria se houvesse uma lei sem nenhum órgão responsável pela sua fiscalização.
A lei vai gerar impacto no preço da assinatura e na liberdade de escolha – como já foi dito, a liberdade de escolha do usuário, hoje pequena, só aumenta, não diminui. Em relação ao preço da assinatura, a tendência é justamente a contrária. A lei amplia a concorrência e deve fazer com que, em médio prazo, o usuário pague menos pelos pacotes.
É preciso ficar claro que a campanha da Sky não defende o interesse do usuário nem do esporte nacional. O problema para a empresa é que, ao permitir a entrada das empresas de telecomunicações no mercado de TV a cabo, a lei cria concorrência em vários locais em que a Sky é hoje a única opção do usuário. O que está em jogo, portanto, são os interesses comerciais da empresa.
A lei já foi aprovada e sancionada em setembro, e a Sky está apoiando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que tenta derrubá-la no Supremo Tribunal Federal. O momento atual é de definição da regulamentação da lei, e o mais importante é justamente garantir que os objetivos de ampliação da diversidade e da pluralidade sejam materializados. Para isso, qualquer iniciativa de debate democrático é bem-vinda. Só não valem propagandas obscurantistas e falaciosas como essa da Sky.

Nota botocuda

O grosso das comunicações de entretenimento de TV por assinatura é dominado pela SKY (por satélite) e NET (satélite e cabo). Em ambas as Organizações Globo tem participação, mas atualmente sem controle acionario de nenhuma das duas. A primeira é controlada pela DirectTV e a segunda pela Embratel/Telmex. A Sky tem a seguinte composição acionária: DirecTV Group (76%) e Organizações Globo (24%). DirectTV era controlada pelo titã Ruppert Murdoch, mas recentemente seu controle acionario passou para uma obscura LibertyMedia Corp. ligado a um estudio de cinema de Hollywood. Tem osso embaixo desse angu.



segunda-feira, 5 de março de 2012

A feiticeira má tupiniquim e a fada boa germânica



Dilma ataca


pescado na fonte do Professor Hariovaldo


O ex-aerolula, agora já devidamente apelidado de vassoura de bruxa, alçou voo novamente rumo à Hannover, para levar a búlgara usurpadora em uma viagem de feitiçaria contra a dama-de-aço da Alemanha, na tentativa desesperada de impedir o sucesso do capitalismo germânico em toda a Europa. Musa do neoliberalismo, Angela Merkel nada de braçadas no mar das finanças enquanto Dilma afunda com a economia brasileira devido sua incompetência e falta de conhecimento. E o que é pior, ela se acha no direito de dar pitaco no governo de um país europeu, como se tivesse qualquer importância no cenário dos líderes mundiais.


Alguém segure esta mulher! Governar é coisa séria, para homens sérios, não podemos viver de faz de contas e de fantasias, as questões mundiais não são episódios da novela que passa depois do jornal nacional dos homens bons, não se pode baixar os juros só por capricho, a onde está o empréstimo supervisionado do FMI que o país tanto precisa? Dilma está brincando com coisa séria. É por isso que no Brasil a única mulher que entende de economia e que deve ter voz e ser ouvida é a grande jornalista de economia Míriam Leitão, essa sim eu aprovo.

Eu gosto mesmo é de mulher!...



cronica de Simão Pessoa, em seu blog


Minha tia Maria Pessoa, irmã do papai, morava na rua Parintins, entre as ruas Waupés e General Glicério, região pra mim tão distante e inacessível quanto o território do Novo México, habitado pelos perigosos comanches. 

A partir de 1963, entretanto, quando eu já estava com sete anos de idade, fui morar com ela. Sua casa era imensa – sala de visitas, quatro ou cinco quartos, corredor, sala de jantar, cozinha e banheiro. Parecia uma estância particular. 

É que além de ter uma família grande (meus primos Cazuza, Raquel, Rossicler, Rosinete e Socorro), tia Maria sempre estava abrigando vários parentes oriundos de Santarém (meus primos Francisco, Raimundinho, Ronaldo, Macário, Manuel e Querubim eram hóspedes constantes do lugar). 

Eu dividia um quarto com o Cazuza, que acabou, sem querer, me transformando em um voraz consumidor de histórias em quadrinhos – vício pelo qual lhe serei eternamente grato. A casa tinha um quintal imenso, cheio de fruteiras, plantas de todos os tipos e flores a dar de pau (tia Maria gostava de cultivar flores).  No fundo do quintal, havia outra casa onde morava a Elaine, uma menina de quatro anos. Seus pais saíam para trabalhar e ela ficava sozinha em casa, porque ainda não estudava. 

Durante vários anos, Elaine acabou sendo minha parceira favorita nas brincadeiras de “patrão e empregada”, “médico e enfermeira” e “engenheiro e estagiária”, mas sem a conotação sexual que estas expressões adquiriram nos últimos anos, bando de tarados! 

Como éramos as duas únicas crianças do pedaço, era natural que acabássemos bons amigos. Sim, a gente se bolinou algumas vezes por mera curiosidade, mas nunca tentei colocar o meu “pipi” na sua “florzinha”, apesar de ela ter quase me implorado de joelhos pela iniciativa. Naquela época, eu tinha juízo – depois de adulto foi que perdi.


Minha tia Maria era muito bonita, meiga e carinhosa. Comecei a gostar de mulher mais do que de qualquer outra coisa porque um dia queria ter uma esposa igual a ela. Era uma questão de tempo - o que não significa porra nenhuma quando você tem apenas dez anos.

Do lado esquerdo da casa da tia Maria morava o quituteiro Bolota, homossexual assumido, figura simpaticíssima e, também, afetadíssima, cozinheiro de mão cheia (os ingressos para suas feijoadas no restaurante do aeroporto da Ponta Pelada eram disputados a tapa), que vivia me pedindo pequenos favores (comprar um quilo de sal ou uma lata de azeite de oliva na taberna da esquina) e me recompensando regiamente pelas gentilezas. 

Eu guardava os trocados recebidos em uma caixa de sapatos e quando conferia a féria no final da semana tinha grana suficiente para ir ao cine Ypiranga, comprar meia dúzia de gibis e ainda pagar os ingressos para vários amigos. Aquele Bolota era um sujeito pai-d’égua, mas foi responsável indireto pela minha primeira desilusão amorosa. 

Explico melhor:

Apesar de morar na casa da Tia Maria, eu costumava passar os fins de semana na casa dos meus pais para entregar às minhas irmãs os gibis surrupiados do Cazuza. 


Um dia, retornando pra casa dos velhos, depois de uma sessão matinal no cine Ypiranga, uma garota me chamou pra conversar. 

Ela perguntou como eu me chamava, onde morava, quem eram meus pais, aquelas coisas. 

No começo, eu fiquei meio cabreiro, mas depois que ela me convidou pra entrar na sua casa e me serviu um copo de ki-suco de cereja, minhas desconfianças cessaram. Eu estava com nove anos de idade e era bem mirradinho. Ela devia ter uns 19 e possuía um corpo de potranca. De repente, ela falou:

– Mas você é um menino muito lindo! Posso te colocar no colo?

Concordei, meio sem jeito. A garota começou a me ninar. Aí, sem mais nem menos, ela levantou a blusa e colocou uma de suas mamonas assassinas em minha boca. Não me fiz de rogado e comecei a sugar avidamente aquele bico intumescido. 

Depois de alguns minutos que me pareceram horas, ela, sem parar de cantar velhas músicas infantis (“Eu fui no Tororó” era uma delas), retirou a primeira e colocou a segunda mamona assassina na minha boca.  Fiquei alucinado... 

Alguns minutos depois, ela baixou a blusa e me tirou do colo.

– Pronto. Agora que você está bem alimentado, já pode ir embora. Eu é que vou ficar mais um dia com fome porque não tenho nada pra comer em casa...


Ela falou aquilo com tamanha tristeza nos olhos, que quase comecei a chorar na mesma hora. Lembrei-me que ainda tinha alguns caraminguás no bolso, do troco do ingresso do cinema. Em valores de hoje, uns R$ 3. Peguei as cédulas amarfalhadas, estendi a ela e falei, sem muita convicção:

– Eu acho que isso dá pra comprar pelo menos um ovo!

Seu rosto se iluminou. Aquela grana dava pra comprar uma dúzia de ovos!

– Muito obrigado, meu príncipe, muito obrigado! – ela repetia, enquanto me cobria de beijos. “Eu vou ficar aqui em casa te esperando todo domingo! Você é muito lindo, você é muito lindo!”

Deixei a casa da garota mais agoniado do que menino novo com frieira nos pés. Que porra era aquela?... Eu não fazia a menor ideia, mas as lembranças daqueles bicos rosados em minha boca me perturbaram o juízo durante a semana inteira. 


No domingo seguinte, nem esperei para ver o segundo filme (“Hercules, Sansão, Maciste e Ursus”), abandonei o cinema no meio da sessão matinal e fui direto pra casa da minha deusa. 

Depois do ki-suco de cereja e de uma nova mamada, eu lhe passava parte dos caraminguás recebidos do Bolota e ia pra casa feliz da vida.

Nessa época, o papai fazia um “rancho” mensal na cooperativa da Copam, que resultava em uma quantidade indescritível de enlatados (conservas de todos os tipos, salsichas, almôndegas, feijoada, etc.) amontoados em três caixotes de madeira na cozinha de casa. Inocente, puro e besta, eu comecei a roubar alguns produtos para mitigar a fome crônica de minha amada. 

Uma lata de corned beef aqui, uma lata de salsicha acolá, um pacote de arroz numa semana, uma lata de óleo Salada na outra. A minha deusa ficava tão feliz que já me recebia em casa só de camisola transparente e calcinha.  Eu ficava alucinado.


Aquela mulher ia ser minha esposa, eu não tinha a menor dúvida.

Ocorre que a mamãe começou a perceber o sumiço dos mantimentos e resolveu me marcar de perto, durante minhas visitas semanais.  Uns três meses depois, ela deu o “flagra”, quando eu tentava escapulir pelo quintal com uma lata de aveia Quaker. Na hora em que o papai chegou da refinaria, ela contou a presepada pro velho. 

Depois de me dar uma surra de “sola” para eu deixar de ser ladrão, ele me levou até a casa da minha amada onde armou um acampamento de barracos.  Foi uma desmoralização federal. 

Fiquei tão envergonhado e traumatizado que passei uns seis meses sem colocar os pés no cine Ypiranga.  E nunca mais tive coragem de passar em frente da casa da minha deusa.

Sumiu?...


por Altamiro Borges, em seu blog


Nenhuma manchete na Folha ou no Estadão. Nenhum comentário no Jornal Nacional da TV Globo. Nenhuma chamada de capa na Veja. Mistério! Será que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), assíduo freqüentador da mídia nativa, morreu ou encontra-se desaparecido? Como "paladino da ética", o líder dos demos não tem nada a falar sobre a Operação Monte Carlo da Polícia Federal?


Na quarta-feira passada (29), agentes da PF efetuaram a prisão de Carlos Augusto Ramos, o famoso Carlinhos Cachoeira. Um dos maiores mafiosos do país, o bicheiro explorava uma rede de caça-níqueis e de cassinos ilegais em cinco estados brasileiros. Apenas em Goiânia e Valparaíso, nas cercanias de Brasília, os seus cassinos rendiam cerca de R$ 3 milhões por mês.


As relações políticas do mafioso


Com base nos documentos apreendidos e em 200 horas de escutas telefônicas, a Operação Monte Castelo concluiu que Carlinhos Cachoeira possuía forte influência na política goiana. Ela mantinha jornalistas na sua folha de pagamento, contava com uma rede de espionagem ilegal e nomeou vários integrantes para a área de segurança (segurança!) do governo tucano de Marconi Perillo.


Além disso, os grampos autorizados pela Justiça revelaram várias conversas do mafioso com o “ético” Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado. De acordo com as investigações, em julho do ano passado Carlinhos Cachoeira deu um generoso presente de casamento para o senador goiano: uma cozinha completa. Há indícios também de financiamento ilegal de campanhas eleitorais.


O pitbull da Veja ficou mudo


Até agora, o demo só confessou a sua relação com o bicheiro. “Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”. Mas, pobre inocente, disse desconhecer suas práticas mafiosas. “Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”. O demo mais nada falou e sumiu!


A mídia venal, por sua vez, parece disposta a fazer o mesmo. Quer sumir com o escândalo, abafá-lo. Até quem vivia bajulando o líder do DEM está quieto. Reinaldo Azevedo, o pitbull da Veja, já chegou a exaltar “a coragem de Demóstenes” no combate à “corrupção lulopetista” e às forças de esquerda. Num texto recente, o metralha da mídia do esgoto escreveu: 


“Rigor penal contra o crime”


“Admiro a sua atuação política, como sabem os leitores deste blog. Nem sempre concordo com ele. Mas sempre lhe reconheço a argumentação consistente e corajosa... Demóstenes afirma, e eu concordo, que um dos males do país são as oposições, muitas vezes, querem se parecer com o governo. Defende, entre outras tantas, maior rigor penal contra o crime...”. 


Será que Reinaldo Azevedo vai defender agora “maior rigor penal contra o crime”, a começar pela cassação do mandato do demo?

sábado, 3 de março de 2012

Porque hoje é sábado!... Focus


O grupo holandes Focus fez muito sucesso na década de 1970 com seu estilo “rock-medieval”

O video abaixo mostra uma apresentação descompromissada (com um erro no solo de Akkerman) da ótima musica “Sylvia” sucesso em toda Europa em 1972/3




Abaixo (só o audio) do album completo “Hamburger Concerto” de 1974, em que formação do grupo a era da foto reproduzida abaixo. Esse album é o melhor desse grupo na minha opinião. Um classico. Meu vinil de 1975 não tinha a faixa extra Early Birth no final, que só fui conhecer aqui.




Track List:

00:00 - Delitiae Musicae
01:14 - Harem Scarem
07:06 - La Cathedrale de Strasbourg
12:06 - Birth
19:53 - Hamburger Concerto: - Starter -Rare -Medium I -Medium II -Well Done -One for the Road



40:13 - Early Birth


Na foto a formação de 1974, da esquerda para a direita  - Jan Akkerman  guitarras; Bert Ruiter – baixo; Thijhs van Leer – teclados, orgão, flauta, piano e vocais e Colin Allen – bateria