* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um pândego criativo



Pescado no blog Diário Gauche do Cristóvão Feil


O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti (foto ai em cima), declarou no ultimo  fim de semana (03/fev) que o emprego fixo acabou, e que os jovens tem que se habituar a trocar de emprego ou até mesmo de país, se for o caso, para exercer um trabalho novo e diferente.

"E ademais, que monotonia! - exclamou Mario Monti. "É muito mais bonito, mudar e aceitar novos desafios", diz o primeiro-ministro, demonstrando um senso estético apurado com relação ao emprego dos outros, ele que sempre foi um tecnocrata empregado do banco de investimentos Goldman Sachs Group, um dos grandes operadores mundiais na escalada de especulação de moedas e papéis que motivaram a atual crise estrutural do capitalismo.

Ironicamente, Monti, quando foi escolhido primeiro-ministro, por negociação do ex-ministro Berlusconi e dos banqueiros credores da dívida italiana, também foi empossado como Senador Vitalício da Itália. Portanto, presume-se que quem detenha um cargo público, vitalício e sem passar por eleição livre e popular, logo deve estar preparado para comentar sobre o tédio do emprego fixo alheio.

Outro dado curioso do nosso pândego Mario Monti: ele é patrono do famigerado Museu Egipcio de Turim, uma vez que se diz admirador e amante da arte antiga egípcia. Como se sabe, no século 19, vários países europeus, especialmente a Inglaterra e a Itália, subtrairam/roubaram grande parte do patrimônio cultural do Egito, levando-o para os seus respectivos países, onde hoje expõem o legado africano com a maior cara-de-pau, numa demonstração cabal e comprovada do colonialismo de pilhagem e destruição que praticavam já há mais de cem anos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Wando e Spinetta



Nossa homenagem  - Wando (1945-2012)  e  Spinetta (1950-2012)




A charmosa vila de São Bento


Vídeo institucional  desenvolvido sob a égide da Secretaria de Turismo de São Bento do Sul. Cumpre sua função mas ficou uma narrativa muito melosa que denuncia imediatamente a artificialidade da mensagem.


Mesmo assim ainda faz alguma justiça  nossa charmosa vila serrana. Os problemas não tem por que aparecer nesse tipo de mensagem mesmo.


Documentário – 1ª Grande Guerra - Batalha de Verdun


Documentário muito bom (47:00 minutos – em 4 partes) sobre a 1ª Grande Guerra, mais especificamente sobre a Batalha deVerdun, entre fevereiro e outubro de 1916, que produziu quase 700.000 vitimas à França e a Alemanha, 260.000 mortos e mais de 400.000 irremediavelmente mutilados e perdidos.

Só encontrei essa versão em inglês no VocêTuba, mas mesmo assim,  quem entenda um pouco do idioma de Shakespeare, as imagens, quase todas da época, são muito boas. O documentário mostra até onde vai insensatez humana numa carnificina daquela magnitude em que não houve vencedores nem vencidos, só choro e ranger de dentes..


Parte 1 – Mostra os preparativos e tomada por parte dos alemães das primeira fortalezas ao redor da cidadezinha de Verdun


Parte 2 – novas armas, como as incendiárias dos alemães e a reação francesa reforçando enormemente sua posição. Isso permitiria depois a retomada de algumas posições perdidas anteriormente.


Parte 3 – mostra a entrada maciça de aviões na batalha e contra ofensiva francesa. Em Paris tudo normal: Paris continua uma festa!...


Parte 4 – virada francesa com auxilio de divisões britânicas. No fim, só morte e cadáveres.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mapeamento de áreas de risco - inundações





analise de Carlos E. M. Tucci, em seu blog


Existem informações das inundações ribeirinhas desde o Dilúvio, como relatado na Bíblia. Os egípcios planejavam as cidades reservando espaços sem ocupação porque eram áreas de risco.
A cidade de Amarna no Egito, que Aquenaton (1340 aC) escolheu para ser uma nova capital foi planejada considerando as áreas de inundações, veja o relato: “ Correndo de leste para oeste, dois leitos secos de rio, nos quais nada se construiu por medo das enchentes repentinas, dividiam a cidade em três partes: o centro e os bairros residenciais de norte e do sul. “ Brier (1998).
O ser humano tem uma longa experiência de gestão de risco na sua memória. A Igreja Católica, com 2 mil anos de experiência, dificilmente constrói uma igreja em áreas de risco. Portanto, mapear áreas de risco como de inundação não é uma tecnologia nova, mas tem pelo menos 3.000 anos de experiência. O mapeamento das áreas de risco é a primeira medida necessária para orientar a ocupação do espaço urbano como medida preventiva para minimizar os impactos.
Qual a razão porque estes mapas não são realizados na realidade brasileira? O Estado brasileiro é suficientemente desorganizado para não direcionar este tipo de planejamento em nível federal e estadual. Em nível municipal não acontece devido a um conjunto de situações ou combinações das mesas:
• Falta de conhecimento técnico;
• Interesse imobiliário, que geralmente controlam as administrações municipais;
• Restringir a ocupação de espaço em áreas urbanas ao longo do tempo com diferentes administrações é uma tarefa quase impossível por falta de estado e controle nas cidades.
O mapeamento poderia orientar a ocupação se estivesse incluído no Plano Diretor Urbano. Praticamente não existem Planos Diretores Urbanos que consideram as áreas de inundação nas cidades. Isto deveria estar na orientação básica para preparação de qualquer Plano Diretor de uma cidade. Não acontece porque infelizmente os Planos Diretores Urbanos tem sido do tipo Ctrl C – Ctrl V que abordam superficialmente a infraestrutura e não introduzem áreas de risco.
O mapeamento de áreas de inundação e critérios de ocupação que levem ao zoneamento de inundação deve partir de instituições federais e estaduais que poderiam criar mecanismos econômicos junto a entidades de financiamento com Caixa Econômica e outros bancos, restringindo ao financiamento de obras de qualquer tipo de investimento em áreas de risco (principalmente os investimentos públicos, escolas, hospitais, entre outros) e/ou exigindo seguro de inundação da ocupação de áreas de risco médio.
Com base no mapeamento, o zoneamento estabelece regras de ocupação e orientação que se relacionam com o Plano Diretor Urbano. Assim, existe um processo de médio e longo prazo para mitigar estes problemas dentro de uma ação preventiva. Estas ações são típicas de Estado não de Governo que tem uma perspectiva de apenas 4 ou 8 anos. Cabe a população cobrar democraticamente, cobrar por resultados deste tipo ou eleger mais estadistas.

Bola de Cristal – o caso da privatização dos aeroportos




Maçarocada analítica com elementos tirados do blog doNassif e de seus comentaristas José Maia, Tioalb e Iza


Alguns pontos que precisam ser acompanhados de perto, na questão dos aeroportos privatizados.

De acordo com o jornal o Valor os valores previstos no pagamento da outorga são superiores ao caixa anual gerado teoricamente pelos aeroportos.

Em pelo menos dois casos – Brasília e Guarulhos – o consórcio vencedor tem sócios problemáticos. No caso de Brasília, um grupo argentino que – segundo o Valor – tem histórico de não cumprimento de obrigações contratuais; no caso de Viracopos, uma empresa endividada que venceu licitação de concessão de rodovias paulistas e não conseguiu depositar as garantias exigidas.


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Temos que lembrar que aeroporto é monopólio e não exportável, com clientela garantida. É a maior segurança que se pode ter para um capital. Depois é só ajustar os preços e o lucro estratosférico começa a chegar e a ser remetido para as sustentar as aposentadorias nas matrizes dos sócios estrangeiros. Duplicando ou triplicando o valor de todas as tarifas, seguramente o "fluxo de caixa" será muito satisfatório.

Agora é só esperar: em breve, assim como na telefonia, teremos os aeroportos mais caros do mundo!... e da-lhe preço alto. Aqui a briga vai ser por demais interessante, pois o mesmo pessoal que reclamou até se descabelar dos aeroportos (caos aéreo, em feriado fica impossível viajar de avião, blábláblá...) vai pagar a conta das melhorias. E vai reclamar de novo: que os serviços não melhoraram, como a internet banda larga, wireless que não funciona ou é cara demais, que os horários não são respeitados, etc, etc...


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NOTA DE ATUALIZAÇÃO E ESCLARECIMENTO – 08/FEV 10:57





A melhor discussão sobre a privatização dos aeroportos está nos comentário deste post aqui no blog do Nassif. Atenção, é nos comentários dos leitores, não no post de abertura.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A presidente Dilma em Cuba



por Mair Pena Neto, no Direto da Redação - charge de Aroeira


A presidente Dilma Rousseff completou sua viagem a Cuba, comportando-se como verdadeira estadista, reforçando as relações entre os dois países e evitando os ardis plantados para que agisse como porta-voz dos Estados Unidos, reproduzindo as ladainhas provenientes de Miami e da Casa Branca. Dilma foi a Cuba em visita oficial para estreitar os laços com um país que precisa de mais investimento e de mais produtividade para avançar economicamente e manter suas conquistas sociais.

Assim como aconteceu com Lula, foi cobrado de Dilma que se manifestasse sobre a situação dos direitos humanos em Cuba. O que os responsáveis pelas cobranças desejavam, no fundo, era que ela sequer fosse lá, como todos os presidentes brasileiros desde a revolução de 1959 até Lula. Mas já que Dilma, assim como Lula, não se rende à agenda ditada de Washington, que se manifestasse publicamente contra as restrições políticas na ilha.

É curioso como a questão dos direitos humanos em Cuba “sensibiliza” tanto certas pessoas. Não se vê a mesma indignação em relação a qualquer outro país. Ninguém pediria que Dilma, em viagem aos Estados Unidos, se posicionasse publicamente pelo fechamento de Guantánamo, em pleno território cubano, mesmo com a cobrança recente feita pela alta-comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Navi Pillay, que apontou a base como local de constante violação destes direitos.

Dilma se recusou a tratar a questão dos direitos humanos como arma de combate político ideológico, e frisou que desrespeitos acontecem em todos os países, inclusive no Brasil. Não seria nada agradável para nós recebermos a visita de um chefe de Estado estrangeiro e ouvir comentários sobre a violência da ação de despejo dos moradores do Pinheirinho ou sobre a desumanidade da maior parte dos nossos presídios.

O Brasil é um país que aposta nas relações multilaterais como forma de pressão e de resolução de conflitos. Ele não vai fazer o papel de juiz do mundo e sair por aí condenando outros países, até porque tem suas próprias mazelas. Isso não significa omissão, pois o Brasil ganhou recente relevância no cenário internacional justamente por sua ação diplomática independente e soberana, que o leva a ser convocado a atuar nas mais complexas questões mundiais. Temas delicados, como direitos humanos, não se tratam com bravatas unilaterais, principalmente quando envolvem nações em situações extraordinárias, como a cubana, vítima de um bloqueio implacável há meio século.

Diria que a visita da presidente do Brasil a Cuba transcorreu de forma impecável e com acentuado caráter político. No trabalho prévio às 48 horas que ela passou na ilha, o chanceler brasileiro Antonio Patriota conversou com autoridades cubanas sobre questões relativas aos direitos humanos, e o Brasil concedeu visto de turista à blogueira Yoani Sánchez, que deseja vir ao país. Ao mesmo tempo, Patriota não aceitou o discurso fácil da condenação e, assim como Dilma faria em solo cubano, ressaltou que uma questão mais urgente e multilateral seria o fim da base de Guantánamo.

Com o crescimento de sua economia e a capacidade financeira de que dispõe atualmente, o Brasil tem muito mais a contribuir com Cuba ajudando no seu desenvolvimento, com implicação direta no bem estar das pessoas. As relações comerciais cresceram 31% de 2010 para 2011, e o Brasil é o segundo parceiro comercial de Cuba na América Latina, depois da Venezuela. Existem oportunidades para empresas brasileiras em Cuba, como provam as obras de ampliação e modernização do porto de Mariel, com a participação da Odebrecht.

Cuba precisa melhorar sua agricultura e recuperar seu parque produtivo, e o Brasil pretende participar deste esforço com a tecnologia e os processos desenvolvidos pela Embrapa, e, sobretudo, com um olhar mais solidário em relação aos vizinhos latino-americanos. Sentimento este, por sinal, muito inspirado por Cuba e seu internacionalismo, sempre manifestado pela presença de médicos e professores, onde for necessário, e não pelas armas ou posturas imperialistas.