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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ACM Neto faz demagogia com greve da PM baiana



por Altamiro Borges, em seu blog


O oportunismo é uma praga na política. Diante da greve dos policiais militares na Bahia (1), o deputado ACM Neto resolveu dar uma de sindicalista radicalizado. Em entrevista na noite desta sexta-feira (3), o líder dos DEMos fez duras criticas ao governo estadual. “Ele [o governador Jaques Wagner (2)] deveria reconhecer que, desde que tomou posse, maltrata os policiais”.


É muita cara de pau! A oligarquia ACM comandou a Bahia durante décadas, desde o golpe militar de 1964. Nunca fez nada para melhorar os salários e as condições de trabalho dos servidores públicos. Sempre agiu com truculência, nos moldes do “Toninho Malvadeza”, contra as lutas grevistas. O sindicalismo baiano não esquece que foi tratado a ferro e fogo na ditadura de ACM.


O caos na greve de 2001


Vale lembrar um único caso. Em julho de 2001, os policiais militares realizaram uma prolongada greve. Eles foram humilhados e sofreram brutal repressão do governador César Borges, cria de ACM Neto. A Bahia virou um campo de guerra, com a ocupação de quatro dos sete batalhões da PM então localizados na região metropolitana de Salvador. O caos imperou na Bahia.


ACM Neto devia ser mais cauteloso diante da greve dos policiais, que traz insegurança à população da Bahia. Se quer falar sobre as justas lutas sociais, ele deveria condenar o governo de São Paulo, que junta PSDB e DEM, pela covarde desocupação do Pinheirinho. Também devia propor que o DEM retirasse a ação de inconstitucionalidade que move para asfixiar financeiramente as centrais sindicais.




EXPLICAÇÕES BOTOCUDAS NECESSARIAS


(1) O lider dos grevistas é um politico, filiado ao PSDB.
(2) A bem da verdade o governador Jaques Wagner também peca por omissão, pois tratou o movimento grevista com desdém desnecessario. A segurança pública na Bahia é muito ruim de acordo com a maioria dos baianos. Há muito investimento em propaganda e só agora, no final de 2011 (Wagner já está em seu segundo mandato) é que começaram tomar algumas medidas como bases de segurança comunitárias. (no modelo UPP, do Rio de Janeiro)


Ainda é muito pouco. Com isso os filhotes do carlismo (todos chatos como ACM Neto) reaparecem.



Salários inicial de todos os Policiais Militares do Brasil, em ordem decrescente de valor:
01º – Distrito Federal – R$ 4.129.73
02º – Sergipe – R$ 3.012.00
03º – Goiás – R$ 2.722.00
04º – Tocantins – R$ 2.611,01
05º – Mato Grosso do Sul – R$ 2.176.00
06º – São Paulo – R$ 2.170.00
07º – Paraná – R$ 2.128,00 1
08º – Amapá – R$ 2.070.00
09º – Minas Gerais – R$ 2.041.00 (+ 10% concedido em OUT 2011).
10º – Maranhão– R$ 2.037.39
11º – Bahia – R$ 1.927.00
12º – Alagoas – R$ 1.818.56
13º – Rio Grande do Norte – R$ 1.815.00
14º – Espírito Santo – R$ 1.801.14
15º – Mato Grosso – R$ 1.779.00
16º – Santa Catarina – R$ 1.600.00
17º – Amazonas – R$ 1.546.00
18º – Ceará – R$ 1.529,00
19º – Roraima – R$ 1.526.91
20º – Piauí – R$ 1.372.00
21º – Pernambuco – R$ 1.331.00
22º – Acre – R$ 1.299.81
23º – Paraíba – R$ 1.297.88
24º – Rondônia – R$ 1.251.00
25º – Pará – R$ 1.215,00
26º – Rio Grande do Sul – R$ 1.172.00
27º – Rio de Janeiro – R$ 1.031,38

Israel é um pais terrorista mesmo


do OperaMundi


Um comercial produzido e veiculado em Israel causou nova polêmica ao simular a explosão de uma usina nuclear iraniana por agentes do Mossad, serviço secreto israelense. O comercial foi produzido para anunciar um aplicativo de um canal de TV israelense para o tablete Galaxy, da Samsung.
Confira o comercial a seguir:

Na peça publicitária, quatro agentes do Mossad chegam ao sul do Irã disfarçados de mulheres. Eles encontram outro agente do serviço secreto, que está entediado e por isso assiste a uma série de comédia israelense em seu tablet.
O agente começa a promover o aplicativo da rede de TV israelense e a mostrar seus benefícios. Um dos quatro agentes, no entanto, pega o tablet e aciona um aplicativo, curioso para saber sua função.
Nesse momento, no fundo da cena, uma usina explode e os agentes voltam-se para aquele que apertou o botão. “Que foi? Outra explosão misteriosa no Irã...”, defende-se o responsável pela explosão.
A peça publicitária foi criticada pelos iranianos que ameaçaram cortar as importações de produtos da Samsung no país. Membros do Parlamento Iraniano afirmaram que o comercial apresenta o Irã como uma sociedade primitiva e insinua que Israel é poderoso o bastante para destruir instalações iranianas.
Diante da polêmica, a Samsung divulgou um comunicado no qual condenou a produção do comercial. Além disso, a marca sul-coreana afirma que a peça publicitária foi completamente produzida pela emissora de televisão israelense e, portanto, a Samsung não possui responsabilidade sobre a produção.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Manguezais



pescado no Estadão

Entrevista com a Doutora Yara Schaeffer Novelli, graduada em Historia Natural pela Universidade do Brasil (atual UFRJ), mestre em Oceanografia Biológica pela Universidade de São Paulo, doutora em Ciências e Zoologia pela Universidade de São Paulo e livre-docente em Oceanografia Biológica também pela USP. Atua principalmente nos temas: manguezal, impacto ambiental e ecologia de ecossistemas costeiros tropicais.
1 - Você estudou os manguezais a vida inteira. O que pensa da emenda que permite o uso de apicuns e consta da proposta de Código Florestal que será votada na Câmara?

Penso que ninguém está agindo como se estivesse lidando com a evolução de um diploma legal, mas querendo legalizar atividades ilegais, tentando "arrumar a casa" para não penalizar os que estão ao arrepio da lei. É uma reforma agrária às avessas: pega-se um patrimônio nacional, como é a zona costeira - um ecossistema costeiro como o manguezal é considerado Área de Preservação Permanente (APP) - e se toma por um patrimônio do governo. Patrimônio nacional não é patrimônio do governo. É como mudar o Código Penal e deixar de considerar o assassinato de um semelhante como crime para salvaguardar quem matou pessoas.

2 - Qual o cenário que se desenha caso o projeto de lei seja aprovado na Câmara como está?
O manguezal é parte da dinâmica costeira. O que vem acontecendo na zona costeira dos países tropicais, principalmente, é um movimento de ocupações desordenadas, em que vale a máxima "quem pode mais, chora menos". Com o advento da carcinicultura, aparece a ideia de aproveitar rapidamente o filão. Que filão é esse? Ora, os manguezais onde se cria o camarão são patrimônio nacional, 'não tem dono', na visão dos empreendedores. Então, esses terrenos, que são de todos nós, estão sendo privatizados, e o que é pior: há lá uma população vivendo daqueles ecossistemas há séculos, que está sendo jogada na rua. Ou está virando boia-fria para despesca nos criadouros de camarão.
3 - Qual é o grande problema da carcinicultura?
Não é um, são vários. Quando se passa a explorar um único recurso do manguezal, isso significa eliminar um sem-número de usos, de bens e de serviços que são prestados gratuitamente para uma diversidade de outros brasileiros que só têm esse ambiente para viver. Usam-se produtos químicos como o metabissulfito, que chega a provocar intoxicação e doenças pulmonares nos trabalhadores. A espécie cultivada não é nativa, é uma exótica. E, o mais interessante, desde 1990, o IDH dos municípios costeiros do Nordeste onde houve um crescimento grande da carcinicultura não mudou. O recurso não fica no município. Temos provas técnicas irrefutáveis de que é um péssimo negócio - a não ser para aqueles que ocuparam um patrimônio público.
4 - Qual é a longevidade do uso desses terrenos para a criação de camarão?
Pequena, cerca dez anos no máximo. Depois disso, passam para outros, porque não vale a pena ficar corrigindo problemas de acidez, gastar dinheiro com isso. E o terreno está ali mesmo... Agora, é possível criar camarões em terrenos menos preciosos. O mangue é precioso, é como o nosso pantanal. Perdeu, está perdido. A função do manguezal não pode ser traduzida em dinheiro. Se perdermos os manguezais, os sedimentos que vêm da terra vão escurecer as areias brancas que o turista tanto gosta e vão matar os recifes de coral do nordeste.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Porque hoje é sábado!... Moody Blues



Álbum lançado em 1971 (completo – só audio), o sétimo deste grupo britânico, formado em 1967 originalmente como com características de “rithm & blues rock". 
Adiante, a partir de 1970, mudaram a característica da sua musica para “psicodélica” e já em seguida para o que convencionou chamar “rock progressivo”. Esse disco é justamente a transição total daquela fase. Povoou minha adolescência... o tempo que eu lia livros de Hermann Hesse  e Lopsang Rampa. Coisa doida, mas tempo muito bom...



Every Good Boy Deserves Favour -- 1971 ( UK )

1. Procession
2. The Story In Your Eyes
3. Our Guessing Game
4. Emily's Song
5. After You Came
6. One More Time To Live
7. Nice To Be Here
8. You Can Never Go Home
9.
My Song

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Livros e Lixo (reciclável, ainda que...)


por  Alessandro Martins, pescado no Livros e Afins

 Algumas coisas que você precisa saber antes de doar livros para uma biblioteca, comunitária ou não:

Os livros servem para serem lidos: se eles não estão em condições físicas para você ler (faltando páginas ou se desmanchando), do mesmo modo, não servirão para outras pessoas; há situações em que não é possível restaurar ou recuperar o livro; infelizmente, mesmo livros às vezes tem que ir para a reciclagem.

Livros didáticos são ótimos: para escolas; e se estiverem atualizados; algumas bibliotecas comunitárias aceitam esse tipo de livro, mas se informe antes procure também se informar se a biblioteca comunitária aceita livros técnicos; muitas vezes esse tipo de livro não atende o tipo de serviço que a biblioteca oferece.

E, absurdo ter de dizer, mas vamos lá:

Lista telefônica não é livro: vale para assemelhados a listas telefônicas.
Doação é um ato de amor e desprendimento.

O melhor livro para doar é aquele que você daria a um amigo, emprestado ou de presente. Doação não é algo que não serve para nada ou que está ocupando espaço ou algo de que gostaríamos de nos livrar simplesmente.

Doação não é lixo.

Alguém pode sugerir: os responsáveis pela biblioteca deveriam encaminhar esses livros inutilizáveis para a reciclagem. Desculpe-me, mas os responsáveis pelas bibliotecas já tem trabalho suficiente. O encaminhamento para a reciclagem ou para outro fim menos definitivo deve ser responsabilidade do antigo dono dos livros.

Escrevi isto depois do desabafo da Daniele Carneiro, uma das  responsáveis pela Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa – que atende leitores em plena floresta atlântica, no litoral paranaense, emprestando livros sem prazo de devolução e promovendo a leitura em uma comunidade que, de outra forma, não teria acesso a livros.

Ela enviou o desabafo por email:

Oi, Alessandro, tudo bem?


Gostaria de compartilhar com você algumas experiências sobre doação de livro, pelas quais passei últimos tempos com a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, algumas que me fizeram perder bastante tempo, energia, e algumas até dinheiro. Eu acredito que você possa tirar algumas dicas desse meu relato, sobre doação de livros para todos aqueles que estão pensando em doar.


Aconteceu de me deslocar grandes distâncias, gastar gasolina, pagar pedágio para ir buscar caixas de doações e ao chegar em casa, os livros são enciclopédias didáticas com mais de 40, 50 anos, desatualizadas. Alguns fascículos até interessantes, mas ao serem tocados vão se desmanchando. Enciclopédias desatualizadas e livros didáticos, daqueles usados diariamente em sala de aula não despertam a atenção de novos leitores, não servem para conquistar novos leitores, nem para encantar pessoas que já leem, porque não são atraentes, já cumpriram seu dever em sala de aula.


As pessoas têm pena de jogar fora as apostilas de cursinho vestibular e livros didáticos, e acabam doando achando que alguém fará uso delas. Mas não farão. Chegam muitas doações de livros de curso de inglês com todos os exercícios completos a lápis ou a caneta. De uma doação de 500 volumes, aproveitamos 30, o resto foi tudo para o lixo, porque estavam se desmanchando ao toque.


Livros e revistas religiosos também não servem e chegam em grande quantidade. Se nem os donos acharam utilidade para esses livros, imagine para um leitor iniciante. Alguns livros têm teorias religiosas absurdas (tipo a Terra não é redonda), que não acho que seriam construtivas para pessoas que estão começando a se habituar à leitura agora.


Pela nossa experiência nesses meses com a Biblioteca Sítio Vanessa, eu vejo que as pessoas são apegadas muitas vezes a um acervo totalmente despedaçado e que não serve para ser repassado para outras pessoas. “Repassar” não significa trocar o lixo de lugar. São livros totalmente riscados, sujos, sem capa, faltando páginas, rasgados. Material que é lixo reciclável sem a menor possibilidade de oferecer uma leitura agradável, não teria condições de passar por restauro, e não serviria para um novo leitor. São muitos livros infantis e universitários (livros técnicos) riscados pelas próprias crianças, e pelos antigos donos, que não tem como serem repassados para outros leitores. E mesmo assim as pessoas doam, porque tem um afeto por aquele material, e acham que a gente poderá fazer um milagre da restauração naquilo, e repassar como mágica para outras pessoas.


Acredito que meu trabalho daqui pra frente, além de reunir livros para a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, será a de orientar as pessoas para separar aquilo que é lixo daquilo que é doação. Na cabeça de muitas pessoas é o nosso trabalho ver isso, como se elas já estivessem conscientes de que ali naquele bolo de papel, só tem lixo mesmo. Eu queria poder desassociar a palavra “doação” de “lixo”. Fazer uma seleção do que ainda é aproveitável demostra respeito àqueles que irão receber esses livros.


Tem livros, vários deles que merecem ser restaurados, e mesmo com a nossa pouca habilidade na arte do restauro, fazemos o possível para dar uma sobrevida à eles, e repassamos. Esses livros vieram apenas com as marcas de uso, ou dos anos, alguns velhinhos, a maioria em estado excelente, que serão lidos por muitas gerações.


Mas também quando vêm em grande quantidade, livros com muitos problemas, o que acontece com eles é que vão ficando empilhados pelos cantos, porque além de não sermos restauradores, necessitam de um maior cuidado, e não temos tanto tempo disponível para nos dedicar a eles, porque afinal, nós também temos nossa vida, nossas atividades, faculdade e problemas para resolver. E livro parado é justamente aquilo que a gente quer evitar. Queremos livros circulando.


Por isso apoio muito a iniciativa de que as pessoas doem livros direto de suas estantes. Livros em bom estado. E “bom estado” algumas pessoas não compreendem bem. A matemática é fácil de fazer o que é bom pra mim, é bom para o outro. O fator apego é que atrapalha. As pessoas olham com carinho, amor e lealdade para algo que não presta mais, e acham que aquilo ali vai se transformar em algo sem traças, sem bolor, sem manchas, sem rasgos, e recriar páginas e capas só pelo amor. Apoio muito a ideia de que as pessoas doem seus livros que não serão relidos, porque eles terão uma vida bem mais duradoura, atingindo um número enorme de pessoas, como aqueles nossos primeiros trinta livros que deram o pontapé inicial a Biblioteca do Sítio. Queria poder desassociar a ideia de que doação é relacionada a objetos velhos, imprestáveis, que já cumpriram seu uso. As palavras que tenho ouvido muito “descarte” e “repasse”, já não me soam bem quando chego para buscar uma doação, porque aí já sei que só terá porcaria.


Vamos desassociar a doação da ideia de “desentulhar” cantos e armários. Queria poder desassociar a palavra “doação” do ato de “livrar-se” de várias coisas que estão atrapalhando, porque é exatamente isso que a gente não quer. Nós queremos livros que outras pessoas possam ler com algum conforto.


Após receber uma grande doação, de 500, 700 livros, nosso trabalho é igual à de qualquer biblioteca: limpamos os livros, apagar todos os sublinhados, colamos capas e páginas e por fim carimbamos com as orientações de uso. Os livros que levamos para o Sítio Vanessa são todos analisados, selecionados pelos assuntos que os leitores mais se identificam e nos pedem pessoalmente. Ou seja, nosso trabalho não é diferente do trabalho de qualquer outro funcionário que trabalhe numa biblioteca pública ou particular. Não chegamos com a caixa cheia de entulho para os leitores e dizemos “revirem!”. Seria bacana que os futuros doadores tivessem o cuidado em separar aquilo que é lixo daquilo que é genuinamente uma doação.


Sei que é um trabalho árduo desassociar essa ideia de coisa imprestável, “que eu não quero mais, mas não consigo jogar no lixo” de doação, mas acredito que não é impossível.


Não quero que as pessoas se sintam desestimuladas a doar, nós precisamos dos livros. Mas acredito que elas possam ser orientadas, e poderiam ser mais cuidadosas. Poderiam fazer uma pequena seleção do que deve ser doado, e do que não deve. Porque o que é lixo é lixo mesmo, qualquer um vê ao bater os olhos, não sou eu, ou outras pessoas que têm bibliotecas que irão definir que aquilo ali vai milagrosamente se reverter num livro que possa ser utilizado no próximo ano, por várias pessoas. Não estou de forma alguma reclamando das doações que recebemos, se não fossem por essas doações não teríamos alcançado 500 volumes em seis meses de funcionamento, mas às vezes é apenas falta de conhecimento. É uma questão de começar a despertar a sensibilidade das pessoas para os objetos que serão doados. Doação é amor, é muito mais que “se livrar” de algo que está atravancando o caminho, é respeito pelo próximo, é cuidado. O cuidado que você tem com suas coisas sendo repassado para outra pessoa. Doar é se colocar no lugar da outra pessoa, ser capaz de por um instante tentar compreender a situação dela, e se colocar naquela situação.


Um grande abraço para você, obrigada por sempre divulgar a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, e vida longa às Biblioteca Livres.


Dani Carneiro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E aquela emissora de televisão continua a mesma Globosta


pescado no Conexão Brasília Maranhão

Em agosto de 2011 as Organizações Globo lançaram, com grande estardalhaço, um documento intitulado “Princípios Editoriais”, contendo as “normas e condutas que os veículos do grupo devem seguir para que seja cumprido o compromisso de oferecer jornalismo de qualidade”, conforme noticiou o G1, portal do grupo.

Quem conhece minimamente o histórico dos meios de comunicação da família Marinho – no conjunto da população brasileira, é um contingente ínfimo de pessoas – sabe que os tais “princípios” não passam de alegoria, balela, conversa pra boi dormir, (mais uma) tentativa de iludir ou enganar incautos sobre a verdeira natureza do grupo Globo: uma instituição política disfarçada de empresa de informação e entretenimento.

Indo ao que interessa, na edição do Jornal Nacional – principal produto jornalístico da Globo, que é assistido todas as noites por dezenas de milhões de pessoas em todo o Brasil – de terça-feira (31/1), foi exibida uma reportagem sobre a visita da presidenta Dilma a Cuba (confira o vídeo e o texto completo da matéria aqui).

A abordagem da emissora, que considera Cuba uma ditadura onde a liberdade é sufocada e o povo vive oprimido, não espanta e nem sequer incomoda muito, embora a parcialidade se transforme muitas vezes em desonestidade.

“O diabo está nos detalhes”, diz um célebre ditado inglês.

No encerramento da matéria, o apresentador William Bonner leu nota que seria uma manifestação da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Federal. Para isso o JN recorreu ao 2º vice-presidente do órgão.

“Sobre as declarações de Dilma, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Arnaldo Jordí, do PPS do Pará, lamentou que o governo brasileiro tenha deixado a garantia dos direitos individuais fora da pauta de discussões em Cuba. O deputado disse ainda que a comunidade internacional não aceita mais a privação de direitos como a liberdade de expressão e de organização política”. (William Bonner, JN, 31/01/2012)

Curioso a emissora ter recorrido à terceira pessoa na hierarquia da CDH – a presidenta é a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e o 1º vice-presidente é o deputado Domingos Dutra (PT-MA) – apenas para garantir a manifestação de um deputado que faz oposição ao governo federal, embora apresentado como porta-voz de uma instituição especializada nas questões de direitos humanos.

Questionei a deputada Manuela D’Ávila pelo Twitter e ela confirmou que não foi procurada pela reportagem, como eu suspeitara.

E falei por telefone com o deputado Dutra, que também não foi contatado pela Globo.

O fato grave, gravíssimo, é que a emissora, ao ignorar a hierarquia institucional da Comissão de Direitos Humanos, apenas para emprestar à sua reportagem um ar de isenção e legitimidade que o órgão reconhecidamente possui, desrespeitou o órgão e, assim, assinou o atestado de partidarização da pauta, o que fere os seus princípios editoriais (leia abaixo).

Pior ainda, pregou uma peça em toda a audiência do telejornal, que saiu com a impressão de ter ouvido uma declaração da Comissão de Direitos Humanos criticando o governo.

Essa é a ética da Rede Globo. Esse é o respeito pelos princípios editoriais que os herdeiros de Roberto Marinho assinaram, em nome dos seus filhos e netos.

Da Manuela D’ávila e de Domingos Dutra, a Globo jamais arrancaria uma crítica à postura do governo de não abraçar a pauta da oposição, que só fala de direitos humanos em países inimigos dos EUA: Cuba, Irã, Venezuela, entre outros.

Jamais você vai ouvir alguém do PSDB ou do DEM (ou algum veículo da Globo) falar – talvez algum polpitico do PPS fale – sobre as violações de direitos humanos no Iraque, no Afeganistão, na Arábia Saudita ou mesmo nos EUA, que tem extensa folha corrida de desrespeito aos direitos básicos da sua própria população.




Para a Rede Globo, prisões em massa na ocupação de Wall Street não são violações de direitos humanos (Foto: Centro de Mídia Independente/EUA)


Daí a forjar uma manifestação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é uma prática típica dos assassinos que dizem, com as mãos ensanguentadas diante da vítima: “a culpa é do punhal”.

Seria muito importante, a bem da verdade, que a Comissão se pronunciasse a respeito dessa fraude  político-jornalística.

Lamentável. Mas não surpreendente.

Mais uma vez, a Rede Globo mostra – ainda que sutilmente – a sua verdadeira natureza: uma organização política.

Leia alguns trechos dos Princípios Editoriais da Globo que rejeitam a partidarização do trabalho noticioso.



“(…)

Um jornal de um partido político, por exemplo, não deixa de ser um jornal, mas não pratica jornalismo, não como aqui definido: noticia os fatos, analisa-os, opina, mas sempre por um prisma, sempre com um viés, o viés do partido. E sempre com um propósito: o de conquistar seguidores. Faz propaganda. Algo bem diverso de um jornal generalista de informação: este noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a intenção consciente de não ter um viés, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas. Produz conhecimento. As Organizações Globo terão sempre e apenas veículos cujo propósito seja conhecer, produzir conhecimento, informar.

(…)

h) É imperativo que não haja filtros na composição das redações.

i) As Organizações Globo são apartidárias, e os seus veículos devem se esforçar para assim ser percebidos;
As Organizações Globo serão sempre independentes, apartidárias, laicas e praticarão um jornalismo que busque a isenção, a correção e a agilidade 

(…).”


A cabeça cubana de Yoani Sánchez



Cronicas do Motta


A cabeça da cubana Yoani Sánchez deve estar uma confusão só neste momento.
Ela, que mantém um blog famoso em todo o mundo por dizer que Cuba é um presídio a céu aberto, recebeu o visto de entrada no Brasil, para onde foi convidada a vir pelos produtores de um documentário que conta com a sua participação. Por esses dias deverá receber a resposta do governo de seu país sobre se poderá deixá-lo para a viagem. Em outras ocasiões, a permissão para a saída foi negada. Desta vez, parece que as autoridades cubanas vão permitir que ela saia.


Yoani, que já viveu fora de Cuba por algum tempo - ela morou na Suíça -, deveria então estar feliz da vida. Se de fato vier ao Brasil, terá a opção de ficar alguns dias aqui, dar um monte de entrevistas, dizer para todos os repórteres que Cuba é aquele inferno que descreve em suas crônicas, ir à praia, tomar caipirinha, observar a tremenda desigualdade social brasileira, conversar com os camaradas do DEM, do PSDB e do PPS, se inteirar sobre como funciona a nossa democracia, gozar, enfim, de mais um momento de glória nessa sua vida de tenaz resistência à opressão.


E depois tomar um avião de volta para o que considera seu pesadelo cotidiano.
A outra opção que tem é fazer tudo isso e pedir asilo político ao Brasil. É quase certo que, dessa forma, criaria uma crise entre o governo brasileiro e o cubano, mas que, no fim, ficaria por aqui, com a condição de não falar mais, publicamente, sobre política. Claro que continuaria com o seu blog, e lá continuaria a escrever o que bem entendesse sobre o país que teria abandonado.


Yoani é festejada no mundo inteiro por aqueles que enxergam em Cuba apenas mais uma ditadura execrável.


Já os que veem a ilha sob outros olhos e admiram tanto a coragem com que seu povo vem resistindo a um cerco implacável da maior potência mundial, como os notáveis avanços sociais que foram feitos depois que Fidel e sua turma botaram a camarilha de Batista para correr, acham que a moça não é tudo isso, que ela não age apenas por interesse ideológico ou patriótico, e sim movida a bons, fartos e constantes dólares, a soldo da notória Agência Central de Inteligência, a famosa e nebulosa CIA.


Mas seja lá o que ela for, se Yoani vier mesmo ao Brasil, que seja bem recebida por todos os que a cultuam ou a desprezam.


Pois ela é, para ambos os lados, um exemplo vivo do melhor e do pior do ser humano, uma corajosa idealista ou uma vil traidora mercenária.
Pois no seu caso, não há meio termo, nenhuma graduação cromática ou de caráter.
Os interesses que a cercam são muito fortes para que ela seja apenas mais uma ingênua criatura de passagem pelo mundo.