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* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Crise do Capitalismo em desenhos

Infelizmente não existe tradução deste instrutivo vídeo (e nos outros dessa série), mas é inteligível para que domina o inglês medianamente. É uma ilustração de palestras de defesa dos pontos de vista do analista inglês David Harvey.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rede Globo - a lenta decadência


mais um ótimo texto do Rodrigo Vianna

Altamiro Borges, aqui, e Paulo Henrique Amorim, aqui, destacam fatos que demonstram a decadência da TV Globo.

O texto de Miro mostra que o Faustão – em crise de audiência (e de faturamento?) – demitiu a banda de músicos. E que o “Fantástico” enfrenta a pior crise de sua longa história. O Paulo Henrique relata como a audiência do “JN” encolheu em dez anos: o jornal apresentado por Bonner perdeu um de cada quatro telespectadores de 2000 para 2010 – são números oficiais do IBOPE.

São fatos. Não é bom brigar com eles. Mas é bom analisar esse proceso com cautela.

Quando entrei na TV Globo, em 95, o “JN” dava quase 50 pontos de audiência. Era massacrante. O “Globo Repórter” dava perto de 40 pontos.

Em 2005/2006, quando eu estava prestes a sair da emissora, o “JN” já tinha caído pra casa dos 36 ou 37 pontos (havia dias em que o jornal local conseguia mais audiência do que o principal jornal da casa) e o “Globo Repórter” se segurava em torno de 30 ou 32 pontos (programa que desse menos de 30 abria crise, era preciso sustentar a marca dos 30).

Esse tempo ficou pra trás. O “JN” já caiu pra menos de 30 pontos. E o Globo Repórter hoje patina em 24 ou 25 – dizem-me.

O “Jornal da Record” dobrou de audiência. Em São Paulo chega a 10 pontos, em outros Estados passa dos 12 ou 13. Nas manhãs, a Globo e a Record (com o SBT um pouco atrás) brigam pau a pau. E a Record vence em muitos horários matutinos, há meses. Aos domingos, a Globo também sofre. A grande jóia da coroa da emissora carioca é o horário nobre durante a semana: novelas+ JN. Nesse caso, os números revelam que o domínio da Globo se reduz, ainda que de forma lenta.

Muita gente espera o dia em que a Globo vai passar por uma hecatombe e deixará de ser a Globo. Acredito que isso não vai acontecer: a queda será lenta, negociada, chorada…

A Globo poderia ter quebrado ali pelo ano 2000. No primeiro governo FHC, Marluce (então diretora geral) tivera duas idéias “brilhantes”: tomar dinheiro emprestado, em dólar, para capitalizar a empresa de TV a cabo do grupo; e centralizar as operações numa “holding”. Ela acreditou nas previsões do Gustavo Franco e da Miriam Leitão, de que o Real valeria um dólar para todo o sempre! Passada a reeleição de FHC, em 98, o Brasil quebrou, veio a crise cambial e a Globo ficou pendurada numa dívida em dólar que (de uma semana pra outra) triplicou.

A dívida era da TV a cabo mas, como Marluce e os geniais irmãos Marinho tinham centralizado as operações na holding, contaminou todo o grupo. A Globo entrou em “default”. Quebrou tecnicamente. Poderia ter virado uma Varig. Mas conseguiu (sabe-se lá com quais acordos e pressões políticas) equalizar a dívida.

Quando saiu da crise, em meados do primeiro mandato de Lula, a Globo (o jornalismo) estava já sob os auspícios de Ali Kamel – o Ratzinger. Ele conduziu a empresa para a direita: contra as cotas nas universidades, contras as políticas de combate ao racismo (“Não somos racistas”, diz), contra o Bolsa-Família. O grande público não percebe isso de forma racional. Mas (mesmo que de forma despolitizada) sente que a Globo ficou contra todos os avanços sociais dos últimos 8 anos. Lentamente, foi-se criando uma antipatia no público. Ouve-se por aí: a Globo não fica do lado do povão.

Não é à toa que um fenômeno novo surge nas grandes cidades, como São Paulo. Nas padarias, restaurantes populares, pontos de táxi, era comum ver televisores ligados sempre na Globo. Isso há 7 ou 8 anos. Acabou. De manhã, especialmente, a programação da Record e do SBT (e às vezes também dos canais a cabo) entra nas padarias, ocupa os lugares públicos.

Essa é uma mudança simbólica.

Mas é bom não brigar com outro fato: boa parte do público segue a ter admiração e carinho pela progamação da Globo. E há motivos pra isso, entre eles a qualidade técnica. A iluminação, a textura da imagem, o cuidado com o bom acabamento. Tudo isso a Globo conseguiu manter – apesar de muitos tropeços aqui e ali.

Fora isso, apesar de toda crítica que façamos (e eu aqui faço muito) ao jornalismo global, é bom não esquecer que na TV da família Marinho há sim ótimos profissionais, gente séria que tenta (e muitas vezes consegue) fazer bom jornalismo.

Esse capital – qualidade técnica – a turma do Jardim Botânico tem conseguido manter. O que não ajuda: a política editorial, adotada por exemplo durante a posse de Dilma. Ironias desmedidas, falta de compreensão do momento histórico e uma arrogância de quem se acha no direito de “ensinar” como Dilma deve governar. A seguir nessa toada, a decadência será mais rápida…

E o que mais pode entornar o caldo por lá? Grana.

A Globo tem custos altíssimos de produção. Quem conhece de perto o Projac diz que aquilo é uma fábrica de boas novelas e minisséries, mas também uma fábrica de desperdício. Empresa familiar, que cresceu demais. Cada naco dominado por um diretor, como se fosse um feudo. Até hoje a Globo conseguiu manter essa estrutura porque ficava com uma porção gigante das verbas públicas de publicidade (isso mudou com Lula/Franklin) e com uma porção enorme da publicidade privada: o BV – bônus em que a agência é “premiada” pela Globo se concentrar seus anúncios na emissora – explica em parte essa “mágica”; outra explicação é que a Globo detem (detinha!?) de fato fatia avassaladora da audiência.

Com menos audiência, as agências (ou as empresas anunciantes, através das agências) podem pressionar para que o valor dos anúncios caia. Se isso acontecer, a Globo vai virar um elefante branco. Impossível manter aquela estrutura verticalizada se a grana encurtar.

Qual o limite que a Globo suporta? Difícil saber. Mas dispensa da banda do Faustão é um indicador de que a água pode estar subindo rápido.

Outro problema sério: o risco de perder a transmissão do futebol, ou de ter que pagar caro demais para mantê-lo.

Tudo isso está no horizonte. E mais: a entrada das teles no jogo. O Grupo Telefônica, por exemplo, fatura dez vezes mais que a Globo. Como concorrer? Só com regulação do mercado, assegurando nacos para os proprietários nacionais.

Ou seja: a Globo – que é contra a regulamentação (“censura”, eles bradam) por princípio – vai ter que pedir água, vai ter que negociar alguma regulação pra conter os estrangeiros. E aí pode entrar também a regulação que interessa à sociedade: critérios para concessões, e também para evitar o lixo eletrônico e os abusos generalizados na TV. Regulação, como em qualquer país civilizado. Até aqui a Globo tentou barrar esse debate. Mas vai ter que aceitá-lo agora, porque ficou mais frágil.

De minha parte, não torço pra que aconteça nenhuma “hecatombe”, nem que a Globo quebre. Mas para que fique menos forte, e que o mercado se divida.

Parece que é isso que está pra acontecer. Seria saudável para o Brasil.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

E Cesare Battisti?... é um criminoso comum?...


Por Altamiro Borges

Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro neofascista da Itália que já deveria estar na cadeia por seus crimes de corrupção, continua seu ataque histérico contra o governo brasileiro devido à concessão de asilo ao ativista Cesare Battisti. Para ele, o ex-militante da luta armada é um “criminoso comum” e deveria ser extraditado. Já para boa parte da mídia colonizada, Berlusconi está certo e o presidente Lula pisou na bola. Mesmo setores do campo progressista acham que a decisão soberana do Brasil foi equivocada.

Como se observa, o assunto é polêmico e gera muitas paixões. Mas ele não permite visões simplistas. Não dá para esbravejar que Battisti é um criminoso comum sem discutir o contexto político da Itália nos 1970. E nem dá para garantir que ele seria tratado com justiça caso fosse extraditado. Ou seja, não dá para cair nas bravatas de Berlusconi, que nunca se empenhou pela extradição de notórios terroristas de direita e que agora faz escarcéu com Battisti – até para se safar da brutal crise do seu corrupto governo.

Bode expiatório de um período sombrio

Maria Inês Nassif, num excelente artigo para o jornal Valor, já ensinou que o bufão Berlusconi e o sistema jurídico italiano não devem ser levados muito a sério. Conforme lembrou, Battisti foi condenado à prisão perpetua sem qualquer direito de defesa. As testemunhas que o acusaram de quatro assassinatos ganharam delação premiada e há indícios de que uma foi torturada. Dois dos citados homicídios teriam ocorrido em 16 de fevereiro de 1979, a 500 km de distancia um do outro – uma aberração jurídica.

“[Battisti] nunca esteve num tribunal para defender-se das acusações e, de volta à Itália, não será ouvido por nenhum juiz”, alerta a colunista. Para ela, “diante de tantas contradições e de tantos fatos mal explicados, fica a dúvida de por que interessa tanto ao governo italiano coroar Battisti como o bode expiatório de um período negro na Itália, onde não apenas a luta armada enevoou o país, mas as instituições se ajustaram a uma guerra contra o terror usando métodos poucos afeitos à ordem democrática”.

As operações terroristas da CIA

Para quem não conhece a história daquele sombrio período vale a pena ler o livro “Legado de cinzas, uma história da CIA”, do jornalista estadunidense Tim Weiner, vencedor do prêmio Pulitzer. Ele mostra que a década de 1970 foi uma das tumultuadas da história recente da Itália. Com base em vários documentos oficiais, o autor comprova que o serviço de espionagem e terrorismo dos EUA teve participação ativa no processo político italiano, financiando partidos da direita e realizando ações de sabotagem.

“A CIA gastou pelo menos US$ 65 milhões comprando influência em Roma, Milão e Nápoles”. Thomas Fina, cônsul-geral dos EUA em Milão durante o governo Nixon, confessou que a CIA subsidiou o partido democrata-cristão e deu milhões de dólares para bancar “a publicação de livros, o conteúdo de programas de rádio, subsidiando jornais e jornalistas”. Ele se jactava que “tinha recursos financeiros, recursos políticos, amigos e habilidade para chantagear” – inclusive na imprensa italiana.

Neofascista italiana não tem moral

Tim Weiner revela que a ingerência ianque se intensificou a partir de 1970. “Com aprovação formal da Casa Branca, houve a distribuição de US$ 25 bilhões a democratas cristãos e neofascistas italianos. O dinheiro foi dividido na ‘sala dos fundos’ – o posto da CIA no interior da suntuosa embaixada americana”. Giulio Andreotti “venceu a eleição com injeção de dinheiro da CIA. O financiamento secreto da extrema direita fomentou o fracassado golpe neofascista em 1970. O dinheiro ajudou a financiar as operações secretas da direita – incluindo bombardeios terroristas, que a inteligência italiana atribuiu à extrema esquerda”.

Se as ações armadas comandadas pelo grupo de Cesare Battisti foram um grave erro político, que inclusive serviram aos intentos golpistas da direita italiana, não dá para desconhecer que a CIA e os grupos fascistas do país também jogaram sujo. O clima era de guerra. Nesse sentido, é puro simplismo rotular Cesare Battisti de criminoso comum para justificar a sua extradição para a Itália. O neofascista Silvio Berlusconi, que reúne em seu governo notórios terroristas de direita que participaram da “guerra suja” dos anos 1970, não tem qualquer moral para condenar a decisão soberana do presidente Lula no último dia do seu mandato.

Jurerê Internacional

O Daguerreotypo que ilustra este post mostra a cultura civilizatória dos freqüentadores de um local chamado Jurerê Internacional. O instantâneo foi eternizado às 9:00 hs do dia 1º de janeiro de 2011.

Só podia ser classe média mesmo! Maldita inclusão desse Lulismo de resultados!

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O avião do vice-presidente


As melhores tiradas analíticas sobre esse farto fato, passível de (in)farto, estão no ótimo blog do Professor Hariovaldo, nos comentários do impagável post: Fracassa a tentativa de empoçar Dilma.

Relaciono algumas opiniões de comentaristas sobre esse assunto (avião do vice) extraido do blog do preclaro professor, guardião dos homens bons:

  • Falando em avião, Mestre, onde nosso destemido Vice terá aprendido a pilotar?
  • Confesso ter sentido uma pontinha de inveja do dito cujo. O ex-homem bom preservou o bom gosto, apesar de ter se bandeado para o lado dos vermelhos.
  • É natural que homens bons e de muitos benz tenham caixa (2?) pra conquista aviões equipadíssimos, melhor dizendo equipadíssima.
  • Não me parece que o ex-homem bom e atual vice tenha um aeroporto com pista apropriada e terminal em condições de operação adequadas para satisfazer as necessidades de um avião deste porte. Entendo eu que para cada aterrissagem seja preciso um período mínimo de dois meses para que a pista esteja em condições de receber novo acoplament… Quer dizer pouso. Moral da estória: o que adianta ser o número 2 da Infraero se o seu avião só pode decolar e pousar a cada 60 dias?
  • Vejo em vossos comentários pontinhas de iceberg de inveja.
    Saibam Vossas Senhorias que a moça é totalmente APAIXONADA pelo vice. É o amor, como cantam Zezé de Camargo e Luciano, representantes da cultura popular e mal cheirosa.
  • Outro que tinha um avião no hangar era Arruda. Será que depois de ter sido abatido em pleno vôo, o piloto ainda tem “torque”, “aviônica”, etc. para segurar o “avião” no manche, que, parece, não está mais lhe obedecendo?
  • Percebo q tens uma boa percepção do que se passa na TESTA de alguns homems bons de BENZ.
    Gostaria de citar, para sua já vasta cultura (pois não?), q o povo tupiniquim deve ser o único no mundo a consumir prazeirosamente musica de corno manso, bem como promover associação em clube com direito a carteirinha.
  • Em primeiro lugar, gostaria de fazer um ode aos aviões franceses e brasileiros, pois vejo, com profunda gratidão, com lágrimas nos olhos, que essas bondosas moças levam com extrema precisão o ditado “o amor é lindo – cego, surdo, mudo e bobo é consquência”; q desprendimento, q bondade, q falta de malicia, q mamata boa… err… que vida de privações q passaram a ter… S. Francisco de Assis ficaria orgulhoso de suas discípulas, concorda? Ora, fato posto, e lembrando de outro piloto de avião q não cabe na sua pista, um gaulês casado com uma tal de Carla, o q tem em comum com nosso vice piloto?
    Eles sentem uma enorme coceira na TESTA qdo seus aviões engasgam para responder: “por que seu cel. tem tanta ligação do Ricardão, seu professor de massoterapia”… e essas de madrugada qdo não estou em casa?
    Outra frase q causa grande crescimento dos adornos (no jardim, lógico) é: “benzinho, se lavar bem, que mal tem?” qdo algum mecânico descuidado deixa manchas após uma troca de óleo rapidinha…
  • Ter avião em casa dá um trabalho danado… É ou não é pra dar uma baita coceira na testa??? Já tem carteirinha do clube?
    Tivessem um carrinho básico em casa, tipo trio-elétrico, ar, bem aquipado, semi-novo não precisariam se incomodar tanto com piada de corn… err… papagaio, mas querem ter jatão em garagem velha… dá nisso!
  • Se o destemido vice não tiver pelos menos um brevê de teco-teco, com certeza tem uma carteirinha do clube ao qual você se referiu antes. Particularmente, acho que ele é adepto da máxima: “melhor andar de airbus, com todo o conforto e prazeres junto com outros 380 felizardos, do que sozinho num bandeirantes da FAB. Para finalizar, ouvi durante a posse que o airbus tem 26 anos de fabricação. Nosso destemido piloto é nascido em 1940. Conclusão: ele tem que receber ajuda para aprender como pilotar a aeronave. E com o adiantado da idade, aulas de reforço são necessárias durante todo o percurso, sob pena de esquecimento dos ensinamentos. Resta-nos agora descobrir quem é o instrutor…
  • O nosso Temeroso vice deve dormir tranqüilo, enquanto algum co-piloto de plantão assume o comando de seu baita aeroplano.
  • Mesmo assim, com o risco de receber ornatos cornucópicos na testa, acho que os velhos ditados populares ainda valem: “melhor comer um filé junto do que uma muchiba sozinho”, “como frango porque gosto de frango, não interessa se o frango gosta de mim”.
  • Ora, deixem-se de rodeios, digam-no com todas as letras : A vice-primeira dama é muito GOSTOSA!!!...




Nota importante de atualização (05/01 – 8:07 hrs):

Em tempo é de bom alvitre esclarecer que este post tem só uma conotação de gozação de boteco, extraída dos comentários do blog mencionado, e NÃO representa necessariamente a posição deste blog no que se refere a relações estáveis entre pessoas de idades diferentes. Ao postar esse material eu ainda não sabia que o vice-presidente é casado regularmente com essa moça há 7 anos já e inclusive tem um filhinho fruto deste relacionamento.

Como diria meu amigo Edu Guimarães, “... u’a polícia oficiosa dos costumes é uma praga de sociedades provincianas que um país em franco desenvolvimento econômico e social como o nosso precisa enterrar bem fundo, pois é vergonhosa e oriunda de gente que não resistiria às devassas que faz da vida alheia, mas se arvora em juiz e júri da intimidade do outro”.

A velha mídia continua velha (o conto dos Três tigres tristes)



Como estou chegando agora, vou atualizar algumas coisas só para nos situarmos de como as coisas continuam como dantes, nos quartéis de Abrantes.

Aqui na internet, o papo da hora é o avião de 26 aninhos pilotado (?) pelo novo vice-presidente. A relevância desse fato está bombando entre a Classe Média do Facebook, assunto para outro post, ainda hoje.

Comecemos em vislumbrar que a velha mídia continua muito velha, num post do Rodrigo Viana, no Escrevinhador:

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Três capas de três velhos jornais no dia da posse

(o conto dos Três tigres tristes)

Por dever de ofício cheguei cedo à redação da TV, em Brasília, nesse primeiro de janeiro.

Com o pensamento ainda enevoado pela noite mal-dormida, vi sobre a mesa do chefe de reportagem os três principais (?) jornais do país.

Demorei pra entender que aquela capa de “O Globo” era mesmo a capa do dia em que Lula passaria a faixa para Dilma: acima da dobra, nenhuma referência à posse. Apenas fotos da queim,a de fogos no Rio. Como se nada estivesse acontecendo no Brasil. A manchete de “O Globo” era para a “retomada” do orgulho carioca – com olimpíada, Copa e combate ao tráfico. Uma capa provinciana de um jornal provinciano. Sobre Dilma , o destaque (quase no pé da primeira página) de “O Globo” era: “No adeus, Lula deixa para Dilma crise diplomática com a Itália”. Ah, então tá bom. Lula deixa só isso? O presidente mais popular desde Vargas merece isso apenas no dia em que vai embora? “O Globo” fazia oposição a Vargas, como fez – de forma cerrada – a Lula. Mas no passado era menos chinfrim. Pra que Casseta e Planeta se existe a primeira página de “O Globo”?

A “Folha” também é a “Folha” de sempre. Mais importante que Dilma ou Lula é a opinião da “Folha” sobre Dilma e Lula! O editorial em primeira página é cheio de termos que lembram o “Estadão” de outros tempos: “o grande repto que se apresenta à nova mandatária”… Repto? E a “Folha” – no editorial que ocupa um terço da primeira página – segue a ensinar Dilma: saiba como governar, aprenda com a gente aqu na Barão de Limeira! Dilma deve es estar muuito agradecida pela lição em primeira página.

O “Estadão”, como sempre, é o mais correto. Vai no factual. Manchete principal: “Começa o governo Dilma”. Sem arroubos, sem invencionice, sem provincianismo, sem “lição de governo” em primeira página . A história de Battisti está na capa, mas de maneira sóbria. O “Estadão”, todo mundo sabe, faz oposição ao lulismo. É um jornal conservador. Mas ainda tenta ser um jornal.

As capas indicam o que se pode esperar do velho jornalismo no governo Dilma. Decadência, sem nenhuma elegância.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Estamos de volta!... na incompletude.


O ano de 2011 promete e meu sincero desejo é que seja fecundo também para todos os leitores deste blog botocudo. Vamos à luta então. Primeiro um pequeno relato:

Passei 10 dias na nossa casa de praia, na Armação da Itapocoróia, Penha SC, com minha família e, entre outras coisas boas, consegui ler dois livros inteiros nesse período, coisa que não fazia mais há tempos, depois de minha migração quase que de corpo e alma aqui para a internet. Minhas leituras (de livros) nos últimos tempos se resumiam às 2, 3 ou 4 paginas antes de dormir como leitura de cabeceira.

Pude me deliciar em ler um livro sobre o Último Teorema de Fermat, uma charada matemática incomprovada que já resistia 350 anos, explicada em poucas palavras aqui. Com essa leitura voltei um pouco à um mundo para mim esquecido desde os tempos de faculdade, o da matemática. Ai retomo contato minha filosofia de vida, baseada na aritmética de Gödel e sua teoria de incompletude, o que axiomaticamente coloca a existência em planos: existenciais e de percepção.

Não passa de uma questão de circunstâncias, charada que Ortega y Gasset mata logo de cara: "Sou eu e minhas circunstâncias." As circunstâncias determinam a ação do homem, mas ele é mais do que elas, pois o homem é que é capaz de, entendendo suas circunstâncias, realizar suas pequenas e grandes coisas, mas sempre vai esbarrar na incompletude, onde vai ter que passar à um nível seguinte e avançar para outro plano.

O mundo não se movimenta numa linearidade no sentido de um progresso contínuo, calmo e reto. A física quer nos fazer crer que a distância mais curta entre dois pontos é uma reta. O mundo não é assim. Tentar seguir uma linha reta resulta muitas vezes em colisões, mais ou menso sérias, de frente com a realidade, num gasto de energias inútil e num gasto maior de tempo: para ir mais depressa do ponto A ao B, com maior eficiência, muitas vezes o caminho mais curto passa por esquivas, meandros, recuos...

Em 2011 resolvi mudar um pouco os rumos da minha trajetória de vida e vou inventar umas coisas novas.

Ao futuro pois!... O bloguinho botocudo aqui continua como dantes... aos trancos e barrancos.