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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Durma você com um barulho desses

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Os valores que aparecem na tabela são baixos, pois são dólares do final da década de 1990, mas o contraste é evidente, atual e criminoso. As cifras mais recentes apenas se agravaram. Os setecentos e oitenta bilhões de dólares em gastos militares em 1997, em 2008 já somam um trilhão e meio.

E se pensarmos nos trilhões de recursos públicos transferidos na ultima crise de 2009 para salvar banqueiros falidos e especuladores financeiros depravados, teremos uma idéia do grau de absurdo das prioridades.

É óbvio, desse jeito a humanidade não tem nenhum futuro. Vai se esborrachar contra o muro.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O desatre no Rio de Janeiro pode levar a uma cidade mais justa?


Texto ótimo do Sakamoto

Até as cenas de calamidade geradas pelas chuvas no Rio de Janeiro nos lembram que a cidade é mais democrática que São Paulo. É claro que a geografia da capital carioca, com vales entrecortando morros que servem de muro às praias, criou uma cidade ímpar, em que pobres e ricos chegam a conviver com problemas semelhantes – semelhantes, mas não iguais em intensidade ou drama, até porque o pobre é quem obrigatoriamente se estrepa, seja o lugar que for. São Paulo lembra mais uma construção medieval, com um fosso (no caso dois, os rios Pinheiros e Tietê) separando a parte mais rica dos arredores pobres. Onde vivem os bárbaros, aqueles que ficaram de fora do butim.

O Rio tem bairros pobres no meio de partes ricas. Ou, dependendo do ponto de vista, partes ricas no meio de morros pobres (o que importa é que é um punhado de abastados em meio ao exército restante). A água, que veio por cima ou não conseguiu escoar por baixo, fez com que bairros chiques como a Lagoa, ou mesmo tradicionais como o Cosme Velho, fossem parcialmente submersos. Cenas que, com todo o respeito, fazem as cheias de bairros ricos da capital paulista, como a Vila Madalena ou Pinheiros, parecerem poças d’água. Diferentemente do Jardim Pantanal, extremo Leste de São Paulo, que tornou-se ícone do zero à esquerda que vale a vida de quem não tem nada, onde a água com cocô lavou a vida de centenas de pessoas.

O Jardim Pantanal é praticamente uma ocupação ilegal, um depositório de gente que foi parar onde São Paulo acaba mais por falta de opções do que por escolha individual. A prefeitura da capital paulista sugeriu retirar o povo de lá para que o problema acabe. Isso significa que a imensa maioria da população, que construiu sua casinha ao longo de anos de economia suada, ou aceitava o auxílio-moradia (um vale-coxinha de R$ 2 mil) ou ia embora de mãos abanando, porque a área será derrubada. Em fevereiro, parte dos moradores não aceitou isso e foi protestar em frente à Prefeitura. Levou gás de pimenta nos olhos. Tá certo! Esse pessoal tem que saber o seu lugar no mundo… Fica a lição para a Prefeitura do Rio quando a água baixar e o pessoal for protestar na frente do prédio.

A situação geográfica e urbanística do Rio é diferente, mas o problema social não. O prefeito Eduardo Paes já veio ameaçar os “demagogos” que reclamam da retirada de populações de áreas de risco na época da seca. Mas o que fazer com o pessoal que vai ser saído de lá? Dá para conseguir uma alternativa de moradia para todo mundo ou vão ocorrer expulsões para mais longe (quiçá, se Deus quiser, fora do município…) e tome vale-coxinha?

A solução para não ter mais gente morta é tirá-los de lá. Concordo plenamente. Mas para colocar aonde? Eu ouvi um apresentador de TV dizer algo do tipo “não interessa para onde o pessoal retirado vai, isso não é problema do Estado”. Ah, é? É de quem então?

De forma a atazanar o leitor, eu havia escrito, tempos atrás, que gostaria muito de ver um dia uma grande chuva chegando escura no meio da tarde em São Paulo. Veriam, em pouco tempo, tratar-se de um pé d’água maior que as tempestades que atingem o planalto de Piratininga. E começasse a cair, toda ela, em cima dos bairros nobres. A água subiria com o lixo entupindo as bocas de lobo e iria inundar mansões, encharcar tapetes caros, afogar alguns carros importados e arrastar lençóis de seda egípcia. O pessoal teria que ir para algum hotel, mas os hotéis também estaria alagados, bem como as casas de amigos. Sobraria o Ginásio do Ibirapuera e uma fila de sopão. Seria interessante ver os Jardins terem seu dia de Campo Limpo.

(Parênteses: alguns leitores não entenderam a provocação e levaram a sério, condenando-me por querer inundar a cidade por conta de uma luta de classes – como se eu tivesse os poderes do Cacique Cobra Coral…)

Mas talvez, com isso, fossem implantadas ações para amenizar o sofrimento desse povaréu, que foi empurrado para as várzeas, morros e vales de rios pela especulação imobiliária e a pobreza. Dividindo a mesma situação, talvez enxergassem no outro não apenas um personagem da matéria da TV e sim um igual e juntos buscassem alguma solução. Vendo agora o Rio, fico em uma expectativa: será que viver parte (ainda que pequena) dessa tragédia fará com que a porção rica da cidade empurre seus políticos para soluções urbanas duradouras, que incluem a construção de habitações dignas para todos? Ou, mais importante, que a porção pobre finalmente se mobilize por completo e não aceite um Estado que age seletivamente? Torço que sim, apesar de achar que não.

Por fim, com exceção dos fanáticos religiosos que enxergam sinais da primeira ou segunda vinda do messias (dependendo da religião em questão), apenas os mais míopes não percebem que as grandes cidades estão dando o troco. Não estou falando apenas do aquecimento global e das já irreversíveis mudanças climáticas que vão gratinar a Terra nos próximos séculos, mas também dos crimes ambientais que fomos acumulando debaixo do tapete e que, agora, tornaram-se uma montanha pronta a nos soterrar. Ou um caldo de esgoto a nos tragar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os fogachos de Louis Henri du Arblesilvàa

O ex-governador Luiz Henrique da Silveira (ou Louis Henri du Arblesilvàa) começa sentir os fogachos (1) de um enfraquecimento político. Seus planos infalíveis para conquistar uma cadeira no Senado já começam a passar por turbulências inesperadas e a fazer água. Ao deixar o cargo de governador LHS perdeu o poder e, ao mesmo tempo, o controle do seu partido.

Seus antigos aliados DEMo/Tucanos já debandaram e flertam abertamente com o PP. Em nível nacional açodadamente nosso herói visionário já havia declarado voto em Serra, mas já recua, pois não pode mais prosseguir com bandeira própria contrariando o PMDB. Vai tentar indiscriminadamente palanques de Serra ou com Dilma, agora tanto faz, mas poderá ficar sem nada. A disputa para senador fica cada vez mais acirrada, pois terá que superar Amin do PP e Vignatti do PT. E se LHS não for eleito? Irá descentralizar o fracasso? Certamente!

NOTAS:

(1) calor causado pelo distúrbio androgênico do envelhecimento.

A bizarrice dos senadores diplomatas


Uma eventual vitória de Dilma Rousseff nas próximas eleições está cada vez mais fácil, pois a oposição perdeu definitivamente o rumo.

A oposição DEMo/Tucana está mais perdida do que cachorro em mudança. Vejam que coisa bizarra neste divertido descritivo de sua pureza de conhecimento da coisa diplomática brasileira que promoveram ontem:

Os senadores de oposição chutaram o balde e assumiram seu viés entreguista durante a “sabatina” do ministro Celso Amorim ontem (06/04).

De pronto, tentaram colar a imagem de traíra em Amorim, quando lembraram que ele apoiou Serra em 2002 e agora é um “neo-petista”. Na resposta, lembrou os tucanos que participou do governo Collor e governo Itamar, além de ter amizade pessoal com Serra. Mas o mais interessante é a pretensão de Tasso Jereissati em afirmar: “Não temos do ponto de vista econômica nenhuma dessas ações de apoio a essas fanfarras, a roubos desses líderes latino-americanos ou africanos. Sair abrindo embaixada em toda esquina,em todo paizinho que não tem o menor sentido por US$ 400 mil porque uma empreiteira quer construir um aeroporto, acho que Vossa Excelência se enganou”, além de considerar que a política exterior sob uma presidência Serra não tomaria diálogo com líderes de esquerda. Uma imbecilidade do ponto de vista diplomático, compreensível pelas retóricas de Tasso Jereissati e Arthur Virgílio nos seus mandatos no Senado (um arranca-rabo infantil com Renan Calheiros e as ameaças de confronto físico aos desafetos).

Em outro momento, a oposição queria explicações sobre a preferência do presidente Lula pelo caça francês Rafale e recomendam que a compra seja tratada como “puramente comercial”, esquecendo que não se trata de algodão e sim de armas e tecnologia. O senador Heráclito Fortes comparou o caça, que em exercícios de combate se mostrou capaz de abater F-22 norte-americanos, ao ponta esquerda Tassu do Piauí com o preço do Kaká.

As matérias estão no Folha Online: aqui sobre o apoio a Serra e aqui sobre o caça francês.

A sabatina foi resultado de um pedido dos tucanos que reclamam das “trapalhadas” nas Relações Exteriores e bloquearam a aprovação de embaixadores até essa sabatina. Pelo visto ontem, a situação de um governo Serra poderia ser a seguinte:


1º - Cessar todos os acordos econômicos com governos de esquerda: Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Bolívia (ó o gás!), Equador e “paizinhos” da África, como Nigéria, Egito, Angola, África do Sul. Oriente Médio deve vir no pacote e China também, porque são governos ditatoriais. Ah, se eles não gostaram de “Caminho das Índias” e não foram informados que os russos não são mais comunistas, esqueça o PAK-FA e o BRIC, vai ficar só RIC (é, isso diz muito do futuro sob o tucanato)

2º - O Brasil é um país aberto, receptivo e amigável. Por isso, vamos encomendar a Embraer mais 120 EMB-326 Xavante (que eu chamo carinhosamente de Roberto Carlos, porque em 1971, ele voava a 300 km/h) e rebatiza-los de TASSU (ou TASSO, fica até melhor) em homenagem ao ponta do Piauí.
O futuro Ministro da Defesa, Arthur Virgílio, vai ensinar jiu-jitsu ao soldado de selva amazônica e Tasso vai vender seu jatinho como o novo cargueiro da FAB.


É!... Mundo Bizarro.

Por Juca - no blog do Luis Nassif


terça-feira, 6 de abril de 2010

Terceira etapa da grande crise: o neoliberalismo continua comendo solto


Acredite se quiser. O receituário neoliberal segue dando as cartas na Europa, pouco mais de um ano depois da crise financeira causada, entre outras coisas, pela desregulamentação radical dos mercados praticada por esse modelo. Após serem socorridos com bilhões de dólares e euros pelos governos, os grandes bancos voltaram ao padrão habitual de voracidade, lucrando agora desavergonhadamente com as crescentes dívidas públicas dos Estados que antes os salvaram.

Sugiro leitura do artigo de Michael Krätke, professor de Economia Política na Holanda e na Inglaterra, que descreve o que chama de terceira etapa da grande crise econômica e financeira:

À sombra da crise financeira, floresce sobretudo na Europa o negócio com a dívida pública. Os Estados são os melhores devedores que um credor pode desejar. A lógica é perversa e beira o surrealismo. Nos últimos meses, o Banco Central Europeu inundou os bancos europeus com créditos baratos, negando-se ao mesmo tempo a emprestar dinheiro a Estados membros em dificuldade. Os bancos europeus – a começar pelos alemães – tomaram empréstimos do BCE a juros ínfimos para oferecê-los como empréstimos ao Estado grego com taxas de juro elevadíssimas. Ao mesmo tempo, como resposta à crise, propõe novas “reformas” neoliberais.


Na Espanha, Itália, Portugal e Inglaterra; a ordem do dia é a aposentadoria aos 67 anos. Em toda parte elas impõem aos cidadãos comuns - não aos proprietários de capital e de patrimônio – drásticos aumentos de impostos. Por toda parte se cortam serviços públicos, se reduz o setor público. Impulsionada agora pela situação de suposta emergência financeira do Estado, avança-se irresponsavelmente na privatização da propriedade pública. Os gregos são massacrados, os portugueses são torrados; as facas contra a Espanha perfilam-se com zelo digno da melhor causa. (A íntegra do artigo)

Por Marco Aurélio Weissheimer


Atualização em 08/04/2010 – 9:47

Da Agencia Bloomberg – Ontem (07/04), o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, declarou que além de enfrentar o ritmo pequeno de recuperação econômica, os Estados Unidos ainda têm um acerto de contas na área fiscal. O governo americano estima que os déficits governamentais devem totalizar US$ 5,1 trilhões nos próximos cinco anos, e atingir um valor recorde de US$ 1,6 trilhão no encerramento do atual ano fiscal.

Os EUA ainda têm a vantagem de dispor da moeda reserva da economia global e de potencial tecnológico e de consumo. Mas o risco de bancarrota de países menores, a exemplo da Grécia, continua a assombrar o mercado mundial.

No fundo é o de sempre: a discussão sobre a responsabilização pela crise e sobre quem paga a conta. E que pagará essa conta também sabemos: os mais fracos a custa de seu sofrimento. Os banqueiros e oligarcas continuam numa boa... como a poupança Bamerindus.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Botocundia News em recesso até 2ª feira – Férias para o gato!

O Sul do Brasil em 1940

Vídeo histórico com informações mais das capitais, mas interessante. Só tem em inglês, não achei legendado ou dublado, mas é nível Yasigi basic, fácil de entender.