* Este blog luta por uma sociedade mais igualitária e justa, pela democratização da informação, pela transparência no exercício do poder público e na defesa de questões sociais e ambientais.
* Aqui temos tolerância com a crítica, mas com o que não temos tolerância é com a mentira.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

P$DB de Santa Catarina (a.k.a. Tucanada-SC) está em maus lençóis

Acompanhem as peripécias do vice governador Leonel Pavan e do ex-prefeito de Joinville Marcos Tebaldi clicando sobre os nomes destes impolutos personagens nesta frase.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Jornalões mentindo bravamente sobre o Haiti


Todos bradam: é o país mais pobre das Américas e talvez do mundo. Erram e enganam.

Foi colonizado (leiam a palavra no sentido de o mais cruel, selvagem e explorador) pelos espanhóis. Pelo Colombo em pessoa, junto com o irmão. Isso durou várias décadas até que a França descobriu que o Haiti era riquíssimo, principalmente em minérios raros, se instalaram lá. Podem se estarrecer, mas é rigorosamente verdadeiro: esse Haiti, que identificam como o país mais pobre, ficou sendo a possessão mais rica da França.

Passou algum tempo, como a proporção da população era de 500 mil nascidos mesmo no Haiti e 3 ou 4 mil franceses os nativos resolveram tomar o Poder e ficaram donos de tudo. Nem precisaram expulsar os franceses, eles fugiram.

No Haiti, “existem dois Haitis”. O de cima e o de baixo. Os de baixo, realmente muito pobres, não tendo o que comer, derrubaram todas as árvores, que transformavam em alimento e em utensílios diversos para a sobrevivência. (Sobrevivência?)

Na parte de cima os ricos, que junto com outros povos, exploram a população negra, que mora em baixo. Esses ricos têm casas, dão festas monumentais, não se incomodam com as centenas de milhares que moram na parte de baixo. Todas as propriedades pertencem aos ricos.

Os pobres da parte de baixo, (maldosamente chamados de parte Sul, a rica é a parte Norte) são descendentes de africanos como essas ilhas do Caribe.

De 1500 até hoje, registradas, 200 ditaduras. Todas protegidas e protegendo os ricos. Todas perseguindo e empobrecendo ainda mais os pobres.

Esse terremoto de agora não atingiu a parte rica, (a de cima) os pobres (a de baixo) perderam tudo. Quer dizer, é exagero “perderam tudo”... não tinham nada.

Os jornalões sabem de muita coisa, não podem informar para não contrariar o “sistema”.

* * *

Por Hélio Fernandes – Tribuna da Imprensa RJ


Opus Dei na América Latina e no Brasil

Ante a pedreira que se aproxima, acho sumariamente útil as pessoas entenderem exatamente o que significam as forças conservadoras reacionárias que vagam pelas catacumbas da nossa Pindorama. Comecemos pelo Opus Dei.

O historico dessa prelazia católica conservadora que coloco a seguir, embora relativamente longo, é bem completo e didático.

Notem que é bem diferente do que se vê na Wikipédia, ali certamente escrito (e controlado) por membros da própria Opus Dei, que tratam de dourar a pilula e afastar maus julgamentos sobre si próprios.



Notas minhas (henry)

O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.

Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma guinada na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do
Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.

O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.

Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães (1), numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.

O vínculo com os fascistas

Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.

Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho (2) ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.

Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.

Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.

Infiltração na mídia

Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.

Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.

O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.

A “santa máfia”

Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.

A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.

Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.

O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.

“A Internacional Conservadora”

O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush.

Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

Os tentáculos no Brasil

No Brasil, o Opus Dei fincou a sua primeira raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, segundo na hierarquia. “Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à ‘opção pelos pobres’, fundamentos da Teologia da Libertação”, explica Marina Amaral na revista Caros Amigos.

Ainda segundo seu relato, “aos poucos, o Opus Dei foi encontrando seus aliados na direita universitária... Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra Martins e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco ‘apitou’ (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários”.

Crescimento na ditadura

Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do atual presidenciável. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita.

Seu crescimento dependeu da benção dos generais golpistas e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus “embaixadores”, relacionando-se com donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada – Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Confrontado com esta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: “Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei”.

Ofensiva recente na AL

Na fase recente, o Opus Dei está excitado, com planos ousados para conquistar maior poder político na América Latina. Em abril de 2002, a seita participou ativamente do frustrado golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Um dos seus seguidores, José Rodrigues Iturbe, foi nomeado ministro das Relações Exteriores do fugaz governo golpista. A embaixada da Espanha, governada na época pelo neo-franquista Partido Popular (PP), de José Maria Aznar – cuja esposa é do Opus Dei –, deu guarita aos seus fiéis. Outro golpista ligado à seita, Gustavo Cisneiros, é megaempresário das telecomunicações no país.

Em dezembro do ano passado, o Opus Dei assistiu a derrota do seu candidato, Joaquim Laví, ex-assessor do ditador Augusto Pinochet, à presidência do Chile. Já em maio deste ano, colheu uma nova derrota com a candidatura de Lourdes Flores, declarada numerária do partido Unidade Nacional. Em compensação, a seita comemorou a vitória do narco-terrorista Álvaro Uribe na Colômbia, que também dispôs de milhões de dólares do governo George Bush. Já no México, outro conhecido simpatizante do Opus Dei, Felipe Calderon, ex-executivo da Coca-Cola, venceu uma das eleições mais fraudulentas da história deste país.

NOTAS:
(1) Henrique Judice Magalhães, meu amigo pessoal (henry)
(2) Esse livro “Caminho”, de autoria do próprio Josemaría Escrivá, está completo na internet, pode ser consultado aqui. É todo dividido em “Máximas” numeradas.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Chomsky e as estratégias de manipulação

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:



1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Crias problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.

Promover ao público a achar "cool" pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Comentário

Assisti uma das conferências de Noam Chomsky no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em 2003. Não tenho qualificativos para definir este homem. Sua sabedoria, seu bom-senso, a clareza de suas idéias, seus indiscutíveis argumentos políticos foram para mim uma fonte de esperança real em "um mundo melhor é possivel" o lema daquele forum social.

Muitas dessas técnicas, no entanto, servem como uma luva para o recente relatório de ações do governo Magno & Flavio para o ano de 2009, à frente da administração municipal de São Bento do Sul.

Desastres naturais e São Bento do Sul - 1

Nas últimas duas semanas ocorreram várias mortes em diferentes locais do país devido a desastres climáticos, sempre agravados por brutais prejuízos econômicos. Os casos de morte mais marcantes foram a queda da ponte em Agudos no Rio Grande do Sul e o escorregamento das encostas em Angra dos Reis, além das inundações na baixada fluminense. Os prejuízos econômicos ocorrem em São Paulo afogada por carros e indefesa a qualquer chuva acima de 30 mm em poucas horas.

O caso que mais chamou a atenção foi o de Angra dos Reis, e envolveu o escorregamento de encostas atingindo as edificações e população nestas áreas. Infelizmente este cenário tem ocorrido em diferentes cidades do país todos os anos, da qual São Bento do Sul não está imune e a possibilidade de ocorrer desastres sérios com perda de vidas por aqui é REAL.

No plano geral brasileiro a causa principal dessas ocorrências funestas é a urbanização de áreas de risco e a falta de zoneamento ou de cadastramento destas áreas por parte dos municípios, associado a imprudência e falta de informação da população que coloca em risco seus familiares.

Apesar de São Bento do Sul possuir um Plano Diretor, este instrumento não inclui o zoneamento da área de risco. Este zoneamento é fundamental e a ocupação poderia ser controlada pelo próprio financiamento dos bancos para a população de renda maior.

Outro problema muito sério nas terras sãobentenses e botocudas é que as autoridades constituídas no município tendem a desconsiderar o plano diretor amiúde, pois com sua sapiência se acham acima dessas diretrizes de ordenamento de planejamento urbano.

Além disso por aqui NUNCA, JAMAIS, foi tomada qualquer medida de caráter preventivo para fazer frente a problemas dessa ordem, pelo contrário, vejam esse exemplo: o EMHAB, autarquia municipal, no afã de resolver seus problemas de disponibilidade de terrenos para edificação de casas populares, andou plantando diversas dessas residências que financiou em áreas altamente potenciais para escorregamentos na Serra Alta.

Nos resta contar com a benevolência divina.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Férias para o gato!

Esse blog estará em recesso até dia 11 de janeiro

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Boris Casoy, o dissimulado

Nunca gostei de Boris Casoy. Sempre o tive como um reacionário conservador da pior espécie. Invariavelmente posa de cavaleiro da verdade, e com seus trejeitos, caretas e boquinha torta me vem com aquela máxima, de que alguns de meus amigos gostam tanto: “É-u-ma-ver-go-nha!”

Mas diferentemente do que aparenta esse personagem, está metido com falcatruas e acobertamentos de sacanagens há décadas e décadas. Ouvi falar dele a primeira vez quando o dono da finada Caderneta de Poupança Delfin, Ronald Levinsohn, tentou calar a imprensa sobre a operação de garantia fajuta ao BNH (Banco Nacional da Habitação). Antes do escândalo vazar, que levaria ao estouro da dita caderneta Delfin, Boris Casoy, na época editor da Folha de São Paulo (FSP - sempre ela) recebeu um telefonema de Paulo Francis (correspondente da Globo em Nova York e amigo pessoal de Levisohn) para que recebesse o empresário. Era para que este pudesse explicar o sua versão da coisa, na tentativa para por panos quentes, o que acabou não dando certo por outros motivos, mais fortes, pois o processo já havia sido desencadeado e não dava mais para encobrir. A própria FSP, por meio de outros jornalistas, acabou denunciando o esquema todo.

Isso tudo aconteceu no distante ano de 1983.

O mundo dá voltas e no jornal da Band de ontem a noite, no apagar das luzes de 2009, o “boquinha” dá mostra de toda seu ranço, seu descaso pelo povo brasileiro. Vejam o vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=M8_Qb5D6RK8

Jornal da Band - 31 de dezembro de 2009.

Os âncoras Boris Casoy e Joelmir Beting não percebem que o microfone ficou aberto e, pensando que ninguém mais os ouvia, fizeram comentários, no mínimo, preconceituoso e constrangedores acerca da dupla de garis que desejava a todos, inclusive aos dois, um feliz 2010. A colega dos dois âncoras da Band, Millena Machado, também não deixou de dar sua risadinha, que pode ser ouvida também. Lamentável!
Transcrição:


Casoy: "Que merda, dois lixeiros cara... desejando felicidades do alto da sua vassoura." e ri...
Millena: apenas ri (condescendente)
Casoy: "O mais baixo da escala do trabalho..."
Operador: "Deu pau, deu pau,..."

Atualização em 03 de janeiro, 2010 01:57

Carta aberta ao sr. boris casoy.


Sempre soube que o senhor é um homem de direita, que odeia meu país, o Brasil, e o meu povo, o brasileiro. Sempre soube, também, que como um legítimo peessedebista, que o senhor é, seu desejo é ver o meu país reduzido à condição de colônia dos EUA, com o devido resguardo, é claro, dos privilégios escravocratas de nossa elite retrógrada, entreguista e criminosamente indiferente às necessidades de nosso povo.

Sei, ainda, que o senhor, faz parte do grupo de profissionais de imprensa que, com a desculpa defender a liberdade de expressão em nosso país, arroga-se o direito de tentar fazer-nos engolir, à força, suas mentiras, fraudes jornalísticas e torpes propangandas, sempre a favor de poderosos latifundiários escravocratas, banqueiros bandidos, juízes corruptos, empresários desonestos, políticos venais, enfim, toda uma quadrilha de “respeitáveis criminosos”, aos quais o senhor jamais se referiria se não com a maior delicadeza e urbanidade, para não dizer subserviência.

Sempre soube de tudo isso; e sua imagem, na televisão, bradando, histérica e hipocritamente, “Isto é uma vergonha”, nas poucas vezes em que me dispus a assisti-lo, não chegava a me provocar sequer indignação, mas tão-somente uma jovial sensação de hilaridade, como quando, diante de um comediante, nos divertimos com o absurdo de suas piadas, mesmo as de mau-gosto.

O problema, sr. casoy, é que o áudio de seus brutais e ignóbeis comentários sobre aqueles trabalhadores, infinitamente mais úteis e importantes para a nossa sociedade que o senhor, fez-me lembrar, com uma irreprimível náusea, que o senhor não é, apenas, a lamentável figura de um comediante reacionário, que se exibe impunemente, todos os dias, diante das câmeras da televisão. O senhor é um fascista cruel, insensível e covarde, cúmplice de todos os crimes perpetrados contra meu país e meu povo, pela maldita elite, abjetamente defendida pelo senhor e seus comparsas, cotidianamente. Dito isto, tenho a lhe informar que nunca mais rirei de sua figura ridícula e sinistra; nunca mais rirei, com ironia, de suas mentiras, maquinações e exortações golpistas. E sou-lhe grato por isso. Por me fazer lembrar, entre ânsias de vômito e a sensação de horror, o que o senhor é e o que o senhor representa.

Sua máscara caiu de vez, senhor casoy. E sendo assim, em nome de um resto de algum digno atributo que lhe faça, ao menos, parecer humano, demita-se! Poupe-nos de sua repugnante presença, mesmo que apenas televisiva. Não nos faça começar a acreditar que, pelo seu triste exemplo, a humanidade não vale a pena.


Marcos Roma Santa.